segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A Ciência da Verdade

Nossa ordem é científica, mas não simplesmente ciência exploratória, especulativa ou invertigatigativa, que parte do sensível para o intelecto, de baixo para cima, ou que investiga de fora para dentro múltiplas tradições e modos de ver a verdade. Pois há nela, em contrapartida, partindo do intelecto para o sensível, uma revelação pura, espiritual, vinda do alto. Uma das maiores difernças entre nossa ordem e outras ordens é que as outras vêm de revelação humana ou têm sua origem em pessoas, em tradições, ou divisões de outras ordens, ou de religiões, ou de escolas, ou sincretismos, ou supostos espíritos, ou seres supostamente superiores, sendo baseadas no conhecimento humano e experiência humana. Nossa ordem é uma revelação do próprio Onisciente, do Ser Eterno, de Deus a pessoas (por isso não simplesmente transmitimos isso, mas ensinamos a obter pessoalmente esse relacionamento), e estas pessoas, seja qual for sua origem ou seu entendimento, tiveram a mesma revelação, e ensinam a mesma mensagem, e trabalham em algum campo para restaurar a inteira verdade tanto das revelações antigas (que continuam as mesmas e não há nenhuma nova senão a mentira, o desvio e a mistura). Por isso esta mesma revelação antiga se torna sempre novamente boa nova, por restaurar a inteira verdade em sua completude e ligar os pontos que foram separados levando à compreensão profunda do que parecia sem resposta e trazendo de volta o que foi abandonado por uns e regeitado por outros, e limpando a sugeira outrora depositada por outros como uma mancha que não apenas maculava a mensagem, mas de certa forma a destruía e anulava.

Essa mesma mensagem tem sido proclamada por milênios da mesma maneira por diferentes anunciadores ou restauradores, por diferentes pessoas, em diferentes lugares, que embora não se conhecessem, falam a mesma coisa, pois receberam uma incumbência do próprio Deus, de restaurar a verdade original e o significado original, bem como revelar verdades em algum campo ou campos específicos que se constituiram, depois de muitos desvios e deturpações, grande instrumento de engano e perdição, mas que por esse meio, através da graça do Eterno pode ser restaurada e revelada na sua forma original antes dessas adulterações, mutilações e corrupções. O trabalho humano consiste apenas em buscar sinceramente a verdade e encontrar as fontes originais que servirão de provas ao nosso cetismo, o restante, toda obra é de Deus que revela a verdade que liberta, que efetua a salvação e toda vontade e ação conforme o objetivo, restaura e confirma as verdades e refuta o enganos e mentiras, torna claro como águas transparentes o que antes se mostrava oculto e misturado como águas lamacentas.

Acontece que as antigas tradições não são como uma sugeira desprezível, pois elas bem ou mal serviram para conservar de alguma forma as verdades reveladas em sua trajetória progressiva de acordo com o que a condição humana poderia suportar, compreender e aceitar, mas por outro lado elas são aapenas como sombras diante da verdade. O apegado às formas e fórmulas não pode perceber e reconhecer os significados e as revelações, nem distinguir as verdades das falsas interpretações. É preciso entender duas coisas, a primeira que essas tradições apontavam para um mistério, e que esse mistério já foi revelado. E a segunda é que assim como as sombras são muito diferentes daquilo que as projeta e nem toda sombra mostra com exatidão o contorno do corpo que representa, essas tradições tem muitas diferenças, umas mais inexatas que outras, e que apenas uma pôde ser a mais próxima do que pretendia, sem saber, representar; e ainda assim mostrou apenas os contornos, ou seja, apenas a superfície do que é toda a verdade. O objetivo específico que estas tradições representavam como sombras ou pobres encenações de verdades eternas já se revelou, de modo que não precisamos mais como tolos tentar mudar as sombras ou entendê-las, mas já olhar diretamente para o que as projetou e interagir diretamente com ele! É essa a alavanca de independência de todo verdadeiro iniciado, a qual depois que já a poossui pode caminhar sozinho e não precisa que ninguém mais o ensine pois seu negócio já é diretamente com o Eterno e sua relação com seus irmãos é compartilhar e com a humanidade ensinar. Assim também é a verdade de algumas dessas tradições que a ordem vem revelar de dentro para fora e religar o que parecia deconexo, ou sem sentido, ou até mesmo antagônico, revelando quais são essas tradições, seus segredos e profundos significados, ensinando sua melhor utilização e provando quais são seus verdadeiros objetivos e os modos de atingi-los.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Categorias de Ordem (com a parte que faltava)

Ordem pode ser compreendida em vários níveis ou dimensões de ser. Seria muito longo descrever ainda que sucintamente todos eles, mas devo resumir agora alguns dos principais níveis apenas em termos de manifestações. Ordem pode ser compreendida (A) enquanto seres (e níveis de ser (ou platôs), (B) enquanto organização (e instituições), (C) enquanto regiões (ou estados ou níveis ou platôs de existência) e (D) enquanto plenitude (ou Supremo Ser ou completude, ou visão integral).

(A) Enquanto seres, a ordem pode ser classificada de várias maneiras, uma bem ampla é por habitação ou natureza dos seres, assim constituída por (1) seres que nunca caíram e permanecem na Ordem, em sua natureza original junto com seres da ordem que retornaram da queda e seres restaurados à natureza original, estes estarão já na mesma natureza; (2) seres da ordem que querem e ou que já estão regressando à Ordem, que têm alguma intuição verdadeira ou ligação definitiva já com a Ordem, embora estejam imersos na natureza corrompida, estão em processo de retorno, eles estão junto com os demais seres constituem a ordem apenas (não que estejam excluídos do processo, mas estão inconscientes dele, isto também está na equação da ordem completa...) e nem fazem ideia da existência de uma Ordem suprema ou não querem escapar da natureza corrompida nem restaurar sua natureza original, estão nessa mesma natureza, a diferença é que não têm ligação nem sintonizam com a Ordem superior, estes últimos vagam pelo mundo como se isto fosse tudo.

Esta é uma categorização didática que também
ensina a desviar-se da terrível mentira que diz que "todos já estão salvos" e ou que fatalmente "um dia todos encontrarão a verdade" e que seriam restaurados: na verdade isto não pode ocorrer se não for da vontade destes. Mas
existem outras formas mais específicas de categorizar os  seres. Por exemplo, numa mesma dessas duas dimensões de existência ou naturezas existem pessoas sintonizadas em diferentes níveis, vivendo no mesmo mundo, mas vendo mundos quase completamente diferentes.

Um ser enquanto indivíduo enquadrado em uma dessas categorias pode estar participando de um
grupo ou não (os grupos estão no próximo tópico), mas independente disso ele é o que é chamado tradicionalmente um vaso, ou seja, um receptor, que podemos equiparar a uma antena ou um aparelho, que recebe informação até o nível onde possa captar, através de sua sintonia (como e porque isso acontece não é tratado aqui). Ele sempre está sintonizado com algum nível de uma das duas naturezas (as naturezas estarão nos tópicos seguintes), não há escapatória para isto.

Quando o ser-indivíduo capta das partes de seu ser mais próximas da Ordem, na tradição
ele é chamado um templo (ou “vaso vivo”); só quando ele tem consciência disso e ou transmite e ou se organiza com outras pessoas em função disso, ele é chamado um iniciado, é um templo ativo ou templário (templário aqui não se refere ao que realiza serviços ou rituais em templos, etc.), ou seja, aquele que se tornou um vaso, um receptor da Ordem: um templo do Eterno. Estas são categorias em que se enquadram todos os seres. Mas ainda existe uma categoria especial como a dos animais, eles se enquadram de uma forma diferente nas duas categorias.

