quarta-feira, 29 de julho de 2020

Tradução comentada do livro Poimandres de Hermes como encontrado em Nag Hammadi - parágrafo1

Por Frater I.L.I.V.

Tradução do livro Poimandres encontrado em Nag Hammadi, da tradução para inglês de Willis Barnstone e Marvin Meyer. Meus comentários estão sempre separados em outro parágrafo e entre sestenidos (#).

O aparecimento de Poimandres

Uma vez, quando comecei a pensar sobre as coisas que são, e meus pensamentos subiu extremamente alto, e meus sentidos corporais foram retidos pelo sono como pessoas pesadas por comer demais e cansaço, pensei ter visto um sendo de magnitude vasta e ilimitada vindo em minha direção, que chamou pelo nome e disse: “O que você deseja ouvir e ver, aprender e conhecer? " "Quem é Você?" Eu disse. "Sou Poimandres", disse ele, "a mente do poder absoluto. Eu sei o que você quer e eu estou com você em todos os lugares." “Quero aprender sobre as coisas que são, sua natureza e conhecer Deus - eu respondi. "Como eu quero ouvir!" Ele disse: "Lembre-se do que você deseja aprender e eu vou ensiná-lo".

# Nesse primeiro trecho é muito importante notar o processo pelo qual Hermes recebe seu conhecimento, por revelação, recepção, aparição. Muitos passam por cima desse detalhe e impõem uma diciplina de exercícios, "meditação", esforços, confundindo esse caminho hermético com os caminhos orientais. A tradição mãe das tradições ocidentais não se confunde nesse ponto com as orientais neste sentido, a não ser ao desatento. Ademais em nenhum livro de Hermes se encontra instrução nesse sentido. Mas também não podemos dizer que Hermes age como um místico passivo, que simplesmente espera a revelação, isto também vemos aqui. Há algo a fazer. E este livro, um dos principais de toda a obra hermética, vai nos revelar os três processos que dependem de nós, o que devemos fazer para obter a sabedoria hermética. Aqui já está o primeiro ponto. Note bem o que Hermes estava fazendo e qual conhecimento ele anelava atingir. Ele pensava nas coisas que são, nas realidades, e anelava saber das coisas que são, da sua natureza, e conhecer Deus. Isto já é elevar o pensamento, se concentrar nas coisas celestiais, pensar nas coisas mais elevadas, dar importância às coisas eternas e dedicar tempo de reflexão a eles, isso também deve vir junto com o querer conhecer a realidade e a natureza do ser e querer conhecer Deus. E seu pensamento ainda se elevou mais, ainda nessa meditação, estando dentro desse pensamento ele foi mais além e ainda atingiu um ponto mais alto, isto é, além das informações trazidas ou deduzidas a partir dos sentidos corporais. Ele entrou então na esfera do conhecimento metafísico, além da matéria-energia e dos sentidos. Então a mente de Deus se revelou, apareceu a ele. Temos assim um ato que necessita de dois agentes: temos o pensamento de Hermes que se eleva e entra em sintonia com as coisas eternas e Deus, e temos Poimandres, a mente de Deus que desce até ele e se revela. Não é possível forçar a Deus, não existe ação humana que o faça se revelar, nem que o torne conhecido para si, Deus mesmo é que se torna conhecido para quem ele queira se revelar e pelos meios que ele próprio já determinou desde a eternidade, mas se alguém quer conhecer a natureza real das coisas, dos seres, do ser e do existir e de Deus, precisa elevar seu pensamento às coisas celestiais, metafísicas, eternas, e a Deus. Perceba também o que Poimandres recomenda nesse momento logo após o contato, "Lembre-se do que você deseja aprender e eu vou ensiná-lo". "Lembre-se". Em outra versão diz "mantenha em sua mente o que você deseja aprender", ou seja, concentre-se, mantenha a atenção, o foco, nessas questões. Sim, porque mesmo tendo alcançado esse nível, essa consecução pode ser perdida ou desviada, há algo a fazer também no sentido de manter esse atingimento e essa conexão, é preciso atingir e manter a sintonia, não deixar cair. E é preciso notar também as características de Deus aqui neste primeiro parágrafo, como ele se apresenta. Quem é Poimandres? "Sou Poimandres, a mente do poder absoluto. Eu sei o que você quer e eu estou com você em todos os lugares." Poimandres é o nome hermético para a mente de Deus. Já no primeiro parágrafo, do primeiro livro do Corpus Hermeticum, Hermes revela como Deus se apresentou a ele, e como em apenas uma fala se revelou: "a mente do poder absluto", ou seja, onipotente; "Eu sei o que você quer", ele conheçe sua vontade, seu querer, seu íntimo, ou seja, onisciente; e "estou com você em todos os lugares", já denotando o carater da onipresença. Deus se revelou não pela palavra "Deus", mas por três de seus aspectos, e isto é muito importante, já é uma lição para nós, de como Deus se revela. Pois muitos reclamam que não conhecem Deus, que Deus não se apresenta, que Deus não fala, ignorando a maneira como Deus já faz estas coisas para todos, tais pessoas querem impor a Deus que se apresente como elas querem, e não notam qualquer de seus aspectos perceptíveis, pior ainda poderão ver ou entender os aspectos metafísicos! Estes três aspectos também serão aprofundados em outros parágrafos e outros livros, confirmando o aqui afirmado. A mente de Deus, em outra versão a consciência de Deus, é onisciente, onipresente e onipotente. Mas para não deixar dúvidas é preciso definir ou pelo menos dar uma noção do que significam estas três palavras. Onisciente significa ter ciência, estar consciente de absolutamente tudo em seus mínimos detalhes, por toda eternidade e todo tempo. Onipresença significa estar presente em absolutamente tudo e mais além do tudo, também por todo tempo e toda eternidade. Mas onipotência não significa poder tudo, seria um pensamento sem lógica, onipotência significa poder realizar tudo que desejar, melhor expressado no verbo "will", em inglês, que teríamos que traduzir como "vontadear" por falta de palavra correspondente; onipotência é poder realizar tudo que vontadear. Em resumo, temos aqui o processo como Hermes alcançou esta revelação, como Deus se revelou a Hermes e alguns dos aspctos principais de como Deus é.#

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Tradução comentada do livro Asclepius encontrado em Nag Hammadi

Por Fra. I.L.I.V.

Tradução do livro Asclepius, ou Asclépio, encontrado em Nag Hammadi. Essa é minha tradução feita a partir da tradução para inglês de James Brashler, Peter A. Dirkse e Douglas M. Parrott. Meus comentários estão sempre separados em outro parágrafo e entre sestenidos (#). As divisões, numeradas em seções, não existem no texto, eu as coloquei para dividir didaticamente os assuntos.

Biblioteca da Sociedade Gnóstica
Biblioteca Nag Hammadi

Asclepius 21-29
Traduzido por James Brashler, Peter A. Dirkse e Douglas M. Parrott

1

"E se você (Asclépio) deseja ver a realidade desse mistério, deve ver a maravilhosa representação da relação sexual que ocorre entre o homem e a mulher. Pois quando o sêmen atinge o clímax, ele salta. Neste momento, a fêmea recebe a força do macho; o macho, por sua vez, recebe a força da fêmea, enquanto o sêmen faz isso.

# Que o leitor leia com a mente aberta sem relacionar preconceitos ou outros conceitos modernos, lembre que essa é uma obra antiga, antes que as coisas que se dizem hoje sobre o assunto existissem ela já existia. Aqui não se trata de "magia sexual", nem "yoga sexual", nem sequer "alquimia sexual", que são relações e equivalências erradas com práticas de outros povos. O segredo disso está restrito, e continua restrito a altos iniciados, tudo que vazou desse segredo é incompleto porque possui graus e as pessoas que vazaram não chegaram ao último, comunicam só até onde receberam. #

"Portanto, essas pessoas (os incrédulos) são blasfemadores. Eles são ateus e ímpios. Mas os outros não são muitos; antes, os piedosos contados são poucos. Portanto, a maldade permanece entre os (muitos), desde que aprendem sobre as coisas o que é ordenado não existe entre eles, pois o conhecimento das coisas que são ordenadas é verdadeiramente a cura das paixões do assunto, portanto, o aprendizado é algo derivado do conhecimento.

#  Esse segredo nunca é transmitido em mundos astrais ou mentais ou espirituais, pelo contrário, só é trasmitido de um para um, sempre no plano material que é onde se o realiza. Seus maiores expositores jamais o entregaram, nem publicamente nem em suas ordens, ou porque nunca receberam todo ou porque não quiseram ou porque não foi permitido. Os exemplos mais famosos são Paschal Beverly Randolph, Krumm Heller, Aleyster Crowley e Samael Aun Weor. Destes só Heller recebeu completo, talvez Beverly tenha recebido, mas não trasmitiu todo assim como Heller também não. Crowley como muitos descobriu uma parte e recebeu outra, mas não o todo. E Samael saiu da ordem de Heller muito antes de receber completamente. Estes dois últimos por vazar segredos, apesar de já publicados seriam expulsos das respectivas ordens, pois não souberam guardar nem o inicial, que fariam com os verdadeiros segredos? O exemplo desses quatro se aplica a demais autores e fundadores de ordem. Ainda que bem intensionados na maioria dos casos, não duvido, nem estes, nem outros poderiam expor esses segredos, pois é impossível divulgar, porque não podem ser descritos, como veremos. Ou seja, por um motivo ou por outro é impossível divulgar. E quem recebe completo já foi suficientemente provado e jamais divulga. Os que não concordam ou não suportam as provas de fidelidade abandonam seus professores e ficam tentando advinhar o resto. Logo caem na armadilha de relacionar com os segredos do oriente (que já estão publicados, basta saber procurar), seja pelas semelhanças da prática, dos símbolos, ou das figuras, etc.. #

"Portanto, o mistério da relação sexual é realizado em segredo, para que os dois sexos não se desonrem na frente de muitos que não experimentam essa realidade. Pois cada um deles (os sexos) contribui com sua (parte própria) para gerar. Pois se isso acontece na presença daqueles que não entendem a realidade, é ridículo e inacreditável, e, além disso, são santos mistérios, de palavras e ações, porque não apenas não são ouvidos, mas também não são vistos.

# Aqui não há lugar para o esperto, o malicioso, o de pensamentos impuros. O segredo só pode ser compreendido pelo pobre de espírito, pelo simples de coração, pelo realmente bem intencionado, que ama ao próximo e a Deus sobretudo. Porque o segredo não é ouvido, porque não é falado, nem é  visto, porque não é escrito nem demonstrado, precisa ser compreendido. E só o que purificou o coração consegue compreender. Ele vai sendo entregue grau a grau em 21 gradações. Mas o segredo está sempre dentro de outro. O símbolo não é da coisa em si, mas de outro símbolo. Temos até o símbolo do símbolo do simbolo. E aqui temos o clássico exemplo do triplo simbolismo. A união sexual e a conjunção dos elementos formando um só ser é símbolo do casamento alquímico do Rei e da Rainha, que na tradição cristã rosacruz ainda é símbolo duplo: do casamento da igreja, noiva de Cristo, com o Cristo, o rei, em seu significado macrocósmico; e do casamento da alma com o espírito em seu significado interior, microcósmico. Assim aqui a união de dois em um e a fusão das substâncias em uma manifestação concreta que é o símbolo do amor do casal que é o símbolo do amor a Deus. O segredo é que o amor fervoroso leva à união, ao tornar-se um só com a pessoa amada como no ato sexual de duas pessoas que realmente se amam muito. Esse amor acende e flameja ardentemente e acima do desejo sexual que é deixado para trás; assim deve ser o amor a Deus sobre todas as coisas a fim de se reunir a ele, um amor forte, fervoroso, acima de todo amor. Não estou dizendo aqui como se faz isto nem como se usa o amor do casal para conhecer esse amor, pois estaria revelando a parte principal do segredo. Este segredo só pode ser entregue a quem ama a Deus sobre todas as coisas porque este fará a vontade de Deus, não usará este poder em benefício próprio ou injusto. E o problema é justamente esse, mal começam a desfrutar do poder muitos já o usam egoisticamente, a grande maioria, e então são cortados, se fecha a porta para eles e depois morrem sem terminar seus projetos e tudo o que conseguiram é deixado para trás e disputado entre ladrões e aproveitadores e gananciosos. O perigo não está no ato sexual, está no que se pode gerar e por outro no que fatalmente se gera na união e relação sexual. O perigo não é só o mal que se pode fazer aos outros e ao frágil equilíbrio desse mundo onde há também caos, mas fatal e principalmente para si mesmo. #

"Mas, se há ignorância e o aprendizado não existe na alma do homem, (então) as paixões incuráveis ​​persistem nela (a alma). E um mal adicional vem com elas (as paixões), na forma de uma ferida incurável. E a dor constantemente roe a alma, e através dela a alma produz vermes do mal e fede. Mas Deus não é a causa dessas coisas, pois enviou aos homens conhecimento e aprendizado.

