"Todo o universo continua sendo a menor partícula que existe."
Antonio Fernando Gonzaga
"Todo o universo continua sendo a menor partícula que existe."
Antonio Fernando Gonzaga
A nossa F.I.T.O. não tem nome (por isso é comum se confundir a sigla descritiva na qual é classificada com um nome próprio), mas se aprensenta por vezes na categoria de outras siglas. Porque ter um nome seria institucionalizar a fraternidade isolando-a das demais e aderir a outra obediência que não a única e verdadeira do alto, da Ordem de Deus direta.
Isto em termos práticos seria uma forma de distinguir esse grupo ou grupos de outros, mas por outro lado seria uma divisão, separando-se de outras fraternidades irmãs (como por exemplo, a maioria das ordens denominacionais de hoje que estão sempre sob alguma obediência, por exemplo, algumas a uma doutrina ou igreja denominacional, outras a maçonarias ou rosacruzes específicas, outras a determinadas escolas filósoficas, etc.). E assim também pode não estar em contato direto com o Onisciente e a dimensão do Eterno, mas permanecendo apenas nesta materialidade, a tradições humanas, ritos vazios, crenças, mundanismo ou ligada diretamente à esfera refletora da ilusão (que geralmente chamam de astral), o que é pior.
Nós não ensinamos divisões. Por este motivo o modelo popular, denominacional, não nos serve também. O modelo tradicional tem sido sempre preservado e ressurgido apesar do desconhecimento quase absoluto da população e a falsa impressão dada por algumas "sociedades secretas" ou ordens secretas, e mesmo diante das calúnias dos difamadores (que, por um lado, estão mais divulgando gratuitamente do que atrapalhando).
Se nos basearmos no que abordamos no capítulo anterior diremos que somos do tipo quase quase que totalmente espiritual, mais voltado à inteligência e ao intelecto e práticas bastante específicas, em pouca quantidade para que haja o foco, o treinamento intensivo em cada uma delas e o tempo para realizar todas as condições necessárias. Isto significa que temos um método próprio escolhido por sua eficiência (não por ser atrativo nem diversificado) e pela sua colaboração, não somente em atingir os objetivos específicos, mas também o geral e principal.
Para perceber a chave inicíatica no evangelho de João vamos primeiramente entender a tradição chamada gnóstica e suas ramificações, que a princípio não tinham esse nome, mas eram simplesmente vias interpretativas cristãs, especialmente derivadas da teologia de Paulo e da mística de João, por parte de discípulos desses apóstolos. Estas podem até ter sido enfatizadas por discípulos subseqüentes, mas não continham heresias nem ainda divisões como se diz normalmente.
As seitas e heresias chamadas só posteriormente de gnósticas eram bem diferentes dessas outras correntes que apareceram depois, embora tivessem em comum certas idéias e padrões. Já as que aparecem logo no início, além de não serem chamadas de gnósticas, com outras características bem diferente, geralmente, ou melhor, quase todas, provêm de outras linhagens doutrinárias, pois vêm de outras origens. Outras, como só aparecem bem depois, embora realmente derivadas do ensino cristão, eram mais como continuações ou variantes sincréticas que misturavam muitas idéias de outras doutrinas, inclusive muitas inconciliáveis. Portanto não podemos anacronicamente chamar todas da maneira e classificá-las como gnósticas como se faz descuidadamente desde o século IV pelo menos.
Haviam, ao contrário disso, muitas doutrinas que se entendiam como cristãs ou originadas no Cristo, e algumas divergiam mais e outras menos. Mas também haviam outras, hoje chamadas gnósticas, que nem se originaram a partir de discípulos dos apóstolos. Por exemplo: os gnósticos joanitas (não confunda com joanistas) que acreditavam que o Messias era João Batista e não Jesus; gnósticos setianos, que se acreditavam descendentes de uma linhagem de sabedoria que vinha desde Seth, terceiro filho Adão; gnósticos ofitas que veneravam a serpente que falou com Eva no Eden; cainitas, os que veneravam Caim e diziam que o caminho para a salvação era o pecado, pois o corpo era mau e tinha que ser depreciado; os maniqueus, eram os seguidores de Mani, extremamente dualistas, acreditavam em dois deuses eternos, um mau e outro bom; etc.. Mas será que podemos realmente chamar tais seitas desse tipo e de gnósticas? Haviam também seitas chamadas de gnósticas que tinham seus nomes derivados da região de origem, por exemplo o gnosticismo persa, o egípcio e o sírio.
E assim da mesma forma que estes foram chamados alguns dos discípulos de João. As distâncias e o tempo de separação fizeram alguns grupos estranharem o ensino e livros de outro grupo, mesmo quando igualmente autenticos, isto me parece claro. O Apocalipse de João foi um dos livros mais controversos do início do cristianismo e um dos últimos a ser aceito como canônico. Assim também a sua segunda e terceira carta (alguns estudiosos até hoje insistem que não seriam do mesmo autor). Assim também alguns discípulos do apostolo João também foram chamados de joanistas e até classificados como gnósticos (sabemos que os escritos de João são os mais profundo, místicos e simbólicos, imagine para outros irmãos que não estavam acostumeados a esse estilo).
Continua...
F..I.T.O. tem significados diferentes, em diferentes níveis de significado e de internalidade própria. Não é um nome, é uma sigla, que indica uma categoria de organização, portanto designa um tipo de organização o qual engloba todas as que se organizam assim e têm o mesmo objetivo, saibam ou não da existência umas das outras tenham ou tenham ou não a mesma metodologia. Portanto se aplica a várias organizações, desde que estejam sob a mesma ordem interior, a única e verdadeira ordem espiritual do Onisciente, ou seja, vinda do Eterno, criada pelo Criador, o único e verdadeiro Deus.
E esta F.I.T.O. aqui é organização, em primeiro lugar nesse caso, em forma de fraterinidade, ou seja, irmandade, família, não simples associação ou escola, é preciso que haja certa comunhão entre as pessoas. Por isso os critérios paras entrar nela precisam ser gradual e rigorosamente preenchidos. Assim temos alguns campos de atuação anteriores, ou seja, preparatórios, de onde as pessoas aptas e sinceras são convidadas a prosseguirem. Existem grupos de estudos, escolas, ordens, igrejas, sociedades, de onde os mais interessados em realmente conhecer a verdade, que não são maliciosos nem arrogantes podem ir, dentro de um nível mais elavado, por uma via específica, chamada fraternidade.
Existem no mundo várias extensões preparatórias como estas, conforme suas tradições, filososfias e metodologias, para atender os diferentes tipos humanos, suas aptidões e capacidades. Desde as mais espirituais até as mais centradas nesse mundo, desde as mais abrangentes em métodos até as mais específicas, desde as mais intelectualizadas ou centradas na inteligência e realização espiritual até as mais pragmáticas ou centradas em práticas corporais e mentais.
A nossa é exatamente do tipo mais espiritual, de método mais específico e focado no objetivo, e do tipo mais focado no intelecto e realizações espirituais. Embora nesse último quesito realmente existam algumas mais abertas e em forma de escola, mais focadas em práticas psíquicas (que erroneamente uns chamam de espirituais) e até mesmo capacidade e poderes, isto é apenas uma das formas de preparação, o que torna essas escolas mais acessíveis e atraentes a pessoas mais centradas na alma em vez do espírito. E há ainda aquelas que mais parecem escolas médicas ou de yoga, pois querem também atrair e ajudar as pessoas mais centradas na matéria. Nossa escola não deixa isto fora, mas ensina como ramos, vias, como cadeias de diciplinas num curso universitário, de forma que todos conheçam tudo e retenham o que é bom para o seu desenvolvimento.
15 A amplitude do Bem é tão grande quanto a realidade de todos os seres e dos corpos, bem como dos incorpóreos, dos sensíveis e dos inteligíveis. Eis o que é o Bem, eis o que é Deus. Não chame nenhuma outra coisa de boa pois isto é impiedade, ou dê a Deus qualquer outro nome que esse único nome de Bem, pois isto também é uma impiedade.
[Bem, em hermética, não é de forma alguma algo relativo, nem tampouco subjetivo, mas como está escrito, uma realidade de amplitude muito grande (talvez tão grande que esteja fora de nossa possibilidade de compreensão, a não ser parcial. Bem não é uma ação, fenômeno ou objeto que possa ser julgado ou medido por simples padrão de valor comparativo; é algo real em si mesmo (há exemplo de felicidade, que infantilmente os filósofos do oriente e do ocidente em sua maioria crêem um bem em si mesma, sendo que nesse caso bem é mesmo "bem em si mesmo"). Mas por ser de tal modo indizível o autor passa logo ao que pode ser dito e entendido facilmente, o que é o Bem: é Deus, e Deus é o bem, e nenhuma outra coisa, ou ser, ou fenômeno... Não poderíamos deixar de lembrar, com essa afirmação de Hermes, a resposta de Jesus ao homem que o chamou de bom mestre, "Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus." E ainda o dito por Paulo "Não há um justo, nem um sequer. Nisso se referindo aos salmos que dizem "Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um." O princípio é o mesmo. Em relação a Deus mesmo o "bem" que julgamos fazer não é bem, e pode até ser mal, pois provém normalmente da falsa persona, do chamado ego animal ou alma animal, ou ainda alma humana, contaminada, no máximo, difernte da alma divina. O único verdadeiro bem é Deus. Desviar-se de Deus é, portanto, desviar-se do bem, e dizer que outra coisa, para a qual desviamos, é boa, é a essência da impiedade. Dar a Deus nomes (diferentes de Bem e daquele por ele revelado) é impiedade. Com certeza isso é um duro golpe na religião egípcia da época e na idolatria faraônica (pois além de serem cultuados e cultuarem vários deuses, os faraós ainda vez por outra davam um nome ao Deus dos deuses igual aos de seus ídolos, para dizer que seu deus preferido naquele panteão seria o próprio Deus dos deuses), motivo pelo qual o hermetismo teve que se manter escondido da corte faraônica e da população em geral. Isso até que um faraó finalmente adotaria o monoteísmo de forma explícita (Akenaton). Mas também que logo foi reprimido e duramente suprimido por seus sucessores e assim apagados e perdidos quase todos os registros herméticos. Ficou assim apenas a cargo da verdadeira tradição e alguns manuscritos em língua grega a preservação dessa sabedoria, que infelizmente muitos hoje confundem e até impiamente misturam com a idolatria egípcia.]