(B) A Ordem como organização manifestada no mundo, aparece como associações, ordens, escolas, fraternidades, sistemas e instituições diversas, em diferentes épocas e lugares, com diferentes nomes. Também surge como ideias, vontade e afeição junto a um conhecimento, que é recebido, gradual e intuitivo, em alguém, em pessoas, em mentes. A ordem manifesta (Ordem e ordem), em alguma instância desse mundo, é o que chamamos 8, esta em sua organização formada de seres-mentes, consciência, ideias e leis (e vontade e afeto) é a que nos referimos com a sigla O.I.T.O. (Ordem iluminacionista do Templo do Onisciente). Essa manifestação específica, da qual estás tomando ciência agora, aqui é denominanda F.I.T.O. (Fraternidade dos Iluminacionistas do Templo do Onisciente) que é manifestação exterior da Ordem de origem, que chamamos de O.I.T.O.; a F.I.T.O. e todas as suas ramificações e fraternidades e confrarias coirmãs estão todas incluídas no que normalmente chamamos de "nossa ordem". Mas outras, mesmo quando são autênticas são chamadas de "outras ordens", pois usam outras linguagens, assim, quando dizemos outras ordens estamos falando somente de outras ordens, não estamos necessariamente dizendo que são corrompidas nem que são autênticas, e estas estão classificadas anonimamente em outras siglas gerais (que serão vistas mais adiante em outras publicações).

Outras ordens autênticas ou remanescentes que podem ser classificadas no mesmo tipo ou origem (direta ou indireta, da O.I.T.O.) não são citadas nesse trabalho, mas elas podem ser entendidas como uma das manifestações multiformes da mesma O.I.T.O. para atender alguma das razões citadas anteriormente,
embora dificilmente sejam simultâneas. São classificadas como outras fraternidades, equivalentes à F.I.T.O.. Uma porta específica que se abre diretamente para entrar nessa fraternidade é a O.I.E.O. (Ordem Iliminacionista Estrela de Ouro, também chamada de Ordem Terapeuta Estrela de Ouro).

Existem outras portas, classificadas sob outras siglas, mas esta está em linha direita de ligação com os dois outros elos acima. Isto é uma grande diferença, por isso quando falamos de nossa ordem de forma mais geral estamos nos referindo a esta corrente, composta desses
três elos (O.I.E.O., F.I.T.O., O.I.T.O.), e quando falamos dela de modo mais específico estamos nos referindo a esta última. Já sobre outras ordens equivalentes à O.I.E.O. podem haver em maior número, mas de ligação indireta ou herança de uma manifestação anterior. Não cabe aqui falar de outras correntes ou ordens ou atribuir a elas origens (iguais ou diferentes da ordem verdadeira), e sim falar sobre a nossa própria ordem e sua origem. Por essa razão esta parte está aqui, para que se conheça a ligação com o que estamos expondo, a Ordem maior.

(C) Enquanto regiões ou estados ou níveis de existência, existe a Ordem como o Supremo Ser, Eterno, Onisciente que precisa ser entendida pela lógica imbatível para que um membro seja introduzido na ordem conscientemente e sintonizado à Ordem. E existe Ordem como local e estado, plenitude e perfeição. Já ordem se refere a todos os mundos transitórios, pois estão fora da Ordem enquato naturezas, mas estão dentro enquanto parte do processo, do propósito e do resultado.

(D) E enquanto plenitude (ou Supremo Ser ou completude, ou visão integral) Ordem é o Supremo Ser, ser completo, pleno, eterno, a visão do Onisciente. E para as criaturas é a experiência eterna em estado de plenitude. A diferença é que o Supremo conhece toda eternidade (e, obviamente, tudo nela e muito mais) e os seres passam a eternidade conhecendo; um é eterno presente, incompreensível agora para nós e nós outros eternos gerúndios, de eternidade em eternidade.

O que é superior, mais supremo, ser consciente ou ser inconsciente? Logicamente é ser consciente. Só que ser supremamente consciente vai até bem mais além disso, é ser onisciente. Para que hajam diferentes consciências e elas tenham diferentes conteúdos e conteúdos em comum e conteúdos de fenômenos e coisas do passado é preciso que haja uma consciência onisciente que se conserve incondicionada. Ela é luz viva.

Se lhe perguntassem se você queria ter uma consciência mais elevava e até bem acima da normal humana ou a mesma consciência que uma pedra, qual você escolheria? Se escolheria ser como uma pedra nem deveria estar lendo isso, aliás, não é bem vindo em nossa ordem como membro, pois ela não lhe serve.

O que é superior, mais supremo, ser pessoal ou ser impessoal, ter características superiores ou não ter nenhuma característica, ter vontade própria ou ser um autômato, mecânico? Obviamente, que é ter características e estas serem superiores; e é ter vontade própria. E o Supremo Ser é supremo ser, não é supremo não ser, nem não existir. Ainda vai além disso, por sua natureza emana toda vontade e por sua vontade se define o que é característica, além de pessoal é supra pessoal, pois abarca todas as pessoalidades e consciências, e ainda as transcende, permanecendo sempre em suas próprias características, ou seja, a transcendência da pessoalidade como entendemos, não deixa de ser uma característica pessoal.

O que é mais supremo, é ser submetido a leis justas, mecânicas, automáticas, infalíveis e invioláveis ou ter afeição, escolha, amorosidade e amar e reger tudo com equilíbrio, equanimidade, cálculo completo das consequências e bom senso? Obviamente a segunda opção é a superior. Os que caracterizam o Ser Supremo como submetido ou fabricante de uma mecânica ou das características do primeiro tipo, mais se parecem com os que crêem que tudo surgiu do nada e resultou no que é hoje pelo mero acaso, ou seja, é uma crença estúpida, teimosa e arrogante.

Supremo Ser ainda vai além disso, ele é o próprio amor, é amor vivo, é o próprio amar. Por isso existe algo, pois a suprema vontade é impulsionada pelo afeto. A consciência por si mesma é neutra, ela testemunha tudo inclusive a si mesma, mas a vontade é toda expansão, não sem que o afeto, amor, união, atraia e comprima. Essas são as três forças primordiais sem as quais não pode haver existência. O afeto é fruto da consciência, e a consciência é fruto da vontade, mas a vontade é fruto do afeto, do amar. Esse ciclo fechado poderia permanecer eternamente, mas o amor do Supremo vontadeou a existência de seres amados e teve seres como alvo.

Essas são as características que por muitas vezes vem sendo ignoradas, omitidas ou negadas ao Ser Supremo. Embora outras são admitidas como onipresença, onipotência, eternidade, imanência e transcendência. E embora seja uma palavra
inadequada tem sido chamado de Deus. Em nossa ordem o Ser Supremo se faz objeto principal de investigação, pois é sua vontade que esteja em nossa consciências, em outras
palavras, quer ser conhecido. E investigamos a fundo não apenas ao ponto de comprovação, definição e caracterização, mas seus aspectos, linguagem, apresentação, e sua criação, leis, nomes, matemática, geometria, epistemologia, ontologia, tautologia, cosmologia e psicologia. De tal forma que tudo que será entregue ao
estudante é irrefutável, tanto por sua razão lógica, quanto por sua experiência, intuição, vontade, etc.. Mas um conhecimento diferente, íntimo, muito íntimo...

E os meios de atingir por si mesmo as mesmas conclusões (antes que as demos) que nós, são infalíveis se a pessoa seguir as instruções.
Portanto está fora de cogitação toda doutrina ateísta, humanista, materialista, mecanicista deista ou que fale num Deus impessoal, ou de apenas justiça, ou mecânica ou leis, ou força, etc.

Aspectos tomados como simbólicos da triunidade suprema muitas vezes tem sido confundindos ou mesmo se perdido aos longo de muitas tradições, aqui recuperamos: como consciência, vontade e afeição ou amor. Já foram conhecidos como luz, vida e amor e isto não é erro, mas a incompreensão disto e a negligência levaram a
incompreensão do perfeitamente compreensível, e do que eta antes conhecido como revelação ser blasfemado como mistério, como se um triângulo só pudesse ser entendido como três retas e não ao mesmo tempo como uma única figura, uma única unidade. Isto é absurdo e não compreender intelectualmente algo tão simples é a prova do
afastamento da realidade, de estar se afogando na própria desgraça, de amor ao caos, como não ver isso? Como não entender algo tão simples quanto a unidade de um triângulo? Realmente a verdade foi concedida aos simples e aos sábios em seu próprio conceito restou a cegueira e o
“mistério”.