# A questão é muito simples, tão simples que ninguém percebe. Mas por que não percebe? Porque tem um coração impuro, uma mente impura, cheia de desejos, projetos e ganância. Um espertalhão jamais descobre coisa alguma. O malandro pensa desxobrir tudo com sua malícia, desconfiança e arrogância, pois se acha ou muito inteligente, ou muito esperto, ou muito capaz. Já se condenou a colher os frutos de sua ignorância por isso, fadado a insistir nas obras do erro e em muitos erros, orgulhosamente se torna um cabeça dura, cada vez mais acreditando na própria maestria de que se convenceu. Se receber (ou descobrir ou roubar) e praticar antes de estar preparado e purificado para tal o aprendizado não existe e as paixões carnais tomam conta e se vestem até de auto convencimento de santidade iludindo o praticante, que quanto mais pratica mais se vitima às próprias alucinações. Não é Deus que faz isso, é o próprio orgulhoso que põe vendas nos próprios olhos.#

2

"Trismegisto, ele os enviou para homens sozinhos?"

"Sim, Asclépio, ele os enviou a eles sozinhos. E é justo que lhe digamos por que somente aos homens ele concedeu conhecimento e aprendizado, a atribuição do seu bem.

"E agora ouçam! Deus e o Pai, mesmo o Senhor, criaram o homem subsequente aos deuses, e ele o levou da região da matéria. Como a matéria está envolvida na criação do homem,  [...] as paixões estão nela. Portanto, elas fluem continuamente sobre seu corpo, pois esse ser vivo não existiria de outra maneira, exceto se tivesse tomado esse alimento, já que ele é mortal. Também é inevitável que desejos inoportunos, que são prejudiciais, habitem nele. Para os deuses, desde que eles surgiram de uma matéria pura, não precisam de aprendizado e conhecimento. Pois a imortalidade dos deuses é aprendizado e conhecimento, uma vez que eles surgiram da matéria pura. A (imortalidade) assumiu para eles a posição de conhecimento e aprendizado. Por necessidade, ele (Deus) estabeleceu um limite para o homem e o colocou em aprendizado e conhecimento.

# Observe a pergunta inicial de Asclépio. Ele não perguntou se  Deus criou o homem para ser sozinho, mas se o enviou para estarem sozinhos. O que é isso? No mundo original, todos estão em comunicação com todos, não existe separação, não existe limitação do pensamento ao um pensador, nem do conhecimento a um conhecedor. O que um pensar todos "ouvem", o que um conhecer todos ficam conhecendo. Na natureza celestial, não há separação. Mas por uma razão (que é assunto de outros livros do Corpus Hermeticum) Deus isolou o humano enviando para estar só nesse mundo da matéria, ou seja, separado, isolado mentalmente.

# A criação do homem (também assunto de outros livros) é depois da dos deuses. Esses deuses (escrito com letra minúscula e no plural) se refere sempre e invariavelmente no Corpos Hermeticum aos primeiros seres criados, ou seja, é exatamente o mesmo que as hierarquias angélicas na tradição judaica e na cristã. Os primeiros seres criados, não são deuses criadores como Deus, mas auxiliadores que atuam segundo a vontade de Deus, não segundo a própria vontade (os que atuam fora dessa vontade são chamados daimons, espíritos malígnos, anjos maléficos, ou seja, anjos caídos, não espíritos de pessoas, nem que encarnam como pessoas).

# Observe que a matéria não é considerada má em si ou por si como no gnosticismo primitivo, mas se torna envolvida nas paixões por causa do homem, e num processo de retroalimentação um torna a contaminar o outro, pois as paixões contaminam a matéria carnal, e a carne sustentando esses registros das contaminações torna a contaminar o homem em outro momento, como qualquer objeto que seja contaminado por virus e bactérias.

# Os deuses também são de matéria corporalmente, mas de outra vibração, estão em outro nível  de existência. Nesse nível que estão há imortalidade e esta mesma leva a conhecimento e aprendizado, pois são imortais e suas mentes não são sozinhas, isto é, todas se intercomuniacam, não há separação além da corporal. Já os humanos estão separados corporalmente e mentalmente. Por necessidade Deus estabeleceu todos os limites para os humanos, para que não se perdesse completamente, mas tivesse a oportunidade de retorno ao estado anterior, puro e não separado, e ainda pudesse escolher seu destino. Assim, desde o formato e tamanho dos corpos a todos os seus poderes e ambiente foi delimitado por Deus numa medida justa, mas que também não impedisse a possibilidade de escolher Deus e o bem e de retornar à dimensão eterna com Deus através do que escolha aprender e conhecer, Deus e as coisas celestiais ou o mundo e as paixões mundanas.#

"Com relação a essas coisas (aprendizado e conhecimento) que mencionamos desde o início, ele (Deus) as aperfeiçoou a fim de que, por meio dessas coisas, ele pudesse restringir paixões e males, de acordo com sua vontade. Ele trouxe o seu (homem) mortal existência na imortalidade, ele (homem) tornou-se bom (e) imortal, como eu disse, pois ele (Deus) criou (a) natureza dupla para ele: o imortal e o mortal.

"E aconteceu assim por causa da vontade de Deus que os homens sejam melhores que os deuses, pois, de fato, os deuses são imortais, mas somente os homens são imortais e mortais. Portanto, o homem tornou-se semelhante aos deuses, e eles conhecer os assuntos um do outro com certeza. Os deuses sabem as coisas dos homens, e os homens sabem as coisas dos deuses. E eu estou falando sobre os homens, Asclépio, que alcançaram aprendizado e conhecimento. Mas (sobre) aqueles que são mais vaidoso que estes, não é apropriado dizermos algo básico, pois somos divinos e estamos introduzindo assuntos sagrados.

# A forma como Deus delimitou a vida do ser humano na matéria já tem toda madicina para que o mal gerado na mente humana não possa se manifestar em toda sua potência e que as paixões sejam domadas e reduzidas, seja pelas limitações materiais e mentais, seja pelo conhecimento e aprendizagem espontanea, seja pelo sofrimento que vem das consequências das más paixões por seus pensamentos e ações. O humano é o que possui as duas naturezas e pode escolher entres elas, os deuses não, uma vez caídos não podem retornar (há controvérsia entre autores sobre isso, mas a tradição não afirma possibilidade de rerorno a deuses...). A época em que foi escrito esse livro a diferença da frequência vibratória de deuses e humanos não era tão distante quanto hoje de modo que a comunicação inter-planos era mais fácil, ocorriam mais aparições, materializações, bem como nossas visitas conscientes lá eram mais frequentes entre os iniciados. Mas ontem e hoje ainda isso está na dependência de aprendizado e conheciemnto de nossa parte, aprendizado envolve comportamento, moral, emoções, habilidades, etc. e conheciemento envolve as atividades da consciência, intelecto, intuição, comunhão, compreensão, inteligência, etc.. Tudo isso pode se adquirido, treinado e desenvolvido. Quando ele diz "somos divinos" fica bem claro que se trata dos que alcançam aprendizado e conheciemento ou se introduzem nesses assuntos e assumem esse papel de aprendizes em busca do conhecimento, não toda e qualquer pessoa como prega a "nova-era". Divinos aqui não tem o sentido bíblico (que se refere apenas a Deus ou às pessoas da triunidade), mas no sentido oriental, de divo, diva, que vem de deva, ou seja, esses deuses criados, poderia em nossa cultura ser traduzido como angelicais, o que reforça novamente a importância do aspecto moral e emocional, especialmente o amor e dedicação incondicionais. Só há comunicação com anjos quando há comunhão, sintonia com eles. Essa comunicação é um objetivo nobre, é um de nossos objetivos, mas não quando não se quer ser trasformado primeiro, para a própria edificação, mas para o bem da humanidade. Sobre isso é falado adiante. #

3

"Desde que entramos no assunto da comunhão entre deuses e homens, Asclépio, aquele em que o homem pode ser forte! Pois, assim como o Pai, o Senhor do universo, cria deuses, assim também o homem, esta criatura mortal, terrena e viva, aquela que não é como Deus, também cria deuses. Ele não apenas fortalece, mas também é fortalecido. Não apenas ele é deus, mas também cria deuses. Você está surpreso, Asclépio Você é outro incrédulo como os muitos?

# Aqui o texto toma acentuada diferença do que foi achado anteriormente que tece pormenores sobre o ato sexual, a união dos líquidos seminais, a participação dos dois sexos e a concepção humana. Essa parte pode ter sido retirada desse texto, pois ele pertencia a cristãos que talvez só praticassem esse tipo de relação sexual para reprodução (com mistura de fluidos). E muito provavelmente estes praticavam não o derrame seminal, mas a contenção (tanto os solteiros, sem relação ou qualquer tipo de ato sexual, quanto os casados, com ou sem relação sexual, ou seja, a economia do orgasmo para ambos os sexos). Mas esse texto também não entra em tantos detalhes sobre esse assunto como o achado anterior a este. Neste já passa para a questão seguinte, chamada criação dos deuses, parte em que pode haver suspeita de acréscimo (por a tradição ter sido trazida ao Egito de hebreus ou outros semitas), isso é questão não só para estudiosos, mas dentro da tradição, na verdade o significado da primeira parte também se reflete nesta, trata da mesma coisa, sendo que a primeira apresentou o modo e esta apresenta o resultado. O que importa aqui não o que é dito ou como é dito, mas ao que se refere, o significado inciático.

# E independente desta parte ter sido adicionada ou não, de haver uma parte que pode ter sido retirada ou se tratar do original que não tinha tal parte, que seria assim uma adição, nesse texto encontramos o mesmo significado (tanto que nesse texto essa parte foi preservada por quase dois milênios e a outra não).

# É preciso entender que na linguagem cifrada da tradição hermética a palavra "deuses" (com "d" minúsculo e no plural) sempre se refere simplesmente aos primeiros seres criados por Deus (com "D" maiúsculo e no singular). Ou seja, o equivalente em nossa cultura às hierarquias angélicas (anjos, arcanjos, serafins, querubins, ofanins, etc.). Mas muitas vezes também significa o estado ao qual podemos chegar, como habitantes da dimensão eterna, nas esferas celestiais, com corpos incorruptíveis e imortais, como os anjos. Sendo esse o penúltimo texto do Corpus Hermeticum, esse detalhe já foi demonstrado nos outros textos, faz parte de iniciações anteriores. #

"Trismegisto, eu concordo com as palavras (faladas) para mim. E eu acredito em você como você fala. Mas também fiquei surpreso com o discurso sobre isso. E decidi que o homem é abençoado, pois desfruta desse grande poder. . "

"E o que é maior do que todas essas coisas, Asclépio, é digno de admiração. Agora está claro para nós a respeito da raça dos deuses, e confessamos junto com todos os outros que ela (a raça dos deuses) vem de uma matéria pura. E seus corpos são apenas cabeças. Mas o que os homens criam é a semelhança dos deuses. Eles (os deuses) são da parte mais distante da matéria, e ela (o objeto criado pelos homens) é da (parte) exterior do ser dos homens. Não são apenas elas (o que os homens criaram) cabeças, mas (são) também todos os outros membros do corpo e de acordo com a sua semelhança, para que o homem interior seja criado à sua imagem, da mesma maneira, o homem na terra cria deuses à sua semelhança. "

# O sexo sempre está a criar algo. Como no homem independe do ele faça os líquidos seminais e espermatozóides estão sempre sendo renovado e a mulher independente do que faça está sempre já preparada com todos os óvulos e órgão e seu ciclo se mantém (e isto por si só já nos é um grande ensinamento...), nas outras esferas de existência algo já foi criado e sempre está se renovando e se desenvolvendo. Todo ato sexual sempre está ceiando algo aqui e nas outras esferas. Não apenas todo ato, toda atitude sexual (inclusive a abstinência total) é uma ação sexual criadora, o sexo, a função sexual, inerente a nós, não para de criar, para bem ou para mal, para saúde ou doença, para renovação ou devreptude... nunca pára. Cabe a nós saber e decidir o que fazer para o nosso bem e da humanidade. E aqui Asclepius está sendo instruído sobre isso. Hermes mostra que a matéria prima dos deuses, de que são construidos, sua substância, não é deste mundo, dessa materia degradável, tempor al, decadente, caída, mas de uma matéria pura, isto é, não misturada, imaculada, original... E que seus corpos são apenas um aspecto de si mesmo, mas o que os homens criam é apenas uma semelhaça desses corpos, nem se igualando sequer ao aspecto corporal real. Não é apenas essa parte que naturalmente criamos e que temos como cabeça, mas podemos ir bem mais além, criando todos os outros membros, um corpo completo, ou seja, plenamente daquela mesma natureza, que atue conscientemente naquele plano.

