quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A Chave da Alquimia Espiritual - parte 2

 Entender é diferente de compreender, saber é diferente sabedoria, opinião é diferente de filosofia... enfim, existem muitas diferenças, tão claras como essas ou bem mais sutis. Ler não é simplesmente decodificar a soma e o som de letras. Ler nunca foi isso! Ler é perceber os significados das sentenças e suas relações, o encadeamento de idéia de uma frase, um texto, um livro... Assim também, ler o Librum Naturae não é apenas decodificar fatos isolados, é saber o significado dos mesmos e suas relações, o encadeamento dos significados de um fato e de outros relacionados e de todos os fatos passados e presentes e das possibilidades futuras que se fecham de instante a instante. 

Isto pode parecer uma espécie de paranoia ou loucura para o que está de fora, ou para quem não faz a mínima idéia do que estou falando. Então veja novamente e agora na prática um exemplo do que pode ser ler e de quantos níveis de compreensão você pode alcançar na leitura do parágrafo anterior. Será que estás realmente lendo as frases? Será que realmente estás lendo o que estou a escrever? Assim também é com os fenômenos...

À soma de todos os fenômenos uns chamam mundo, outros, universo, outros, fatos, ou acontecimentos... Por melhor que sejam estas palavras para descrever, são ainda definições limitantes e limitadas. A soma de todos os fenômenos passados, presentes, futuros e eternos podemos estender ao dizer que também fazem parte do Librum Naturae (quando falamos de todas as naturezas também, pois não há só uma).

Ler é a primeira coisa que o alquimista faz, mas uma das últimas coisas que vai aprender. Medite sobre esse aparente paradoxo bem compreensível. E poderemos avancar para um segundo ponto sobre as teorias.

Em outra publicação já tratei da questão do significado do lema Ex Deo Nascimur, In Christo Morimur, Per Spiritum Sanctum Reviviscimus. Mas Ora et Labora também tem a ver com o aspecto da teoria e dos métodos (gnósticos, cristãos, herméticos, alquimícos, filosóficos...). 

Primeiro que o conhecimento dos sentidos e da mente pode ser enganoso, além de sempre incompletos, não que isso seja bom ou ruim nem um obstáculo ao conhecimento verdadeiro (a não ser para quem os toma como concretos e completos), são, quanto mais se avança para o interior e subjetivo, mais sujeito a equívocos, delirios, alucinações, projeções, fantasias, etc., que podem, e geralmente acontece a muitos, em algum momento serem tomados pelo investigador como realidades e até de carater superior ao que pode ser compartilhado. Isso não é nada incomum.

Um conhecimento seguro, como o matemático e o geométrico, por exemplo, só pode ser alcançado ou no nível abstrato, ou no nível simbólico. E, dizem os alquimistas, ou no nível espiritual. O nível da certeza só pode ser de fato o que exclui toda a dúvida. Assim como ninguém em sã consciência fala de um triângulo de quatro lados nem da bola quadrada de Kico atribuindo algum nível de certeza, nem de realidade e nem ao menos de possibilidade, não podemos também falar que pelos sentidos e pela mente podemos atingir experiencias as completudes de um fenômeno ou objeto visto que sempre vemos apenas em parte, sob perspetiva, limitado ao tempo, tamanho, relações, etc.. Mas fomos desde ceiancas condicionados por nossa linguagem a falar como se pudessemos fazer isso. As limitações da nossa linguagem terminam não só impossibilitanto certas descrições, mas também por vezes influênciando nossas percepções que já seriam seletivaa mesmo se ela não estivesse atuando de alguma forma. A sofisticação da linguagem que por um lado nos levou onde nenhum outro ser biológico poderia ter chegado sem isso, por outro lado nos conduziu aos seus próprios limites. Mas nem isso também novamente pode ser ruim, nem obstáculo (a não ser para aqueles que tomam a linguagem como soberana ditadora da realidade humana). Pois é ainda devido ao uso da linguagem que teremos acesso a visões e compreensões mesmo além dos sentidos e da experiência. Quando atinge esse limite o alquimista, assim como o gnóstico, o cristão, o hermético tem que recorrer a   analogias, símiles, símbolos, parábolas, metáforas, se tornam a única maneira lógica e razoável de exprimir as realidades abstratas que estão fora de toda dúvida em um plano de conhecimento seguro, eterno e imutável. 

Ler é perceber algo além dos simples fatos, fenômenos, coisas. Mas existem vários níveis de leitura, pois existem vários níveis de significados como foi falado antes. E esta percepção pode as vezes ser tão tremenda, tão além do normalmente percebido, que revela toda uma teia tecida desde tempos imemoriais, que o leitor pensava antes jamais poder saber, ver e nem ao menos tentar investigar! Assim como alguém que pelas evidências apresentadas já conseguiu saber quem será o criminoso antes de terminar o romance policial, o verdadeiro alquimista, pela cadeia de "reações químicas" conhecidas pode conhecer os fatos tanto do passado quanto do futuro, e comprrender a razão das coisa, dos fenômenos, a origem e o princípio de tudo, bem como seu fim e finalidade, e talvez como é para alguns mais importante, compreender todo o processo "quimico" da cadeia das "reações" do existir, do todo e das partes.

Mas tudo isso é um trabalho do alquimista, que ele só consegue realizar se orar, mas se orar e não trabalhar, como alguns religiosos de nsso tempo, não conseguirá. E pior ainda se apenas trabalhar e não orar, como uns que se dizem alquimistas, herméticos, gnósticos, cristãos, de hoje, de jeito nenhum conseguirá, seu trabalho só trará a pirita, o ouro de tolo, que não compensa os gastos, prejuízo.

Na próxima parte veremos porque...


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Ordem e Escola

Esta ordem é também uma escola. No sentido tradicional de escola e de ordem. Ela é uma escola de pensamento, uma escola filosófica, mas principalmente científica e de vida. Acima de tudo somos uma escola de ciências antigas e tradicionais, uma das raras e pequenas sobreviventes, mas podemos dizer que nesse meio, no qual somos uma, temos afinidade com muitas e até abrigamos a algumas em nossa estrutura de estudos, enquanto estudo.


E ela é uma ordem porque não é só uma academia de conhecimentos e de ciências. Quando você estuda ciências antigas não é como estudar "ciências sociais" onde há aquisição de conhecimentos, uma bagagem de teses de diferentes escolas, métodos, pensamentos, cujo material principal são letras, idéias, hipóteses (mal nominadas como teorias), etc.. É mais parecido com psicologia, no sentido de que se conhecem várias abordagens, vários métodos, várias teorias, mas, como em psicologia, também se tem que saber aplicá-las num sentido prático que trás resultados objetivos. Após esses estudos, entretanto, terá que escolher uma ou algumas abordagens e se aprofundar nelas, mas sabe que vai ter que estudar aquilo pelo resto da carreira pelo menos. Ou melhor ainda, podemos dizer, é como a psicanalise: vai receber uma formação teórica, conhecer várias teorias, práticas, escolas, mas vai também ter que praticar sob supervisão e também ser analizado e vai passar a vida nesse processo de estudar, analizar e ser analizado. Ou seja, vai ter que provar todo o escopo do estudo, pelo lado do analisado e pelo lado do analista, e a trajetória do pesquisador, assim também é nosso estudante. Cada etapa do aprendizado depende da anterior, entãobse avança gradualmente e para receber tal novo grau é preciso escolher e tomar compromissos (éticos, morais, metodológicos, etc.).

Nós temos uma uma metodologia própria, e temos descobertas próprias, e teses próprias, uma filosofia de trabalho e objetivos a serem atingidos, metas de cada etapa na direção e na consecução da meta final, o que caracteriza uma escola que se diferencia de outras quanto ao conteúdo de cada uma dessas categorias. E temos sequência gradativa dependente, de conhecimentos, práticas e resultados que devem objetivamente serem aprendidos e realizados. 

Essa sequência em graus de conhecimento e profundidade de conhecimento, de experiência e habilidades práticas, e de resutados alcançados (logicamente gradual e cada etapa dependente da etapa que a antecede), é muitas vezes um processo cumulativo, o que caracteriza toda ordem.


Qual o meu papel?


Eu estudei, pratiquei... E realizei algumas coisas. A mim foi confiada uma tradição. É um direito muito especial, que é ao mesmo é uma responsabilidade muito grande, de transmitir, ensinar, esclarecer, desfazer as confusões, retirar as cortinas... Enfim, transmitir da mesma maneira o que eu recebi e avançar do ponto em que estava.

Só há três possibilidades depois disso, ou largar tudo e fazer outras coisas, ou seguir com a escola ensinando e transmitindo para outros ou, havendo uma descoberta nova e ou uma nova tese, criar uma nova escola, que mantem tudo da anterior, mas organizada de acordo com a nova tese ou descoberta. E as três opções são muito comuns. Se não fosse assim não haveria a liberdade de desistir, abandonar; não haveria continuidade das tradições verdadeiras e predominariam as imitações, fraudes, enganos; e por último, não apareciam novas escolas verdadeiras que mantivessem as tradições anteriores e troxessem as inovações necessárias e de cada época.

No meu caso, por um tempo tive que permanecer em manifestações da segunda opção, mas por fim também cheguei, graças a Deus, a descobertas e às minhas próprias teses, ganhando assim o direito, como qualquer que foi graduado professor, estabecer uma escola autêntica, com base na mesma formação, compromissos, tradições, mas também nas novas descobertas e teses, como qualquer escola filosófica ou científica.


E o que ganho com isso?


Muitos pensam que enlouqueci com isso, porque mudei completamente nesse percurso, outros mal informados vêem uma grande contradição. A escola muda as pessoas, transforma as pessoas. Mas não pense que é a pessoa ou a instituição que faz isso. É o conhecimento, é saber a verdade que transforma, e que liberta...

Algumas pessoas pensam que são as informações, teses, teorias, enfim, conteúdo, o que deve ser transmitido o que constitui o miolo das escolas, e que esse saber seria o que liberta. Este é o problema! Até para alguns professores que também receberam essa responsabilidade, mas ainda estão com a idéia de iniciantes, que iam aprender informações, conteúdos, "verdades" prontas; que iam analizar, como na tradição da filosofia acadêmica e passar adiante (o que dificilmente fazem na academia, diga-se de passagem). Mas não é assim. O que temos que passar adiante são os meios. Ou seja, a minha responsabilidade é transmitir não só os métodos, mas também seus resultados. Os meios para que as outras pessoas atinjam com segurança e por si mesmas seus objetivos, comprovações e a proposta da escola e me certificar que elas estejam alcançando. Toda produção literária, descobertas, teorias, teses, descrições, são secundários, mas são uma ferramenta metodológica, para entender, compreender e realizar o que a escola propõe. As informações são, na verdade, o efeito colateral de se aplicar o método, pois obtém-se descobertas e entendimentos. É isto que ganhamos, e o amadurecimento e relações entre tudo isso que se obtém através do estudo, da prática e das realizações, é o que se chama sabedoria. 