16 Certamente, todos pronunciam a palavra Bem, mas não percebem o que ela pode ser. Eis porque não percebem também o que é Deus, mas, por ignorância, chamam bons os deuses e certos homens, ainda que não o possam ser e nem se tornar: pois o Bem é o que menos se pode retirar de Deus, é inseparável de Deus, porque é o próprio Deus.
[Nenhum ser, nem humano, nem deus algum pode ser considerado bom na hermética, nem sequer ser chamado de bom, se referindo a suposto bem relativo. Por isso muitos, ao conhecer o verdadeiro hermetismo e achando-o duro demais, voltam ao falso, cheio de superstições, idolatria e elementos da cultura egípcia que os herméticos daqueles tempo abominavam. Há até os que se curvamdiante de estatuetas da tumba de Ramsés ou de seu busto e se consideram herméticos! Ignoram que Ramsés foi um dos maiores perseguidores, senão o maior, do monoteísmo e também do hermetismo? No hermetismo, ao contrário da maioria das religiões, o bem de Deus é um atributo incomunicável, assim como sua eternidade, onisciência, onipotência, etc.. Apesar disso, como nas religiões monoteístas outros atributos, o amor, a compaixão, a sabedoria de Deus, etc., são comunicáveis, isto é, partilhados tanto com humanos, quanto com outros seres, inclusive os demais deuses criados primeiro, como veremos a seguir.]
Todos os outros deuses imortais são honrados com o nome de Deus.
[Ou seja, recebem dos atributos comunicáveis de Deus. "Com o nome", na liguagem antiga, especialmente na hebraica (um indicativo da origem da tradição), significa, com a pessoa, com seus traços, com seus atributos.]
Mas, Deus é o Bem, não por uma denominação honorífica mas pela sua natureza. Pois a natureza de Deus é apenas uma coisa, o Bem, e os dois juntamente formam uma única e mesma espécie, da qual saem todas as outras espécies. Pois o ser bom é aquele que tudo dá e nada recebe. Ora, Deus tudo dá e nada recebe. Deus é portanto o Bem e o Bem é Deus.
[A natureza de Deus é o próprio Bem. Assim como para o grego o bom e o belo são uma única e mesma essência, e para o cristão o amor e o bem têm uma mesma essência em comum, Deus, para o hermético, o bem e Deus são uma única e mesma coisa. Assim como se costuma definir hoje que Deus é amor, se define em hermética que Deus é o Bem e o Bem é Deus. E todos os demais atributos desse emanam. Assim como na doutrina cristã Deus cria por amor aos seres queridos, a hermética ressalta o fato de que Deus cria porque criar é o bem para os seres queridos. E portanto, tudo que temos, que vemos, que sabemos, que somos, que podemos imaginar ser um bem, não vem de nós, nem de nenhuma outra fonte, senão de Deus. Além disso não há como alguém dar algo a Deus, mas Deus é eterno dador. Em nossa liberdade nós podemos fazer escolhas em harmonia com Deus ou em desarmonia, de Deus podemos obter o bem ou em oposição podemos nos abster do que é dado, o Bem. E podemos até produzir de nós mesmos o mal.]
17 A outra denominação de Deus é a de Pai, devido à virtude que possui de criar todas as coisas: pois é ao Pai que cabe o criar.
[As duas denominações de Deus então são Bem e Pai, pois que Deus não é nome. Mas nesse sentido temos Deus, Bem e Pai, diferente de pai, ou pais. Assim como o significado da palavra Deus é muito diferente do significado da palavra deus. Temos que Pai é criador (o verbo correto seria "crear", diferente de "criar", como aponta o filósofo Humberto Hohden), diferente do pai terreno, progenitor, que reproduz, e do criador de galinhas, por exemplo, que cria em outro sentido. Ele criou no sentido de inverntar e de dar existência a. Assim o Pai não é simplesmente um reprodutor, tampouco somente um construtor, ele é o único de fato criador, o "creador". Ainda dentro dessa perspectiva, Bem e Pai são substantivos próprios e intransferíveis, enquanto Deus e substantivo e adjetivo. Essa peculiaridade linguística do pensamento hermético não apenas mostra sua sofisticação, mas também sua intenção de demonstrar uma especificidade. Pois enquanto pai, bem e deus são palavras de grande amplitude em significados e muito gerais, Pai, Bem e Deus são muito específicas, não existe outro ser assim e se existir um ser tão grandioso, mas que lhe falte alguma dessas três, apenas digamos, facetas, não se trata do mesmo, não é Deus e portanto também não é Bem nem pode ser Pai, portanto é falso (o que mostra que o dito hermetismo, diferente do tradicional, moderno, todo inclusivo e medroso de desagradar, que diz que qualquer entendimento sobre o Ser Supremo trata do mesmo Deus, também é falso).
Também a procriação das crianças é tida pelas pessoas sábias como a função mais importante da vida e a mais santa, e se vê o fato de um ser humano deixar a vida sem procriar como o maior infortúnio e o maior pecado, e um tal ser humano é punido depois da morte pelos daimons. Eis a pena a que é submetido: a alma do ser humano que morre sem filho é condenada a entrar em um corpo que não possui a natureza de homem, nem de mulher, o que é objeto de execração por parte do sol. Por esta razão, Aselépios, deves guardar-te de felicitar o ser humano que não possui filhos: contrariamente, apieda-te de sua infelicidade, sabendo qual o castigo que o espera. Mas isto basta, Asclépios, como conhecimento preliminar da natureza de todas as coisas.
[Note que a procriação de crianças é tida como a função mais importante da vida biológica e a mais santa, entendendo aqui ainda também dentro dos aspectos corporais (pois claro que as da vida espiritual são mais importantes, nem por isso esta, menos importante, seria dispensável, jamais!), e também a grande maioria das tradições vê o fato de um ser humano deixar a vida sem procriar como pecado, no Corpus Hermeticum diz que um tal ser assim é punido depois da morte pelos daimons; entre as milhares de religiões hindus se diz que é a maior desonra e que o homem só deve se tornar um samana, ou asceta, ou monge ou hermita depois de gerar e criar seus filhos; na cristã primitiva e na gnosis verdadeira a vida celibatária é um dom de Deus dado a muito poucos e só se deve tornar-se assim por este dom, ou viuvez, ou já tendo gerado família para seguir e se dedicar somente a Cristo; na kabalah os jovens se dão cedo em compromisso, cedo se casam e cedo tem seus filhos, os que se retiram da sociedade para a vida contemplativa levam suas famílias ou pelo menos um filho; no budismo autêntico só se pode tornar monge o filho que tenha permissão dos pais de interromper a cadeia familiar tendo mesmo assim deixado outro irmão já com filho ou pelo menos casado. Creio que com esses exemplos esclarecido fica esse ponto sobre o qual há tantas argumentações sem sentido hoje. O caso à parte dos templários e rosacruzes é ainda para ser pensado, mas os primeiros já eram monges antes de se tornar templários, tanto que o voto de castidade dos casados se refere apenas à sua fidelidade quando saia às batalhas ou longas viagens e serviços, e no caso dos segundos, muito provavelmente só aderiam a essa exigência os que já tinham o dom ou que já foram encontrados solteiros e castos e foram então longamente preparados para assumir uma vida celibatária definitiva. Note também que os que nascem sem definição são execrados pelo sol, ou seja, suas relações se dão às escondidas, pois não são aprováveis. Mas não é por isso que não se nota homossexuais no hermetismo verdadeiro, assim como na igreja, os homoafetivos são aceitos, mas sua prática de relacionamento afetivo e sexual não. Além disso o homoafetivo é ensinado a abrir mão da aparência do sexo oposto, portanto, ele não apenas se torna celibatário devido a seu nascimento (podendo por outro lado casar com seu sexo oposto e gerar filhos), mas também aprende a comportar-se conforme seu gênero genético. E com as práticas herméticas psíquicas isto é muito facil, diante outras transmutações psíquicas que todos devemos realizar, sendo das menores questões. Mas observe que isso não é um aspecto pequeno do ensinamento hermetico, um livro é concluído com esse esclarecimento. Aqui está um dos princípios herméticos: tudo tem gênero. Consequentemente, todos têm genero. O mais incrível é que chegamos num tempo onde é preciso explicar isso, pois não parece mais óbvio e natural, muitos não entendem, embotada que foi sua capacidade de percepção e raciocínio por conceitos e ideologias, de tal forma que tais entendimentos lhe convencem mais do que as próprias consciência, natureza e ciência verdadeira. Já para os demais a existência de tais assim nascidos não são de forma alguma motivo de escândalo, escárnio nem uma ofensa, pelo contrário, só mais um dos inúmeros fenômenos das manifestações humanas através do qual é chamado à piedade e à compreensão profunda. E sim, se a pessoa não quer mudar o castigo à espera, é isto mesmo que está escrito e pode ser visto pelo sobe às alturas além da esfera refletora (astral, região dos mortos, mundo dos sonhos, ou como se queira chamar).]