Isto, essa tríade una se repete em tudo, mas especialmente em nós, que somos como o Supremo: consciência, mente e corpo; ou
tradicionalmente conhecido como espírito, alma e corpo. Espírito é igualmente uma triunidade de consciência, intuição e comunhão, e assim por diante, os outros dois também são triunos. Em nós isto é o espírito, a consciência em si e seus aspectos ou faces. A psique é traduzida e conhecida como alma, é a mente. E a vontade em nós equivale ao corpo, o corpo nada mais é que a corporificação da representação da alma. A vontade, no universo, são todos os corpos, todas as forças, vontade não pode não se realizar como algo, e em nós ela é o corpo e tudo que é depositado nele, tudo que pertence a corporeidade é vontade. Nos mundos, em todos, a vontade é a forma, no nosso mundo a vontade é a forma material, no mundo da Ordem é a palavra, o verbo, a vibração, a pessoa, a razão e o corpo do Supremo Ser...



domingo, 16 de fevereiro de 2020

As cinco vias eficazes 5 - Via Empeirikae


2 Via Empeirikae

Outra é a via da experiência,  chamada via do empirismo ou via empírica (ou mística por uns outros). Esta via confia mais nos sentidos, nas percepções e em tudo que constitui a experiência empírica. Uns vão um pouco além da experiência material, observando as experiências mentais e por meio de análises tiram suas conclusões. Outros vão aindam na direção de experiências metafísicas (se é que podemos realmente chamar assim). Mas alguns vão além disso e terminam confundindo experiências mentais com espiritualidade.

Nós identificamos esta como via da experiência porque ela ambrange toda experiência, seja através dos sentidos ou a chamada extra-sensorial; seja material, mental ou espiritual (quando há alguma); seja da vida cotidiana ou as chamadas paranormais e metafísicas. Está esta via impregnada em várias tradições filosóficas, sempre identificada como empiria, indo desde o ceticismo empírico até à análise metafísica empirista. Há também os que a negam, afirmando que nenhuma experiência pode mostrar qualquer realidade ou negando que possam existir fatos empíricos (podemos chamá-los de empiristas negativos, mas de fato não são empiristas, pois adotam uma postura apenas para negá-la). Nesta via também predomina o aspecto thelema, mas aqui ele é regido por nous (consciência), é nous que recolhe as experiências apesar da vontade ser a que busca as experiências, ela as busca para a consciência.

Esta via está na base da via científica, pois a parte experimental da ciência se baseia em sua quase totalidade no que pode ser percebido ou observado, experimentado. A ciência moderna que surgiu na ordem rosacruz e foi exteriorizada e sistematizada por Bacon, um rosacruz, e outros, não tinha a intenção (nem nunca teve antes de sua sistematização) de excluir as investigações mentais e espirituais, pelo contrário, esse era o centro, e suas principais descobertas estavam nesse campo (que infelizmente teve que ser escondido e muito realmente se perdeu).

A ciência acadêmica desde seu início estava envolvida em pesquisas como as nossas, de natureza também mental e espiritual, mas logo foi perseguida pelo papa da época. Só após um acordo Descartes pode continuar suas pesquisas e escritos, sob a condição de que se restriguissem ao campo da fysis, ao campo material, e que a parte relativa à alma e ao espírito fossem deixadas à autoridade do vaticano.

Infelizmente e sem saber os cientistas de hoje, com seu preconceito em relação à metafísica e tudo que seja similar, apenas obedecem tacitamente a esse acordo da época. E embora critiquem a igreja de Roma não fazem mais do que obedecê-la (como uma criança, que embora saiba que o bicho papão não está no armário, ainda não se atreve a abri-lo e ri dos que vão investigar o que há realmente nele). Assim os cientistas que não aderiram a esse acordo e continuaram suas pesquisas ocultamente foram perseguidos e mortos e os que sobreviviam eram tachados de místicos (e até tidos como bruxos e feiticeiros algumas vezes). Se o mundo da ciência acadêmica fosse racional como declara ser, seria no mínimo estranho que esse pensamento continuasse até hoje, mas o fato é que continua, e mesmo ciências desse tipo já consagradas (como a psicanálise, a parapsicologia, algumas áreas da neurociência e principalmente a metafísica) são vistas como duvidosas, especulações e excluídas do campo da ciência. Mas essa resistência vem diminuindo e cada vez a ciência avança nesse sentido, com experimentos, dados e teoria que vão desde pequenas evidencias na parapsicologia até grandes demonstrações na física como a origem do universo e a existência do criador.

Isto é assim em parte porque realmente os campos ou vias do conhecimento humano são todos submetidos mais à paixão e ao gosto do que à razão, mas também porque o campo científico também não abandonou as preferências empíricas de sempre, ou seja, das impressões sensoriais, quase tidas como verdade incontestável nessa área. Assim a tendência empirista permance mais forte em todos os campos, porque as impressões dos sentidos são as mais fortes e as que mais incitam os desejos e paixões humanas. Os que se voltam à ciência normalmente já abraçaram a convicção empirista mesmo antes de se tornarem cientistas, não vendo que é apenas mais uma forma de filosfia e de ver a suposta realidade que pretende investigar.

A metafísica na academia está restrita ao campo da filosofia e mesmo assim com muitas reservas. Mesmo entre as ordens esotéricas hoje, raras são as que se dedicam à ciência metafísica, na verdade só fazem declarações metafísicas que não passam muitas vezes de crenças e suposições tidas como revelações acessíveis somente aos mais supostamente elevados, ou seja, dogmas. A verdadeira metafísica é uma ciência antiga e esquecida e seus poucos praticantes isolados ainda hoje são vistos como místicos, num sentido um tanto distorcido e até depreciativo dessa palavra. Assim também temos que confessar que, apesar dos avanços, a metafísica praticada hoje está mais para a esfera da empiria do que do rigor do método científico. E ainda, na visão popular a metafísica geralmente está mais ligada ao campo da fé, à religião e ao esotérico.

Nós entretanto, pensamos diferente e temos a pretenção de devolver à metafísica o seu lugar como ciência, pelo menos em nossa ordem.

Mas mesmo assim boa parte da metafísica hoje estaria restrita ao campo empírico apenas, não por impossibilidade de aplicação do método científico, mas pela maioria das experiências e experimentos ainda serem realizadas estritamente a nível pessoal e mental (o que ainda está novamente em grande parte no campo do sensível e muitas vezes dificilmente poderíamos classificar como metafísica). O mundo contemporâneo carece de cientistas imaginativos e criativos que possam elabolar não só hipóteses, mas principalmente experimentos capazes de testá-las, que possam ser comprovadas não apenas por experiências pessoais, mas demonstráveis (nós também temos evidências e experiperimentos neste sentido e pretendemos divulgar amplamente assim que forem concluídos).

A via empírica é a mais amplamente usada pela humanidade, ainda que não se dê conta disso. Todos baseiam sua noção de verdade e de realidade acima de tudo na sua própria experiência ao longo da vida, tendo a razão, em maior ou menor grau, apenas como um coadjuvante na análise e julgamento do que pode ser tomado como certo, verdadeiro e ou realidade.

A limitação dessa via é obviamente a mesma limitação de nossos sentidos, de nossas percepções (sensoriais ou não) e de nossas capcidades de expansão dos mesmos. Ainda que expandíssemos ao máximo nossas capacidades sensoriais e perceptivas ainda haveriam muitos fenômenos e dimensões inteiras de realidade que ficariam fora de nosso alcance. Nosso tempo de vida também é um fator limitante. Porém, um certo aumento dessas capacidades já nos é suficiente para avistarmos muitas realidades que apontam para a verdade mais importante e nos dão as diretrizes pelas quais podemos nos conduzir rumo a inteira verdade. Por esse ponto de partida também a via empírica tem muita importância e influência nas outras.

O problema das limitações também se deve à interpretação que pode ser dada à experiência, e também a atribuição de "verdade em si" que normalmente se dá a ela. Muitos enganos surgem disso. Na verdade essa via, por parecer, para a maioria, a mais confiável, é a causa dos grandes erros, divisões, sectarismos, novas seitas e ordens, fanatismos, etc., pois para muitos eles têm a prova de seus desígnios, teses, doutrinas, etc. através de experiências pessoais ou coletivas. Quando analizamos o surgimento de alguma novidade esdrúxula nesse campo quase sempre vamos encontrar uma experiência pessoal tida como superior ou metafísica como seu início.