O que eu ganho com todo esse "tempo gasto" como dizem é liberdade, consciência da verdade e amor por essas duas coisas, liberdade e verdade, cada vez maior.


Quais são essas transformações?


Os meios e seus resultados quando são praticados e interpretados corretamente são a verdadeira missão da escola. Aí sim, os resultados transformam as pessoas, libertam, esclarecem, iluminam, despertam e a pessoa se torna produtiva, pois tem um conhecimento que nem sequer imaginava que pudesse caber em sua consciência (mas ela vai também descobrir que a consciência é infinita em alguma etapa de sua caminhada). 

Foi no meio desses procedimentos e descobertas que me tornei outra pessoa, que me converti, que fui transmutado, que encontrei o sentido da vida e o meu propósito, etc..

As transformações também não são o objetivo, mas o instrumento indispensável para que se liberte das limitações do corpo, do tempo, da matéria, da incompletude, das ilusões e enganos, etc., para que a pessoa conheça a verdade e seu propósito e seu próprio viver e ser eterno em todas as suas dimensões e possibilidades. Estes sim, podem fazer muito mais pelos outros, e realmente têm e sentem o dever de ensinar e nele também se realizam.







sábado, 10 de outubro de 2020

UMA MEDITAÇÃO URGENTE PARA ESSE TEMPO - primeira parte

A Ordem nesse tempo recomenda a leitura e releitura dos capítulos 1 e 2 do Evangelho de João. Este livro é altamente iniciático, a verdadeira iniciação é um novo início, um novo nascimento, algo tem que morrer para algo nascer, e é nesse sentido que João explica claramente a trajetória do iniciado. Uma obra de arte que atravessou milênios, à custa de muito sangue e muitas vidas, que se entregaram, para não negar sua fé, mas também para não entregar aos perseguidores seus livros e irmãos. Agora que a temos com tanta facilidade, poucos ainda lhe dão devida atenção e valor, ou ainda os que compreendem o verdadeiro sentido dessa obra. 

Não há mais tempo nem energia, para quem está ainda ligado a esse mundo e a essa natureza, quase que exclusivamente, para ainda se dedicar a longas cadeias de iniciações sucessivas e longos anos de práticas e treinamentos para pouquíssimo resultado. Se o poder do Altíssimo está sendo oferecido gratuitamente a todos os que verdadeiramente o querem servir e agradar, por que ainda teríamos que buscar, treinar e confiar nos nossos fracos poderes, nossas fracas capacidades e nossas mui limitadas possibilidades? Por que não ir direto à fonte?

No Evangelho de João é descrito de forma magistral o processo de beber dessa fonte, não apenas chegar até ela. O leitor aprenda a ler, a observar, a meditar, a notar, a prestar atenção, a entender, a compreender, a recordar,  a decidir e a viver em si mesmo essa obra maravilhosa.

Vamos aqui estabelecer alguns pontos esclarecedores a serem notados.


O princípio

O primeiro ponto são as definições no capítulo 1, as revelações, quem é o princípio, o que ele fez, o que são o Verbo, a vida, a luz; qual é a ação do verbo; observe todas essas coisas. João está dialogando aqui não apenas com Moisés, mas com toda a filosofia helênica e grega. Ele está explicando o que é o princípio do qual falou Moisés na primeira frase de Gênesis e esta respondendo a toda filosofia grega o que é o Logos, aliás quem é, pois mostra que o Logos, o Verbo, tem consciência, vontade e atividade próprias. Leia lá, especialmente do verssículo 1 ao 5 e do 12 ao 14, o 18...


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
João 1:1-5


O Logos, palavra grega usada na filosofia para indicar o Princípio gerador, iniciador de tudo; tudo não pode ter surgido do nada... Era discutido entre os filósofos, se este princípio é consciente ou mecânico, se era pessoal ou impessoal, se a criação era intencional ou fruto de alguma lei interna... João responde que o Logos, o princípio, era o Deus já anunciado por Moisés, quando diz Bereshit barah Elohim, "no Princípio criou Deus"; consciente, inteligente, pessoal, com vontade própria. Ele identifica o princípio inicialmente como sendo o próprio Deus e depois diz que tudo foi feito por ele. Se olharmos bem as frases isso nos responderá muitas coisas...

Ele ainda identifica o Verbo como Luz e Vida. A luz criada veio da Luz viva. Vida só pode vir de vida, não de coisas sem vida, nenhuma das coisas não vivas gera a vida, nunca gerou e nunca gerará, vida só vem da vida.

Veja que antes essa vida era a luz dos homens, mas parece que em algum momento deixou de ser. É como Sophia quando olhou para as trevas, ou seja, a sabedoria em trevas não pode compreender, deixa de ser sabedoria. Quem está nas trevas não vê, não compreende...


A testemunha

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; 

Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João 1:12-14


Observe que é dado de graça, mas a todos quantos o receberam. Ele não força a entrada, ele não está presente em quem não o recebe, nem em quem não o quer ou o nega, ao contrário do dizem os pseudo-gnósticos ou gnósticos heréticos e neo-gnósticos, nem todos têm o Cristo dentro, mas todos os que o receberam e somente estes. E a estes é dado o poder de serem feitos filhos de Deus, também um pouco diferente do que diz a maioria dos cristãos modernos, não os fez já filhos, mas deu o poder de se tornarem como falavam os primitivos, a partir disso, de ter recebido esse poder pois foi feito templo de Cristo, do Verbo de Deus, dentro de si mesmo, renascido, no espírito, do Espírito de Deus, pela vontade de Deus. Isto está muito claro. Assim fomos feitos testemunhas. Quem testemunha dentro de nós? A consciência, que é uma propriedade do espírito, que é o espírito. Nossa consciência testemunha nossa mente e o que é recebido nela e através dela. Mas agora recebemos a mente de Cristo e pelo espírito testificamos, nós fomos assim feitos testemunhas vivas, nós estamos vendo agora a verdade que veio habitar entre nós, nos tornamos conscientes de uma nova mentalidade em nós, a mentalidade da Verdade viva...

Logo em seguida ele identifica o Verbo, o criador, como sendo Jesus Cristo. Yeshua, o Salvador, Jesus, é o Verbo a partir do momento em que o Verbo se fez como um de nós e habitou entre nós. E quem é este? A quem está se referindo? A Jesus, o ungido de Deus, ou seja, O Cristo, não Um, mas O Cristo. Não se iluda com mentiras, a palavra Cristo, não se refere a um ser, uma pessoa, um campo de força, nada parecido, a palavra Cristo significa simplesmente ungido, é apenas um título, um adjetivo, Jesus jamais recebeu o Cristo como dizem os luciféricos e satanistas enganadores, ele É o Cristo, o Mashiach, Messias, que significa a mesma coisa, ungido. 

Receber o Cristo e receber Jesus é a mesma coisa, é receber uma pessoa, o Verbo de Deus, a Verdade, a Luz e a Vida, que são uma pessoa, não uma coisa ou uma força ou uma energia, e sim uma pessoa, uma consciência, com uma mente, e uma personalidade. Que vem "habitar" entre nós, traduzindo ao pé da letra "tabernacular", entrar na tenda sagrada simbólica no Antigo Testamento, agora revelado, no acampamento, no templo, nós, em nós, dentro de nós, pelo espírito, dentro do nosso corpo e de nossa mente. A glória do Pai, o Filho, vem habitar em nós, cheio de graça, pois não é por nosso merecimento, é decisão "eu quero receber Jesus Cristo dentro de mim". E cheio de Verdade, ele é a Verdade. A Verdade também é uma pessoa, Jesus, o Verbo feito pessoa. Isto é a primeira iniciação real, é entender isso, por esse conhecimento, vem o entendimento e por esse entendimento vem a decisão, e pela decisão a recepção e pela recepção a percepção gradativa da Verdade, o "conhecer e prosseguir em conhecer", essa é a verdadeira gnosis. Conhecer a Verdade e por isso ser libertado...

Depois vemos João narrar o testemunho de outro João, o Batista. As frases são muito reveladoras, pois João testemunha de Jesus como vindo depois dele, e João realmente era mais velho que Jesus e seu ministério vem após o de João, mas também que Jesus já existia antes dele. Temos novamente a razão pela qual Jesus é o iniciador. E como agora é diferente do passado: pois a revelação é dada por um que vem da parte do Pai. Esse testemunho é maior do que o de todos os profetas, pois é de quem veio do Pai e daquela realidade. 


E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.
Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.
João 1:16-18


Observe que a plenitude também é recebida, não é atingida, trabalhada, se recebe gradativamente, graça por graça. Isto se dá nao através de fórmulas, métodos, leis, cerimônias, mas de uma relacionamento com ele, que é a Verdade. A lei formal dada por Moisés é uma coisa, a graça e a verdade de Jesus Cristo é outra coisa. Jesus não é simplesmente mais um ensinador que veio trazer regras e informações, ele não vem trazer simplesmente mais instruções ou leis, mas sim graça e verdade. A verdade nunca pôde ser sequer vista e agora ela pode ser recebida, vista e até tocada, quem compreender isso está a um passo de percebê-la. A verdade não é algo dito ou visto ou sentido, é algo recebido, do qual quem recebe se torna consciente, a verdade é algo testemunhado, assistido, vivido. Ele sendo o filho único, ligado ao Pai, um com o Pai é a testemunha fiel, única que pode revelar, transmitir, a verdade que o Pai é! 

Isto tudo, na tradição cristã, constitui um passo, não é algo distante, para depois de uma jornada ou muitas tarefas ou muitos passos, é para agora, já, é só uma tomada de posição, uma decisão. Você abre mão da direção que ia, vira para a direção contrária; abre mão de si mesmo e de suas obras e entrega tudo a outro, bem mais sábio, competente e poderoso, e entrega sua vida à sua direção. Por isso este é chamado por nós a via pistis, ou seja, a via da confiança, confiar a outro a sua obra necessária. Isto seria difícil se o outro fosse uma pessoa comum, mas já sabemos que não é qualquer um, mas o Logos, o construtor e mantenedor de nossos espíritos, mentes e corpos.

Em seguida veremos algo mais nesse passo, nessa etapa, nessa iniciação, o nascer da água. A água representa a palavra de Deus, ou seja, mais uma vez representa a Verdade, e a Verdade, viver a verdade, ver a verdade, é o Verbo de Deus. É preciso conhecer essa água, submergir nela, beber dela...






frateriliv@gmail.com









sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O SEGREDO DA ALQUIMIA É ESPIRITUAL primeira parte

O QUE É O FOGO DA FORJA?