# A segunda metade do texto fica clara agora. Os deuses estão longe dessa materialidade humana (apesar de seus corpos exercerem mais poder sobre essa matéria do que os próprios humanos, com corpos de matéria da terra, podem). Esses nossos corpos densos são apenas o exterior do ser humano. Mas agora note bem, nós podemos criar algo mais do que criamos normalmente: "para que o homem interior seja criado à sua imagem, da mesma maneira, o homem na terra cria deuses à sua semelhança."

# Claro que ele não está falando de ídolos, estátuas estáticas, ele está falando da criação de outro tipo de corpos, semelhante aos deuses, ele está falando também, por outro lado, da criação do homem interior. Vemos aí dois elementos mostrados ao longo do Corpus Hermeticum que necessitam ser trabalhados, a parte imaterial, moral, intelectual, mental, etc., e a parte material, desde o corpo de matéria da terra até os corpos sutis semelhantes aos dos seres celestiais, aqui chamados deuses, em seus vários níveis, ou seja, em suas hierarquias e planos.

# Observe o que é falado aqui. Esse enigma pode até parecer claro para quem já recebeu a iniciação ou a informação deste arcano, mas precisamos ir ainda um pouco mais adiante. O iniciado está apenas no início, precisa desenvolver o assunto até o fim...

# O que ele chama de cabeças? Por que usou essa palavra? Uma parte dessa meditação podemos adiantar como ponto inicial, que a "cabeça" dos corpos nós já temos, usando a mesma linguagem simbólica, mas o resto do corpo e seus membros precisamos fabricar (cabeça também tem o sentido de comandante, chefe, principal, capitão, é a parte principal, a que comanda, nesse caso a consciência, ainda que limitada em outras esferas). Quando saímos com nosso corpo mental, por exemplo, numa dimensão mental, podemos apalpar a realidade daquele nosso corpo, mas apesar disso não podemos dizer que atingimos uma elevada dimensão mental, pelo contrário, existe muito mais acima e aquela consecução é frágil e passageira; nem tampouco podemos dizer que aquele nosso corpo é igual ao dos deuses, nem que o dominamos como eles dominam os seus. Precisamos desenvolver corpos, usando a nossa matéria e a matéria de nosso homem interior, matéria prima encontrada nessas outras esferas. Vejamos...#

"Trismegisto, você não está falando de ídolos, está?"

"Asclépio, você mesmo está falando de ídolos. Você vê isso novamente, você mesmo, Asclépio, também é um descrente do discurso. Você diz sobre aqueles que têm alma e tamanho, que são ídolos - aqueles que provocam esses grandes eventos. Você está dizendo sobre aqueles que profetizam que são ídolos - aqueles que dão aos homens doenças e curas [...] que eles.

# Em outra tradução é usada a palavra "estátuas" no lugar de "ídolos" e realmente parece atribuir a estes ações. Mas lembremos do que na verdade está tratando, de corpos (que serão construídos por nós). Não se espante como Asclepius, pensando no significado literal, como os profanos que adoram deuses e estátuas, aqui será revelado um ensinamento espitual, portanto não se trata de ídolos, estátuas, matéria, mas, com descreve Hermes, poderes, capacidades, e de onde elas vêem, não de corpos de estátua, mas de seres, com alma, corporalidade e poderes. Veja que Asclépio é tido até como descrente por não ver ainda de imediato isso. Corpos de estátuas são apenas uma metáfora, um símbolo, dos corpos reais que servirão de veículos para nossa alma e espírito em outros planos, para que possamos habitar conscientemente também naqueles. Assim como são os corpos daqueles seres que entregam as profecias e as curas... Essas "estátuas", ou seja, esses corpos, sutis quando comparados a matéria densa, mas bem reais e palpáveis nas outras esferas, são construídos em outros mundos, e tem muito mais poderes que esses corpos materiais e são eles que nos possibilitaríam essas curas, profecias, eventos e visões, falados por Hermes...

# Em seguida começam as profecias sobre o fim do Egito, mas como veremos, elas também têm um duplo sentido e consequentemente uma dupla realização...#

Continua...

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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Falando claramente sobre vias iniciáticas...

Quero iniciar nessa série de postagens uma abordagem clara sobre a questão das ordens, religiões e escolas e sua relação com as vias iniciáticas universais e tradicionais. Nessa relação também esclarecer a relação de nossa fraternidade com algumas dessas vias e tradições. O conhecimento transcendente é um só todo, mas as diferentes tradições também o tomam em diferentes partes ou enfatizam umas mais algumas dessas partes, outras mais outras partes. O Papel da Ciência Metafísica no que se refere a esse ponto é estabelecer as verdades, sejam em comum ou não, pois há descobertas que pertencem apenas a uma ou outra destas ou mesmo a uma só instituição, embora outras, mais fáceis de se obter, sejam comuns entre várias, e ainda assim sua visão particular pode variar muito de uma para outra. A Metafísica também deve esclarecer a cada uma as partes desconhecidas, mas verdadeiras, que cada tradição ignora das outras ou as quais não penetram, ampliando o campo da verdade, expandido a consciência das realidades transcendentais e estabelecendo o diálogo e o bom uso dos conhecimentos comprovados entre as diferentes tradições.

Isto é particularmente uma das colaborações e dos objetivos da nossa fraternidade, que não só amplifica e unifica o campo dos conhecimentos e o respeito mútuo, como também ajuda a preservar as particularidades de cada tradição através da valorização que vem pelo entendimento e cada vez maior conscientização da razão de ser, da eficácia e da finalidade de cada uma destas. A tradição também tem o valor de preservar os valores já consagrados ao longo da história humana pela extensa experiência e pela própria capacidade arquetípica que se estabelece e que possibilita verificar, em si e por si, que tais valores são inerentes e comuns à existência e ao ser consciente de si mesmo, e isto bem mais além do que a ciências e as pesquisas estatísticas, antropológicas e outras verificações comparativas poderiam demonstrar. Portanto ela é uma ferramenta para o metafísico tanto por oferecer métodos muitas vezes já comprovadamente eficazes, pela vasta experiência de séculos, bem como, por outro lado, por ser o arquivo vivo e vivificante de valores benéficos a longo e curto prazo que norteiam, não só o que seria o viável e o possível, mas o objetivamente benéfico e mais satisfatório, na enorme maioria dos casos.







terça-feira, 7 de julho de 2020

A Ordem -parte 5

[D] A Ordem enquanto Supremo Ser precisa ser entendida pela lógica imbatível para que um membro seja introduzido na ordem e sintonizado à Ordem.

A palavra sintonia significa literalmente no grego estirar juntos (syn: junto e teínein: estirar alongar), mas pense isso em relação à música. Estirar pode muito bem se referir às cordas de um instrumento, afiná-las estirando; tom, ainda se refere a som, nota. Explicando melhor seria afinar na mesma nota, isto fisicamente é vibrar igual, vibrar juntos na mesma nota. Este último significado é praticamente idêntico ao que as ciências usam hoje. Estar em sintonia é estar no mesmo nível, no mesmo padrão vibratório, é vibrar juntos na mesma frequência. Assim como duas cordas diferentes ou mesmo instrumentos diferentes podem emitir a mesma nota, nós, apesar de estarmos em diferentes corpos ou substâncias, podemos entrar em sintonia com regiões mais elevadas e celestiais, isto é, da ordem, entrando no mesmo padrão de vibração. O que nos leva a este padrão, que nos sintoniza com aquele, é exatamente o padrão do amor incondicional, ágape em grego.

Trataremos da questão do existir em uma próxima exposição, mas além do existir há o ser (isto é explicado nesta outra exposição referida). Se há ser, ser algo, ser alguém, precisamos admitir que existem níveis diferentes de ser. Assim como existe diferença entre um ser vivo e um ser não vivo, nos diferentes planos também tem que haver diferentes níveis de ser.

O que é melhor, ser um ser não vivo ou um ser vivo? O que é superior, ser um verme ou ser um humano? Uma pedra ou uma criança? Essas são diferenças óbvias. Como há diferentes níveis de ser, devem haver gradações que vão até o máximo nível de ser e o mínimo de ser possível, que já beira o não ser. Por isso afirmamos com tanta certeza anteriormente a existência do Supremo Ser na região superior da esfera da Ordem (porem não apenas por isso, mas por muitas outras razões). Não que haja uma restrição a uma região, mas que em nosso gráfico, no nosso modelo representativo constituído de duas esferas, há níveis, assim o nível mais superior é obviamente representado em cima (existem autores que representam no centro também, em modelo semelhante). Então existem níveis de ser do mais superior ao mais inferior.

O que é superior, mais supremo, ser consciente ou ser inconsciente? Logicamente que é ser consciente. Só que ser supremamente consciente vai até bem mais além disso, é ser onisciente. É Luz viva. Se lhe perguntassem se você queria ter uma consciência mais elevada e até bem acima da humana ou a mesma consciência que uma pedra, qual você escolheria? (Se escolheria ser como uma pedra nem deveria estar lendo isso,
aliás, não é bem vindo em nossa ordem como membro, ela não lhe serve). Ser inconsciente ou quase inconsciente não pode ser superior a ser consciente, não é questão de opinião ou de gosto, é questão de experiência e de lógica.

O que é superior, supremo, é ser ou não ser? Se há seres e diferentes níveis de ser, existem níveis que são inferiores e níveis superiores e exite o máximo de superior, o máximo em matéria de ser, o supremo ser, e existe também o minimo do ser, o mais perto do nao ser.

E o que é superior, supremo, ser pessoal ou ser impessoal, ter características superiores ou não ter nenhuma característica, ter vontade própria ou ser um autômato, mecânico? Obviamente, ser pessoal, ter boas e belas características, ter vontade própria e livre é superior a não ter nada disso.

E o Supremo Ser ainda vai além disso, por sua natureza emana toda vontade e por sua vontade define o que é característico, então além de pessoal é supra pessoal, pois define a suprema pessoalidade e assim abarca toda pessoalidade suprema e ainda a transcende, mas permanecendo sempre em suas próprias características.

Como poderia um ser que é supremo, ser mecânico, involuntário, condicionado, impessoal, sem características? O que há de superior nisso?

O que é superior, mais supremo, é reger tudo segundo leis de ferro, que embora justas, que atuem sempre mecânica e automaticamente, perfeitas e invioláveis ou é reger tudo dentro de leis justas, mas ter afeição, escolha, juízo, compaixão, misericórdia, amorosidade e amar? Obviamente que as segundas características são superiores às primeiras.

E o Supremo Ser ainda vai além disso, pois ele é o próprio amor, é amor vivo. Amor é sua essência, é o que o define enquanto caráter supremo.