João no seu evangelho está dando a resposta a várias tradições que esperavam a manifestação do Logos.
Destacaremos aqui a tradição hebraica, a tradição hermética e a filosofia grega, todas três se ocupavam com revelações, raciocínios e especulações, sobre o Logos.
Na tradição hebraica a palavra Logos não estava presente, mas havia a "Palavra de Deus" representada pela palavra "água". Quando João usa a palavra "água" muitas vezes ele está se referindo ao que todo judeu sabe que significa: a palavra de Deus. E ele começa seu evangelho justamente apresentando essa palavra, logos, como algo que estava desde sempre e que era um com Deus, que era Deus. João apresenta a palavra de Deus, o verbo, o Logos, como sendo uma pessoa. O logos de Deus, a razão, a inteligência de Deus, é pessoal, consciente, é sabedoria, Luz e vida, etc.. E um dia essa palavra veio até nós, nasceu como um de nós e viveu entre nós, como um de nós.
Na hermética o Verbo se manifesta em forma espiritual, o nous de Deus (a consciência de Deus ou Espírito de Deus) que se manifesta a Hermes como Pimandro ( que significa Pastor de Homens), pessoal, consciente, ele é Luz e doador da vida, etc.
Na filosofia grega estava em discussão o logos, razão das coisas, se é pessoal ou impessoal, consciente ou inconsciente, se cria por vontade ou por propriedade ou forçado por lei mecânica.
João está respondendo essas três tradições e às suas revelações incompletas, complementando-as, revelando o que estava oculto e dando significado ao que parecia mistério. Ele pode fazer isso porque recebeu a informação do próprio logos, que conviveu com ele e revelou para ele sobre esses assuntos.
A partir disso, dessa revelação de João, temos outras tradições que vão se desenvolver a partir de seus discípulos e de discípulos de outros apóstolos (existem outras, apenas histicamente importantes, mas já não ligadas aos apóstolos, tampouco a João, sem entendimento correto nem vinda da revelação original). Destaquemos aqui as tradições judaicas, a nezarena, a essênia e a kabalista, as tradições herméticas, a tradição cristã e a gnóstica (e após estas as neo-platônica e escolástica, também podem ser incluidas como sendo das primeiras, embora ambas estejam dentro da cristã).
IIA
DE HERMES A TAT: DISCURSO UNIVERSAL
Diálogo perdido
IIB
Título perdido
1 Todo móvel, Asclépios, não é movido em qualquer coisa e por qualquer coisa? - Seguramente. - E não é necessário que aquilo em que o móvel se move lhe seja maior? - É necessário. - O motor, que te parece, é mais forte que o móvel? - Mais forte, com efeito. - E isso no qual o móvel se move é necessariamente de uma natureza oposta àquela do móvel? - Sim, absolutamente.
[Aqui Hermes argumentará a Asclépios basicamente sobre a demonstração do motor imóvel primeiro, análoga à demonstração aristotélica. Todo o argumento aqui gira em torno das evidências de um cosmo criado contra a hipótese de um cosmo espontâneo, gerado por si mesmo. Tendo isso em mente fica fácil entender o porquê dos argumentos. Sendo que tudo está em movimento e todo movimento é gerado e ou mantido por alguma força, tem que haver uma primeira causa do movimento, o motor primeiro, que deve ser uma força oposta ao que vemos em movimento, e também mais forte.]
2 Agora, é tão grande este mundo que nenhum corpo não lhe possa ser maior? - De acordo. E ele é compacto? Pois está repleto de muitos outros grandes corpos, ou, para dizer melhor, de todos os corpos que existem. - É assim. - Ora, o mundo é precisamente um corpo? - É um corpo. - E um corpo que é movido? 3 - Seguramente.
- Qual o tamanho que deve ter o lugar no qual o mundo se move e de que natureza?Não deve ser bem maior, para ter condições de conter o movimento contínuo do mundo e para que o móvel não seja comprimido pela estreiteza do lugar e não cesse assim seu movimento? -Ele deve ser qualquer coisa de imenso, oh! Trismegistos.
[Agora a demonstração de que se o imenso mundo se move maior deve ser o meio no qual está a mover-se...]
4 Mas de qual natureza será este lugar? Da natureza oposta, não é Asclépios? Ora a natureza oposta ao corpo é o incorpóreo. - Eu convenho. - O lugar será então incorpóreo. Mas o incorpóreo, é ou qualquer coisa de divino, isto é, não engendrado, ou bem é Deus.
[...E que este lugar tem que ser de natureza também diferente, no caso, incorpóreo, já que o mundo é corpóreo. Aborda também a antiga se esse incorpóreo não seria o eterno, não gerado, não criado, não engendrado, ou mesmo o próprio Deus, visto que é de natureza também oposta a corporeidade. Levantando também uma questão sobre a demonstração anterior, se o próprio local em que somos e nos movemos, isto é, no qual tudo se move, não seria ele próprio o causador, o motor.]
5 Se então o incorpóreo é o não engendrado, é da natureza da essência e se é Deus é ocorrente mesmo sem essência.
[Então levantam-se duas possíveis hipóteses a partir disso: se o incorpóreo onde o mundo se move é simplesmente o não engendrado, sem começo este incorpóreo é da mesma natureza da essência, ou seja, é o ente primordial; mas se o incorpóreo onde tudo se move é o próprio Deus não precisa de uma essência para ocorrer, pois não é contingente, dependente. A questão posta dessa maneira fica truncada, não pode ser respondida, porém...]
Por outro lado é inteligível da seguinte maneira. Deus é para nós o primeiro objeto do pensamento, ainda que ele não seja objeto de pensamento para si mesmo (pois o objeto de pensamento cai sob os sentidos daquele que o pensa. Portanto Deus não é objeto de pensamento para si mesmo: pois não é uma coisa diferente do pensado de sorte que ele pensa a si mesmo. 6 Para nós contrariamente, Deus é alguma coisa de diferente e eis porque é objeto de pensamento para nós.)
[Anterior a todas as causas é Deus, o primeiro, o primeiro objeto que encontramos através de nosso pensamento em busca da causa anterior. Mas para o próprio Deus o pensamento de Deus é idêntico ao próprio Deus (até porque ele conhece completamente a si mesmo, é onisciente). Enquanto para nós o pensamento de Deus é algo diferente (de nós e do próprio Deus mesmo). Assim...]
Ora, se o lugar é objeto de pensamento, não o é enquanto Deus, mas enquanto lugar. E mesmo se o tomarmos como Deus, não é enquanto lugar, mas enquanto energia capaz de conter todas as coisas.
Todo móvel é movido não em qualquer coisa que se move, mas em qualquer coisa em repouso: o motor também está em repouso, pois não pode ser movido com aquilo que move.
[Agora aparentemente estamos diante de três objetos diferentes, o cosmo movido, o local imóvel onde este se move e o movente também imovel, o demais está claro e não será necessário explorar mais os dois trechos.]
- Como então, oh! Trismegistos, as coisas cá de baixo são movidas com as coisas que as movem? Eu te ouvi dizer, com efeito, que as esferas dos planetas são movidas pelas esferas das fixas. - Não se trata, Asclépios de um movimento solidário, mas de um movimento oposto: pois essas esferas não são movidas por um movimento uniforme, mas por movimentos opostos uns aos outros e esta oposição implica um ponto de equilíbrio fixo para o movimento: 7 pois a resistência é parada do movimento.
[O trecho parece indicar as relações de forças opostas como as que atraem os planetas para o centro, o sol, e as que repelem, fazendo com que girem. Mas essa noção pode não corresponder ao texto. De qualquer forma ele está a demonstrar que independente de as forças estarem em movimento ou uma imóvel e outras em movimento, seriam sempre ainda forças opostas.]
Assim então as esferas dos planetas sendo movidas em sentido contrário da esfera das fixas,
[Por exeplo, se aqui esfera fixa for o sol, e móveis os planetas, os giros do sol seriam num sentido e os dos planetas no sentido oposto.]
encontram-se em oposição com a própria oposição, sendo movidas por ela como estacionária. E não poderia ser de outra forma. Deste modo estas duas Ursas que, como o vês, não possuem nem oriente nem ocidente, e que giram sempre em torno do mesmo centro, pensas que estão em movimento ou repouso? - Movem-se, oh! Trismegistos. - Com qual movimento, Asclépios? - Com o movimento que consiste sempre em girar em torno dos mesmos eixos. - Sim e o movimento circular não é nada mais que o movimento em torno de um mesmo centro firmemente contido pela imobilidade. Com efeito o movimento em torno de um mesmo centro exçlui a possibilidade de um movimento do eixo. De onde vem que o movimento em sentido contrário detém-se em um ponto fixo, pois tornou-se estacionário pelo movimento oposto.