A rosacruz (a verdadeira, clássica, não essas modernas), fala que o fogo deve descer do santuário e despertar o centro energético cardíaco, e a glândula timo, no peito, e depois subir para o centro da cabeça e puneal e depois descer e acender todos os centros. Outras escolas falam que o fogo deve subir do coxix acendendo todos os centros até a cabeça e depois descer ao coração (é a forma forçada, quase igual a hindu, igual a da mão esquerda hindu). Vamos examinar primeiro a origem do problema, nas tradições antigas.

O caminho da mão esquerda (que uns enganadores e enganados chamam de direita) é o caminho nos qual os livros sagrados foram pintaram com figuras em posições sexuais onde a mão esquerda aparece e a direita está escondida, significada que aquela prática a que se refere é literalmente sexual. Quando nas pinturas a mão direita está aparecendo e a esquerda escondida significa que aquela figura não é uma representação lietaral de um ato sexual, mas um símbolo da união entre alma e espírito (ou entre o divino e o humano, a depender da escola). E esta é a única verdadeira alquimia. A interpretação literal das figuras e textos como realmente falando de atos sexuais é uma corrupção bem posterior, portanto esta sim, uma modificação da interpretação real e do significado original. 

Esqueçam os mitos que os ignorantes e não iniciados nos contaram sobre mão esquerda ou direita, ou relações à bruxaria, magia branca e negra, fazer o bem ou o mal e todas as explicações fajutas que dão. Na verdade a tradição primordial só se refere a isso descrito acima quando fala de caminho da mão direita e caminho da mão esquerda. Especialmente os hindus enfatizaram bastante essas interpretações levando a criação de varias escolas e seitas diferentes e até rivais. As escolas que defendiam a nova interpretação dos tantras afirmavam que haviam descoberto o antigo segredo dos sábios, e se dividiam cada vez que uma nova interpretação ou procedimento surgia. As mais ortodoxas por outro lado sefecharam em si diante da ridicularização que sofriam e da imagem de retrogadas e obsoletas que as novas e populares escolas laçanvam sobre elas. Seus símbolos sagrados agora eram zombados, ridicularizados  e até perseguidos, e assim fechadas, particulares, só para os altos iniciados eramrevelado o significado real e as operações necessárias para realizar o processo. 

O tantra sexual todos conhecem, ao contrário do que todos dizem, era relativamente aberto e conhecido, praticado em templos e praças, tanto que tudo ou quase tudo que se sabe e se publica hoje sobre tantra se refere a este que partiu das interpretações sexuais. Como se pode acreditar que isso era segredo? Qual interpretação você conhece? Você conhece a verdadeira? Ou, como a maior parte da população, acredita que tantra é ligado ao sexo? 

Esqueça os falsos alquimistas, especialmente os dos séculos 19 e 20  que se auto-proclamaram mestres, reencarnações famosas, budas, cristos, avatares, abridores de era, vindos de raios, iluminados, etc., pois não passam de sopradores, falsos alquimistas, mitômanos... São só enganados e enganadores, mentirosos e ignorantes que nunca foram iniciados nessas coisas e ficam tentando advinhar (e ainda ensinando errado!). Leram tantos livros e não descobriram algo tão simples, prova sua arrogância, pois não existe muito segredo nos tantras e demais livros sobre o assunto, está lá para quem lê com humildade, reconhecendo que é pequeno e confiando apenas em Deus como revelador dos seus mistérios. Bastava ir direto às fontes, aos livros sagrados dessas escolas (e não ouvir o que supostos viajantes, espíritos, mestres, avatares, etc., falavam ou escreviam sobre os textos, que foi o mesmo que eles fizeram como papagaios rebeldes, dando seu toque especial de perversão).

O fogo da forja do alquimista é algo bem mais espiritual. Não se trata de algo material, fisiológico, sexual, nem sequer energético. Mas até aqui observe que parecia algo confinado ao corpo ou à pessoa do praticante, algo natural, que o alquista já teria e que seria transmutado. Mas isso não é tão claro, como veremos. As pessoas que gostam de explicações ficam perdidas em um mundo de diversas teorias e linhas de trabalho alquímico praticamente infindáveis, que não daria sequer para ler durante uma vida inteira, pior ainda para praticar. As pessoas que procuram as práticas ou serem diretos e pragmático, coitados, esses são os que mais facilmente são enganados por qualquer charlatão que diz ensinar a fazer ouro em três anos e a criar um corpo imortal em sete ou dez; estes são os primeiros a desviar do caminho certo e cair na lábia de qualquer um que saiba fazer truques e fale de provas irrefutáveis. Tudo isso seria evitado se antes de entrar em contato com qualquer escola, a pessoa procurasse conhecer a fundo a história daquilo que está procurando. Vamos ver isso agora e mostrar a diferença.

AS DUAS GRANDES DIVISÕES ANTIGAS

São muitas as escolas de alquimia, assim como antes delas já eram muitas e muito mais numerosas as escolas do chamado tantra que deram inicio a uma grande controvérsia, que ia desde a interpretação dos textos antigos, símbolos e figuras antigas até além a interpretação da própria realidade como um todo. Não querendo entrar no assunto específico do tantra, mas apenas na parte em que isso vai interferir depois, na historia da alquimia, podemos classificar todas as escolas tântricas como sendo basicamente de dois tipos, as da mão direita e as da mão esquerda.

Tantra da mão esquerda: usa a força do centro cóxigeo, outros dos sexual e outros (só no tibetano) do umbigo, envolvendo sexualidade, com relação sexual nos dois primeiros e com ou sem no último (tibetano); seja através da relação sexual, sublimando (é essa a palavra, nada a ver com alquimia, nunca, essa relação só apareceu no século 19 com certas ordens, especialmente uma que tinha no nome a designação de Oriental, que já se auto denunciava de onde vinham suas principais influências) ou seja seblimando através da abstinência (mas fazendo algum trabalho com o sexual, através de respiração, por exemplo, combinado a ereção). Em suma, mão esquerda significava simplesmente que trabalhavam com a sexualidade direta e literalmente, seja através de relações sexuais ou práticas solitárias.

Tantra da mão direita: o mais antigo, o original quando ainda se interpretava simbolicamente as figuras e símbolos da suprema união, não literalmente com sendo sexo, mas sim a união do mortal com o supremo, a união da alma com o espírito (sim, a alma é mortal! Imortal é só o espírito, o que é muito diferente). E isto é o que no ocidente veio a se chamar alquimia. Depois também se corropeu tanto no renasciment esta que a verdadeira teve que se passar a chamar alquimia espiritual para diferenciar das falsas e das derivações surgiram (operativa, a material ou metálica, a nova sexual, a química, a espargírica, a astral, a alquimia com ervas, etc.). 

Nessa forma, ainda no tantra antigo, o macho simboliza o divino, por isso geralmente são enormes, e a fêmea a alma, o mortal, o humano. Perceba que a alquimia não vem do tantrismo, embora por algum tempo tenha também pesquisado nas fórmulas tântricas, sejam taoístas ou budistas ou as hindus, e por muito tempo feito uso de fórmulas chinesas (taoístas e budistas), egípcias, árabes e persas. Mas foi influenciada pelo tantra duas vezes na história, primeiro pela alquimia dos Templários, que eram monges guerreiros, que "transmutavam energias" sexuais as quais não desperdiçavam, por serem celibatários na época e provavelmente tomaram conhecimento do tantra dos ascetas e yogues do orientes. Depois, quase 900 anos mais tarde, os neo-templários influenciados pelos conhecimentos orientais que estavam sendo trazidos à europa novamente criaram suas próprias maneiras de desenvolver uma forma de alquimia também sexual.

Mas o mais importante nisso tudo é que de posse das fórmulas de tríplice significado da rosacruz para representar algo em símbolos estes também quiseram interpretar o nivel mais material como sendo sexual pelo menos em parte (os rosacruzes traduzem um símbolo pelo menos em três níveis se significado, um mais literal e material, outro mais psíquico ou simbólico propriamente dito e outro superior, totalmente espiritual ou metafísico). Fazendo esse mal uso das formas interpretativas da rosacruz e do tantra corrompido passaram a considerar práticas que eram apenas para a vida cotidiana, saúde, força, etc., dos guerreiros castos como sendo algo sagrado e espiritual, para todos da escola e até acreditando que isso fosse condição para a salvação pessoal e iluminação em alguns casos. 

Este erro, esse materialismo, ou como chamo, fisiologismo espiritual, foi colocado também na interpretação da realidade. Começou apenas com a interpretação das operações, que eram interpretadas antes só como psíquica, agora num ângulo fisiológico, energético-sexual (e algumas até abandonaram o psíquico), passando para uma interpretação mais geral e materialista de todas as simbologias, símiles e metáforas e isso atingiu a visao antes traficional da realidade. Por exemplo, do mundo material visto como ilusório por sua transitoriedade, sofrimentos e distrações, este passa a ser visto como um estado do real e necessário; a matéria, a sexualidade, o corpo e a natureza passeram a ser divinizados em vez de ser considerados como caídos e corropidos, no máximo passagens, para serem trancendidos, ou, falando na linguagem alquimica, como ganga, a ser separada do ouro. 

O cultivo do corpo e mente aoenas no sentido e para a saúde e pureza, para serem o templo de Deus e servirem ao máximo e da melhor forma a Deus, passou a ser visto como meta em si mesmo. Voltam às fórmulas pré-cristãs de cultivo do ego e separação do ego em vez de entrega e rendição deste; em vez de mortificação da carne temos um trabalho para trasmutar o corpo carnal e ainda cristalizar os corpos sutis que deveriam se sutilizar mais para atingir a vibração original, e ainda como se isso fosse espiritual! Se pelo menos a antiga escola simbólica do tantra tivesse sido usada como referência em vez da literal poderiamos ainda estar falando em alquimia, pois os processos alquímicos seriam entendidos como psíquicos e espirituais, jamais como materiais e sexuais. Mas dessa forma estão ensinando uma coisa oposta ao trabalho alquímico real, que materializa os sutil em vez de refinar.

O PROCESSO REAL

Em João, no capítulo 13 é ensinado que: a vida eterna é essa, que conhecam a ti [Deus Pai] e aqule que enviaste [Cristo, o Filho]. A palavra grega para conhecer aí é gnoskosin, conhecer intimamente. A mesma palavra que é usada em "José ainda não havia conhecido Maria" no sentido de relação sexual. A tradução hindu pregava que apenas pelo conhecimento do Eterno acontecia a união (como também aconteceu a Abraão, Jó, Noé, Elias, Enoque, Moisés). Mas veja que isso é muito difícil e muito raro, um caminho para pouquíssimos. Esse processo é para: um em um milhão dos que pratica alcança (os altos iniciados sabem disso). Jesus, Deus, deu um para todos, mais fácil, conhecendo a Deus através de sua manifestação, no Filho. Ou você achou que gnoskosin é fazer sexo com Jesus? Claro que não! Ele eliminou assim toda a confusão do passado. A união suprema (yoga) através da rede, do tear (tantra) é através do conhecimento (gnosis), mas não qualquer conhecimento, e sim profundo, intimo (gnoskosin)!