O maior problema dessa via hoje talvez seja o de querer provocar as experiências mentais (que são confundidas com expirituais) artificialmente. Para isso são usados meios fisiológicos e materiais, resultando no que chamo fisiologismo espiritual e no já conhecido materialismo espiritual. São usados meios como meditação, yoga, hiponose, mantras, sons, ondas magnéticas, elétricas, sonoras, aromas, luzes e cores, exercícios, e inúmeros outros artifícios para provocar efeitos fisiológicos no corpo e que afetam o funcionamento da mente. O que isto tem a ver com espiritualidade? Ninguém sabe, mas no conceito deles toda espécie de mentalismo e manobras mentais ou corporais e outras coisas absurdas são vistas como espirituais. É claro que tudo isso é análogo ao uso do alcool ou qualquer outra substância, só está alterando o funcionamento do corpo para influenciar a mente. É a maior fonte de engano a muitos séculos.

E aqui entramos num perigo talvez maior ainda que vem cada vez mais ganhando espaço nas escolas místicas, ordens e até igrejas, o uso de substâncias, entorpecentes ou não,  alucinógenas ou não, que induzem alguns estados mentais. O fisiologismo espiritual ao longo de séculos tem feito uso de substâncias que alteram as funções do corpo, especialmente do cérebro, provocando as chamadas experiências místicas, espirituais, ou qualquer que seja o nome que se a esse auto-engano. Obviamente isto leva a mesma espécie de confusão, ainda mais associada as sensações e emoções ocasionados por essas substâncias que chamamos simplesmente drogas, sejam ilícitas ou não, sejam prejudiciais ou não, que se encarregam de todo o auto-engano. Algumas vezes as interpretações "espiritualistas" são orientadas por alguma espécie de líder, outras vezes até dispensando a interpretação tendenciosa desses. As interpretações geralmente já foram lançadas antes na mente das vítimas. O líder geralmente já preveniu antes o que a pessoa vai passar e já deu sua explicação. Ora, se os acontecimentos da vida cotidiana são passíveis de vários tipos de interpretação, e a grande maioria é errada, imagine as experiências subjetivas provocadas por substâncias e que podem até serem induzidas (pelas mesmas substâncias, por sugestão anterior, por hábitos, por tudo isso junto, etc.).

Não podemos esquecer daqelas que são provocadas por substâncias internas, como da própria bioquímica do cérebro e das glândulas endócrinas sendo auterada por algum meio (exercícios, práticas sexuais, dietas, etc.). Este meio é também cada vez mais acreditado hoje em dia, numa área bastante atraente para muitos, a sexual. Muitos crêem que algumas determinadas práticas sexuais podem levar a experiências espirituais e até que são indispensáveis para alcançar consciência, despertar, salvação, suposta construção de corpos espirituais através de práticas sexuais, evolução espiritual e moral, etc., enfim, esperam resultados espirituais através de práticas fisiológicas. O modismo que leva ao auto-engano pode variar de época em época, mas o princípio é sempre o mesmo. Este sempre se repete, seja com novas invenções ditas tradicionais, seja pelas mesmas de sempre ou seja pela somatória de varias delas.

A tendência humana é sempre crer no que os sentidos parecem mostrar, não percebendo que se trata, antes de tudo, de uma sensação e finalmente uma percepção, não um acesso direto a uma realidade em si. Pior ainda no campo do suprassensível, onde existe muitas vezes uma sensação de realidade bem mais ampliada, e muitas vezes diante de uma alucinação ou sonho.

O maior exemplo disso talvez sejam as falsas memórias, falsas lembranças que temos em sonhos (e às vezes até em vigília), ou o engano das falsas experiências de regressão de memória em que se toma a capacidade da mente coletar experiências de outras mentes como uma lembrança pessoal, ou quando se toma uma fantasia sob hipnose como uma clara lembrança. Esses erros grosseiros também demonstram que os que apresentam isso como ciência não têm o mínimo critério ou rigor científico, o que só contribui mais ainda para que a ciência metafísica seja difamada e desacreditada como ciência. Por outro lado cada seita vê nesses experimentos mal feitos uma oportunidade de "comprovar" suas teses e doutrinas e por vezes termina investindo nisso e consequentemente na falsa imagem dessas como sendo ciência, parapsicologia, metafísica, comprovações, etc..

Entretanto a experiência é indispensável na vida cotidiana e nos padrões de realidade que adotamos, e se bem usada tem importante papel como via do conhecimento da verdade. Seu ápice são as experiências transcendentais compartilhadas, em que todos os participantes chegam à testemunhar exatamente as mesmas coisas, e quando elas podem ser apoiadas na lógica e em experimentos realmente científicos (com duplo cego, grupo controle, registros não presenciais, etc.) que podem ser validados por cálculos, estatísticas e sejam irrefutáveis racionalmente. Neste  caso elas invariavelmente vão apontar também para a realidade da via central e o que já foi acima relatado como conclusão comum a todas as vias.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

A ORDEM - parte 1

A ORDEM

Ordem é o que diz a palavra, ordem, sentido, organização, paz, verdade. Fora dela há o caos e mais além deste há o abismo. Neste modelo de realidade completo, nos encontramos precisamente onde há caos, mas também no caos há ainda alguma ordem, e o abismo bem próximo, na margem do qual estamos, é onde não há ordem alguma.

Numa nomenclatura mais realística do que simbólica, mas sem deixar de ser também simbólica, a palavra ordem designa dois vórtices ou planos ou esferas ou círculos ou mais precisamente naturezas, uma superior e outra inferior, na superior está a ordem, na inferior estão o caos-e-ordem (mundo) e o abismo.

Na extremidade superior desses dois círculos está o Supremo Ser e na inferior o abismo, a suprema limitação, impossibilidade, o máximo "não-ser"; um, todo luz, amor, liberdade, onisciência, vida, paz, eternidade, incondicionalidade, comunhão, deleite e o outro, trevas, aversão, impossibilidades, morte, entorpecimento, tormento, perecer, totalmente preso a condições, isolamento, sofrimento; e entre esses dois extremos, em regiões mistas, há muitas gradações. Tudo que estiver em cada um desses dois vórtices será semelhante ou submetido a uma ou outra dessas duas naturezas de acordo com a proximidade ou sintonia, em relação a uma ou a outra dessas duas extremidades.


Ainda o significado da palavra ordem é tudo que consta na maioria dos dicionários: organização, estrutura, relação, série, disposição, sucessão, sequência, arranjo, procedimento, técnica, método, meio, processo, disciplina, regra, lei, obediência, determinação, mandado, prescrição, mandamento, paz, tranquilidade, grupo, congregação, assembléia, conjunto, configuração. Todas essas palavras se referem ao que temos chamado de ordem, todos os significados se relacionam a algum desses sinônimos, seja por função, caráter ou definição, do que se designa ordem. Pode se referir ou ser atribuído a uma pessoa, um grupo de pessoas, um ser, um fenômeno, uma natureza ou à própria ordem real de tudo que é, ou à própria ordem em si. A ordem é a estrutura, a natureza, o fundamento e o propósito de tudo.

Quando algo sai da ordem existem, então, essas três naturezas. Ordem está em plena ordem, em harmonia, abismo está em desarmonia, desordem, e caos contempla algo dessas duas naturezas de múltiplas maneiras. Mas não que algo esteja realmente fora da ordem, pois a ocorrência de caos e a restauração da ordem original já estão previstos na própria ordem. Não são só lugares estas esferas, são lugares, estados, níveis, dimensões, planos, platôs, idéias, consciências, seres, etc.. E isto tudo, e mais, é que chamamos de 8.