Essas são as características que por muitas vezes vem sendo ignoradas, omitidas ou negadas ao Ser Supremo em nome de uma ciência falsamente neutra e imparcial. Mas como vemos, sem lógica. Embora outras características são admitidas, como onipresença, onipotência, eternidade,
imanência e transcendência, a ciência comum, quando admite ter sido derrotada pelas evidência da existência de um Ser Supremo, ainda costuma negar essas três, principais (algumas vezes admitindo a primeira, onisciência, mas por uma minoria de pesquisadores ainda). Mas nós as destacamos, não por serem consideradas aqui e ali as principais (geralmente apontam-se outras), mas por serem as primordiais, as essenciais, a triunidade básica da unidade primordial é Consciência, Vontade e afeto, ou melhor, Amor. As três forças primordiais, a neutra, a de expansão e a de atração; consciente voluntária e amoroso; Onisciente, Onipotemte e Onipresente. São forças pessoais, pertencem a caracteres pessoais, seus possuidores. A mesma coisa, dita de várias formas enfatizando uma ou outra faceta de cada face. De qualquer maneira nenhuma delas pode ser impessoal, pois possui características também da outra, comuns, as mesmas consciência, vontade e amor.

E isto se repete em tudo, não há nada tão evidente na ciência quanto as forças primordiais em que se baseia toda física. E como vimos essas forças supremas (divididas pela fisica em quatro, que para nós sao três, pois uma delas os fisicos consideram duas, e nós considerados aspectos extremos ou opostos de uma mesma) tem que ter um causador, um possuidor e esse possuidor só pode pessoal (pois ele tem pelo menos três características que nós podemos evidenciar que são pessoais, consciência, amor, vontade; porque ele é e como sendo um ser a causa suprema é o supremo ser, e se é supremo ser só pode ser pessoal). Pois uma vontade involuntária não existe, é uma contradição e é preciso uma vontade para por em movimento o que não podia mover-se por si só. E ainda, coisa alguma, nada, algo não pode ser a causa de si mesmo, isso seria uma contradição; o universo, a matéria, a energia, as forças primordiais, etc., não podem ter sido as causas de suas próprias existências, isso seria absurdo e é indiscutivel. Mas é preciso que eu diga aqui, pois os cientistas materialistas fazem questão de omitir, esconder e não ver essa lacuna em seus argumentos, apesar de admitir que há um início.

E embora pareça uma palavra inadequada (porque tem sido usada também para se referir a seres menores e ou criados, deuses no plural) o Supremo Ser, em oposição ao completo não ser, tem sido chamado de Deus. Essa palavra vem das tradições que têm seus escritos em grego. E apesar de ter alguns significados diferentes conforme a tradição, estes são bem semelhantes e têm relações históricas entre si. Enquanto que o siginficado moderno e mais ainda o coloquial inclui elementos estranhos ao conceito original, principalmente através da contaminação de concepções panteístas, deístas e politeístas.

Deus é definido como princípio original, princípio absoluto, Ser primordial. É toda e única Ordem existente em todas as dimensões. Na filosofia além, dessa definição é conceituado como realidade transcendental responsável pela origem das leis que regem o universo e pelo universo mesmo com todos os seres. Também é dito fonte de todo bem, beleza e toda excelência moral que existe, regente eterno. Uns também usam o termo ente eterno, mas a depender do sentido não é uma palavra adequada.

Em teologia Deus é o Ser Eterno, trancendente e imanente, transcendendo mesmo até a existência com as características já citadas acima e mais algumas outras (há o ditado em teologia "Deus não existe, Deus é", pois tudo que existe só existe após ele e por meio dele...); o Supremo Ser é também subtendido e evidente através da criação e das leis naturais, entendido por uns como o imanifesto que é evidente através que é manifesto; é evidente pela ordem da natureza apesar da matéria (que por si mesma tende ao caos e caminha para ele); é a causa necessária; eterno, infinito, necessário, sobrenatural (além e fora dessa natureza), único de sua qualidade, ser real em si e por si mesmo, atemporal, onipotente, onisciente, onipresente, completamente bom e completamente justo... E para alguns, inclusive para nós é evidente também através da experiência, vivência, do conhecimento profundo, do conhecimento direto e por revelação própria. Seus atributos podem ser entendidos em duas categorias, os incomunicáveis, ou seja, aqueles que não compartilha com nenhum ser, como onisciência, onipresença, onipotência, eternidade, asseidade, imutabilidade e unidade; e os comunicáveis, que são compartilhados, como liberdade, beleza, vontade própria, amor, perfeição, glória, bondade, conhecimento, paz, santidade, sabedoria, misericórdia, retidão, espiritualidade, etc..

Na religião, especialmente na hermética e na cristã, temos as mesmas características e definições acima, tanto gerais, como filosóficas e teológicas (a tradição hermética se refere a si mesma como a prisca theologia, a que inaugura a ciência teológica, mais ou menos entre a época de Enoque e de Akenaton; a tradição cristã possui a teologia mais estudada, que tem mais variantes e que mais se aprofunada, desde Paulo, até a atualidade). Mas embora estejam entrelaçadas, uma coisa é a ciência teológica e outra coisa é a religião. Em religião temos essa definição teológica, mas quem define primeiro teologia historicamente é a religião, porém nela as definições podem não ser tão claras ou explícitas como no estudo teológico mesmo. Por isso há quem inclua todas as teogonias existentes como sendo assunto de teologia. Nessa visão as "religiões primitivas" são consideradas (como se o fato de haver um deus ou supostos deuses implicasse em uma logia, um estudo, uma ciência, ainda que rudimentar, o que não podemos observar na prática, mas vamos considerar essa visão por um momento para entendimento do conceito). Então nesta visão há tipos diferentes de teologia ou uma suposta evolução dela. Isto resulta no contrário ao que argumentam: quer considerar visões que não são teológicas como sendo, para incluir o animismo, o monismo, o panteísmo, o politeísmo, e outras variantes, até mesmo o ateísmo, mas seus autores e defensores terminam falando que houve uma "evolução do pensamento" de um mais simples e primitivo para um mais complexo e avançado (apesar de muitas vezes a história mostrar o contrário). O que implicaria uma ciência que evoluiu até chegar nas únicas teologias existentes de fato na atualidade que já trataram de todos esses assuntos ao longo da história antes e descartaram as visões ilógicas, pois desconsideram completamente a possibilidade de uma multiplicidade de deuses, ou qualquer panteísmo ou ateísmo (baseados nas evidências e evidentes características citadas). E com razão se descarta, na definição de Deus não cabem essas possibilidades, pois deixaria imediatamente de estar se tratando de Deus (Teos), se estaria tratando de outra coisa, mitologia, teogonia, osmogonia, etc., menos teologia. 

Assim resta dentro da teologia a única alternativa possível, o estudo a respeito de um Teos como definido por essa ciência, ou seja, supremo, primordial, eterno, portanto do uno, único do gênero, e, dizem uns, absoluto, ou, como dizem outros causa das causas, Senhor dos senhores e obviamente também de si mesmo e da criação, trancendente e imanente. Quando se fala em deuses no plural ou deus (com minúscula) sempre há que se entender que se trata de uma concessão conceitual, pois só podem ser algo menor e mais limitado do que Deus, já que haveriam outros como eles, isto é evidente, lógico e irrefutável, não há o que dicutir contra o conceito teológico.  

E em nossa ordem o Ser Supremo se faz objeto principal de investigação, pois é sua vontade, que esteja em nossa consciências, em outras palavras, quer ser conhecido. Dada a natureza de Deus a forma de investigar dessa ciência tem quer ser diferente ou mais avançada que a da investigação da matéria e sua natureza. O que é de natureza espiritual, portanto consciencial não precisa do intermédio dos sentidos para ter acesso à consciência, pode fazê-lo diretamente. O problema aqui está no invertigador, condicionado, pois utilizamos a mente como receptor e esta se liga muito mais aos sentidos e à materia do que ao intelecto e à consciência ou espírito, de modo que uma manobra intelectual precisa ser efetuada quando fazemos tal investigação, que é voltar a consciência sobre si mesma através de uma mente treinada e obediente à nossa vontade, que dirige a atenção, consequentemente a consciência à própria consciência e ao que ocorre nela. É outra visão de mundo, outra perspectiva, é outra forma de ver e de viver onde a matéria-energia deixa de ser o centro de nossas atenções e o que é de natureza espiritual em nós, como a consciência, seus fenômenos e capacidades passam a ser o centro. Mas não é só isto. Deus se revela a quem quer se revelar e pelos meios que permite ser conhecido. É preciso conhecer a fundo esses meios, levá-los a cabo, treiná-los, exercê-los...

Portanto sim, temos um aspecto filosófico, mas isto é apenas o começo, pois temos também um aspecto teológico, bem como o científico e empírico que por consequência descamba no religioso (por isso uns nos acusam de sermos uma religião, embora nem sejamos um religião nem uma ciência da religião, mas sim uma ciência, na ampla acepção da palavra, do transcendente, do Eterno, do Supremo, do  Onisciente).

Nós investigamos a fundo não apenas ao ponto de comprovação, definição e caracterização, mas também aspectos, linguagem, apresentação, e sua criação, leis, nomes, sua matemática, geometria, epistemologia, ontologia, cosmologia e psicologia. De tal forma que tudo que será entregue ao estudante é irrefutável, tanto por sua razão lógica, quanto depois por sua experiência, intuição, consciência... E os meios de atingir por si mesmo as mesmas conclusões que nós (antes que as demos), são infalíveis se a pessoa seguir as instruções com sinceridade. 

Isto é Ordem enquanto Ser Supremo: é a própria manifestação deste tanto na natureza original quanto na natureza caída e decadente. Se não houvesse essa manifestação seria impossível haver vida, luz, consciência, amor, bondade, moralidade, liberdade, ordem. E seria impossível haver saída, escape, para o que aqui nasceu. Essas coisas vem apenas de Deus, não vêm originalmente de nós. Pois dessa natureza não pode surgir nada disso, menos ainda subsistir, todas essas coisas são sustentadas pela natureza original graças à concessão do Supremo. Nós não temos poder de mudar de natureza (todas as visitas a mundos que outros fazem em outras ordens que não as que estão em dependência e relação direta com o Supremo são ainda dentro dessa natureza, em outros planos, mas não nos planos espirituais, não na natureza original). E por fim, é ele mesmo e os seres não caídos, seus servos e mensageiros, que organizam as ordens, religiões, escolas, e os diferentes meios de nosso retorno à Ordem original e de restauração da ordem em meio a tantos caminhos e organizações humanas que não levam a lugar algum quanto aos nossos verdadeiros objetivos eternos.

Portanto está fora de cogitação toda doutrina ateísta, humanista, materialista, mecanicista, deístas ou que fale num Deus impessoal, ou força impessoal, de energia ou de apenas justiça sem misericórdia e juízo, etc.. 

Os atributos da triunidade suprema muitas vezes tem sido confundindos ou mesmo perdidos aos longo de algumas décadas nos últimos anos em muitas tradições. O que aqui recuperamos, resgatamos, como consciência, vontade e afeição ou amor, já foram conhecidos como luz, vida e amor e isto não é erro, é correto, é tradicional, está escrito e registrado, mas a incompreensão disto, e a negligência, levaram à incompreensão do que é perfeitamente compreensível, disso que
antes foi conhecido como revelação e depois  incopreendida, atualmente por outros vidto como mistério. Como se um triângulo só pudesse ser entendido como três retas e não ao mesmo tempo como uma única figura, uma única unidade! Isto é absurdo: não compreender intelectualmente algo tão simples. É a prova do afastamento da realidade, da verdade, é estar se afogando na própria desgraça. Como não ver isso? Como não entender algo tão simples quanto a unidade de um triângulo? Realmente a verdade foi concedida aos simples e aos sábios em seu próprio conceito restou a cegueira e o “mistério”.

Isto se repete em tudo, mas especialmente em nós que somos, como o Supremo, consciência, mente e corpo, o tradicionalmente conhecido como espírito, alma e corpo. Espírito é igualmente uma triunidade de consciência, intuição e
comunhão, e os outros dois também são triunos. Em nós isto é o espírito, essa triunidade está em nosso espírito. A psique é conhecida como alma, possui os sentimentos, sensações e percepções. E a vontade
equivale ao corpo, possui os sentidos, o instintos e as pulsões. Mas a vontade pura é a intensionalidade que gera mainfestação em intenção, pensamento e ação e ou forma, ou seja, intenção que tem sua consecução emmfenomenos. Essa trunidade de cada parte ainda pode ser descrito de outras formas mais ou menos exatas que esta. O corpo nada mais é que a corporificação da representação da alma, a vontade são
todos os corpos, a vontade não pode não se realizar como algo e em nós ela é o corpo e tudo que é depositado nele, tudo que pertence a corporeidade é vontade. Nos mundos a
vontade é a forma, no nosso mundo a vontade é a forma material, no mundo da Ordem é a palavra, o verbo, a vibração, a pessoa, a razão e o corpo do Supremo Ser.