Pronto, segredo revelado. Não existe mais tempo pra segredo, nem por que haver segredo mais.

COMO SE REALIZA (DESCRIÇÃO GERAL):

Esse novo caminho (da nova aliança), é bem mais fácil, segundo a tradição rosacruz é o caminho de um em mil (convenhamos, é muita diferença para um em um milhão). Não confunda com salvação, salvação é libertação da roda do samsara, do nascer-morrer, da condenação do pecado (do "karma" outra palavra sobre a qual mentem para nós, não cabe aqui explicar). No caminho cristão (rosacruz, templário, martinista, etc.) precisa estar salvo para alcançar a gnosis, ou seja, precisa ANTES entregar totalmente a vida a Cristo, tudo, pois ele é que salva, não nós. Nas tradições preteristas (que continuam na mesma fórmula da antiga aliança (um em um milhão) como, por exemplo, kabalah, judeus, hidus, budistas, taoístas...) o tecido (tantra), o fio, da salvação se dá, ao contrário, só DEPOIS, ao final, em teoria ou pela iluminação (e seus tipos, súbita, progressiva, pela sabedoria, pela libertação (dos venenos (pecados)) ou pelo renascimento) em teoria é para uma vida, mas pode precusar de várias vidas sucessivas. 

Em resumo, no geral, os Preteristas, que seguem o caminho antigo (anterior a era chamada de peixes ou aproximadamente ano 7 a 4 a.C., ou seja, os chamados nova-era contraditoriamente seguem o caminho obsoleto, do esforço, da auto-maçonaria) e amarram a salvação à conclusão pessoal da Grande Obra alquímica; os Tradicionais ou Clássicos seguem o caminho da síntese (da nova aliança) onde as quatro fases da alquimia em correspondência às três etapas estão relacionadas ao processo de purificação (ou santificação) do ouro. Desse modo temos a salvação independente da obra (dependente do poder maior (Cristo) através da nossa confiança e entrega) e a purificação em parceiria, porém a conclusão é novamente um "mistério de Deus" ("transformados num instante" ou "num abrir e fechar de olhos"), por isso é chamado O Caminho da Arte Real, pois, nela assistiremos "maravilhos espetáculos" patrocinados pelo Rei (veja As Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreuntz)...


Continua...

...

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Respondendo uma questão: por que teoria? - A Chave da Alquimia Espiritual - parte 1

Quero responder agora uma questão que surgiu ocasionalmente ontem. Não por ser uma grande questão em si mesma, mas porque a resposta dela pode levar às respostas a todas as outras... Um grande amigo e irmão me perguntou "você gosta muito de teoria, não é?"... nem vou precisar colocar o resto da pergunta, só essa primeira questão curta já e mais que suficiente!

A primiera coisa que um cientista deveria aprender a fazer são as questões. Existem as perguntas certas e as perguntas erradas. Aquelas que não levam a lugar nenhum e aquelas que vão atingir os objetivos do pesquisador. Na biologia isso é discutido em umas quatro matérias sobre pesquisa, metotodologia, metodologia da pesquisa, etc. Mas não tão a fundo o quanto precisamos de fato.

Outra coisa importante é que teoria em ciência é o objetivo. Significa aquilo que já foi testado, reptido, comprovado e explicado e que até o momento não tem refutação. As teorias das outras ciências, filosofia, sociologia, religião, são para o cientista exato ou natural apenas hipóteses (ou mesmo especulações, palpites, opiniões, pois por mais bem fundamentadas que sejam não se provam pelo método científico). Teoria é tudo o que importa em ciência porque é o que constitui o conhecimento científico, ou seja, tudo que já foi comprovado.

A grande surpresa em nossa escola é que na vida tambem é assim! Porque nós, seres humanos, não vivemos de modo algum no mundo dos sentidos, nem em mundo concrero algum! Nós vivemos e nos movemos num mundo de ideias, numa prisão que se resume a nossos conhecimentos e interpretações. Jamais tocamos e nem tocaremos em qualquer coisa concreta ou fato. Visão não é só o que você vê com os olhos e percebe com a mente, visão são idéias, e você está preso em idéias, pois está preso em visões, que acredita serem realidade. É claro que pra quem não comprovou isso de forma prática ainda é muito difícil aceitar isso. Então vamos ao modo como podemos evidenciar essa realidade.

Pois bem, as leis máximas da alquimia são ler, ler, reler e entender; orar e trabalhar; e que de Deus nascemos, em Cristo morremos e pelo Espírito Santo ressucitamos (estou traduzindo do latim de memória em forma resumida). 

O segundo destes vem do texto Fama Fraternitatis que diz "Ex Deo Nascimur, In Christo Morimur, Per Spiritum Sanctum Reviviscimus", e seu significado pode ser traduzido em sete níveis de significação, cada mais elevado que o outro, desde o nível  desse mundo, dessa compreensão desse nível, até a puramente espiritual (veremos isto em outro texto). E os dois primeiros são postos num só lema alquimista: Lege, lege, relege, ora et labora, et invenies! Ou mais fielmente "Ora, lege, lege, lege, relege labora et invenies!" (Ora, lê, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás!).

Note a enfase na leitura! POR QUE???!!!!

Chegamos à resposta: porque estamos presos, de fato, é em nossas visões, nossas ideias limitadas. A libertação pelo conhecimento, pela gnosis, é assim, você vai adquirir um conhecimento muito diferente de todos que já viu, em muitos pontos ele parecerá extremamente sem sentido, mas insistindo, lendo, relendo, de repente vai mudando uma visão aqui, outra ali, e num momento você vai estar vendo tudo completamente diferente e entendendo o sentido de tudo. Vai mudar sua percepção e em seguida sua compreensão e depois toda sua visão. 

E sabe o que você vai entender também? Que está num livro, o Librum Naturae! Sim, a vida é um grande livro, que você nunca leu porque não sabia ler, não entendia esse alfabeto, era como hebraico ou hieróglifo para você antes de estudar a alquimia e agora você está lendo e entendo, conhecendo a liguagem, o significado, e o propósito de tudo. Esse é o objetivo do alquimista. É isso que significa PEDRA FILOSOFAL. Não há mais porque fazer segredo disso hoje. 

Mas mesmo assim poucos sabem disso, dos que sabem poucos se interessam, dos que se interessam poucos se dedicam e dos que se dedicam poucos lêem, e dos que lêem poucos entendem o que estão lendo.

E essa leitura não tem outro modo de ser, começa no papel, ou melhor nas frases escritas, nos livros. Assim como o cristão só alcança a santificação por muito ler e praticar o Evangelho, comecando a enxergar o que antes não via naquelas passagens, o alquimista estende isso um pouco mais, incluindo o Evangelho, as teorias e depois os símbolos, mas tudo começa na escrita, entender as frases em seus 7 níveis de significados. Mas não é entender verbalmente, é ver, quando ler passar a enxergar o que não exergava. Esse é o grande segredo, a alavanca, a chave!...

domingo, 27 de setembro de 2020

AS CIÊNCIAS ANTIGAS NA PRÁTICA - parte 6

Depois de ter se tornado prático nos passos anteriores, aí sim, você pode começar a ter um tempo de prática mais intensivo. É só escolher um tempo e um lugar e contemplar da mesma maneira que nas situações do dia a dia, só que completamente dedicado a isso, a observar do ponto de vista correto, do ponto de vista da consciência. Isto já é todo o processo, já está "meditando", ou seja, fazendo a parte prática da concentração, o resto, o aprofundamento e permanência da concentração mesma, são resultados. Os objetos de concentração podem variar conforme o que se quer treinar ou penetrar, isto é, conhecer profundamente.

Essa é a primeira prática da qual todas dependem, em seus dois aspectos, do viver prático diário de instante a instante e do treinamento intensivo ou prática formal. Tudo que se aprende fora desse estado está muito mais sujeito a ilusões, projeções, enganos... É como sonhos turvos... Mas quando estiver nesse estado de desperto, acordado, vai perceber que está de fato vivo, existindo, que antes esteve sempre sonhando, dormindo, a não ser por alguns poucos segundos que ocorrem espontaneamente às vezes. 

Todas as escolas, filosofias, religiões e ordens verdadeiras têm essa prática. Até os maléficos a praticam, pois sabem que o resultado de outras práticas depende da habilidade nesta. 

Yeshua nunca disse orai e vigiai, mas sempre vigiai e orai: pois uma oração distraida, desatenta, desacordada não passa de reza automática, um ato mecânico. Espero que você pratique. Espero que esteja sempre retornando a este estado despertando cada vez em nível mais elevado e completo.

Você pode usar também alguns dispositivos para evitar a mecânica dos condicionamentos e a queda no estado de distração, devaneio, sono e topor. Vou citar alguns exemplos. 

Você pode, sempre que notar que está  em distração ou desatenção, perguntar sinceramente para si: "eu estou consciente agora?" "Estou atento agora?" "Estou presente aqui agora?" (Não deixe a mente responder mecanicamente, procure investigar atentamente seu estado anterior, o atual, e volte à atenção presente). Obviamente que a primeira pergunta é a melhor. Mas cada caso é um caso. Pode usar as três até e repetir... vai ajudar a consciência a se destacar dos obstáculos com que se envolve (essa "grudar" ou "apagar" da consciência no objeto se chama "identificação", é o que atrai e prende a consciência, se identificar com as coisas, emoções, situações, percepções, o ideal no início é chamado "desidentificação", isto é, a consciência deixar de se identificar com as coisas e fenômenos, com os objetos da consciência, mas com o tempo se deve começar a se dedicar mais à "não-identificação" que é o perceber sem se identificar com o percebido; são processos pelos quais se deverá também apenas passar, mais recomendado para os já com tempo de trabalho nisso tudo). 

Outra maneira é concentrar-se nos próprios olhos e em tudo que vê e seus movimentos (esta é fácil para mim, pode não ser para você, a maioria acha mais fácil sempre está voltando a atenção para a respiração ou as batidas do coração). 

Mas o melhor é voltar a atenção para a consciência mesma, ou seja, a consciência mira a si mesma, o que está acontecendo nela e seus conteúdos (pode ser difícil, só é possível para os que distinguiram bem as partes já). Isto para o vivenciar diário.

Mas para a prática formal, a princípio também, é mais fácil ter algo para voltar a atenção sempre. A maioria hoje usa as técnicas orientais de voltar à respiração, por exemplo. Mas muitos não se dão muito bem com atenção voltada a fenômenos corporais, então pode passar direto para os fenômenos mentais. Observa-se assim a mente e os fenômenos mentais (pensamentos, sentimentos, lembranças, desejos, sensações, projetos, etc.), mas consciente de que é a consciência que está observando, não deixar a mente imitar isso (pois além de errado gastará grande esforço). 