                                      8


Ordem é a parte de cima do 8, o círculo que permanece conforme a natureza original, harmonioso, sem sofrimento, livre; caos é a parte que decai, o vórtice de baixo, que sai da ordem, é aquele que dentro das milhares de possibilidades da liberdade escolheu a inconveniente, isto é, a que gera sofrimento e degradação, a única não indicada (devido a estas más consequências), na que surge o mal e a colheita de suas consequências, o continuar caindo, a ligação com o pequeno, com uma segunda natureza, corrompida, com a restrição de possibilidade e com a gigantesca limitação, e até o abismo. O Ser Supremo está no extremo superior nessa representação, no ápice da ordem; o abismo é a extremidade mais separada da ordem, é o caos completo, o extremo inferior.

O que é Ordem? É a parte superior do oito que segue em seu círculo, num ciclo de conhecimento perfeito, enquanto a que cai segue o círculo inferior do oito, longo, temporal, cheio de ignorâncias, e de limitação do conhecimento e das maneiras de conhecer. Ordem é a natureza real, original; o outro lado é essa natureza decadente do mundo gerado na queda.

E o que é a ordem? É o oito todo (por isso convencionaremos aqui estes dois sentidos, um para Ordem com inicial maiúscula e outro para ordem, com minúscula; mas devo avisar que dificilmente cuidaremos disso em outros escritos, como no falar, assim, quem lê, como quem escuta, deve estar atento ao contexto; esta explicação é apenas geral e é dada aqui apenas porque será útil nesse capítulo).

Portanto, Ordem é perfeita, é a esfera que segue seu curso sem cair; e ordem é o processo todo, pois a Ordem já contemplou o todo na eternidade, e este é formado pela parte perfeita e pela parte em queda, auto-separada da Ordem, mas não deixada de fora de uma ordem, tudo enfim será restaurado à pura Ordem novamente. Pois a Ordem termina ordenando a ordem. E finalmente ordem se referindo apenas ao vórtice inferior é chamado ordem no mundo, e o que no mundo não está em ordem pretence ao caos, isto é o abismo.

Tudo está previsto na Onisciência (pois ela está presente em todo instante de tudo simultaneamente) e nada escapa ao plano original, de modo a formar uma equação matematicamente precisa em sua resolução no todo, que contempla todas as liberdades possíveis no seu percurso. Ordem e ordem são conteúdos de consciência. A noção de consciências separadas da Ordem termina originando a noção de consciências isoladas umas das outros em conteúdos de consciência, que são os seres, não os originais entretanto, mas tais quais conhecemos aqui (em gradação de auto-isolamento até o abismo, o isolamento total).

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

As cinco vias eficazes 4 - Via Ethikae


As cinco vias efetivas

1. Via Ethikae

Uma via é a mais rudimentar, mas básica, a que parte dessa natureza ou do corpo, é chamada a via do esforço,  uns dizem "do mérito" ou "da força" ou "da vontade". Nós dizemos "do esforço" porque é a característica comum e predominante em todas as manifestações dessa via, seja isolada ou no meio de outras; seja expressa por pessoa ou grupos.

Mas ela também pode ser vista como a via da ética e nós assim também a denominamos, pois este esforço no final tem como justificativa uma (supostamente natural) justiça implícita, na qual se espera uma "natural retribuição" ou recompensa ou resultado bom, por atos considerados bons, e ou por atos considerados justos. Por isso esta também é a chamada via moral, apesar de estar, no mínimo, implícita em todas as outras vias, ela tem sido tomada ao longo da história, por alguns, como caminho por si mesma ou pessoal.

Apesar de partir do corpo, seja como atitudes, comportamentos, ou exercícios, e até formas simbólicas, disciplinas, ritualísticas em algumas ocorrências, etc., o objeto e o objetivo final é sempre moral. Espera-se que a tomada destes comportamentos, atitudes, práticas, traga certos benefícios para a pessoa, para os que convivem com ela, para o povo, e enfim, para toda humanidade ou seres em geral. Como a humanidade vive em corpos humanos e possui mente esta via deve estar pelo menos na base de todas as outras, pois é o corpo que se comporta em relação ao mundo, assim também a mente e todo comportamento é mental, mesmo os que são corporais partem da mente (e essa é apenas uma das razões porque também é chamada via do intelecto). E todas as outras vias possuem alguma disciplina, ainda que mínima, neste sentido.

Na visão filosófica a ética trás os benefícios de uma vida pacífica quando amplamente praticada e de civilizações justas. A nível transcendental e ou individual se prevê as vantagens da ética, que vão desde as mais próximas e óbvias, em suas relações interpessoais, até trancendentalmente, segundo as crenças de recompensa de leis naturais de retribuição, de seres espirituais bons ou de uma vida futura (após a morte) bem-aventurada. Seguramente temos num nível mais trancendente o resultado da desobstacularização das potências pessoais, do alcance da visão espiritual, do entendimento e da compreensão, que normalmente se encontram atrofiados ou impedidos por baixos sentimentos e paixões, pelos desejos, projetos e afazeres mundanos, etc., que consomem todo o tempo, energia e atenção da pessoa no mundo.

É nesta via que se encontram tanto os princípios morais, como toda disciplina, comportamento e psicologia. E é claro que todas as outras são vias contém alguma utilização desta via, quando não toda por completo. Por esta razão é dito que esta via é a que dá proeminência à disciplina e à vontade. Nesta via predomina thelema, vontade superior, intenção, decisão, mas também nela se encontram o intelecto também reforçado,  submetido a disciplina e treinamentos visando um objetivo. Thelema também é bem entendido como vontade de Deus, quando o indivíduo sede a serviço da vontade superior, por vontade própria, e realiza o propósito divino.

Os que seguiram esta via sempre esperaram redenção e ganhos através de seus próprios méritos e esforços e nisto consiste a maior precariedade dessa via. Esta é justamente sua limitação, pois se reduz ao máximo das capacidades humanas se bem treinadas (também ao máximo do treinamento). Pois por mais que nos esforçássemos, tanto nossos esforços têm limite, quanto tem limite o que pode ser obtido através de nossos esforços, quanto tem limite o tempo que podemos dedicar a cada um dos esforços necessários. Então os que propõem essa via como única cometem o erro de sempre projetarem suas esperanças muito além do que seria uma expectativa realista, prometendo benefícios distantes, que por mais longos que sejam nossos esforços, práticas e méritos, não poderiam nos levar lá.

Se bem usada e com equilíbrio esta via conduzirá em seu ápice a uma verdadeira transformação moral e geração de méritos, embora não suficientes para superar o condicionamento da mente a esta dimensão de realidade, mas podendo desenvolver capacidades mentais e alcance consciencial muito mais elevado que o normal. Isto ocorre primordialmente por eliminar vários dos obstáculos não só morais, mas principalmente que impediam a visão, o entendimento, a compreensão, a relação e o processamento das experiências comuns e de novas experiências que surgem a partir dessa expansão gradativa do campo de visão e dos concientizados da consciência. Em seu máximo ela apontará para a necessidade de se tomar o caminho central visto que mostrará claramente em alguma momento os três pontos acima citados, especialmente o terceiro, da necessidade e dependência de uma força e consciência superiores para levar a cabo todo o processo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

As cinco vias efetivas - parte 3

A centralidade do caminho

Só a via central é hoje via e caminho. Esse é mais um grande "segredo" da ordem, agora "revelado" (claro que isso nunca foi escondido). Pelas pelas conclusões enumeradas anteriormente fica claro na prática que, devido à condição de número três, só pela via central, pela porta estreita e pelo estreito caminho, é possível retornar à ordem original. As várias questões sobre porque isso acontece podem até serem deixadas de lado se formos realistas e considerarmos que uma dessas razões já é suficiente para explicar: o fato de que o ser humano não dispõe do poder de lancar-se a si mesmo na dimensão eterna a partir da dimensão do mundo perecível, nem tem poder de restaurar sua própria natureza ao estado original, nem sequer o poder de penetrar e menos ainda de permanecer em qualquer estado ou local ou situação eterna e incorruptível. Por isso ele depende de um poder maior, o único que pode alterar e reesbelecer sua natureza, o Ser Supremo.