[Um argumento não muito claro e talvez não preciso (pode também ser erro de traduções ou transcrições), mas de todo modo demonstra que o movimento de um astro não foi causado nem por outro nem por um movimento do eixo, o que se torna completamente correto se o em relação a tudo mais que gira em torno (como o eixo de um planeta, imóvel apenas em relação ao próprio movimento em torno de si). Ele explica o que quer dizer com o exemplo a seguir:]
8 Eu vou to dar um exemplo na terra visível a olho nu. Veja os viventes perecíveis, o ser humano por exemplo, nadando. A água é arrastada pela sua corrente: mas a resistência dos pés e das mãos torna-se para o ser humano estabilidade, de modo que não é arrastado com a água. - Este exemplo é muito claro, oh! Trismegistos. Todo movimento então é feito numa imobilidade e por uma imobilidade. Assim então, o movimento do mundo, bem como de todo vivente material deve provir não de causas exteriores ao corpo mas interiores, operando de dentro para fora, quer seja dos inteligíveis, quer seja a alma ou o sopro ou qualquer outro incorpóreo. Pois um corpo não pode mover um corpo animado nem, de uma maneira geral, nenhuma espécie de corpo, mesmo se este corpo movido é inanimado.
[É facil notar, pelo raciocínio agora completo, porque ele quis demonstrar isso, para chegar na questão mais óbvia aos sentidos e à razão a demonstrando de maneira lógica: nenhum objeto que conhecemos move-se a si mesmo sozinho a não ser como no caso dos vivos em que algo em seu interior, seja a alma ou o sopro, isto é, o espírito, é que causa o movimento, ou seja, algo interior que comanda exterior.]
9 Como disseste aquilo, Trismegistos? As peças de madeira então, e as pedras e todas as outras coisas inanimadas, não são os corpos que os movem? - Não, Asclépios. Pois é o que se encontra dentro do corpo que é motor da coisa inanimada e não esse corpo mesmo, que move de uma só vez os dois corpos, o corpo daquele que porta e o corpo do que é portado: eis porque um inanimado não saberia movimentar um inanimado. Vês então a carga extrema da alma quando, sozinha, deve carregar dois corpos. Desta forma os objetos são movidos dentro de qualquer coisa e por qualquer coisa, é evidente.
[E aqui a conclusão irrefutável, já que o inanimado (sem ânima, sem alma) não poderia jamais mover-se e se há movimento no cosmo é óbvio que alguma outra coisa de natureza diferente da matéria movida é que o move. Ainda note a questão da dupla carga da alma, por isso nesta esta esfera não pode expressar toda sua capacidade, diante dessa ocupação dupla que é comandar dois corpos, o seu próprio, o corpo psíquico ou corpo da alma e o corpo denso ou corpo material com seus processos complexos e inúmeros, para a manutenção da vida biológica que é extremamente delicada e dependente desses inúmeros processos complexos.]
Continua...
É o tipo de grupo que objetiva compartilhar nossos estudos e práticas para pessoas já previamente conhecidas e selecionadas, as que mostram alguma afinidade com nossas buscas e ou nossos estudos e nossa ética. Para nós é crescimento, não só em conhecimento, auto-conheciemento, descoberta de nossas capacidades e dificuldades, mas também de superação dos limites dos modos de conhecer (impostos pelos condicionamentos a que estamos submetidos nesse mundo, que nos impedem de ver, de saber, de compreender e de agir). É o superar de modo a trascender as limitações dos sentidos, da matéria, da consciência relativa e do conhecimento direto limitado, limitações que temos.
Por tal oferecemos uma associação terapêutica, pois objetiva reestabelecer a psique (e consequentemente o corpo e a consciência) ao seu pleno estado de saúde e capacidades (intelectuais, cognitivas, emocionais, relacionais, etc.). A palavra terapia em seu real sentido dispensa qualquer adjetivo no sentido de sua completude sistêmica e abrangência, pois ela sempre se dirige ao todo do ser (consciência, psique e matéria) e suas relações com as outras partes do todo.
Mas o objetivo central dos grupos de estudo das ciências antigas (G.E.C.A.) é o conhecimento da verdade, portanto dos meios para chegar a ela diretamente. Não existe uma verdade contada por outros, isto seria apenas uma descrição, ainda de visão pessoal ou de conhecimentos, de um pontonde vista; a verdade tem que ser vista, por cada um, conhecida assim, por compreensão e experiência própria, vivida. Esse é o objetivo que norteia todo o percurso.
É preciso ainda esclarecer que nosso modelo de estudo não pode ser confundido com ocultismo nem religião principalmente, nem também esoterismo, nem filosofia, nem escola de pensamento, da maneira como são entendidas hoje estas palavras. Somos fundamentados numa outra base, diferente disso, uma base tripla, ciência, tradição e conhecimento direto. As ciências antigas e tradicionais (e suas atualizações por parte de todas as ciências, incluindo as transcendentais), a tradição herdada e mantida (várias tradições, das quais mantemos as boas e eficientes), e conheciemnto direto, que é experiência e compreensão direta de cada um (sejam elas partidas de treino, esforço, práticas ou atitudes ou sejam elas reveladas, advindas, místicas ou espontâneas). Os dois primeiros fundamentos partem daqui para o desconhecido e o último vem do alto para cá (ou como diz um ditado: de um lado "os homens procurando Deus" e do outro "Deus vindo revelar-se aos homens"). Podemos, simplificando exageradamente, dizer que através de algumas ciências e tradições aprendemos a nos por em contato com as leis e realidades universais e as trancendentais, e a partir disso ensinamos, ou ainda do mesmo modo dizer em verdade que se trata de uma ciência trazida a nós do Altíssimo, que nos pôs em contato com estas realidades e leis. A palavra Ordem, quando a usamos tem o sentido original, portanto não somos uma ordem, somos a ordem porque fazemos parte da Ordem (outras ordens, religiões, escolas, filosofias, tradições também podem fazer parte ou não dela), algo inalterável, aquilo que precisa ser visto, entendido e realizado, a verdadeira ordem de tudo. Quer conhecer mais? Então: venha e veja.
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Você poderá ver ou já ter visto uma representação do cosmo, em livros das ciências antigas, não apenas como um 8, ou seja, um círculo superior sobre um círculo inferior representando o mundo da ordem e o mundo do caos e ordem, mas também um terceiro círculo abaixo representando a região inferior de puro caos.
Antes preciso lembrar que os círculos não ocupam diferentes lugares como no gráfico, mas que se interpenetram, porém, não se tocam, são esferas diferentes, ou planos diferentes, ou as chamadas dimensões com suas subdimensões como se diz no coloquial. O círculo inferior, daí a palavra inferno, local inferior, é o mais denso e mais inescapável, porque não há concatenação aí, não há lógica nem consecução de causalidade lógica. Portanto, nada que se faça pode resultar em saída dali. Mas não é por isso que as pessoas ficam presas ao círculo inferior. É porque querem! Explico.
Primeiro liga-se ao inferno por afinidade, por pura sintonia, a mente está constantemente ou boa parte do tempo vibrando nos mesmos padrões daquela região. Por exemplo sentimentos de ódio, inveja, extrema cobiça ou luxúria, desejos sedentos, paixões vorazes, taras, pensamentos criminosos, atitudes anti-naturais, amor pela ignorância ou embriaguez ou topor, abuso, extrema preguiça, etc., são atitudes mentais antes de mais nada, e estas todas, e muitas outras, estão em sintonia com aquela região de vibração densa e caótica que não alcança jamais os padrões de ondas acima (enquanto a pessoa está aqui ela pode mudar isso, lá não).
Mas acima de tudo a pessoa chega a um ponto que ela ama tudo aquilo, ela sente prazer, como o guerreiro que vai à batalha, não pela vitória e pela paz que esta conquistará, mas porque ama matar, ver sangue, ser cruel, abusar, mutilar, estuprar ou outras barbaridades, maiores ou menores. Como o ganancioso que sempre quer mais, esta ganância se ampliará para tudo que se encontra em seu novo pesadelo, a vida na região inferior.
O que acontece é algo crucial, a pessoa sente prazer na dor aqui, neste mundo, por exemplo, seja em si ou em outros ou em ambos: é uma séria candidata a uma estada permanente na região onde só terá isto, dor. Os que amam o sofrimento, sofrem, mas têm apego ao sofrimento, querem ver, sentir, continuar, os masoquistas, os sádicos... São todos tipos que nos mostram bem a prisão psíquica da região inferior. A pessoa não pensa em sair de lá, não quer, não imagina, ela quer resolver os problemas de lá, exatamente como nós aqui, distraídos com a vida neste mundo e nossos problemas, não queremos sair daqui! Não queremos ir para a região superior e deixar tudo aqui, não queremos ir para o céu agora, normalmente queremos ficar nesse mundo e prorrogarmos ao máximo a nossa partida. Se fosse oferecido a nós a vida eterna neste mundo muitos ficariam! Bem assim é no inferno. Eles querem se livrar dos seus problemas lá, mas não querem sair de lá, eles estão distraídos com seu pesadelo o suficiente para pensar que aquele mundo é tudo. Eles estão como nós num sonho, em lugares que reconhecem mesmo sem ter estado nunca lá, porque para eles tudo aquilo é muito familiar, é intimo, se encaixa perfeitamente ao que eles são: estão entregues à sua própria natureza interior cultivada ao longo da vida.