Pode-se também ter um objeto ou um desenho pequeno ou um totem (um objeto pequeno que se procura conhecer todos os detalhes e memorizá-los), uns gostam de se concentrar num ponto, outros numa chama, ou num pequena lâmpada de led, muitos foram os místicos que usaram com muita eficiência bandejas, bacias, tachos bem polidos, brilhantes. Se concentrar num brilho qualquer como fazemos quando crianças também é muito bom. 

O importante nesse tipo de exercício é que você não vai conseguir ficar muito tempo concentrado então tudo que tem a fazer é estar sempre notando quando houve distração e voltando, paciente e delicadamente, ao objeto.

Por último, um dos meus preferidos, contar. Você pode contar respirações, batidas do coração, pulsações do corpo ou de um metrônomo, contas de um colar, combinar respirações e contas de um colar... 

Em todos esses exercícios muda-se o objeto, mas o procedimento é o mesmo. Exceto naquele em que o objeto é a mente ou a própria consciência. Neste caso ja não estaremos apenas fazendo um treinamento de concentração, estaremos fazendo o mesmo que deveríamos vivenciar a todo instante, a consciência dos processos mentais e da consciência. Um verdadeiro intensivo complero. Então quando ocorrer a distração o procedimento é o mesmo, volta-se ao objeto de concentração. 

Mas como permanecer nessa concentração é que não é tão simples como com os outros objetos. Então para isso é preciso que esteja familiarizado com os processos automáticos da mente, e para isso ocorra deve ser a primeira coisa que vai observar, ou seja, vai deixar de se identificar com a mente como se ela fosse completamente sua (o que de fato não é, se fosse você controlaria plenamente) e vai observá-la com a consciência, plentamente atento e plenamente consciente e deixá-la agir (ela vai agir como sempre age, tudo que tem a fazer é observar isso, não julgar, não condenar, não reprimir, não interferir, não reagir, não seguir (isto tudo a princípio, pois ainda está começandoa conhecê-la). E quando se distrair é porque se identificou com seus processos, então você sai deles e os olha, os vê fluir, ou seja, tudo que tem a fazer nesse começo é vê-los sem se identificar com eles, observá-los, vê-los surgir, crescer, parar, diminuir e sumir ou ser substituído por outro.

Note também que há um espaço entre eles, é pequno, parece pequeno, observe cada vez mais atentamente esse espaço até o momento em que vai poder observar a mente só, sem nenhum objeto, parecido com o que espero que veja também logo, a consciência pura. 

É como um céu com núvens, a consciência é o céu limpo, mas as núvens da mente e objetos metais vêm, inevitavelmente, é só olhar e notar, "nuvem", e vé-la passar ou se disolver e sumir. Isso vai continuar até o dia em comece a haver céu limpo, cada vez mais, ou seja, as nuvens vão parar por instantes, isto é, os fenômenos mentais vão dar uma pausa e você vai conhecer sua realidade mais intima e a realidade mais essencial so seu ser e de todas as coisas, a consciência pura...

Dopois veremos como ter uma prática mais efetiva se separando antes dos obstáculos. E então poderemos ver o que fazemos com isso, como utilizar essa claridade da consciência para descobrir informações, conhecimentos, verdades; como meditar na leitura, em frases; ou em algo que deseje pesquisar ou descobrir...


frateriliv@gmail.com

sábado, 26 de setembro de 2020

As Ciências Antigas na Prática - parte 5

 

Antes de cotinuar tenho que dar uma justificativa a todos que não entendem porque comecemos a diciplina prática pela consciência e até aqueles que são de outras escolas e começam por práticas mais ativas. A questão principal aqui é que a maioria das escolas tradicionais inciam pela parte do conhecimento teórico e é isto que causará uma mudança do estado de consciência no inicio, apesar de muito pequena, mas também se está começando pela consciência, embora indiretamente. 

Casado a isso ou um pouco depois, muitas escolas se dedicam aos processos que envolvem a vontade porque é um fator de grande importância sem o qual não se avança. Nós entendemos que uma vontade robusta ou bem desenvolvida sem consciência bem desenvolvida à altura não é útil, pelo contrário é prejudicial e inclusive é a causa de muitos desvios. 

Os mais religiosos partem do exercício do amor, da caridade, do praticar o bem, da compaixão, esse também é a outra face de um processo cego, pois assim como vamos descobrir que nunca estivemos de fato conscientes antes, vamos descobrir também que nunca tivemos de fato vontade própria, só vontade condicionada, e nunca amamos de fato nada nem ninguém, pois o amor não tem nenhum interesse, nenhuma espera de troca, é incondicional, não depende de reações e resultados nem tampouco espera por esses. Começar por esses processos tem cristalizado auto engano nos estudantes. Enquanto que nas traduções ou escolas que comecam pela consciência isso não acontece e seus efeitos colaterais são muito menos danosos (por exemplo, menos danosos que o auto engano, a arrogância, a mitomania, a avareza, superstições, etc., que podem ocorrer começando peleos outros dois processos). Efeitos colaterais de se iniciar pela consciência são, nos casos graves, ceticismo exagerado, orgulho ou perfeccionismo (convenhamos bem menos perigosos a si e a outros dos que aqueles acima citados).

Em suma, assim como o autodomínio na observação e medição acurada do comportamento de substâncias é uma habiIdade implícita nos requisitos para ser um bom químico, na alquimia psíquica esse pré-requisito tem que ser aprendido e treinado, não podemos simplesmente esperar que as pessoas que venham até nós já tenham essa capacidade de consciência, nem fazer como no passado em que se testava quem já possuía e dispensava quem não possuía, como umas escolas onde simplesmente era vista como uma pessoa que não serve para seguir no processo das ciências do traancendente. 

Hoje todas as escolas verdadeiras (e mesmo as erradas e as maléficas) ensinam em algum momento a expandir e ampliar a consciência, pois reconhecidadmente se chega a um ponto do qual não se ultrapassa sem isto. 

Por outro lado, muitas escolas que comecam pela expansão e despertar da consciência inciam pela chamada meditação formal primeiro já que essa é um treino intensivo para o viver desperto diário. Nós também entendemos que é um intensivo e por isso mesmo também vemos como inconveniente para começar, pois seria pedir que alguém que nunca se exercitou começasse com exercícios pesados, pessoas, longas distâncias, etc.. Mas também entendemos que uma coisa alimenta a outra, a atenção plena diária também é um treino para o momento intensivo, onde se penetra mais intimamente nas camadas mais superiores da consciência. 

Para mim pessoalmente conhecer a verdade ou a realidade diretamente é muito mais eficaz do que um mero conhecimento de si mesmo, ou seja, é preciso ir muito mais além do si mesmo se a pessoa quer saber a verdade. Nas escolas que fazem como nós, sua justificativa, porém, é muito mais delicada que a minha e, espero, mais convincente: não é através de prática, treinos, processos forçados ou o que seja que chegamos ao conhecimento verdadeiro e sim pelo conhecer mesmo, pelo conhecer verdadeiro, portanto, não basta uma mudança de perpectiva, ou potencialização de capacidades, é preciso conhecer o conhecimento certo eficaz. 

Deixe-me expressar melhor por um simile: não é possível conhecer o ambiente fora de uma sala se você premanece dentro dela apenas abrindo uma janela, dessa forma sua visão permanecerá apenas de um lado da casa e ainda assim parcial, só até onde a vista alcança. É preciso abrir a porta da sala e sair andando por todos os lados e distâncias. Estar mais consciente e com uma atenção treinada é como abrir uma porta, mas só o  pesquisar as coisas certas, a verdade, liberta. Ou seja, tem que sair pela porta. Se ficar na sala com a porta aberta olhando as coisas, continua preso, não mudou nada a não ser que alcançou avistar mais um pedaço daquela paisagem, mas não vai fazer parte dela. 

Abrir a janela e a porta é bom. Mas nunca se contente com isso. É preciso ser corajoso e dar o primeiro passo, sair da prisão do condicionado, dessa visão da natureza decadente, ir além.  

Os processos e práticas anteriomente ditos são ferramentas, muitissimo úteis, mas precisam ser usadas para o trabalho certo. No primeiro momento se começa a distinguir as partes (mente, fenômenos mentais, consciência, objetos da consciência, etc.), ver o funcionamento, mas isso não é o centro, o principal é descobrir a verdade e se começa tomando consciência das características da realidade (depois vamos falar sobre quais são), como ela funciona e porque é assim. 

As pessoas não costumam entender que nesse sentido não existe olhar para dentro ou para fora, meditar, nesse sentido não é olhar para fora, nem para dentro! Elas não entendem que enquanto vêem dessa maneira não estão despertando, estão só trocando de ilusão. Estão se separando da realidade, olham assim: aqui estou eu e aqui está a realidade que eu estou conhecendo. Perde-se tudo. Está se colacando fora da realidade. A realidade é uma só, não é separação. Você já experienciou essa realidade?


frateriliv@gmail.com




sexta-feira, 25 de setembro de 2020

A Ciência do Auto-engano

Fra. I.L.I.V.

As pessoas saem das ordens sérias, científicas, e das congregações e associações sérias, porque não supotam não ter todas as respostas. Elas querem ter a resposta de toda e qualquer questão que lhe venha a mente ou que lhe atormente a anos. O que elas não suportam é a realidade de que a mente humana humana é limitada e nunca poderá saber nem compreender tudo, nunca. Elas são emocionais, não estão buscando a verdade, estão buscando a satisfação de suas ânsias e de seus egos. 

Então vão em busca de falsos iluminados, aqueles que supostamente atigiram ou ensinam a atingir uma onisciência, aqueles que responderão com uma verdade pronta seja qualquer a pergunta que façam, ou seja, um mentiroso. 

E assim saem do mundo das ciências metafísicas ou ciências do oculto e entram para o ocultismo. 

Há uma enorme diferença entre ocultismo e ciências do oculto ou ciências ocultas, como se chamava. São contrárias! Uma se baseia em investigações criteriosas, experimentos, experiências, que na maior parte das vezes só podem ser vivenciadas, não transmitidas. Ocultismo, ao contrário é uma ideologia, é a crença em qualquer conjunto de informações, geralmente dadas por algum farsante considerado mestre, guru, cristo, ascencionado, espírito, deus, extra-terrestre, avatar, buda, etc., onde a pessoa tem apenas pouquíssima experiência baseada em algumas técnicas que dão certo (mas seus ensinadores geralmente não dizem as fontes, mentem sobre elas, e nem dizem a técnica inteira) e nas interpretações do farsante e nas estórias que conta como sendo suas próprias experiências.

Em resumo, metafísica (prefiro chamar assim) é uma ciência que serve como UM meio para quem busca a verdade. Ocultismo é uma ideologia que serve como O meio certeiro de buscar o auto-engano. Quando a pessoa se decepciona num lugar vai a outro e assim vai de escola em escola crendo que foi alguém, um enganador ou malvado ou sacana, ou uma idéia errada ou mentirosa, pela qual se deixou levar, e vai a procura de outros do mesmo tipo, nunca questionando o sistema. O que está errado é o sistema.