Mas para que isto aconteça é preciso que algumas condições sejam preenchidas, primeiramente é preciso que a pessoa queira e depois que tome a postura adequada e o caminho correto. Primeiro não é preciso nenhuma outra condição a piori, como colocam as ordens mundanas, mas é preciso ter vontade, escolha, querer, pois seu espírito já está pronto por um ato de decisão certo, preciso (e a escolha é oferecida evidentemente), sua consciência já foi redespertada, neste momento, do estado de mortificação, identificação e afastamento em que se encontrava. E, tendo feito essa escolha, ela, aí sim, deve preencher certas condições a posteriori, não para ser readimitida depois à ordem original, mas para que desde já sua mente também seja restaurada e é este o processo, que é longo e exige entrega, dedicação.

Essa escolha para alguns não é facil, por isso ela não é colocada nessa manifestação como condição preliminar, ela pode ser feita a qualquer momento, mas tudo que é necessário em conhecimento para que a pessoa possa tomar essa decisão conscientemente é apresentado até o segundo nível, no grau 7, daí em diante é só ampliação e aplicação.

Entendido isso, de acordo com o que foi dito acima e de acordo com todas as provas e conclusões feitas (ou seja, "de baixo para cima" e que apresentamos em detalhe ao longo de nossos estudos), e todas as revelações autênticas e registradas (ou seja, "de cima para baixo", recebidas), podemos agora falar quais são as cinco vias claramente. Não mais estaremos falando segundo nossas percepções de iniciantes nem como os outros as vêem os de fora, mas como se o leitor, tal como nós, já tivesse visto e examinado tais provas que investigamos e fornecemos ao longo de nossos estudos, pois assim o faz toda ciência, todo livro científico e todo cientista.

As vias são na verdade modos de conhecer e modos de conconhecimento ao mesmo tempo, ou seja, são modos de se buscar a verdade e conhecimentos verdadeiros. Nossa fraternidade surge do espírito inquisitorial, investigativo, consciencial, e este também pergunta: por que não usarmos todas? E se usássemos todas? Não seria bom unir todas essas potências? A resposta é sim e não. Sim, para investigar a verdade, e não para conhecer a verdade, pois para isso precisamos tão somente da via central, que conduz pela verdade viva e pessoal.

A via central contém o conhecimento verdadeiro por si mesma. São conhecimentos consagrados, já comprovados ao longo da história e da tradição. As outras vias contêm alguns conhecimentos comprovados, alguns aspectos das traduções passíveis de investigação e outros que nem sequer existem ainda formas de serem investigados completamente. Isto é normal em qualquer ciência.

Sim, a fraternidade precisa meios seguros para investigar e obter conhecimentos seguros, é óbvio, e se existem mais outros meios seguros, eficazes, até necessários, vamos usá-los, desde que sejam também honestos e lícitos. Mas não, a ordem não precisa de meios, pois ela não precisa investigar, ela é de onde vêm o próprio conhecimento, o ato de conhecer e o conhecedor, a Ordem é a fonte. A ordem possui a verdade a ser investigada e comprovada pela fraternidade. A Ordem é a ordem de Deus, é o estado original, onde se encontra a verdade em pessoa; a fraternidade é compostas de seres e princípios que buscam e visam, respectivamente, o conhecimento da verdade.

Assim toda a realidade gravita de fato em torno do eixo. Este eixo é o das verdades fixas e imutáveis, atemporais, com todas as suas consequências inseparáveis, num curso que vai do início ao fim, sem variação, certeiro. As demais vias (que muitos subdividem em mais tipos ainda) contêm o que se poderia designar como provisórias, temporais, que vão se modificando (como são as ciências, filosofias, artes, religiões, etc.) que por razões diversas, em algum momento, se engessaram em formatos limitantes e ou limitados, mas que desempenham ainda hoje funções úteis para muitos em relação à verdade. Portanto a centralidade das vias não tem a ver com religiões, tradições, filosofias, escolas, ordens, etc., como a enorme maioria das pessoas pensam, mas tem a ver sim com a centralidade da verdade. A verdade é a ordem original inabalável e eterna e a fraternidade, ou ordem terrena, ou escolas, ou ciências antigas, buscam a verdade não explicações, teorias, religiões, doutrinas, filosofias... O importante aqui é a verdade e tudo gira em torno da verdade.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

As cinco vias efetivas - parte 2


Quais são as verdadeiras vias?

Só chamamamos de vias as ascendendentes, só podemos chamar de via as que levem, mais cedo ou mais tarde, à libertação e ao conhecimento da verdade.  Rotas descendentes e circulares são perda, derrota, perdição.

Existem apenas cinco vias efetivas. Já vimos porque não são sete e aqui veremos agora porque são cinco e não três, nem duas ou uma.

As quatro vias são hoje percursos para a central hoje, não vias independentes ou desconexas como a maioria pensa. As vias, em sua mais elevada, mais elaborada, mais profunda, mais complexa e completa etapa, todas convergem à via central. Todas elas apontam ao seu fim para (1) a existência do ser supremo, Onisciente, onipresente, eterno, que não apenas planejou como um inteligente designer, mas também fez e dirige a sua criação; (2) para a sobrevivência de uma essência eterna dos seres; e (3)  para a impossibilidade humana, por natureza, de penetrar naquela natureza eterna original sem a intervenção do ser supremo onipotente. Pronto, isto é ponto definido, concluído pelas partes mais superiores, profundas, elaboradas, complexas e completas da ciência, da filosofia, da empiria, da religião e da ética.

As outras (dualista, animista, descendente e circular) incluem todos os erros, fracassos, perversões, movimento circular, etc.. Ou seja, o que hoje é obsoleto não pode mais ser chamado via. Nem o que é obseleto como caminho hoje pode ser mais considerado caminho. Este pode no máximo ser chamado via, se é que leva ao caminho. Mas ainda, o que nunca foi caminho, nem via, e continua não sendo, não pode ser agora considerado caminho, nem sequer via, claro. Não tem como, não há razão para isso, não tem lógica, tampouco por capricho, não pode. Não se pode dizer que leva à verdade o que de fato não leva só para agradar a maioria ou para não ferir o brio de uma minoria, seria mentir.

Há ainda uma quarta conclusão a qual todos os caminhos levarão. Esta quarta é também universal e de máxima importância no caminho da libertação da consciência condicionada. Pois assim como (1) há uma consciência onisciente fonte e criadora de tudo; (2) há outra dimensão de existência da consciência mesmo após a morte do corpo; mas (3) é impossível controlar em nós a ação dessas duas naturezas de modo a libertar-se a si mesmo da natureza e mentalidade limitante, fluida e em processo de degradação e esquecimento; e (4) há uma esperança real, uma saída desse tipo de realidade, para uma realidade plena e eterna, existe um meio, pois existe uma ordem que permanece e permeia toda essa outra natureza, existem padrões, leis, desígnios, propósitos nessa existência, e há uma forma certa de conhecê-los e atingi-los. Por isso está aqui em destaque.

Portanto, o quarto em síntese é: existe uma ordem. Se não houvesse essa ordem original que se sobrepõe a tudo não haveria qualquer esperança para aqueles que estão mergulhados na matéria corrompida, degradável e que termina por degradar-se até a dissolução total. Mas a quarta conclusão a que todas as vias chegarão é que há ordem, existem padrões, existem leis, razão, lógica, matemática... Que independem completamente da existência fenomênica e objetiva. Por esse meio todas as vias também concluirão que existem meios seguros de conhecimento (tanto físicos quanto, mais ainda, metafísicos) e portanto existem conhecimentos seguros. O conhecimento dessas leis eternas imutáveis é o conhecimento mais seguro de todos. A existência inexorável de tais padrões garante esse conhecimento. Portanto conhecer essas leis e padrões é o conhecimento mais importante que se pode ter, e deve-se usar todos os meios lícitos disponíveis de obtê-lo, ainda mais quando sabemos que conheceremos também a liberdade, e não apenas de conhecer, mas também de viver a realidade eterna.