Por tudo até aqui mostrado perceba que não há espaço para uma interpretação panteísta. O Supremo ser é separado do não ser supremo, do inferior, e é separado do quase não ser, e é separado do não ser. Ele trancende tanto o criado, quanto o gerado, quanto o derivado. Embora seja imanente, onipresente e onisciente de todo e cada mínimo detalhe de todo fenômeno e esteja presente em tudo e em todos, mas inacessível a esse tudo e a quase todos. A ordem enquanto Supremo Ser é o restabelecimento progressivo da e a comunicação, a reunião e finalmente a reintegração à unidade entre o ser separado ao Supremo Ser e à natureza original.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Por que eu deixei todas as ordens que participava e permaneci nesta? - parte 2

Continuando as razões pelas quais eu não deixei a ordem depois de tudo que me aconteceu e todas as profundas mudanças pessoais... Bem, para começar o fato de estar nessa ordem é um dos causadores dessas mudanças.

As pessoas estranham que essa ordem aceite ateus convictos, mas isto é o melhor tipo de convicção que a ordem pode receber, pois no máximo ao fim da primeira graduação esta pessoa não só estará convicta da completa falta de lógica do ateísmo, como terá a plena certeza da existência de Deus, ou pelo menos de um Ser Supremo, um design inteligente, um arquiteto do universo ou um princípio eterno, consciente. Ressalto mais uma vez o "pelo menos", para o caso dos mais céticos, pois foi o meu caso. Pois uma certeza apoiada por várias evidências, e digo inclusive provas, a pessoa terá ao final da primeira graduação.

A pessoa aqui saberá que a causa de um universo organizado, contendo seres vivos e conscientes, não pode ser a matéria inconsciente e caótica que é regida pela lei da entropia, ou seja, caminha naturalmente para um estado de maior desorganização; mas pelo contrário, se apesar disso ela se organiza tem que haver um organizador, se apesar disso há seres conscientes tem que haver uma consciência por trás. A inconisciência não pode gerar a consciência (disso temos muitas evidências), o caos e o acaso (acaso que realmente não existe) não pode gerar ordem.

Consciência e matéria são de naturezas completamente diferentes, elas só se comunicam porque existe um intermediário entre elas, a mente. Nós observamos isso na ordem, nós  comprovamos isso. Assim como o nada não pode gerar matéria (o nada não pode gerar coisa alguma), a "nenhuma-consciência" não pode gerar consciência, a matéria-energia inconsciente não pode gerar consciência (e consciência, Deus, pensamento... não são energias, esqueça essa crença sem lógica).

A ordem nos prova essas coisas. Por isso permanecer nela, trabalhar nelas é empolgante. Eu era budista, mas de uma escola de budismo ateísta (quase todas são, caso não saiba, embora não gostem do termo "ateu" todas negam a existência de um deus criador, seja ele qual for) e eu sempre fui cético (a minha mentalidade é cética, nunca consegui ser diferente por mais que tentasse e treinasse). E as convicções budistas apenas reforçavam meu ateísmo sistemático, pois eu tinha até decoradas algumas palavras atribuídas a Buda, e neste sentido, crer num ser criador era considerado uma heresia no budismo (os que permanecem budistas na ordem são ligados, ou terminam se ligando, a outras tradições, foi meu caso no início, que acreditam num Ser Supremo, a saber, o Adibudha, buda primordial ou buda eterno, em umas, ou a consciência-apenas, ou mente-única em outras, e que são relativamente poucas escolas, mas há professores dessas tradições na ordem). Mas uma vez convencido por evidências e provas ou você admite a verdade ou segue com uma idéia fixa, uma loucura. E eu procurava no budismo a mesma coisa que procurava na ordem, a verdade, eu não procurava uma doutrina. Claro que ao ver por mim mesmo que naquela escola que eu seguia e estudava profundamente não estava a verdade que eu havia visto, mas uma doutrina inverificável só me restava ficar ao lado da verdade...

Então para mim a ordem é um instrumento poderoso de levar esta verdade às pessoas. Eu gosto de ensinar isso, eu sou muito grato por isso e vejo o quanto é gratificante esse trabalho quando isso acontece, e como as pessoas se sentem gratas por isso, libertas, livres de um pensamento errado, curadas de uma obsessão ou uma terrível negligência das evidências que levam por caminhos e consequências diametralmente opostas...

Esta é uma razão muito importante para mim, por isso também estou aqui.




frateriliv@gmail.com





quarta-feira, 17 de junho de 2020

Por que eu deixei todas as ordens que participava e permaneci nesta?

Uma pergunta como essa exigiria muitas postagens e longos textos. Não é uma questão simples, principalmente se quem quer saber é uma pessoa de fora das ordens ou de uma ordem (porque existem ordens falsas, sim, muitas).


A primeira coisa é porque essa ordem é verdadeira. E aqui as pessoas buscam a verdade seja ela qual for, não buscam sua verdade. E isto através de várias métodos. E um não critica o método do outro por questões de fidelidade a um tal fulano chamado mestre. Pelo contrário cafa um se considera em aprendizado constante e livre para seguir o método que escolheu. O método, ou mesmo o caminho que o outro escolhe, só pode ser rejeitado se estiver clara e evidentemente errado ou se for um método que não seja próprio da ordem (pois aí está praticando outra coisa), ou que algo que seja contra princípios da moral, da ética e da tolerância. Esses princípios fazem parte dos fundamentos da ordem e não se pode estar fora dos fundamentos. Então o que a ordem não abre mão são seus fundamentos, sua base, é o que a diferencia e é sobre o que é constituída; e também não pode abrir mão de seus princípios (quem quiser saber quais são esses fundamentos e princípios, que nunca mudam nem podem mudar, procure os textos específicos sobre o assunto, pois é muito longo e aqui não é o assunto). Os métodos apesar de serem vários e sempre os mesmos, se desenvolvem com o tempo e se ampliam, mas sempre dentro dos mesmos que recebemos e transmitimos.

Segundo  porque as vias possibilitam diferentes abordagens metodológicas e você pode seguir a que melhor leva ao objetivo segundo sua própria afinidade, aptidão e desenvolvimento. Mas você pode estudar todas e aplicar todas (se é que isso é possível que alguém consiga) sem restrições.

E dentro das vias estão os caminhos da religião também, então eu posso seguir o caminho da minha religião de uma forma muito mais profunda e completa. Detro de cada via predomina uma grande religião. Eu posso até me dedicar a isso, ou até, por exemplo, me dedicar a uma via, mas ser da religião que é enfatizada em outra via . Eu posso ter uma religião e segui-la à vontade, onde for, ser plenamente fiel ao que acredito, sem ter problemas com as outras vias onde predominam outras religiões, aliás eu posso estudar todas elas também se quiser e até participar (ainda que nem todas ao mesmo tempo, é claro). O problema da religião não está no centro do trabalho da ordem, mas sim o da verdade (por isso são poucas as religiões estudadas, porque elas tem que ser verdadeiras em suas propostas e resultados e se algum ponto não é seguro este ponto não é usado, ele é testado, só os pontos verdadeiros das religiões são usados, os demais são considerados apenas informações culturais e tradições). Se eu citar exemplo vou me estender, então...

Então me sinto em casa porque eu sempre busquei a verdade, nunca uma doutrina ou respostas que não posso entender, evidenciar nem comprovar. Passei por mudanças drásticas na minha psique, no que pude evidenciar e na religião, neste tempo que estou na ordem, e a forma como ela trata as religiões é perfeita para mim. Neste caso, tanto desta quanto da religião que eu estava antes, respeita em tudo minha religião e minhas escolhas e nem fere princípios de minha religião a nem minha religião fere os proncipios da ordem.

As pessoas prescisam entender que esse estudo é como estudar uma faculdafe de filosfia ou ciências. Se temos a prática dessas religiões é para que as pessoas se aprofrunfem juntas nesse estudo, nessa vivência e compartilhem experiência, não sendo um sujeito isolado, interpretando sozinho por si mesmo as experiências ou interpretando segundo o que outro diz para ele que são. É um laboratório, uma oficina e a prática profunda da religião, além disso um pode conhecer a do outro se quiser, e os de uma mesma região podem conhecer completamente sua história, fundamentos, livros, ensinamentos, teologias ou teogonias ou doutrinas. É como se estudasse para ser um doutor nesta religião...


Terceiro, pelo método que a ordem se estruturou, que tem uma estrutura de universidade que a pessoa pode percorrer como uma graduação normal, como apenas prático, ou de ambos que é o melhor, claro, e só estes últimos podem ensinar ou estar habilitado a fundar um outro grupo (claro que ao longo da história muitos não vão ao objetivo e fundam novas ordens sem aprofundamento, ou com apenas um começo ou uma parte ou um aspecto que escolheu e apresenta aquilo como se fosse um todo, não se pode responsabilizar ninguém, além dessas mesmas pessoas, por esse tipo de comportamento). Isto se dá em todas as instituições realmente ligadas à ordem original, ou pelo menos o estudo completo e o estudo externo, isto é, apenas acesso ao material escrito e aulas, palestras, etc.. Eu a herdei em parte de outra ordem também, e em parte de meu professor nessa ordem. Mas em parte ainda em uma outra ordem, e aí através disso penetrei na ordem verdadeira, interna, que meu professor anterior fazia parte, não precisando mais de ordem ou de professor externos, mas já estando em contadto com essa ordem interna. 

Quando dizem aqui que você entrou contato com seu anjo guardião, ou com seu nous, ou com as partes superiores de seu ser, ou que desabrochou a rosa em sua cruz, ou a rosa do coração (no timo, na verdade) ou o lotus do seu coração ou que recebeu o Espírito Santo de Deus e ou que já está ouvido, ou, como dizemos, já alcançou a comunicação... Estamos mais ou menos falando da mesma coisa em diferentes linguagens. É claro que cada um pode ver de uma maneira, ou interpretar isso de uma maneira, mas a ciência da ordem só está falando de duas coisas, dois fatos, que podem ocorrer juntos ou um depois do outro: ou você acessou as partes superiores de sua mente e consciência (nous, isto seria longuíssimo de explicar aqui) e ou você entrou em contato com o mensageiro (anngelos ou mal'akh) encarregado de sua proteção e educação espiritual (na tradição chamado anjo guardião ou protetor, não cabe aqui também explicar). No mínimo isto é exigido para que você possa coordenar desde um grupo até uma fraternidade.

Você tem a opção de permanecer na mesma instituição e contribuir com ela, isto é trabalhar na mesma instituição e muitas vezes até mesmo local, ou criar outra (grupo de estudo ou pesquisa, fraternidade, confraria, denominação, ordem, etc.). Um de nossos mais conhecidos organizadores no passado fez assim, a segunda opção, e mudou o nome e características da instituição. Por um lado foi ótimo porque depurou, retirando aquilo que havia sido acrescentado e deturpado, mas por outro foi acrescentando elementos e características novas e de outras ordens que participava, criando como uma fusão. Isso com o tempo deturpou novamente a ordem (não sei se da parte dele ou dos sucessores) e mecheu com os fundamentos. Este é que é o grande problema desse tipo de funcionamento, então tem que novamente surgir sempre novos fundadores que restaurem a tradição ao que era, volte aos princípios e conserve os avanços da ciência. Mas isto também é uma grande vantagem, pois a ordem sempre se reorganiza sem depender de pessoas nem de instituições, mas apenas quando se reunem os mesmos princípios  os mesmos fundamentos e a mesma metodologia. Ou seja, ela sempre reaparece pura novamente basta que alguém ou algum grupo se reconecte à ordem original. E ela sempre realparece de tempos em tempos, em sua pureza original. Tive que contar isto para explicar esse terceiro elemento, pelo qual eu não deixo essa ordem. Eu também fiz essa mesma escolha. Ela está aqui em minhas mãos, é minha responsabilidade (que eu saiba não existe nenhum outro herdeiro nesse país a não ser de partes ou fragmentos do original).