Portanto, estas atitudes perante a vida são cruciais: viver só para este mundo, esta vida, o aqui-agora e os problemas e prazeres desse mundo, a matéria ou viver como um ser eterno, em passagem por esse mundo, viver para o eterno e para as coisas celestiais, superiores, eternas, o espírito, o transcendente; amar esse modo de vida com prazer e dor, lutas, e sentir prazer na dor e na luta, ou amar a vida autêntica, plena, original, consciente, celestial, e a paz, a liberdade e libertação da dor, dos sofrimentos e limitações desse mundo (se é que ainda resta alguma reminiscência, intuição ou esperança disto).
Assim, por mais que para os já habitantes da região inferior a dor e o sofrimento sejam enormes e eles queiram se livrar disso, querendo mesmo até não existir mais, isso não é possível, pois momento a momento eles têm a mesma natureza e os mesmos sentimentos que despertam todo tempo. O que odiava, odeia mais e mais, o que desejava, deseja agora a cada instante mais e mais. E isto mesmo os prende e os castiga em sua verdadeira natureza, isto é, a verdadeira natureza desses desejos.
Eles não conseguem deixar de ser assim lá, pelo contrário, é tudo que eles têm, estão entregues a si mesmos, só têm a si próprios, o que eles mais amaram e mais quiseram quando passaram por aqui. Eles estão presos no que eles mesmos se tornaram por livre escolha. Sentido tudo aquilo completo em toda sua sequência e amplificado, como sempre desejaram. Por isso alguns dizem que a condenação é sempre a auto-condenação. O inferno, a região inferior, o caos, não pode tocar a ordem, por sua propria natureza. Assim também a mente daqueles habitantes de lá, que aqui experimentaram caos e ordem e escolheram o caos, e rejeitaram a ordem. Caos e ordem estão aqui, mas temos escolha. Algumas vezes até, o caos pode imperar, mas o pior está reservado para os que rejeitam a ordem.
Nivel I Amigo (companheiro)
1° grau = 0 Aspirante = Peão
(Matérias:)
Iniciação às ciências antigas, epistemologia e metafísica
Iniciação às ciências tradicionais
Iniciação à psicologia
Iniciação à filosofia
Iniciação à cosmologia e ontologia
Iniciação ao estudo das sabedorias e religião
Iniciação à história e moralidade
Estudante = Torre vigilantes
2° grau = 1 Neófito
Ciências antigas e tradicionais
Cosmologia e ontologia
História da religião
História da filosofia
Psicologia antiga
Ordens, escolas, tradições, religiões e filosofias
Sabedoria divina
3° grau = 2 Mensageiro
Alquimia psíquica/espiritual/interior
Teologia
Metafísica
Metapsíquica e parapsicologia
Filosofia aplicada
Epistemologia aplicada
Ciência e religião
4° grau opcional = 3° avançado e licenciado = 3 Professor = Iniciante a Monge ou Cavaleiro (a escolher)
Psicologia do desenvolvimento e educação
Psicologia da aprendizagem e educação
Didática e métodos de ensino das ciências antigas e das tradicionais
Métodos iniciáticos e de avaliação de consecução
Metodologia das ciências antigas e contemporâneas
Arte da transmissão simbólica, falada, escrita, representada e musicada
Hermenêutica e os níveis de significado
Nível II Frater (irmão na fé ou irmão na lei ou irmão de armas)
Nível III Adepto (doutor ou terapeuta)
Para mais informações entre em contato por e-mail
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Em nossa ordem a primeira prática é a do despertar da consciência. E temos algumas maneiras de fazer isso. Tudo depende de estar acordado, consciente. O primeiro engano do qual devemos nos livrar é o de que estamos naturalmente acordados e conscientes no estado de vigília. Essa ilusão é mantida às vezes por identificação com as ocorrências da vida, com o corpo, com os sentidos, com a mente, etc., ou seja, são auto identificações erradas, aprisionadoras. Outras vezes a ilusão é mantida simplesmente por não conhecer o estado acordado, o estado de consciência desperta.
Então focamos o primeiro passo em que todos conheçam esse estado, e a partir delendesvencilhar-se das identificações, e para isso usamos os meios corretos. Há formas simples e rápidas e outras mais permanentes ou duradoras e mais trabalhosas. Você pode agora mesmo experimentar esse estado.
Uma forma rápida de fazer isso é estando consciente da consciência, voltando sua atenção à consciência, não aos objetos que estão nela, mas no fato dela estar consciente deles. Essa manobra faz a pessoa ter um leve despertar, que se torna um pouco mais profundo tão logo a pessoa começe a distinguir a consciência dos objetos da consciência e dos fenômenos da consciência, e volte sua atenção para a consciência pura.
É claro que esse processo no dia a dia tem que ser como um todo, atenção voltada para os objetos e fenômenos e para a consciência em si, ao mesmo tempo, mas distinguindo a diferença entre cada um e se identificando com o conhecedor, a consciência, não com o conhecido, os fenômenos e objetos...
Mas na via que ensina a tradição hermética já começamos por um passo mais adiantado que esse, para assim, dentro desse passo, conhecer o processo principal. De fato isto pode ser difícil. Mas é assim para nós, não para as pessoas daquela era, pois já naturalmente estavam conscientes da consciência ou lhes era ensinado desde a infância. O primeiro passo no hermetismo já é a meditação num objeto elevado:
Por isso é importante que o praticante se torne um filósofo e o filósofo se torne um praticante. A soma desses dois é uma multiplicação, quem quiser entenda, é como dois e dois, seja qual for das duas operações o resultado será 4. Mas depois que se começa mutiplicando por dois a progressão é geométrica, cada vez você vai dobrar o conhecimento, em vez de somar.
Por isso falei primeiro do porcesso do despertar. Você deve praticar o dia inteiro o estar consciente da consciência, toda vez que lembrar pelo menos, mas deve lembrar sempre, e sempre que houver distração deve lembrar e retornar, para isso precisa observar a mente e a consciência.
Esse é o primeiro passo. Estou à disposição em particular para ouvir e compartilhar experiências nesse passo. Mas não se treina isso, não se pode tornar mecânico, sempre todas as vezes se tem que fazer o mesmo, como se estivesse iniciando, e isso é o segredo, ser sempre iniciante. Então as distrações se tornarão cada vez mais impotentes, mas você não se tornará mais forte na atenção, não é como um músculo nem como outros treinos mentais que você mecaniza, para se tornar mais hábil deve praticar continuamente, momento a momento, instante a instante. Não vai se tornar mais forte o estado de acordado com isso, e não é questão de se esforçar mais ou menos, mas de sempre e constantemente estar consciente da consciência.
Então qual o remédio? Depois de um dia, de permanecer sempre consciente e quando necessário voltando sempre a estar consciente pela noite vai refletir sobre o que é o ser. O que é ser? Qual a natureza, a origem, como podemos nós ser? O que nós somos?
Esta é a primeira meditação hermética.
As imagens, idéias, impressões que se tem a respeito, são quase todas erradas e incompletas, claro. Eu mesmo tinha, já sendo graduado, muitas impressões erradas!
As ciências antigas não são como as contemporâneas. Você não aprende por informações "verborrágicas" na confiança pura, praticamente, como se faz na universidade (onde os professores e livros são autoridades e artigos de fé), você, pelo contrário, é levado a questionar, a duvidar, a querer ver, você não é levado a se dar por satisfeito diante de explicações manipuladoras, como no mundo acadêmico ou no mundo ocultista (infelizmente a cultura do ocultismo e da nova-era se aproveitam das informações das ciências antigas para fazer justamente o mesmo, isto é, apresenta-las como doutrinas para justificar suas posturas, práticas e dogmas absurdos). Nas ciências antigas se uma pessoa for do tipo que se convence rápido e se conforma terá que ser levado a ver que não sabe nada daquilo que pensa que sabe. Não é porque muitas informações são passados que vai se sentir bem, e sim porque se depara com sua própria e imensa ignorância e vai querer os meios para sair dela.
Nessa escola surgiu a filosofia, a psicologia, a ciência, a medicina, a epistemologia, a alquimia, a matemática, a física e até a música enquanto ciência e sistema linguístico e estético. Não existe um pensamento fixo, obrigatório, mas um método, uma prática para levar a uma vivência. E é a transmissão desse método que a escola carrega a princípio.
Esse método é muito extenso para ser descrito num pequeno texto, mas basicamente consiste em conhecer o conhecedor e o processo do conhecer primeiro; conhecer o que valida o conhecimento primeiro, antes de patir para os conhecimentos, conhecer o conhecedor e seu processo de conhecer. Isto é chamado para uns de epistemologia, a ciência do conhecimento, mas tradicionalmente de despertar, pois é essa a sensação que se tem. Quando se começa a conhecer, a vivenciar em si esse processo de conhecer o conhecedor a pessoa sente como se nunca tivesse vivido antes, como se estivesse sonhando antes, como se nunca tivesse de fato vivido. A pessoa percebe que nunca conheceu realmente, que apenas memorizou informações através dos sentidos e entendimentos dos outros... Mas também essa ciência é chamada de ontolgia por outros, a ciência do ser e das origens do ser, da causa primeira, etc.. Mas nós chamamos tradicionalmente de metafísica, porque não para nisso. Ontologia é apenas uma parte dessa ciência. Nós chamamos metafísica porque inclui tudo, é o estudo de tudo, de suas causas e origens, e de suas consequências e propósitos. Que passa pelo que é fisico e pelo que está além da fisis, além até dos sentidos e do que aparelhos podem aferir.