Perceba que a matéria em si e tudo que existe é indestrutível, é eterno, mas essa dimensão, caída da ordem original, "arranjou" um meio de finitude e morte, de destruição total: pela transformação degradante, pela dissolução, degradação, dissociação, separação de tudo que existe. Assim tudo chega ao fim em todos os níveis. A matéria se dissolve nos elementos que a compõem e um dia cessará pela dissolução das próprias partículas subatômicas que a compõe; a mente se dissolve pelo esquecimento da experiência e isolamento total de suas partes (sem meios de relação, se tornando restos psicofísicos separados e sem consciência), e a centelha de espírito, "dentro" de cada ser, por separação desses elementos retorna à sua própria natureza sem ser contaminda por sua corrupção e sem qualquer resquício do que seja o que chamamos nós mesmos, ou, do eu.

Mas a realidade da matéria mesma (e energia e forcas consequentemente) é ser eterna, e sua existência é garantida por leis eternas que não dependem da matéria (leis, relações lógicas e numéricas, etc.). A natureza real é eternidade, o real não é algo temporário, fluxo, esqecível, é eterno, sabemos que o que foi não pode deixar de ter sido em momento algum. Os arrajos (como as relações entre partículas, forças e leis, etc.) são temporários, mas tudo que os rege é eterno, além do tempo, das formas, das multiplas manifestações. Então o que deveríamos estranhar é que as coisas parecam desaparecer e serem esquecidas, isso é que deveria ser ilógico para nós, pois de fato não tem lógica. Só que nossa mente também foi condicionada por nossa experiência e está como que atada a esta forma transitória de realidade, ela tambem aqui é parte dessa existência condicionada, funciona pelas mesmas normas.

Quão terrível então seria chegar a essas constatações se a nossa realidade (mental e espiritual, ou consciencial) fosse só isso, restrita ao quadro do que observamos e com as mesmas características, ou seja, pertencente plena e substancialmente a essa natureza! Mas o que a união das cinco vias como meio de investigação nos mostra é justamente que existe em tudo algo eterno, e além disso sentido e propósito. E nós temos que ligar nossa mente, não no mutável e transitório, mas na realidade eterna, para que ela seja restaurada a sua pureza e potência original, em sua completude eterna, não fuxa e temporária. O uso efetivo das cinco vias é justamente o meio mais completo para tomar consciência disso, conhecer e vivenciar a realidade eterna e tomar consciência de nossa verdadeira realidade, até o dia que estivermos prontos para partir definitivamente para habitarmos nela. E existe um caminho central, uma via que nos garante alcançar essa plenitude...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

As cinco vias eficazes - parte 1

Quais são os cinco "caminhos" classificados como vias pela ordem? E por que fala de cinco categorias ou caminhos, não de sete, ou de nove?

Nós não chamamos de caminhos, primeiramente, nós chamamos de vias, pois caminho só há um, embora se possa ir por vias diferentes até certo ponto, ou ainda, podem haver algumas vias que levam ao caminho. E por isso não falamos de sete nem de nove.

Para contarmos sete teríamos que considerar as outras duas rotas como vias, o que não são.

A rota circular (e todas todas as suas variantes) não leva a lugar algum, apenas a ciclos eternos de repetições enfadonhas e esquecimento, sofrimento e morte. É o que seria bem descrito alegoricamente como "inferno em vida".

A rota retrógrada (e todas as suas variações) vai na direção oposta, para baixo, degeneração, caminho mortal, destruição. Alegoricamente é a "estrada para o inferno", é a auto-destruição no pior sentido, aquela dos sofrimentos inimagináveis e "aniquilação" depois de um prazer mundano, comum e fugaz.

Ou então, no lugar disso, para termos sete vias, teríamos que considerar outras duas provisórias, obsoletas, ineficazes, o animismo e o dualismo. Estes claramente não são formas de conhecer nem conhecimentos reais, mas já interpretações de uma suposta realidade admitida.

E para ter nove vias teríamos que considerar essas quatro, circular, retrógrada, animista e dualista como se fossem vias válidas. Até os dois caminhos da perdição (retrógrado e circular) seriam considerados também vias válidas! O circular, chamado por uns arrogantes de evolução, e o descendente, chamado por outros maliciosos de libertação, caminho da luz, etc., incrivelmente ainda são vistos por muitos como  caminhos válidos. E ainda se arrogam possuir "O" caminho superior. Mas a função destes aqui agora é justamente desviar as pessoas do conhecimento da verdade, com desde ilusões confortáveis e agradáveis, até sofrimentos e lutas supostamente meritórios e redentores, mas que resultam em fracasso e perda de tempo irreparável se levadas a cabo.

O animismo e o dualismo são duas rotas primitivas que foram apenas temporais, preparatórias, úteis num período ou apenas em alguns lugares, diante de determinada situação na qual o ser humano não tinha a mínima capacidade de aceitar estar vivendo uma falsa idéia de um eu. Ele se agarraria institintivamente ao falso eu, lançando-se ao destino desse junto com ele, a mutação e dissolução. Então no início de sua caminhada essas idéias ainda não eram retiradas, mas aproveitadas até certo ponto onde a iniciação real os separaria da ilusão. Mas como ainda acontece hoje muitos desistem no início e saem propagando o que vivenciaram nesse início como se fossem realidades e verdades secretas, e outros, na ignorância, os seguem.

Lançar um eu nas coisas e fenômenos (como ocorre no animismo) e personalizá-los foi a primeira forma de ver a perecibilidade do falso eu e vislumbrar a existência arquetípica para além do mundo perecível. Foi o que levou a considerar as forças e leis permanentes que atuavam por trás e além do mundo empírico. Era a forma de separar-se do eu idealizado, mutável e perecível em realudade, e tentar unir-se ao eterno, que intuia e vislumbrava nas forças e leis por trás das coisas e fenômenos, enfim por trás da existência.

Mas observe que aqui o alvo é cego, não se tem qualquer clareza do que é o transcendente e menos ainda do modo como alcançá-lo. Temos nesse modo apenas uma medicina paliativa,  que impede o avanço da doença, ou seja, impede de lançar-se num abismo, junto ao falso eu e à matéria agarrado-os com todas as forças. Mas que não leva à cura, não mostra nem leva a uma visão real do trancendente, apenas, no máximo, a experiências do tipo mentais. Não chega portanto a ser uma forma de espiritualidade, mas já foi um avanço, para aqueles sem percepção, na forma de conhecer, perceber as leis, supor arquétipos, entender que existem forças imaterial e imutáveis, etc..

Vários problemas porém surgem junto, sendo o pior deles a atribuição mítica de personas, de superioridade, de consciência, de deidade, etc. a objetos, forças e fenômenos que de fato não possuem nada disso. Aqui surgem também toda espécie de culto dissociativo como o culto a entidades, personalidades, como os supostos espíritos ou mortos, os ídolos, os extraterrestres, as estátuas, os totens, os anjos, os demônios, as forças, os inquices, os orixás, os devas, os deuses, os bodhisatvas, os gurus, os budas, os santos, as dakines, etc.. Seja o que for, realmente existente ou ilusão pode ser assim cultuado, idolatrado, etc.. O que chega até a transliteração errônea de todos os símbolos, arquétipos e personalizações como seres em si, dotados de alguma consciência e ou mentalide e personalidade. E ocorre assim o surgimento do panteísmo,  politeísmo, deísmo, etc., junto com toda classe de engano e superstição associada a tudo isso.

Assim, esta pode ter sido a forma primitiva de "espiritualidade" ou conscientização, despertar da consciência para algo além dos fenômenos e da matéria, pelo método de separação ou abandono do eu (no caso o falso centro permanente, a falsa persona, o falso eu, o agregado impermanente perceptível, corpo material e mente reflexo). Os métodos mais primitivos de separar-se do "eu" até o mais sofisticados, têm origem nisso.

Na outra forma radical de conhecimento primitivo teremos também o outro método, o de transformação e sublimação do eu. Através de uma percepção rudimentar de dualidade, percepção de que tudo que se pode observar parece dual, de que tudo parece conter essas duas naturezas observadas anteriormente e logo então generalizar. O ser humano passa a querer cultivar uma face, a que supõe eterna, e abandonar a outra, a perecível. É o dualismo, fase em que surge o método da cultura do eu.

A partir da percepção real das polaridades surge também a projeção de bem e mal classificados com base correta em alguns casos, mas indevidamente generalizada para tudo no universo. É nessa generalização apressada e fora de um critério de realidade que a valoração moral também começa a ser lançada sobres as coisas e fenômenos.