Mas não podemos culpar o sistema, afinal, a pessoa não procurava a verdade! Ela buscava só satisfazer seu ego. Ela não pode suportar sequer a verdade mais óbvia que um verdadeiro buscador logo se depara: não tem como alguém saber tudo!

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

AS CIÊNCIAS ANTIGAS NA PRÁTICA - parte 4

A partir da primeira prática, anterior, sem abandoná-la, mas apenas quando já estiver com dias de experiência, você deve avançar a um estado que alguns chamam de auto-observação. É mais ou menos como um cientista observa atentamente o comportamento de seu experimento ou de uma espécie que está estudando. Só que aqui é a consciência que observa a mente e os outros sentidos, consequentemente tudo que se passa neles, todos os fenômenos e acontecimentos. Sem reação, sem  julgamento, sem análise, contenplativamente, no primeiro momento (pois quem analiza comumente é a mente e a mente não é o observador aqui, é o observado, a consciência é o observador, mas ela também observará o que acontece nela: consciente da consciência, este é o segredo).


Tente primeiro por cinco ou dez minutos. Estar plenamente atento, plenamente consciente. Sem perder a concentração. Difícil? Imagine o dia inteiro. 


Então, você pode a principio escolher uma parte do dia, por exemplo enquanto está em casa, ou no trabalho, ou a caminho de algum lugar, é mais facil quando se está andando sem nada nem ninguém que interrompa a concentração. 


Com um ano ou dois, tudo será objeto da atenção e nada poderá tirar a concentração porque será objeto da concontração. Mas a lembrança da prática e a excelência dela pode não ter melhorado, ou até piorado. Porque ela é uma trabalho da consciência, tem que ser feito conscientemente. A princípio a mente vai cansar, é porque estarás fazendo errado: a mente sendo o observador. Mas mesmo quando já distiguir bem quando é a mente que está observando de quando é a consciência, ainda a consciência pode "ficar cansada". Na verdade não é, isso é impossível, é porque ainda estará confundindo a consciência com seus conteúdos e capacidades, mas por muitos momentos vais conseguir. Com uns três anos a consciência de tudo será mais clara, a licidez vai aumentar e a percepção de detalhes a que se volte atenção também, mas mais que isso já estará clara a diferença entre essas partes todos (os fenômenos materiais, os sentidos, a mente, os fenômenos mentais, a consciência e os conteúdos desta). Vai ter momentos de lucidez e até de extrema lucidez. Então você vai perceber que nunca esteve de fato desperto antes e vai querer mais estar acordado e a prática se tornará prazeirosa. Então, agora sim, estará apto a meditação formal...



Continua...


frateriliv@gmail.com





sexta-feira, 11 de setembro de 2020

AS CIÊNCIAS ANTIGAS NA PRÁTICA - parte 3

É preciso nos concentrarmos inicialmente (1) nas práticas (2) que  sejam realizáveis para iniciantes e (3) que produzam resultados efetivos com segurança. Se atenha nesses três princípios se você está começando e você estará mais seguro contra as emboscadas e falsificações. 


Pois, se a prática não for realizável por você de que adiantará? E se ela for realizável, mas não produzir os resultados pelos quais se está praticando, é perda de tempo (e muitos se dedicam a tais tipos de práticas em muitas ordens). Muitos não estão nem treinando, estão perdendo tempo, pensando que estão "meditando". E por último: mesmo que produza resultados, se for por meio arriscado, ou danoso, ou prejudicial (e uns pensam insensatamente que vale a pena), não vai adiantar, porque não progride aos mais elevados estágios de penetração, ao contrário dos meios corretos, afasta dos efeitos e estados sutis cada vez mais e leva a imitações grotescas dos resultados reais, falsificações.  


Se você decide praticar, não vai adiantar sentar numa sala com várias praticantes uma vez por semana por meia ou uma hora ou seja que tempo for, novamente está perdendo tempo. Mesmo que atinja bons sentimentos e alguma paz, isso não é nada comparado ao que você realmente deve atigir; pense nas dores, cãibras e demais incômodos que vai ter, além das lutas internas que não deveria ter! Se você decide que vai praticar, as práticas são uma constante,  elas devem ser feitas diariamente. 


O assunto não é brincadeira, muitos dizem que meditar não tem como ser perigoso, mas o fato é que a depender do que se esteja chamando de "meditar" e do tipo de prática e intensidade, pode ser muito perigoso; para algumas pessoas em especial, algumas práticas podem ser tremendamente perigosas. É muito pessoal e depende muito do tipo de "meditação"...


Há dois tipos bem distintos de grupos de práticas que são chamadas meditativas, as contemplativas e as reflexivas. No geral as primeiras predominavam no oriente, são as práticas de concentração, passivas; enquanto as dos segundo tipo são as analíticas, ativas. Freud descrve bem quando o paciente está numa atitude mental ou noutra, entre as características na primeira ele tem a face relaxada e no segundo há contrações especialmente no entrecenho. Isso ilustra bem o que ocorre em cada tipo quanto ao esforço, físico e mental, atividade ou não. 


Um grande erro de quase todos os iniciantes e da maioria dos tais professores de meditação é o esforço ou ensinar a se esforçar (e alguns ainda dizendo que não é para se esforçar) quando a meditação é do tipo contemplativa. E a confusão e insistência é em relaxamento quando a meditação é do tipo reflexiva. Aliás é bom que se diga, nada tem a ver com relaxamento, se esse ocorre, e muitas vezes ocorre, é como efeito colateral, não como causa ou pré-requisito. 


Existem também elementos em comum entre esses dois tipos de meditação, apesar da diferença, e ambas podem ser feitas numa só sentada (não vamos entrar nesses detalhes ainda). Mas as diferenças em termos de procedimentos e objetivos são muito grandes. Por isso é melhor dizer que as duas se completam em vez de dizer que uma é correta e a outra errada ou que um é melhor ou mais produtiva ou mais nobre que a outra. Existe uma grande ignorância até da maioria dos praticantes sobre como se realiza um ou outro processo. Isso seria impressionante se não fosse mais impressionante o fato de que as pessoas não costumam pesquisar em diversas fontes diferentes e ler em vez de ouvirem o primeiro careca de fala mansa dar suas "instruções milenares" a respeito e sairem dizendo o que é e até mesmo praticando.


Existem inúmeras práticas diferentes e cada suposto mestre ou guru gosta de inventar a sua própria maneira ou várias e às vezes até dar entrevistas para alguns canais onde dirá como "nós" isso ou aquilo, seja do que se chamem, praticamos a milênios, como se fosse assim tão simples. Mas a verdade é que você precisará praticar muitos modos diferentes desses dois tipos que falei até encontrar um meio confortável e efetivo para você. E isso, cada um, por semanas ou meses, só para testar ou se familiarizar com eles. Portanto a meditação formal não tem outra maneira de ser feita senão diariamente, se não quer perder tempo, é claro. 


E não existe reflexão que não precise de concentração, nem concentração que não precise em algum momento de reflexão, de análise. Como você poderia ler um livro e entender o que está escrito sem concentração e reflexão? Do mesmo modo é o que se tem chamado de meditação: você não realiza as etapas do processo nem chega a seu fim se não for treinado nas duas capacidades.


Ha práticas avançadas que só os muito experientes conseguem treinar (não é nem realizar ainda em muitos casos). Algumas podem ser até fatais se feitas por inexperientes. Mas é claro que não se fala muito nisso, nem se divulga essas práticas por isso mesmo...


Como é na prática


Porém, se você sentar todos os dias um tempo e se dedicar plenamente à meditação (o que se chama meditação formal é isso) você ainda não vai conseguir ir muito além de uma luta com sua própria mente ou descobrir que ela é bem mais ativa e independente de você do que jamais teria imaginado.


Para ter sucesso em qualquer tipo de meditação o segredo é que tem que meditar o dia inteiro sem parar. Sim. Isto mesmo. 


Mas é assim: você precisa estar atento, consciente, presente, de instante a instante. Isto é meditar o tempo todo. Mas não pense que é fácil. Também não pense que é dificil. Tudo que tem a fazer é permanecer atento de momento a momento, consciente de tudo, interiormente e exteriormente, mas especialmente ao que se passa nos sentidos, na mente e na consciência. Consciente da mente e dos fenômenos mentais, e finalmente consciente da consciência e de tudo que se passa nela. Quem deve estar consciente? A consciência, ela é o observador. E de que deve estar consciente? De tudo que se passa nela, os objetos da consciência: a mente e os objetos mentais, tudo que passa pelos sentidos e os fenômenos mentais, dentro da mente, imagens, sons e todas as demais sensações, sentimentos, lembranças, pensamentos, desejos, planos, imaginações, posturas, ações, decisões... tudo.


Esta prática não é simplesmente um exercício, ela já é a realização: a plena atenção e a plena consciência. Ela não pode ser treinada, automatizada, porque ela não é feita pela mente, não se condiciona, não se mecaniza (porque é da consciência) pelo contrário, você precisa lembrar a todo instante de permanecer nesse estado, que é chamado vigilância ou atenção plena. Tem que lembar de estar atento. Tanto que alguns estudiosos dessa prática a chamaram de lembrança ou recordacão de si mesmo. Mas não é bem adequado esse nome porque não é exatamente um si mesmo o que é lembrado e sim uma observação constante a ser executada e lembrada, a ação e a vontade de estar atento e consciente. Outros chamam vigilância porque você precisa estar em vigilância constante para não perder a atenção, pois sua mente vai divagar e se distrair, ela tem sua mecanicidade condicionada por longos anos, e você tem que voltar à consciência de novo e de novo. Nós chamamos de despertar ou acordar porque a mente sempre vai voltar ao estado de distração, sono e "sonho acordado", se você não voltar instante a instante à atenção. Você precisa despertar a consciência para que não seja esquecida, levada pelos devaneios, distraída e perdida de seu foco, estar consciente da consciência.


Continua...


frateriliv@gmail.com

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Primeiro Livro do Corpus Hermeticum Comentado -parte 1

 POIMANDRES (OU PIMANDRO)

[Meus comentários têm que ser poucos, estarão sempre entre colchetes comos estes]


Parágrafo 1°


Um dia, em que comecei a refletir acerca dos seres 1, 

e meu pensamento deixou-se planar nas alturas 2 

enquanto meus sentidos corporais estavam como que atados, como acontece àqueles atingidos por um sono pesado pelo excesso de alimentação ou de uma grande fatiga corporal 3,

pareceu que se me delineava um ser de um talhe imenso,

além de toda medida definível 4, 

que me chamou pelo meu nome e disse: "Que desejas ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer?"