Por isso essa é uma tradição que engloba muitas tradições e os resultados de todas as outras ciências. Assim como a mente é o sentido receptor de todos os outros sentidos e a processadora de todas as suas informações, a metafísica é a receptora de todas as ciências e processadora de todas as sua relações e informações. Mas também assim como na mente encontramos um processo que não é dela, mas no qual ela está se preocessando, a consciência, a metafísica tem nela um processo que não advem dela, mas no qual ela está contida, a visão da verdade, ou a verdade em si mesma.
Assim fica claro que não é também uma ciência do auto-conhecimento como uns dizem, numa perspectiva muito reducionista, que divide o universo em uma categorização existencial absurda: eu e o universo, ou o que existe dentro e o que existe fora de mim, como se a cada nascimento algo separado de tudo o que existe surgisse dentro desse tudo. Ao contrário essa é uma das primeiras dificuldades com que se depara o ensino dessa ciência, fazer com que a pessoa perceba que toda e qualquer coisa que ela chame de realidade está de fato sempre em alguma consciência, e que a consciência não é um reprodutor interno de imagens externas como faz a mente em seu rememorar. Mas tão logo a pessoa percebe isto (e depois também que já sabe distinguir bem sua mente de sua consciência e de seus conteúdos) ela se torna apta a usar o instrumento do conhecimento, o conhecedor verdadeiro, a consciência, de maneira a obter, não apenas o conhecimento de si mesmo, mas de qualquer coisa que queira saber, descobrir o que é a verdade e a verdade de qualquer conhecimento e os métodos de se obter conhecimento seguro.
O verdadeiro conhecedor é a consciência. E existem maneiras de obter consciência sobre os objetos da consciência, isto mesmo é conhecer. Os conhecimentos são os objetos da consciência, mas a consciência em si também é objeto de conhecimento, não há duvidas sobre isso. Assim não há divisão entre conhecer a verdade, e conhecer o que está fora ou que está dentro de mim. As ciências normais dificilmente incluirão o conhecedor em suas investigações e seus métodos (nem tampouco como processador e modificador do objeto, isto é do conhecido), elas partem em seu ensino do ponto da informação pronta em si mesma, como se ela fosse auto-existente, ensimesmada, isso é um erro. Claro que é util e a depender do propósito daquele conhecimento ou daquela ciência não faz sentido discutir se aquele conhecimento se refere a uma realidade ou não, mas quando partimos para o campo do transcendente, para a metafísica, este ponto é fundamental, pois em muitos casos a consciência individual é a única testemunha do observado, não podendo compartilhar, demonstrar, mostrar a outra consciência o conhecimento e às vezes nem mesmo descrever ou explicar.
Portanto, muito mais que nas ciências naturais são necessários métodos muito mais criteriosos, muito bem elaborados para atestar, confirmar, ou refutar o que é experimentado (ao contrário do ocultismo que muitas vezes até confia na experiência única de uma única pessoa, um tal mestre ou outro titulo que se dê). E esses critérios e experiementos só puderam ser desenvolvidos por causa também de um estudo e conhecimento muito aprofundado da mente e da consciência e de suas características, potencialidades e funcionamento. E é nesse sentido que essa também obrigatoriamente se torna uma ciência do próprio ser no qual está presente o conhecedor, a consciência. Mas embora isto seja um fundamento indispensável, é apenas uma etapa inicial dessa ciência, que seguirá se rofundando ao longo da experiência da pessoa, mas que a verdadeira ciência não pode se restrigir a isso. Também não pode se abrir tao amplamente ao estudo de qualquer coisa, não há tempo para isso, existe, portanto, um conteúdo de conhecimento, numa sequência, a ser tomado pela consciência no sentido da verdade completa e mais ampla, possível a esta consciência, da realidade.
Então se fossemos definir em todo seu processo de evolução, tradições e escolas, a metafísica poderia ser vista enquanto "ciência humana" que parte do conhecido para o desconhecido e enquanto dom divino que parte do para nós desconhecido rumo ao nosso conhecimento limitado. Por um lado ela é do humano transitório para o ser em si, eterno, infinito; mas por outro ela parte do próprio supremo ser, eterno, para se revelar em nós e nos despertar para o infinito eterno que não estamos acessando geralmente. É claro que tal ciência revela muitas coisas além do que procuramos sabem, é claro que estudá-la e praticá-la transforma muito as pessoas (ao ponto de parecerem sábias para uns e loucas para outros, claro).
Muitos dizem, "não creio porque sou cético" e não percebem o absurdo da frase. Eu digo "sou cético, por isso creio". Claro! Ao cético não resta nada, nenhuma alternativa, senão crer. Mas muitos jamais chegam, infelizmente, a perceber o óbvio. Do mesmo modo essa ciência (que na fraternidade temos chamado por nomes diversos, como iluminacionismo, despertalogia, metapsicologia, etc.) leva, ao oposto do que o analista superficial pensa, não ao saber (no sentido de conhecer comum, ter informação, testemunhar através dos sentidos, etc.), mas a se tornar, a ser...
Outras ciências não transformam as pessoas, na verdade não observam ou não admitem que transformam (até porque tal transformação completamente não planejada nem cuidada pode ser tanto boa para uns como desastrosa para outros). Nossa ciência não apenas transforma, ela é planejada e dirigida para certas transformações (por isso mesmo indentificada como alquimia psíquica ou alquimia espiritual). Saber e aprender é sempre se transformar, mas geralmente de modo inconsciente. Aqui não, a transformação é consciente, escolhida, intencional e planejada para certos objetivos: conhecimento (despertar) da própria consciência e suas potencialidades, expansão do conhecimento (da consciência e do conteúdo da consciência) pelo menos até a fronteira do possível para a consciência humana e conhecimento íntimo da fonte da consciência (a onisciência absoluta, o supremo Ser, o próprio Deus), sua origem, seu propósito e como alcaçar esse propósito e atingir esse retorno ao original (iluminação espiritual reintegração consciencial). Por isso e por todos os pormenores que esse processo envolve historicamente e por necessidade absoluta ela tem que estar ligada a tradições. Para que preserve princípio éticos e morais, segurança pessoal e dos afetados exteriormente, e padrões já atestados de segurança, eficácia e confiabilidade, entre outras necessidades.
Nisso o conhecer passa de um objetivo para apenas um método. E um efeito colateral é conhecer mais e com muito mais amplitude. Ao conhecer a pessoa se transforma e ao se transformar ela conhece profundamente, num processo retroalimentativo até o fim objetivado...
Entender é diferente de compreender, saber é diferente sabedoria, opinião é diferente de filosofia... enfim, existem muitas diferenças, tão claras como essas ou bem mais sutis. Ler não é simplesmente decodificar a soma e o som de letras. Ler nunca foi isso! Ler é perceber os significados das sentenças e suas relações, o encadeamento de idéia de uma frase, um texto, um livro... Assim também, ler o Librum Naturae não é apenas decodificar fatos isolados, é saber o significado dos mesmos e suas relações, o encadeamento dos significados de um fato e de outros relacionados e de todos os fatos passados e presentes e das possibilidades futuras que se fecham de instante a instante.
Isto pode parecer uma espécie de paranoia ou loucura para o que está de fora, ou para quem não faz a mínima idéia do que estou falando. Então veja novamente e agora na prática um exemplo do que pode ser ler e de quantos níveis de compreensão você pode alcançar na leitura do parágrafo anterior. Será que estás realmente lendo as frases? Será que realmente estás lendo o que estou a escrever? Assim também é com os fenômenos...
À soma de todos os fenômenos uns chamam mundo, outros, universo, outros, fatos, ou acontecimentos... Por melhor que sejam estas palavras para descrever, são ainda definições limitantes e limitadas. A soma de todos os fenômenos passados, presentes, futuros e eternos podemos estender ao dizer que também fazem parte do Librum Naturae (quando falamos de todas as naturezas também, pois não há só uma).
Ler é a primeira coisa que o alquimista faz, mas uma das últimas coisas que vai aprender. Medite sobre esse aparente paradoxo bem compreensível. E poderemos avancar para um segundo ponto sobre as teorias.
Em outra publicação já tratei da questão do significado do lema Ex Deo Nascimur, In Christo Morimur, Per Spiritum Sanctum Reviviscimus. Mas Ora et Labora também tem a ver com o aspecto da teoria e dos métodos (gnósticos, cristãos, herméticos, alquimícos, filosóficos...).
Primeiro que o conhecimento dos sentidos e da mente pode ser enganoso, além de sempre incompletos, não que isso seja bom ou ruim nem um obstáculo ao conhecimento verdadeiro (a não ser para quem os toma como concretos e completos), são, quanto mais se avança para o interior e subjetivo, mais sujeito a equívocos, delirios, alucinações, projeções, fantasias, etc., que podem, e geralmente acontece a muitos, em algum momento serem tomados pelo investigador como realidades e até de carater superior ao que pode ser compartilhado. Isso não é nada incomum.