A primeira ordem que participei, por exemplo, treinavamos aulas e davamos aulas, rigidamente controladas, uma vez, duas vezes por semana, por anos. Mas se alguém quisesse ensinar teria que ainda fazer um curso especial e uma formação fora do país e tudo isso ainda para só repetir o que alguém dizia sem apresentar provas ou evidencia (muitos de nós aliás, não tinha qualquer vivência ou prova do que estava falando e todos não sabiam realmente tudo que ensinvam). Isto é muito ruim. É assim que se criam seitas de fanáticos.

Nós não devemos apresentar doutrina nenhuma, descrição nenhuma que não esteja ao alcance do estudandte. As unicas vezes que falamos sobre isso é quando estamos estudando alguma religião, doutrina, filosofia ou tradição, então obviamente temos que dizer o que elas propõem, o que é que elas dizem, não necessariamente nós dizemos, nem estamos afirmando que aquilo seja uma verdade. Isto é que faz toda diferença.

Ninguém sairia falando por exemplo de Marte ou do Sol, de como é lá, sem poder levar você lá para ver, a não ser quando estamos estudando a ciência acadêmica, então temos que informar a você o que ela diz. Imagine quando falamos de coisas, como descrever planos de existência depois da morte ou como são os anjos ou os devas ou a quinta dimensão de um planeta! Não fazemos essas coisas, não contamos historinhas de seres invisíveis ou e.t.'s, seria ridículo.

Temos um método de trabalho, mas também temos um método de ensino. É como se estivesse estudando um curso de filosofia. Mas há uma diferença aqui, é que se você escolhar estudar alguma a fundo, não acreditamos em doutrinas. A princípio sim, você vai estudar, ler muito, mas o estudo de fato começa quando você se torna um daqueles seguidores, um praticante sincero daquilo está estudando, sua experiência tem que ser tão verdadeira quanto suas horas de leitura. Não se estuda de fora, tem que haver completa imersão, sendo um daqueles particantes sinceros do que você quer estudar (os mais velhos podem ter uma idéia lembrando do seriado A Ilha da Fantasia para os práticos e graduandos ou do Túnel do Tempo, para os estudantes, vocentem que viver aquilo, ou pelo mesmo ver, assistir aquilo), seu orientador não conta a você como é, ele só vai guiá-lo como mais experiente (como um Virgílio, na Divina Comédia). Essa é a difereça. Por todas essas características desse método, considero esssa a única ordem que conheço verdadeira e eficaz no que se propõe.


Então, aconteceu comigo que a princípio eu quis voltar para a ordem que me introduziu nessa comunicação, nesse contato, do meu primeiro professor de verdade. Mas temia suas exigências, e fui informado que naquele tempo sua organização já havia se degenerado, fiquei triste, e fui verificar o que era, demorei a perceber, mas quando li novas edições dos livros achei e mesmo os da época. Achei muitos erros nos livros (hoje não sei se de tradução, pois não sei a língua original em que foram escritos, tudo que pude ver foram traduções para o inglês, espanhol e novas para o português) e depois vi claramente nos sites, palestras em vídeos e aulas. Misturaram muita coisa de fora da ordem e até errada.

E hoje todos estão dando também palestas públicas para quem se interesse em inciar, vi professores conhecidos e não achei meu profesor principal, meu instrutor pessoal. Ou ele morreu ou como suspeitava saiu da organização, que ele parecia naquela época já estar muito além dela inclusive. E embora ele não me dissesse onde ela tinha faltas, de alguma forma me mostrava que haviam lacunas que eu teria que preencher, e coisas que eu não deveria levar tanto em consideração. Misturaram estudos de outros, de outras ordens, distorceram muita coisa.

Então entrei nesta outra ordem que contei do fundador nessa ocasião e quando me conectei novamente à ordem original saí dela, pois nela havia também muita mistura, com todo respeito a ambas as instituições, pois ainda assim é justamente devido a essa mistura que ainda atraem pessoas e algumas conseguem a comunicação (lembrando que esta é uma visão científica, não estou fazendo qualquer julgamento do aspecto da "doutrina" em sua eficácia ou veraticidade, a não ser dizendo que foi modificada em uma e levemente distorcida na outra ao ponto de ambas discordarem em alguns fundamentos originais). Creio que estudar outras doutrinas de outros jamais deveria implicar em alterar os próprios princípios e fundamentos ou acoplá-los aos próprios. Mas ambas fizeram isso.

Então preferi a segunda via, fundar minha propria faraternidade fiel à ordem original (que ainda segue em outros países e mesmo aqui em parte, de forma incompleta). Ademais essa segunda também tinha uma tradição, a qual também recebi, confesso, que hoje não é mais compatível nem com essa ordem, nem com minha religião. Só que eles por alguma razão a colocaram acima das outras (inclusive da tradição original pela qual a ordem foi fundada) e ainda recebeu uma, a qual eu também participava por fora, em outra ordem ainda, que embora colocada sob a primeira era ainda de enorme influência (principalmente fora do Brasil!). Acontece que essa tradição em muitos pontos contradiz a primeira, e ao deixá-la, também tinha que deixar a ordem pois é incompatível com meus objetivos e com os objetivos da prdem original.

Concluido, esses erros mitológicos e descuidos eram generalizados também na maioria das ordens que passei. Nesta não. Aqui trabalhamos métodos, as vias são de conhecimento, não são doutrina, obrigação, princípios, nem tomam o lugar dos fundamentos da escola. Os princípios e fundamentos da escola continuam na tradição há centenas de anos, inalterados. Não se misturam com o que é objeto de pesquisa.

Por essa primeira parte da resposta creio que está de bom tamanho esses três motivos pelos quais permaneço nessa ordem e como ela funciona. Nos próximos entrarei em mais alguns detalhes disso e em outras razões.

Se você quer saber quais foram essas doutrinas erradas ou impostas que presenciei ou  essas ordens que eu passei escreva um e-mail e podemos estabecer contatos por algum meio.

frateriliv@gmail.com

terça-feira, 16 de junho de 2020

As cinco vias eficazes 6 - Via Logikae

3. Via Logikae

Outra é a via da razão, chamada via filosófica ou da lógica por outros, ou lógico-matemática. Esta via busca alcançar a verdade através de reflexões racionais, lógicas, embasada nos dados colhidos na experiência, no que é recebido através dos sentidos, mas não sendo isto o determinante e sim as conclusões a que se chega através de análises, relações, comparações, processamentos lógico-racionais. Mas também é predominantemente a via da abstração, por isso não apenas parte de dados colhidos, mas muitas vezes parte já de abstrações, assim também o faz de forma matemática, partindo de números, teoremas, funções, figuras geométricas, equações, cálculos, etc..

Nós chamamos essa via de racional ou lógica, mas tradicionalmente ela é chamada filosófica, pois não se retringe à lógica, à razão, ou à matemática, ou simplesmente às relações das mesmas, ela engloba todo tipo de coleta de informação, incluindo a empírica, a abstrata, a científica, a religiosa, a epistemológica, etc.. E elaborando seu edifício através do pensamento, sobre essa base racional, cria aquela  sabedoria que podemos chamar de sistemática ou sistematizada, que define, examina e reexamina os conceitos, que definiu inclusive o que é ciência. Por esse mesmo lado podemos ainda falar que é uma disciplina espiritual visto que o intelecto é a ferramenta e o que é transformado, o receptáculo de toda a transformação e o depósito da sabedoria, e o intelecto é eminentemente espiritual, consciencial.

Quando estamos falando de espiritualidade, estamos, acima de tudo, nos referindo à consciência e nesta ao intelecto; pois não se trata do "coração" humano que é traicoeiro e sugeito aos gostos e desgostos, sugestinamentos, condicionamentos, desgostos e paixões, nem da alma (psique) que é a mente, os fenômenos, conteúdos, e funções mentais, mas sim daquele que é neutro (imparcial à opinião, gosto, cultura, etc.) em relação ao real: nele uma informação só pode estar presente ou não estar presente, se presente, ser aceita ou não aceita (posta em dúvida) por questão lógica, ser compreendida ou não, ser tida como comprovada ou refutada, ser duvidosa, ser tida como verdadeira ou falsa, após rigoroso e metódico exame. É o campo da análise. A intuição aqui só encontra duas opções, ou sim ou não, presença pu ausência, verdade ou falsidade, porque é único campo da consciência humana onde algo se pode provar completa e imediatamente, o intelecto, e invariavelmente através da lógica ou da matemática.

Quando falamos de expandir consciência de que estamos falando, senão de algo espiritual? E expansão de consciência é e passa fundamentalmente por expansão intelectual. A aquisição de compreensão lógica, linguística, e a percepção de relações e significados é trabalho do intelecto, é tomar consciência, e isto é também expansão de consciência. Não existe evolução da consciência, ela não pode evoluir, ela é o que é, como um espelho não evoluir por passarem mais imagens ou conhecimentos diante dele. Quando se fala de despertar, de expansão da consciência se está falando de lucidez e atenção e de trazer à consciência aquilo que está no inconsciente e aquilo que a consciência ainda não alcançou. É isso que temos que ter em mente.

E muitos desses conscientizados a serem adquiridos dependem ou só podem ser alcançados pelo intelecto e pela operação da lógica e da razão. Assim como se aprende matemática e se treina o raciocínio e a habilidade através de vários exercícios e respeondendo problemas, todas as demais habilidades do intelecto podem ser treinadas e expandidas. Essa é a real expansão da consciência. E por essa expansão novas capacidades podem ser descobertas, aprendidas e adiquiridas. O quanto menos formos místicos ou míticos nesse aspecto, menos tempo perderemos, mais realistas e próximos desse desenvolvimento estaremos (diferente dos que falam de magia, mediunidade, ocultismo, etc., coisas que só atrasam o desenvolvimento e a humanidade e levam à maiores ilusoes ao contrario de despertar).

A via filosófica analisa e trabalha todas as informações, as relaciona e pode gerar ou criar novas descorbertas nessa relação e análise, ela também examina as conclusões das outras vias através de seus métodos (assim como a ciência também o faz através de seus métodos). Não que as outras vias não façam também isso, mas que nesta via esse exame é o mais predominate, pois ela coleta questões e também gera questões sobres todos os conheciementos. Aqui predomina o elemento nous, além de ser o receptor das descobertas, epistemologicamente a consciência é a ferramenta e é ela que possui as leis e propriedades da lógica e da matemática em si mesma. A razão e o universo não as criam nem determinam, pelo contrário, a razão as descobre e o universo as obedece.

A razão existe devido a lógica (e não o contrário como entendem certos discípulos de alguns filósofos) e não existem duas lógicas, só uma. A razão raciocina, reconhece, descobre a lógica. E a lógica existe devido à matemática, aliás, o inverso também é verdadeiro. E estes são os dois primeiros retroalimentadores primários (e não mente e matéria como afirma outro, nem consciência e sensações e assim por diante (como eu mesmo defendi erroneamente em trabalhos anteriores na graduação)). Sim, as primeiras molas são abstratas, e tem que ser assim, porque são eternas, independentes, incondicionadas e imutáveis.

Mas podemos agora aqui, num texto que não tem esse objetivo, avançar mais um pouco, deixando aqui protegido, porém claro para os atenciosos e estudiosos, um princípio geral que também usamos para comprovar nossas conclusões, teses e teorias. A razão existe devido à logico-matemática, e esta existe devido a que? Ora, à consciência. É o que demonstram nossos experimentos, teses, cálculos, etc.. E eu pergunto apenas para efeito de exercício de raciocínio que pode ser feito pelo leitor: se não houver consciência onde pode existir lógica, matemática e qualquer outra abstração, seja ela exata como os números e a matemática ou seja ela "subjetiva" como significados, objetos, formas, cores, etc.? Pode existir lógica sem consciência? Como poderiam existir sem consciência? E como o universo segue uma precisão lógica? Ou seria porque há uma consciência que precede e suporta a existência do universo? Pense nisso.