[1.1. "comecei a refletir": meditar, analizar com profundidade, raciocinar com profundade, contemplar profundamente, evidenciar conscientemente, também tem como sinônimos, além desses, pensar, ponderar, raciocinar, matutar, ruminar, cogitar, considerar, atentar, reflexionar. O que Hermes denomina refletir, é o mesmo que meditar, mas não no sentido como uns querem dizer, que seja calar, silenciar, esvaziar, aquietar a mente. A meditação hermética consiste mais no tipo de reflexão profunda e axaustiva (se a mente calar ou silenciar será pelo cansaço, como se demonstra) que é mais raro de ser encontrado, exceto entre alguns filósofos antigos, gregos, hebreus, entre outros e nas escolas rinzai zen e antiga dhyana; consiste também em algo similar à meditação analítica de algumas escolas, como na pitagórica, ou mesmo em algumas psicanalíticas, mas a difrença principal é que importa, para o bom efeito, sobre o que se medita. Os temas têm que ser profundos, essenciais, fundamentais, só quem reflete longamente sobre temas fundamentais da existência pode atingir uma experiência profunda como essa, descrita a depender do grau de profundande ou da cultura como arrebatamento, visão, satori, dhyana, iluminação, etc.

[1.2. Neste caso o assunto foi "os seres". Refletir sobre o que são os seres o levou a uma experiência profunda. Mas não é simplesmente pensar nos seres como seres biológicos, ou existentes, ou conscientes, mas na essência profunda do que é "ser" e do que é na verdade "um ser" e "os seres". O que é ser? O que é existir? Os seres existem? A existência é? Ser é o mesmo que existir ou são duas coisas diferentes? Como podem existir "seres"? Você ja8 dedicou quanto tempo em sua vida a essa reflexão?

[1.3. Então seu pensamento se elevou, às alturas, ele não baixou, não se perdeu em temas rasos, mas em um assunto elevado se aproximando assim das altitudes, tanto que os sentidos já não eram mais o foco de sua consciência nem obstáculo, estavam como que atados, paralizados, a visão via o que estava na mente e não mais a mente via o que mstrava a visão, a audição ouvia o som de onde a mente estava e não ouvia o som de onde a audiçao estava, etc.. Isto é um arrebatamento dos sentidos. 

1.4. Algo, alguém fora de toda medida, fora de toda dimensão e de toda definição. Que lhe falou e perguntou, pessoalmente, pois é pessoal, não é uma energia, uma força, um campo, uma dimensão, é uma pessoa, uma consciência. Aprendamos com os detalhes, porque são muitos, bem mais do que os que descrevo aqui. 

Só com plena atenção a cada palavra e cada sentido. Aqui trataremos do mais essencial

domingo, 6 de setembro de 2020

SEGREDOS DA ORDEM - Sobre a Via Pisti - parte 1

Os processos gerais e sua relação específica na Via Pisti


Os grandes segredos da ordem nunca foram segredos no sentido de serem secretos, mas sim no sentido de serem alavancas, ferramentas especiais, "o segredo de" (como nas frases "o segredo de nunca chegar atrasado é se programar para chegar antes" ou "o segredo para ter ossos saudáveis é o consumo de vegetais ricos em cálcio e magnésio e tomar sol suficiente todos os dias" ou "o segredo da boa leitura de partituras é praticar todos os dias por pelo menos uma hora" ou ainda, desfazendo o misticismo, "segredo da meditação (concentração) profunda é abandonar todo apego e aversão a tudo desse mundo e ter atenção vigilante contínua por tempo suficiente (em qualquer que seja o objeto de foco, sim, é só isso mesmo) e então  dirigir essa concentração para o assunto que se quer investigar. Veja que são frases bem específicas e suficientemente detalhadas para que a pessoa interessada realize todo o procedimento necessário para atingir os objetivo. Assim também são os segredos de nossa ordem: instruções detalhadas e práticas para alcançar seus objetvos.


Todos os "segredos" da ordem que não são aquilo que os estudantes tem que descobrir por si mesmos e comunicar em avaliação (por isso mesmo é segredo, pois se souber o que tem que descobrir não "descobre", mas apreende, imita, simula e até pode mentir descrevendo como se tivesse alcançado por si mesmo, assim quando descrever exatamente o que esperávamos que acontecesse sem que a pessoa saiba podemos estar certos que realmente atingiu, viu, experiementou por si mesmo) são chamados segredos apenas nesse sentido: o meio mais fácil e ou mais correto de realizar algo muito difícil. Uns brincam "o maior segredo é que não há segredo algum". Outra razão por algumas escolas ou ordens de nossa ordem serem chamadas por uns de secretas é porque é uma fraternidade anônima, a identidade dos participantes não é exposta nem mesmo de um lugar a outros, são trabalhadores anônimos, pois se garante que nenhum esteja fazendo o bem para glória pessoal e sim em humildade, compreensão, espontaneidade, sem esperar absolutamente nada nem qualquer reconhecimento no mundo.


O Segredo das Realizações Pessoais


A ordem tem três realizações obrigatórias de cada nível, entre as outras são de cada grau, estas são os "segredos" da ordem. Começarei falando desses. 


Agora, depois de mais de sete anos que assumi a coordenação da ordem e que institui a porta de entrada para ela (a fraternidade que estou aqui dando a conhecer, a F.I.T.O.), tenho autorização para revelar tudo que quiser, tudo que achar conveniente para este momento, até porque nada esteve em nenhum momento oculto. Mas se eu fosse destinado a revelar tudo, com certeza passaria toda a vida humana revelando, escrevendo e dando palestras e ainda assim não teria descrito todos os detalhes da verdade. Nós passaremos a eternidade conhecendo toda a verdade, por isso temos este anseio, esta sede e esta satisfação no que fazemos.


1° Processo


No primeiro nível iniciático o segredo é o da realização dos conhecimentos e principalmente do conhecimento direto, é o despertar para a verdade, para o fato de existe verdade e que esta pode ser conhecida e existem maneiras corretas, seguras e garantidas de conhecer. 


O segredo para esta realização é simultaneamente (a) o despertar da consciência, isto é, da lucidez em todas sua potência, de clareza e compreensão (moral e intelectual) e de todas as capacidades, normalmente adormecidas ou amortecidas, em todo seu poder de visão e dicernimento (lógico, empírico e metafísico); (b) alcançar a consciência nessas realidades das visões fundamentais, para perceber e entender a verdade e (c) perceber, entender e compreender que: os fenômenos, a matéria e a existência ocorem na consciência e não o contrário (a consciência como um fenômeno que ocorreria supostamente na matéria), está e a mudança  fundamental para conhecer a verdade sobre tudo e sobre qualquer coisa, não basta entender isso, não basta crer, não basta compreender profundamente, é preciso também perceber diretamente. 


Para isso precisa de certos conhecimentos prévios comuns também, informações, as quais deverá relacionar por si mesmo e perceber o que está mais além de tudo que é dito. Mas mais ainda precisa de certas experiências até ver a realidade, que não estava suficientemente acordado, consciente antes, e que estava, na maior parte do tempo pelo menos, inconsciente, pensando, sentindo, falando, acreditando, querendo e agindo mecanicamente, condicionado.


Então a partir dessa capacidade consciente evidenciada empiricamente aprendemos modos de conhecer com plena certeza,  comprovando pelo raciocínio lógico, análise dos conhecimentos e provas experimentais, e a buscar as verdades mais fundamentais da existência, e todas as verdades que quisermos comprovar, e finalmente a verdade completa, absoluta, a verdade da vida, de tudo, o significado de tudo. Até perceber que tudo é significado, e que existem propósitos.


Assim a consciência é a ferramenta fundamental, que, devidamente despertada, levará à  realização  dos outros níveis. Sem estar em plena consciência nenhum conhecimento pode ser validado, todos podem ser refutados, derrubados, postos em dúvida ou completo descrédito; não há nenhum conhecimento seguro nem qualquer realização duradoura sem um mínimo de despertar além desse normal. A consciência é o verdadeiro ser, a testemunha, o conhecedor. Todo e qualquer conhecimento só existe na consciência, se a consciência é diminuta, limitada, o seu ser, o seu real e a sua realidade também são diminutos, limitados, e seu conhecimento totalmente limitado, volúvel, e em grande parte totalmente ilusório. 


Despertar não é compreender causas mecânicas, ações políticas, visões psicológicas ou sociais, etc., tudo isso é apenas dormir, sono mais profundo, estar mais preso; despertar é ver por si mesmo, sem necessidade de nenhuma palavra, nenhuma explicação (embora estas sempre possam fluir por vezes), os fenômenos e toda a existência como realmente é, fenômenos na consciência, regidos por certas leis completamente inflexíveis, mas que podem ser conhecidas e usadas em favor de nosso despertar. Não tem nada a ver com matéria, energias, espiritualismo, economia, sociedade, psicologia, ações humanas, leis da física ou da sociedade, poderes naturais ou sobrenaturais... Tem a ver com reconhecer, relembrar, restaurar, ver e ser, estar consciente apenas, e estar consciente de.


Entre outras coisas, para passar ao próximo nível ou segundo processo, a pessoa precisa descobrir por si mesma a origem de tudo, e que tudo tem uma origem, claro, e como essa origem de tudo só pode ser onisciente (não existe como ser de outra maneira (tudo só pode "existir" na consciência, como tudo existe, há uma consciência de tudo, falando de modo bem simplificado)). Sem perceber isso ela não alcança o fim eterno, a verdade eterna, no máximo algumas realidades temporais. 


Nilton passou quase toda a vida estudando e escrevendo sobre teologia, alquimia, metafísica, principalmente sobre Deus; suas descobertas científicas são uma parte muito pequena de seus escritos, e elas são tão grandiosas para a ciência que constituem base para toda ciência até hoje. Mas ele só as descobriu por causa de seu estudo, completo, elas são praticamente só um efeito colateral em seus estudos e pesquisas da busca sobre a verdade de Deus. A outra parte de seus escritos é tão indescritível e incompreensível em matéria de ciência comum (é metafísica) que foi praticamente esquecida pela história e totalmente descaratada como ciência, só permaneceu em parte em certas ordens (não por ser segredo, mas porque estas foram as únicas que deram a devida importância e guardaram), mas ele alcançou aqueles conhecimentos! Como a maior parte deles é intransmissível, só nos resta conhecer o método pelo qual chegou a eles e praticarmos para também chegaremos por nossa própria experiência a tais conhecimentos. Esse é um exemplo e também uma metáfora do que deve ser o trabalho de uma ordem: não é transmitir simplesmente as descobertas, mas acima de tudo transmitir os métodos para chegarmos a elas por nós mesmos. Isto é expansão da consciência, como chamam uns, é conhecimento real, direto, de primeira mão, não por ouvir dizer, de segunda mão.