Um conhecimento seguro, como o matemático e o geométrico, por exemplo, só pode ser alcançado ou no nível abstrato, ou no nível simbólico. E, dizem os alquimistas, ou no nível espiritual. O nível da certeza só pode ser de fato o que exclui toda a dúvida. Assim como ninguém em sã consciência fala de um triângulo de quatro lados nem da bola quadrada de Kico atribuindo algum nível de certeza, nem de realidade e nem ao menos de possibilidade, não podemos também falar que pelos sentidos e pela mente podemos atingir experiencias as completudes de um fenômeno ou objeto visto que sempre vemos apenas em parte, sob perspetiva, limitado ao tempo, tamanho, relações, etc.. Mas fomos desde ceiancas condicionados por nossa linguagem a falar como se pudessemos fazer isso. As limitações da nossa linguagem terminam não só impossibilitanto certas descrições, mas também por vezes influênciando nossas percepções que já seriam seletivaa mesmo se ela não estivesse atuando de alguma forma. A sofisticação da linguagem que por um lado nos levou onde nenhum outro ser biológico poderia ter chegado sem isso, por outro lado nos conduziu aos seus próprios limites. Mas nem isso também novamente pode ser ruim, nem obstáculo (a não ser para aqueles que tomam a linguagem como soberana ditadora da realidade humana). Pois é ainda devido ao uso da linguagem que teremos acesso a visões e compreensões mesmo além dos sentidos e da experiência. Quando atinge esse limite o alquimista, assim como o gnóstico, o cristão, o hermético tem que recorrer a analogias, símiles, símbolos, parábolas, metáforas, se tornam a única maneira lógica e razoável de exprimir as realidades abstratas que estão fora de toda dúvida em um plano de conhecimento seguro, eterno e imutável.
Ler é perceber algo além dos simples fatos, fenômenos, coisas. Mas existem vários níveis de leitura, pois existem vários níveis de significados como foi falado antes. E esta percepção pode as vezes ser tão tremenda, tão além do normalmente percebido, que revela toda uma teia tecida desde tempos imemoriais, que o leitor pensava antes jamais poder saber, ver e nem ao menos tentar investigar! Assim como alguém que pelas evidências apresentadas já conseguiu saber quem será o criminoso antes de terminar o romance policial, o verdadeiro alquimista, pela cadeia de "reações químicas" conhecidas pode conhecer os fatos tanto do passado quanto do futuro, e comprrender a razão das coisa, dos fenômenos, a origem e o princípio de tudo, bem como seu fim e finalidade, e talvez como é para alguns mais importante, compreender todo o processo "quimico" da cadeia das "reações" do existir, do todo e das partes.
Mas tudo isso é um trabalho do alquimista, que ele só consegue realizar se orar, mas se orar e não trabalhar, como alguns religiosos de nsso tempo, não conseguirá. E pior ainda se apenas trabalhar e não orar, como uns que se dizem alquimistas, herméticos, gnósticos, cristãos, de hoje, de jeito nenhum conseguirá, seu trabalho só trará a pirita, o ouro de tolo, que não compensa os gastos, prejuízo.
Na próxima parte veremos porque...
Esta ordem é também uma escola. No sentido tradicional de escola e de ordem. Ela é uma escola de pensamento, uma escola filosófica, mas principalmente científica e de vida. Acima de tudo somos uma escola de ciências antigas e tradicionais, uma das raras e pequenas sobreviventes, mas podemos dizer que nesse meio, no qual somos uma, temos afinidade com muitas e até abrigamos a algumas em nossa estrutura de estudos, enquanto estudo.
E ela é uma ordem porque não é só uma academia de conhecimentos e de ciências. Quando você estuda ciências antigas não é como estudar "ciências sociais" onde há aquisição de conhecimentos, uma bagagem de teses de diferentes escolas, métodos, pensamentos, cujo material principal são letras, idéias, hipóteses (mal nominadas como teorias), etc.. É mais parecido com psicologia, no sentido de que se conhecem várias abordagens, vários métodos, várias teorias, mas, como em psicologia, também se tem que saber aplicá-las num sentido prático que trás resultados objetivos. Após esses estudos, entretanto, terá que escolher uma ou algumas abordagens e se aprofundar nelas, mas sabe que vai ter que estudar aquilo pelo resto da carreira pelo menos. Ou melhor ainda, podemos dizer, é como a psicanalise: vai receber uma formação teórica, conhecer várias teorias, práticas, escolas, mas vai também ter que praticar sob supervisão e também ser analizado e vai passar a vida nesse processo de estudar, analizar e ser analizado. Ou seja, vai ter que provar todo o escopo do estudo, pelo lado do analisado e pelo lado do analista, e a trajetória do pesquisador, assim também é nosso estudante. Cada etapa do aprendizado depende da anterior, entãobse avança gradualmente e para receber tal novo grau é preciso escolher e tomar compromissos (éticos, morais, metodológicos, etc.).
Nós temos uma uma metodologia própria, e temos descobertas próprias, e teses próprias, uma filosofia de trabalho e objetivos a serem atingidos, metas de cada etapa na direção e na consecução da meta final, o que caracteriza uma escola que se diferencia de outras quanto ao conteúdo de cada uma dessas categorias. E temos sequência gradativa dependente, de conhecimentos, práticas e resultados que devem objetivamente serem aprendidos e realizados.
Essa sequência em graus de conhecimento e profundidade de conhecimento, de experiência e habilidades práticas, e de resutados alcançados (logicamente gradual e cada etapa dependente da etapa que a antecede), é muitas vezes um processo cumulativo, o que caracteriza toda ordem.
Eu estudei, pratiquei... E realizei algumas coisas. A mim foi confiada uma tradição. É um direito muito especial, que é ao mesmo é uma responsabilidade muito grande, de transmitir, ensinar, esclarecer, desfazer as confusões, retirar as cortinas... Enfim, transmitir da mesma maneira o que eu recebi e avançar do ponto em que estava.
Só há três possibilidades depois disso, ou largar tudo e fazer outras coisas, ou seguir com a escola ensinando e transmitindo para outros ou, havendo uma descoberta nova e ou uma nova tese, criar uma nova escola, que mantem tudo da anterior, mas organizada de acordo com a nova tese ou descoberta. E as três opções são muito comuns. Se não fosse assim não haveria a liberdade de desistir, abandonar; não haveria continuidade das tradições verdadeiras e predominariam as imitações, fraudes, enganos; e por último, não apareciam novas escolas verdadeiras que mantivessem as tradições anteriores e troxessem as inovações necessárias e de cada época.
No meu caso, por um tempo tive que permanecer em manifestações da segunda opção, mas por fim também cheguei, graças a Deus, a descobertas e às minhas próprias teses, ganhando assim o direito, como qualquer que foi graduado professor, estabecer uma escola autêntica, com base na mesma formação, compromissos, tradições, mas também nas novas descobertas e teses, como qualquer escola filosófica ou científica.
Muitos pensam que enlouqueci com isso, porque mudei completamente nesse percurso, outros mal informados vêem uma grande contradição. A escola muda as pessoas, transforma as pessoas. Mas não pense que é a pessoa ou a instituição que faz isso. É o conhecimento, é saber a verdade que transforma, e que liberta...
Algumas pessoas pensam que são as informações, teses, teorias, enfim, conteúdo, o que deve ser transmitido o que constitui o miolo das escolas, e que esse saber seria o que liberta. Este é o problema! Até para alguns professores que também receberam essa responsabilidade, mas ainda estão com a idéia de iniciantes, que iam aprender informações, conteúdos, "verdades" prontas; que iam analizar, como na tradição da filosofia acadêmica e passar adiante (o que dificilmente fazem na academia, diga-se de passagem). Mas não é assim. O que temos que passar adiante são os meios. Ou seja, a minha responsabilidade é transmitir não só os métodos, mas também seus resultados. Os meios para que as outras pessoas atinjam com segurança e por si mesmas seus objetivos, comprovações e a proposta da escola e me certificar que elas estejam alcançando. Toda produção literária, descobertas, teorias, teses, descrições, são secundários, mas são uma ferramenta metodológica, para entender, compreender e realizar o que a escola propõe. As informações são, na verdade, o efeito colateral de se aplicar o método, pois obtém-se descobertas e entendimentos. É isto que ganhamos, e o amadurecimento e relações entre tudo isso que se obtém através do estudo, da prática e das realizações, é o que se chama sabedoria.
O que eu ganho com todo esse "tempo gasto" como dizem é liberdade, consciência da verdade e amor por essas duas coisas, liberdade e verdade, cada vez maior.
Os meios e seus resultados quando são praticados e interpretados corretamente são a verdadeira missão da escola. Aí sim, os resultados transformam as pessoas, libertam, esclarecem, iluminam, despertam e a pessoa se torna produtiva, pois tem um conhecimento que nem sequer imaginava que pudesse caber em sua consciência (mas ela vai também descobrir que a consciência é infinita em alguma etapa de sua caminhada).
Foi no meio desses procedimentos e descobertas que me tornei outra pessoa, que me converti, que fui transmutado, que encontrei o sentido da vida e o meu propósito, etc..