Mas também existe a limitação da senda, mesmo que não pudessemos errar em nossos raciocínios, descobririamos tudo? E mesmo que descobrissemos tudo como é de fato, isto nos libertaria? Que relação há entre conhecer todas as verdades dentro da lógica e nos libertarmos desse estado presente de vida na matéria perecível? Nenhuma! É uma fantasia neo-gnóstica. Se colocassemos aqui em pé de igualdade grandes propositores dessa via como, eminentementes filósofos, Pitágoras, Parmenedis, Heráclito, Platão e Aristóteles (mesmo sendo às vezes Aristóteles mais justamente relacionado a empiria e à ciência e Pitágoras à matemática) podemos pergunatá-los sobre provas ou o tipo de garantia que oferecem sobre o conhecimento pleno da verdade, a salvação e transformação profunda que seus métodos poderiam gerar em cada pessoa e não encontraríamos uma resposta satisfatória a questão da salvação da morte, da existência limitada na matéria. Porque talvez, ou quase com toda certeza, estes não eram seus objetivos. Usar a filosofia, ou a especulação lógica pura ou matemática pura seria como usar uma ferramenta que foi elabaroda para uma função em outra função que não pode efetuar completamente, senão atuar como auxiliar.

Assim apesar de, como via de conhecimento e maneira de conhecer, ser uma via completa e bastante válida, para levar ao pleno conhecimento da verdade, à libertação dessa condição humana terrena, ou seja, à salvação, e à transfiguração humana, ou seja, à purificação, à transformação ou a volta a natureza original, ela é insuficiente.

Precisariamos conhecer uma verdade certa que nos levaria a libertação e como esta não é apontada pela simples lógica, muito pelo contrário, aparentemente ela é paradoxal, chegamos novamente num beco sem saida. Mas novamente no ápice do desenvolvimento e completude da lógica, depois de ter colhido todas as informações necessárias (empíricas, científicas, etc.) ela apontará para a via central como último e único recurso (nem que seja, para o menos preparado, por anulação das alternativas erradas).


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Os três principais objetivos...

Os principais objetivos ao longo do caminho não podem ser esquecidos. Muitos seguem mais seus objetivos anteriores, o que os faz se perder dos aqui adquiridos, ou pior, muitos ficam fora todo tempo porque seus objetivos pessoais, que eles ganham aqui um modo de realizar, não permitem que eles encontrem o real motivo pelo qual estão aqui, a razão de suas vidas...

Por isso nossa ordem presa por sempre repetir e lembrar de várias formas os principais objetivos de cada etapa, de cada nível da graduação.

O primeiro é despertar. A consciência não pode evoluir, mudar, aprender. A consciência é completa em si mesma já, o que ela precisa é despertar, expandir: a consciência precisa se descobrir. Isto é despertar. É ver ela mesma cada vez mais por inteiro, ver que ela é infinita, que nela cabe tudo, mas nem tudo lha convém. Despertar é conhecer a própria consciência é estar consciente  da consciência e de tudo que nela há. Expandir é conhecer a realidade, mais e mais e isto também é infinito, pois a realidade em todas as suas dimensões também é infinita, eterna e se desenrola eternamente. A consciência precisa despertar, se descobrir, sim, porque ela está encoberta, ela já é o que e mais quase toda ela está encoberta por objetos que a obstacularizam e por ilusões. Despertar é removendo esses obstáculos e ilusões e vendo o que ela realmente é. Expandir é ver o que ha nela e tudo que ela pode ver, é conhecer a realidade como realmente é, objeto da consciência e o que há nela. Isto é muito difícil. Por isso existe uma fraternidade e existem tantos métodos que devem ser usados. Ninguém consegue sozinho, porque ninguém é sozinho, aliás ser um ser separado dos outros também é uma ilusão, uma das maiores. Somos seres de um mesmo ser. Ser é ser com. Todos pensam que estão acordados e despertos, e essa é a maior ilusão de todas, enquanto você não notar que está sonhando, que não está desperto, que sua consciência é mínima, que seu estado habitual é de distração, sonho e quase alucinação como nos sonhos noturnos, você não fará nada para mudar esse quadro, você está conformado com seu mundo dos sonhos, com sua própria prisão. Mas quando você experimentar um pouco mais de lucidez, ou a consciência além da forma e dos objetos, ou a realidade do seu estado prisioneiro, você vai querer acordar, vai ver que o sonho é  pesadelo, uma prisão e vai começar a querer viver desperto ou pelo menos atento, consciente da consciência, pois de qualquer forma você ainda habitará nessa dimensão da consciência. Aí é que entra a etapa do segundo nível...

Em segundo lugar você precisa descobrir o que está fazendo aqui, porque você está aqui. Por que você está aqui, nesse mundo, nessa vida, nesse tempo? Você acredita no acaso? Não seria essa uma crença estúpida, aqui onde você vê que tudo vem de causas e condições? Descobrir porque está aqui, o que está fazendo aqui e o que precisa fazer aqui é a coisa mais importante da sua vida. Ninguém esta aqui por acaso. Existe uma razão para você estar aqui, uma causa, condições forama necessárias, mas existe também um propósito, objetivos, necessidades. Descobrir a razão pela qual você está aqui pode ajudar, é muito importante. Mas descobrir qual o propósito é mais importante ainda. Você nunca se perguntou, por que estou aqui? Pois bem, há um porque. Existe uma razão e um propósito para isso. Esse propósito é seu, é seu objetivo profundo, é seu objetivo, seu querer, sua  verdadeira vontade, isto é aquilo pelo que a pessoa verdadeiramente vai se sentir realizado  feliz, pelo, é seu, lá no amago você vai encontrar. Você nao sabe isso ou pensa que sabe. Quando você descobrir que não sabe ou descobrir o que realmente é, você verá como é uma questão muito abrangente, muito profunda, muito mais impactante do que essa vida aqui e tudo que há nela como objetivos. É algo que tem muito mais a ver com eternidade do que com esse mundo impermanente. Na verdade essa questão ainda é a mais imediata, mas ela pode ser bem mais profunda ainda, ir muito mais longe, pois você vai descobrir não apenas que essa estada aqui tem uma razão, uma causa e um propósito, mas também que existe uma razão para você existir e também existe um propósito para sua existência. Um propósito que precisa ser alcançado. É a meta pela qual você estará liberado das limitações ao atingir, liberado dessa prisão e poderá conhecer seu verdadeiro lugar, sua origem e sua verdadeira realidade, eterna. Se você já sentiu saudade de algo inexplicável, uma outra realidade ou um verdadeiro lar, deve já ter uma idéia do que estou falando. Mas alcançar isso é também muito dificil, por isso existe a fraternidade e por isso você precisa se comunicar com os planos mais elevados de existência, até poder penetrá-los, e tambem aprender a ouvir a instrução das partes mais elevadas do seu ser, e ouvir principalmente seu anjo guardião com plena clareza e certeza, que é o que não esqueceu de seu propósito e de toda experiência pela qual você precisa passar, e pode, bem melhor do que qualquer um de nós, ensinar o melhor caminho especificamente para você. E isto tudo tem a ver com a realização que você terá que alcançar no próxima nível, a próxima etapa a ser galgada...

O terceiro é a iluminação. Temos já apresentado em duas perspectivas o que é iluminação para nós. Mas é preciso saber que há outra, uma terceira. Iluminação tem primeiro um apecto que deve ser completado aqui com o que dispomos aqui e daqui, desse mundo, esse aspecto é o esclarecimento. O primeiro passo é fazer o que você está fazendo agora, adquirir conhecimento, esclarecimento, que vai levar ao discernimento, entendimento e compreensão, e ao final vai compor um campo de saber próprio, a sabedoria. Mas para isso é preciso ir além do que podemos e do que almejamos, é preciso ir além de nossas capacidades. Por isso o processo de iluminação começa antes mesmo do primeiro, com o estudo e prática no estágio preparatório, onde a pessoa está ainda decidindo, conhecendo, nosso trabalho. Depois se aprofunda, no primeiro pela ampliação da consciência, através da expansão do esclarecimento, do conhecimento, do entendimento, da compreensão, da inteligência, das capacidades de aprendizado, de leitura, de observação, de experiências, adiquire gradativamente a capacidade de ler a realidade (que a tradição chama de Librum Naturae)... Depois no segundo nível isto continua e o conhecimento mais interno começa, é adicionado mais dez vezes dessas capacidades; começa o conhecimento das partes internas da mente, da consciência, do ser, das outras realidades, dos outros planos, do anjo guardião, da relação de tudo com tudo, da relação de afeto, atração, amor; se você pensa que ama bem não chega aqui, aqui vai aprender a amar incondicionalmente, vai sentir a dor dos seres e a alegria dos seres, a prisão, as ligações, o amor divino... Depois o ideal é a dupla habitação, ou seja, a habilidade de à vontade estar nas dimensões elevadas possíveis de forma consciente e sem perder a memória do que lá acontece (já que essa memória não vai necessariamente para o cérebro), mas isso é muito dificil, sempre foi, e hoje é mais ainda (as pessoas que aparentemente esbanjam essa capacidade na verdade vão para planos projetivos, do plano do desejo, plano da esfera refletora, não plano de realidade); então embora nao deva deixar de haver experiências reais assim temos como mais comum ou primeiro o que é chamado de segundo nível de iluminação, que a tradição chama de inspiração, que é receber luz divina, isto é, quando o Eterno se revela claramente para nós de acordo com sua vontade, não a nossa, em sua misericórdia e amor, não por nosso merecimento. Isto é ouvir o Ser Supremo, ser o que a tradição chama de um Iluminado de Deus. Aquele humildemente escuta o Espírito Santo de Deus. E é levado onde for necessário que veja, que experiencie, que haja, etc.. Porque isto é muito difícil, por si mesmo, muito do que se vive aqui é impossível, só através de um poder muito superior a nós, de um poder supremo, do poder do Todo Poderoso, isto é possível e tudo que se realiza nesta fase. E aí que pode até acontecer ainda nesta vida o que você já conhece como segundo aspecto da iluminação (na verdade agora o terceiro) que é o pleno conhecimento da verdade e a libertação do condicionado, o livre trânsito nos palnos de realidade que agora são vistos como um plano só, inteiro, completo, pleno, realizado (na eternidade). Isto é o que muitos já disseram que está além das palavras e de toda nossa compreensão atual, que só pode ser compreendido ao ser, ao pertencer a este estado. É o que se chama retorno à pátria espiritual, ao lar, a verdadeira natureza, ao estado original, à pureza original, o céu;  é o que se chama reintegração dos seres. Esse último estágio pode acontecer ainda aqui, mas é muito difícil, normalmente acontece mais de se realizar nos planos superiores...

Em suma temos esses três estágios ou níveis que trabalhamos grau a grau (do 0°, exterior, fora, ao 10°, mais graduado, e deste ao 12° (se pudesse haver um 11°, seria então o 12°), que é fora de todas as prisões). Três níveis, primeiro, segundo e terceiro; dois aspectos no primeiro, da consciência, despertar e expandir; dois aspectos no segundo, da vontade, descobrir a razão e o propósito; e três aspectos no terceiro do amor, conhecimento direto, iluminado de Deus, e libertação plena. Três níveis, sete aspectos. Três vezes iluminação...

Frater I.L.I.V.
Entre em contado para estudos, inscrição ou informação: frateriliv@gmail.com

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A Ordem - parte 4

[C] Enquanto regiões ou estados ou níveis de existência, um uso muito comum é se chamar de dimensões, embora não seja uma palavra adequada. Uma palavra tradicional é plano (daí a palavra planeta, uma subdivisão dentro de um mesmo plano), outra é região (que derivou de ser antes chamado locus), e mais modernamente níveis (principalmente a partir da descoberta dos vários tipos ondas e de frequências vibracionais). Mas o fato é que nenhum desses termos sozinho define bem esses estados do existir.

Dentro da ordem existem muitos níveis de existência e dentro de cada nível de existência existem sub-níveis e formas vibracionais diferentes, e existem manifestações da Ordem em alguns desses. Mas não vamos tratar aqui do que não possa ser testemunhado por você imediatamente ou de algo sem comprovação, nem tampouco de descrições de outros mundos ou outras dimensões como fazem muitas ordens sem jamais demonstrar na realidade aquilo que estão descrevendo como ciência, mas que na verdade é apenas matéria de crença. Vamos tratar do observável e aquilo que não é observável (diferentes comprimentos, formas, frequências de ondas e de vibração atômica, por exemplo) com base no que a ciência normal já nos informou.