Então temos que partir (ao contrario da ciência comum) das origens, após termos conquistado certo nível de consciência. Não é simplesmente um princípio, tem que existir um, mas este é, e só pode comprovadamente ser, um causador Onisciente, não tem como ser de outra maneira, pois a existência não pode surgir da inexistência; e se algo tem existência (e sabemos que existe) tem que haver consciência, pois "existência" só pode ser na consciência, portando cada detalhe do existente é conhecido por uma consciência, se não fosse não existiria. Mas isto não pode ser crido, precisa ser comprovado com certeza para que possa ser afirmado, o estudante tem que comprovar por si mesmo e tem que saber como, cercando por todos os lados todos os fenômenos com provas científicas e matemáticas irrefutáveis disso.


Só que esse detalhe do primeiro nível é um dos detalhes do conhecimento da consciência, e o que faz difícil à realização desse nível não é so esse detalhe, mas o despertar, manter desperto, e dirigir a consciência a esse conhecimento (e outros que levam a esse). Em seguida há que perceber também, como percebemos em nós que na consciência tem que haver uma intencionalidade, nesse princípio origem tem que haver vontade (pois o estático imóvel não tem como nem porque se mover por si mesmo, tem que haver uma causa de movimento como diz Aristóteles entre outros), e toda vontade (diferencie de querer e de desejar aqui) tem um propósito...


frateriliv@gmail.com


terça-feira, 25 de agosto de 2020

TRADIÇÕES, LIVROS, CIÊNCIAS ANTIGAS E SUAS FONTES ORIGINAIS - parte 2

 

Parte 2.1


O que nós queremos?


Mais informações (sem comprovação)?

Seguir mestres que trazem esse tipo de informação inacessível e escondem a fonte ou nem mesmo sabem do que estão falando ou até se enganam e mentem?

Aprender milhões de práticas numa variedade tão grande que nunca nos tornamos práticos em nenhuma delas, ou que não são eficazes ou que jamais teremos tempo de treinar como se deve?


Ou melhor:

Queremos ir direto as fontes originais, as tradições e os livros originais antigos destas?

Conhecer métodos eficazes e práticas efetivas e ciências que nos levem a ver, testemunhar, vivenciar, ter experiência direta e compartilhar experiências reais e entendimentos próprios baseados no que vivemos e sabemos por nós mesmos?


Os falsos mestres sempre ensinam que as experiências são pessoais e não se deve falar para outros delas. A verdadeira razão para isso é muito simples. Quando todos compartilham todas as experiências vão poder constatar que elas são diferentes para cada um ou que as práticas ensinadas não trazem os resultados prometidos (e as vezes até que prejudicam a todos), ou que aquelas experiências descritas pelo tal mestre não existem pois ninguém passa por elas por mais que pratique. Em resumo, vão descobrir que o mestre é uma fraude.


Aqui a maioria de nós são pessoas maduras, muito experiementados nesses assuntos, podemos sinceramente analizar tudo isso. Uns tem mais experiência com meditação, outros com saída do corpo, outros com sonhos lúcidos ou estar consciente em outros planos e outras coisas. Podemos compartilhar nossa experiência e nos complementar e avançarmos muito mais rápido do que sendo teóricos, repetindo o que os outros disseram e que nós jamais vimos. De que serviria isso? Devemos nos concentrar nas práticas que trazem verdadeiro resultados (não estar iniciando cada semana uma nova prática como se fossemos iniciantes).


Tudo isso se resume a 5 práticas:

1. Estudo profundo, refletido, meditado, analizado, conversado, das fontes originais.

2. Concentração (meditação e atenção plena), as práticas do despertar.

3. Rituais e ritos, os individuais e os coletivos, invocação, iniciações, liturgias.

4. Oração e comunicação direta (com Deus, com o Espírito Santo, com o Anjo da Guarda), ir a dimensões superiores.

5. Ensino, passar adiante tudo isto, o estudo e métodos de estudo; os metodos de concentração, de atenção plena, de despertar e viver desperto; os ritos e rituais, as iniciações e tradições; a comunicação e os metodos de comunicação e de ida às dimensões superiores; e os métodos de ensinar a outros. 


Por que na maioria das ordens não recebemos os livros originais e as tradições originais, só pessoas falando sobre o que eles dizem e como elas são?

Por que não temos acesso direto a essas obras, aos textos antigos, nem às liturgias originais antigas?

Por que sempre recebemos tudo de segunda mão, descritos por outras pessoas e nos contentamos com isso? Acreditamos que elas são realmente assim baseado em que?

Vocês já pesquisaram essas obras para conferir essas informações? Já entraram nas tradições originais para conferir o que recebemos? (Eu fiz isso, nas traduções que me interessaram e nas criadoras das práticas efetivas que recebemos de segunda mão, mas vi que os ensinamentos, resultados esperados, e sabedorias são muito diferentes do que nos disseram que elas são. Por que mentiram? Ou ignoram?).


Por exemplo:

No cristianismo temos a ortodoxia cristã entre varias outras tradições bem conhecidas e um texto sagrado, a Bíblia, um registro no qual podemos conferir se a prática que nos é ensianda e a tradição confere com a original ou entra em contradição.

No budismo temos as várias tradições, chamadas escolas, tão diversas como as denominações cristãs, e temos três cânones (o pali, o chinês que vem sanscrito, e o tibetano) cada um forma uma pilha de livros com mais de um metro de altura com os ensinamentos de Buda, um registro no qual podemos conferir se a prática que nos é ensianda e a tradição passada confere com a original.

No hinduísmo há várias tradições e seus livros, os Vedas, os Upanishades, o Bhagavad Gita, o Ramayana, os sutras, etc....

No hermetismo temos algumas poucas tradições e temos o Corpus Hermeticum, com todos os escritos herméticos antigos e hoje alguns que foram achados arqueológicos mais recentes como os que foram encontrados na biblioteca de Nag Hammadi...


2.2. E no gnosticismo?


O que é afinal o gnosticismo? Como e onde nasceu? Quais suas tradições? Quais seus livros? Por que nada disso nos foi passado?


Tudo que recebemos foram informações, e mesmo assim distorcidas, incompletas e até falsas!


Por que esses mestres que falam que viram livros de outra dimensão e até que entraram em corpo astral no vaticano e leram os evangelhos gnósticos, não sabiam onde esses livros estavam nesse mundo? Como com tanta habilidade eles não sabiam onde seriam encontrados? Por que mantiveram a humanidade sem saber sobre isso?


Por que o que eles diziam ser o ensinamento destes livros se provou tão diferente agora, que foram de fato encontrados?


Ora, não passava de ignorância ou engano ou mentiras mesmo desses falsos mestres. Pois a igreja nunca escondeu os apócrifos, ela só nunca os editou, mas apesar disso, pelo menos depois da invenção de Gutemberg, principalmente nos últimos séculos, todos já foram divulgados e publicados, e muitos outros foram encontrados. 


São vários os achados arqueológicos antes durante e depois da vida de tais mestres, como eles sendo mestres não sabiam disso? Ou esconderam de nós? Ou sabiam que tais livros desmentiriam o que eles vinham ensinando?


São muitos os achados do século XIX e XX. Mas dois deles são especiais por se tratarem não apenas de livros, mas de bibliotecas inteiras, trata-se dos dois últimos achados maiores de todos, as bibliotecas de Kunram e de Nag Hammadi. Contendo elas tanto copias muito antigas dos textos canônicos como versões e muito mais textos outros.


Especialmente essa última, de Nag Hammadi, pois sendo uma boa parte dela textos gnósticos, é o achado arqueológico mais importante para o gnosticismo. Por que não se divulgam e estudam esses textos nos movimentos, escolas e ordens que se dizem gnósticas? 


Muito simples, pelo mesmo motivo que não se estudava os que já existiam antes publicados e nem todos os chamados apócrifos, centenas deles, bem conhecidos dos estudiosos: por ignorância dos tais mestres, por engano dos tais mestres e pelas mentiras e loucuras dos tais mestres não ser corroborada pelos textos. Pelo contrário, se provaria que muitos dos seus ensinos não só não são gnósticos, mas que muitos deles são até contrários a gnosis.


Claro, se eles mostrassem os textos suas doutrinas e ensinamentos seriam desmascarados!


Assim eles preferiram esconder a existência deles para nós ignorantes, e dizerem que os únicos que existem só estão escondidos no Vaticano. Para que melhor prova que esta de que eles são mentirosos?


Mas há mais. Eles ainda usavam um texto ou outro realmente gnóstico, algums até mais de um. Mas somente aqueles textos que estão num código incompreensível para nós, em linguagem tão velada que eles puderam dar os significados que bem quiseram e que serviam a seus propósitos e ou a sua cegueira. 


Muitas vezes, não poucos casos, o que moveu esses mestres foi apenas o desejo de gradesa, o desejo de serem vistos como grandes seres, avatares, o desejo simplesmente de serem chamados de mestres! 


Mas muitas outras vezes foi o desejo maléfico de desviar a pessoa do bom caminho, da verdadeira salvação e da verdadeira iluminação: o desejo de desviarem da verdade! Tinham o desejo oculto de desviarem as pessoas de Cristo, o desejo de serem eles chamados de Cristo, de profeta, de anjo, de buda, de ser venerado, adorado, como um deus ou como um ser especial, acima dos outros. Mas acima de tudo servindo ao proposito mais malígno, desviar da verdade, de Cristo, de Deus e da sua salvação.


Eu participei de várias ordens, li e pesquisei profundamente por muitos anos, e recebi várias tradições e iniciações, e tenho esses textos e as verdadeiras práticas, doutrinas e modo de ver e de viver original destas tradições. 


Falo aqui principalmente da gnosis, mas o que recebi não foi só dela, também de outras tradições em sua própria, como do hermetismo tradicional, do cristianismo primitivo, do taoísmo, da yoga, da kabalah, do budismo theravada, mahayana e bodhisatvayana, da rosacruz clássica, entre outros úteis e inúteis, sadios e prejudiciais, trevosos e luminos. É preciso experiência e ou dons para ter dicernimento, para saber distinguir pois as trevas sempre vão se apresentar antes como os mais elevados, como "a verdadeira luz". Em tudo, o que não presta imita, até com mais brilho, que é bom e verdadeiro. E não temos mais tempo para experimentos e desperdício de estudo, caminhada e esforço. Podemos ir direto às fontes originais.


E o que quero é compartilhar isso de forma aberta e organizada. Estudarmos tudo, lermos juntos e conversarmos, por em prática e compartilhar e analizar juntos os resutados. E transmitir o que eu recebi de efetivo e bom. Precisamos nos concentrar no que dá certo, no que realmente nos leva à verdade, ao despertar, à restauração, à reintegração, ao trancendente, ao eterno...


Para que sejamos independentes dessa sabedoria de segunda mão, livres das idéias desses falsos mestres e seus enganos. E que tenhamos nossa própria luz, bem clara diante de nós, que tenhamos nossas próprias experiências sem depender das de outros, que entremos nós mesmos nos planos superiores e que tenhamos os ensinamentos dos verdadeiros mestres e guias nelas, não apenas nos livros autênticos, mas também em nossa propria vivência.




Contatos em frateriliv@gmail.com