As transformações também não são o objetivo, mas o instrumento indispensável para que se liberte das limitações do corpo, do tempo, da matéria, da incompletude, das ilusões e enganos, etc., para que a pessoa conheça a verdade e seu propósito e seu próprio viver e ser eterno em todas as suas dimensões e possibilidades. Estes sim, podem fazer muito mais pelos outros, e realmente têm e sentem o dever de ensinar e nele também se realizam.
A Ordem nesse tempo recomenda a leitura e releitura dos capítulos 1 e 2 do Evangelho de João. Este livro é altamente iniciático, a verdadeira iniciação é um novo início, um novo nascimento, algo tem que morrer para algo nascer, e é nesse sentido que João explica claramente a trajetória do iniciado. Uma obra de arte que atravessou milênios, à custa de muito sangue e muitas vidas, que se entregaram, para não negar sua fé, mas também para não entregar aos perseguidores seus livros e irmãos. Agora que a temos com tanta facilidade, poucos ainda lhe dão devida atenção e valor, ou ainda os que compreendem o verdadeiro sentido dessa obra.
Não há mais tempo nem energia, para quem está ainda ligado a esse mundo e a essa natureza, quase que exclusivamente, para ainda se dedicar a longas cadeias de iniciações sucessivas e longos anos de práticas e treinamentos para pouquíssimo resultado. Se o poder do Altíssimo está sendo oferecido gratuitamente a todos os que verdadeiramente o querem servir e agradar, por que ainda teríamos que buscar, treinar e confiar nos nossos fracos poderes, nossas fracas capacidades e nossas mui limitadas possibilidades? Por que não ir direto à fonte?
No Evangelho de João é descrito de forma magistral o processo de beber dessa fonte, não apenas chegar até ela. O leitor aprenda a ler, a observar, a meditar, a notar, a prestar atenção, a entender, a compreender, a recordar, a decidir e a viver em si mesmo essa obra maravilhosa.
Vamos aqui estabelecer alguns pontos esclarecedores a serem notados.
O primeiro ponto são as definições no capítulo 1, as revelações, quem é o princípio, o que ele fez, o que são o Verbo, a vida, a luz; qual é a ação do verbo; observe todas essas coisas. João está dialogando aqui não apenas com Moisés, mas com toda a filosofia helênica e grega. Ele está explicando o que é o princípio do qual falou Moisés na primeira frase de Gênesis e esta respondendo a toda filosofia grega o que é o Logos, aliás quem é, pois mostra que o Logos, o Verbo, tem consciência, vontade e atividade próprias. Leia lá, especialmente do verssículo 1 ao 5 e do 12 ao 14, o 18...
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
João 1:1-5
O Logos, palavra grega usada na filosofia para indicar o Princípio gerador, iniciador de tudo; tudo não pode ter surgido do nada... Era discutido entre os filósofos, se este princípio é consciente ou mecânico, se era pessoal ou impessoal, se a criação era intencional ou fruto de alguma lei interna... João responde que o Logos, o princípio, era o Deus já anunciado por Moisés, quando diz Bereshit barah Elohim, "no Princípio criou Deus"; consciente, inteligente, pessoal, com vontade própria. Ele identifica o princípio inicialmente como sendo o próprio Deus e depois diz que tudo foi feito por ele. Se olharmos bem as frases isso nos responderá muitas coisas...
Ele ainda identifica o Verbo como Luz e Vida. A luz criada veio da Luz viva. Vida só pode vir de vida, não de coisas sem vida, nenhuma das coisas não vivas gera a vida, nunca gerou e nunca gerará, vida só vem da vida.
Veja que antes essa vida era a luz dos homens, mas parece que em algum momento deixou de ser. É como Sophia quando olhou para as trevas, ou seja, a sabedoria em trevas não pode compreender, deixa de ser sabedoria. Quem está nas trevas não vê, não compreende...
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João 1:12-14
Observe que é dado de graça, mas a todos quantos o receberam. Ele não força a entrada, ele não está presente em quem não o recebe, nem em quem não o quer ou o nega, ao contrário do dizem os pseudo-gnósticos ou gnósticos heréticos e neo-gnósticos, nem todos têm o Cristo dentro, mas todos os que o receberam e somente estes. E a estes é dado o poder de serem feitos filhos de Deus, também um pouco diferente do que diz a maioria dos cristãos modernos, não os fez já filhos, mas deu o poder de se tornarem como falavam os primitivos, a partir disso, de ter recebido esse poder pois foi feito templo de Cristo, do Verbo de Deus, dentro de si mesmo, renascido, no espírito, do Espírito de Deus, pela vontade de Deus. Isto está muito claro. Assim fomos feitos testemunhas. Quem testemunha dentro de nós? A consciência, que é uma propriedade do espírito, que é o espírito. Nossa consciência testemunha nossa mente e o que é recebido nela e através dela. Mas agora recebemos a mente de Cristo e pelo espírito testificamos, nós fomos assim feitos testemunhas vivas, nós estamos vendo agora a verdade que veio habitar entre nós, nos tornamos conscientes de uma nova mentalidade em nós, a mentalidade da Verdade viva...
Logo em seguida ele identifica o Verbo, o criador, como sendo Jesus Cristo. Yeshua, o Salvador, Jesus, é o Verbo a partir do momento em que o Verbo se fez como um de nós e habitou entre nós. E quem é este? A quem está se referindo? A Jesus, o ungido de Deus, ou seja, O Cristo, não Um, mas O Cristo. Não se iluda com mentiras, a palavra Cristo, não se refere a um ser, uma pessoa, um campo de força, nada parecido, a palavra Cristo significa simplesmente ungido, é apenas um título, um adjetivo, Jesus jamais recebeu o Cristo como dizem os luciféricos e satanistas enganadores, ele É o Cristo, o Mashiach, Messias, que significa a mesma coisa, ungido.
Receber o Cristo e receber Jesus é a mesma coisa, é receber uma pessoa, o Verbo de Deus, a Verdade, a Luz e a Vida, que são uma pessoa, não uma coisa ou uma força ou uma energia, e sim uma pessoa, uma consciência, com uma mente, e uma personalidade. Que vem "habitar" entre nós, traduzindo ao pé da letra "tabernacular", entrar na tenda sagrada simbólica no Antigo Testamento, agora revelado, no acampamento, no templo, nós, em nós, dentro de nós, pelo espírito, dentro do nosso corpo e de nossa mente. A glória do Pai, o Filho, vem habitar em nós, cheio de graça, pois não é por nosso merecimento, é decisão "eu quero receber Jesus Cristo dentro de mim". E cheio de Verdade, ele é a Verdade. A Verdade também é uma pessoa, Jesus, o Verbo feito pessoa. Isto é a primeira iniciação real, é entender isso, por esse conhecimento, vem o entendimento e por esse entendimento vem a decisão, e pela decisão a recepção e pela recepção a percepção gradativa da Verdade, o "conhecer e prosseguir em conhecer", essa é a verdadeira gnosis. Conhecer a Verdade e por isso ser libertado...
Depois vemos João narrar o testemunho de outro João, o Batista. As frases são muito reveladoras, pois João testemunha de Jesus como vindo depois dele, e João realmente era mais velho que Jesus e seu ministério vem após o de João, mas também que Jesus já existia antes dele. Temos novamente a razão pela qual Jesus é o iniciador. E como agora é diferente do passado: pois a revelação é dada por um que vem da parte do Pai. Esse testemunho é maior do que o de todos os profetas, pois é de quem veio do Pai e daquela realidade.
E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.
Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.
João 1:16-18
Observe que a plenitude também é recebida, não é atingida, trabalhada, se recebe gradativamente, graça por graça. Isto se dá nao através de fórmulas, métodos, leis, cerimônias, mas de uma relacionamento com ele, que é a Verdade. A lei formal dada por Moisés é uma coisa, a graça e a verdade de Jesus Cristo é outra coisa. Jesus não é simplesmente mais um ensinador que veio trazer regras e informações, ele não vem trazer simplesmente mais instruções ou leis, mas sim graça e verdade. A verdade nunca pôde ser sequer vista e agora ela pode ser recebida, vista e até tocada, quem compreender isso está a um passo de percebê-la. A verdade não é algo dito ou visto ou sentido, é algo recebido, do qual quem recebe se torna consciente, a verdade é algo testemunhado, assistido, vivido. Ele sendo o filho único, ligado ao Pai, um com o Pai é a testemunha fiel, única que pode revelar, transmitir, a verdade que o Pai é!
Isto tudo, na tradição cristã, constitui um passo, não é algo distante, para depois de uma jornada ou muitas tarefas ou muitos passos, é para agora, já, é só uma tomada de posição, uma decisão. Você abre mão da direção que ia, vira para a direção contrária; abre mão de si mesmo e de suas obras e entrega tudo a outro, bem mais sábio, competente e poderoso, e entrega sua vida à sua direção. Por isso este é chamado por nós a via pistis, ou seja, a via da confiança, confiar a outro a sua obra necessária. Isto seria difícil se o outro fosse uma pessoa comum, mas já sabemos que não é qualquer um, mas o Logos, o construtor e mantenedor de nossos espíritos, mentes e corpos.
Em seguida veremos algo mais nesse passo, nessa etapa, nessa iniciação, o nascer da água. A água representa a palavra de Deus, ou seja, mais uma vez representa a Verdade, e a Verdade, viver a verdade, ver a verdade, é o Verbo de Deus. É preciso conhecer essa água, submergir nela, beber dela...
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