Para não me alongar ou terminar repetindo o já muito sabido, vamos usar a palavra plano para os diferentes níveis vibratórios (da matéria-energia e do que está além dela, além dessa matéria conhecida e além de toda matéria-energia) onde a consciência humana alcança (é bom frizar 'humana', pois a onisciência abarca tudo, todos os níveis, muito além do que podemos, e mesmo os humanos e outros seres logo a deixarem seus corpos já alcançam aquelas que pareciam inexistentes, mas com incrível lembrança e familiaridade, temos milhares de relatos analisados pela ciência a esse respeito). Não trataremos agora das "substâncias", mas da manifestação perceptível a nós (por exemplo, num sonho, apesar de estarmos num mundo mental temos percepção de matéria, de solidez, etc.), ou seja, de qual plano de existência os fenômenos estão ocorrendo.

Mas quando se usa a palavra dimensão isso gera  confusão, pois aqui vivenciamos na matéria quatro dimensões (a quarta não é o que muitos ocultistas dizem ser, é a temporalidade dessas mesmas três conhecidas), mas além das dimensões da matéria já também vivenciamos a quinta e parece que os ocultistas insistem em ignorar esse fato e atrapalhar todos que queiram avancar nesse campo projetando barreiras e mil obstáculos a serem vencidos para ter consciência da quinta dimensão, que supõem ser ou chamam sem saber porque, de astral. Entretanto a quinta dimensão está sendo vivenciada por você agora quando lê esse texto. Ela é a dimensão do pensamento, da imaginação, dos sentimentos, dos desejos, dos planos, etc.. E ela é chamada tradicionalmente de plano do corpo de desejo por vários pesquisadores das ciências antigas. Mas não vamos nos alongar sobre isso, pois dentro dela existem muitos níveis, subplanos, muitos planetas (percebe?...) assim com esta dimensão material tem seus planetas materiais, esta outra tem seus planetas ou regiões e subplanos vibracionais.

A sexta dimensão também está ao seu alcance aqui agora, ela tem sido chamada por muitos de dimensão mental (mas a anterior também não é mental? Isto é apenas uma convenção tradicional). Nela se encontra o entendimento, a compreensão, a razão, a lógica, a análise, etc..

Claramente nenhuma dessas duas descritas podem se enquadrar de forma alguma nas quatro que envolvem a matéria a não ser em semelhanças (de imagens e no discorrer da sucessão de eventos formando um tecido de cenas semelhante ao tempo, à quarta dimensão da matéria-energia, mas mesmo esse "tempo" pode ser bem diferente...).

A sétima dimensão também está ao seu dispor aqui agora, é a dimensão da consciência, esta não é de forma alguma uma função da mente nem está contida nela como imagina a ciência acadêmica, pelo contrário, a mente e todas as outras dimensões estão contidas nessa, dependem dessa para que possam existir. Nesta dimensão se encontram a intuição (gnosi, o conhecer e o reconhecer), a comunhão (o conhecimento profundo, de fato, conhecer íntima e detalhadamente, gnoskousin, em grego) e o discernimento (diákrisis, diferenciar, identificação, ética, moral, conhecimento das relações), isto falando de maneira resumida só para apresentá-las.

Mas agora é que vem a área em que todos esses modos errados de classificação e descrição estão de fato corretos em certos pontos (poucos, mas suficientes para levar a crer nas milhares de explicações superficiais e erradas que apresentam): estas dimensões que estamos vivenciando agora mesmo como que entrelaçadas (e por isso mesmo tendo uma cosciência bem limitada de cada uma delas) não se misturam como parece! Você não pode fazer uma amálgama de matéria e pensamento, nem um pode sentransformar no outro. E mais, esses planos de existência podem ser vivenciadas separadamente (todos vivemos separadamente, por exemplo, todas as noites no mundo do desejo, quando estamos dormindo, quando estamos sonhando).

Você pode vivenciar a dimensão do pensamento pura (onde está o chamado corpo de desejo ou corpo astral), pode vivenciar separadamente também a dimensão mental. E ainda que com certa dificuldade, pode vivenciar em separado a dimensão da consciência pura (por consciência ser o dar-se conta, o notar, o testemunhar é difícil que ela não esteja notando algo pelos sentidos ou que esteja ocorrendo na mente, mas com um pouco de treinamento podemos voltar a consciência sobre si mesma, ou seja, a contemplar a consciência pura, sem os objetos da consciência). Paradoxalmente quase todas as vivências humanas nessa dimensão em sua pureza são inconscientes (e isto explica porque vemos a humanidade como doente; os animais, por exemplo, vivem quase o oposto disso, vivem mais conscientes lá e aqui de forma mais inconsciente, mecânica, por isso mais instintiva e limitada). Isto ocorreu desde a queda da natureza original para esta natureza decadente.

Que essa natureza é caída não é dificil provar, pois tudo (mormente no plano mateiral) está em decadência, deteriorando-se, desorganizando-se naturalmente. Por vermos alguma ordem onde impera a lei física da entropia podemos concluir que "algo" ordena essa desordem imperativa natural. Nós temos um dito, "a Ordem ordena a desordem". Mas provar que há uma Ordem eterna é um pouco mais complexo. Porém é possível ao experienciar os planos da consciência pura, onde não existe sequer o tempo, temporalidade, pior ainda matéria ou energia a ser deteriorada ou transformada ou consumida. Por isso temos que conhecer métodos de experienciar esses planos.

Cada plano deste existe em si mesmo e é subdividido em vários sub-planos. Os planos,  chamados regiões, não se misturam pois são de vibrações muito diferentes, porém exercem influências múltiplas uns sobre os outros nas zonas de proximidade vibracional e nas suas margens (como, por exemplo, o corpo interfere na consciência porque tem o plano mental como intermediário, a mente interfere no corpo porque ambos tem margens de vibração mais semelhantes).

Não se deve confundir os planos de natureza mental com os de natureza conscienccial como fazem os ocultistas e espiritualistas (que confundem os planos da alma, da mentes com os do espírito, da consciência) e também da mesma forma nao se deve confundir os planos que se situam na esfera da natureza caída com os da esfera da natureza original, por mais elevados que esse sejam ou que possam parecer. Os planos descritos acima que se situam nessa natureza não passam de sombras e reflexos limitados diante dos planos da natureza original. Todos os esforços de auto-construção auto-salvação, evolução, espiritualização, etc., são em vão se não forem dirigidos corretamente, pois seus resultados são nessa esfera caída, também chamada de esfera refletora, resultando em grande engano.

Exemplos disso podem ser vistos nas religiões, ordens e especialmente nas seitas pseudo científicas. Confundem o que chamam dimensão astral com regiões elevadas ou espirituais; confundem experiências mentais e emocionais com espirituais; confundem o fluxo de consciência momentânea com a consciência pura; outros confundem as regiões dos mortos com as celestiais, e as regiões do plano do desejo com as do plano mental e do espiritual. Espiritual é apenas o que é consciencial e mesmo que tenham certa noção e falem de inferior e superior, ambas ainda no geral são na esfera caída, portanto, de verdadeiramente espiritual, se formos rigorosos, seria apenas o consciencial na esfera original eterna. Na tradição cristã temos o termo hades, região dos mortos, que se divide em região de desgosto (de "pranto e rager de dentes") e região agradável (seio de Abraão, abaixo do trono, etc.), esta última não pode ser confundida com o céu. Céu (heaven em inglês) é um estado definitivo, final, está na esfera da Ordem original. O lago de fogo geralmente é chamado inferno, palavra que nem existe na Bíblia, nela existe geena, hades e sheol, e nenhuma dessas equivale ao que se chama inferno no budismo ou no hinduísmo. A noção de inferno vem da tradição budista, é a região mais baixa onde os maldosos renascem. Na tradição budista temos seis reinos, inferno seria o mais inferior deles onde estão duas classes de seres. Seria como se dividissem nosso esquema do oito em três esferas em vez de duas, duas celestiais, a material contendo os reinos animal e humano e as duas inferiores contendo pretas e assuras.

Hoje misturam todas essas palavras e tradições e rotulam experiências pessoais com esses nomes, como experiências reais vividas nessas regiões, quando na verdade dificilmente saem do plano  do corpo de desejo, por mais regiões que alcancem em seus sonhos ou saídas do corpo. E pior, praticamente todas as experiências, práticas e aspirações destes se dirige a regiões que ficam ainda na esfera inferior, caída, esfera refletora, natureza decadente, parte inferior do oito, um ciclo num mundo temporal, insatisfatório, impermanente, egocêntrico. Uns falam falam em evolução e reencarnação como se fosse algo ótimo e libertador, mas por um momento consideremos que isto seja assim, e perguntemos que libertação é essa que volta sempre à mesma prisão, ainda mais esquecido de tudo que aprendeu e de tudo que tem que fazer? Novamente, todo esforço será em vão se leva a permanecer nesse ciclo inferior do oito, é prisão, perdição, alienação, morte, esquecimento. Voce sabe disso! Você está esquecido exatamente agora. Porém nosso objetivo deve ser o retorno ao mundo original, ao lar, à nossa casa, não uma migração para estes outros, e sim uma reintegração à nossa verdadeira natuteza eterna, livre do sofrimento, do esquecimento, da morte, da separação...

A Ordem tem sua própria maneira de se manifestar exatamente dessa forma, em vários niveis, ou dimensões e em sub-níveis ou níveis vibracionais diferentes dentro de uma mesma dimensão. Porém, ela não deixa de atingir o caos, não deixa de atingir esse mundo. Essas dimensões de existir ou de expressão ou de manifestação são também manifestações onde a ordem se expressa... Cada nível destes possui vários sub-níveis vibracionais, portanto, várias "sintonias". E a ordem dentro de cada um desses limites tem suas zonas vibracionais de ondas, com as quais se pode sintonizar, mentalmente e consciencialmente. É como ter partes da ordem original (da parte de cima do oito) aqui na parte caída (a de baixo do oito). Esta sintonia acontece de muitas formas, por exemplo experiências lúcidas, sonhos lúcidos, visões, músicas, sons, conhecimentos, vontades, sensações, percepções, sentimentos, pensamentos, lembranças, etc., em conexão com esses níveis. Mas também podemos aprender maneiras de obtermos mais à vontade esta sintonia e experiencias. E isso ocorre também sistemática e formalmente através de escolas espirituais, religiões, grupos, ordens, etc., em niveis e níveis, para alcançar todos os tipos de pessoas, estejam elas no nível que estiverem.

Porém não é sobre essas últimas que estamos tratando agora (que ja foram tratadas em outro tópico) e sim sobre as primeiras: existem escolas nesses mundos, nesses diferentes níveis, das quais somos frequentadores (uns apenas estudantes delinquentes, é certo, que faltam às aulas e insistem em fazer o contrário do que aprendem nelas, mas não vamos culpá-los, afinal, você tem consciência disso? Eles não.). Então um dos nossos objetivos é tornarmos-nos conscientes e voluntários nesse aprendizado. Conhecermos não apenas essas dimensões, mas principalmente as dimensões de nosso ser. O objetivo a princípio é estar presente conscientemente em todas essas dimensões (inevitavelmente já habitamos todas elas inconscientemente).

Mas para isso precisamos despertar e dicernir essas dimensões aqui agora, a partir dessa plena manifestação e reconhecermos nela o que pertence à ordem original e o que não pertence. Existem milhares de pessoas que não sabem dicernir sequer entre sua propria mente e sua consciência, entre a mente e os fenômenos mentais, entre pensamentos voluntários, conscientes e os pensamentos automáticos, mecânicos, entre desejos instintivos e vontade e objetivos... Quão distantes podem estar do verdadeiro bem, os que não distinguem o "sabor" das vibrações de casa, da ordem original e da consciência desperta, do sabor dos prazeres e alegrias do mundo e das vaidades?! A tristeza por esse estado, a busca pela pátria perdida e pela verdade, o anelo de ajudar os demais perdidos, o esforço para estar consciente e vigilante, a alegria em estar em sintonia com o Supremo Ser ou de servir ao Eterno, são exemplos de atitudes ajudam ou que podem estar sintonizadas com as regiões vibracionais da Ordem. Estamos falando aqui em linguagem científica, mas esteja você como estiver, na linguagem da religião, da filosofia, da arte... se já esteve alguma vez nessa sintonia ou pelo menos já sentiu alguma vez saudade do paraíso, de um lugar que talvez nem sequer consiga imaginar, mas tem verdadeira vontade de estar nele, então sabe do que eu estou falando...