Isto foi novamente necessário para que o ser humano deslocasse de si mesmo a valoração ética-moral e vislumbrasse um significado e propósito nos fenômenos que transcendem sua consciência limitada, pois que deduz que antes de seu aparecimento já havia o cosmo, portanto também, suas leis, princípios, forças e arquétipos, assim provavelmente também arquétipos morais. É o primeiro vislumbre fora do solipsismo moral, antropocêntrico (e é incrível que a maioria hoje tem retornado a ele de forma alternativa: crendo que a valoração moral só existe dentro de nós, que nós a criamos e pior, que seria ela "criada pela sociedade").

Este passo, esta percepção objetiva de bem e mal é tão importante na história da humanidade (embora confundido historicamente com o animismo e com a projeção de valores) que junto com o anterior vai fazer parte da base de quase todos os sistemas filosóficos e religiosos seguintes. É claro que aqui figura bem mais positivamente a percepção de mal do que do bem, pois muito dela se firma em sensações, razões, intuições não abstratas, mas objetivas.

Porém muitas pessoas hoje mesmo sequer atingiram esse amadurecimento e apenas possuem uma noção abstrata dessa percepção de mal. Muitos ainda hoje não conseguem compreender isso sequer pela pura lógica simples (pois se há um princípio e um propósito, tudo que fuja a esses dois está naturalamente valorado negativamente, e tudo que corrobora com estes está valorado positivamente). Esta percepção, faltante em grande número de pessoas, pode ser desmotivada desde a infância passando por todo o processo de educação, que ultimamente tem conduzido gerações a uma relativização de todos os valores,  mais que exacerbada (por isso até em comparação moral o ser humano está em processo degenerativo de inteligência e percepção).

Este, portanto, não é o problema desse proto-sistema de conhecimento (lembrando que tratamos aqui, não de qualquer conhecimento, mas do conhecimento da verdade, em si, transcendente, há que se chegar à verdade, não apenas apontar para ela, isso as fiolosofias e até a mera especulação racional do senso comum também poderia fazer). O problema surgiu na generalização e atribuição mítica, além do observado e do evidente, de uma valoração moral arbitrária negativa ou positiva para toda e cada ação, coisa, fenômeno, etc..

Isto foi um processo gradativo, que apenas ao chegar a religiões e escolas não pode ser mais ignorado e contaminou em maior ou menor grau todos os sistemas. Gerou padrões determinados por sábios, "mestres", filósofos, "deuses", etc., e consequentemente afastou toda a possibilidade de investigação da verdade, tudo já estava determinado, e finalmente o padrão foi universalizado, o que arruinou completamente o sistema. 

Aqui existem obviamente deduções imprecisas e atribuições de valor erradas, além das intencionalmente colocadas, maldosa e arbitrariamente, para atingir algum fim oculto, egocêntrico ou justificar algum mal já feito. Também a pseudo-moral que implica trocas, envolvendo esses valores, ou oferendas, ou supostos atos de justiça coletivos, etc. em uma suposta economia da natureza ou dos deuses ou da humanidade. É certamente um dos resultados desastrosos os dessa visão.

O problema aqui é óbvio, novamente o alvo é cego, ou seja, não vê o transcendente, não há conhecimento (a não ser pequeníssimo e parcial) do "verdadeiro eu", nem do transcendente, enfim, na prática está apenas cultivando um lado da personalidade, agora classificado como bom, e buscando eliminar um outro lado, da mesma forma arbitrariamente classificado como mal. Há alguns acertos nessa classificação, mas também muitos erros. Só que existem de fato valores bons e maus na personalidade ou no eu, tanto da parte inata como da construída, mas isso não é a questão aqui, embora exista relação com a capacidade de visão e compreensão, o que termina levando a uma falsa observação ou conclusão de que apenas seguindo certos presceitos ou padrões se está realizando uma auto-transformação e ou uma auto-iluminação.

Perceba também que arbitrariamente, sem nenhuma prova o lado tido como bom foi considerado eterno, só porque o perecível foi visto como mal. Não tem nenhuma lógica essa dedução. Ainda está para perceber que o lado tido como bom também é mutável e perecível.

Na verdade até o avanço moral aqui foi depois ainda suplantado pela visão que surgiu posteriormente, que é terrivelmente danosa e equivocada, de que bem e mau são opostos eternos, naturezas eternas, e que seus "caminhos" são ambos válidos conduzindo ambos a fins eternos, ambos de forma justa e equilibrada. Ou seja, é a extrapolação da valoração arbirtrária onde nem o transcendente escapa da polarização (aliás, por que ainda consideram transcendente?), é a idéia de que, como existe a dualidade nesta natureza, existe em tudo, inclusive dois deuses eternos (ou um deus bom e mau ao mesmo tempo, obrigado por sua própria natureza a fazer tanto o bem quanto o mal), deuses que embora antagônicos, trabalham em colaboração e harmonia para atingirem seus supostos fins eternos.

Isto é apenas um exemplo de uma das consequências dessa via. O bem e o mal são vistos como universais e necessários. O dualismo certamente conduz a erros um tanto mais graves na prática do que os erros filosóficos. Vão desde erros práticos até institucionais, e estes últimos vão desde o maniqueísmo até o satanismo explícito, podemos considerar como fixações institucionalizadas neste tipo de visão dualista.

Estas duas vias que são chamadas por uns de xamanismo e zoroastrismo (ou maniqueísmo, colocando o zoroastrismo como uma forma sofisticada de xamanismo ao lado do judaísmo e superior ao totemismo em geral, que pode ser uma classificação muito imprecisa), nós as chamamos de animismo e dualismo porque são muito mais abrangentes que essas duas instituições, tendo várias escolas e religiões como variantes da mesma fórmula básica, muitas também em combinação com o animismo, que passou a não apenas personalizar as forças e elementos da natureza como atribuir dois lados a cada um deles.

Elas não são ineficazes por serem primitivas, pelo contrário, suas versões mais aprimoradas e mais modernas são as mais nocivas (neo-paganismo explícito ou disfarçado, neo-zoroastrismo, neo-gnosticismo, maniqueísmo moderno, xamanismo contemporâneo, luciferianismo, satanismo, santerias diversas, só para citar poucos exemplos), por tantos motivos que não caberia aqui. Mas, em síntese, todos conduzem pela via oposta ao caminho da verdade, liberdade e cura (retorno ao estado e local originais). E ainda, dos padrões rígidos e arbitrários, mas dos sábios, passou modernamente ao relativismo moral de qualquer um segundo o que melhor lhe pareça ou segundo alguma autoridade acadêmica. Ou seja, já passou de degeneração para a completa dissolução, realmente deixou de existir, são outras coisas quaisquer, apenas apresentadas falsamente sob títulos de tradições. Essas vias foram temporárias, cumpriram sua função no passado, são do passado, uma preparação da humanidade "pré-civilizada" para as posteriores, que podiam ter sido abandonadas com o fim dos grupos nômade, mas foram apenas transformadas. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O Grau Rosacruz -parte 4

No passado houveram três meios cogitados para a salvação, eles são modernamente chamados de via do cultivo da personalidade, via da separação da personalidade e via da união à divindade.

O primeiro pode ser equiparado ao cultivo do eu, ou cultura do eu. Foi o caminho dos filósofos (da via da razão) e dos yogins (ou via a partir do corpo).

O segundo é confundido com o "negue-se a si mesmo", mas não é esse. Separação da personalidade é, para uma parte, a negação do eu, é afirmar que o eu não existe, é abandonar a falsa idéia de eu, etc.. Este foi o caminho seguido por muitos yogins também, incluindo os budistas, alguns taoístas, os jainistas, e também foi seguido pelos empiristas, incluindo alguns taoístas, etc.. Mas esta separação também podia ser mecânica, isto é, não negava a existência de um eu na pessoa, mas propunha a separação dele, deixando o corpo e tudo relacionado à matéria, e indo ligar-se a um "Eu real", ou uno ou absoluto etc., ou simplesmente atingindo "o nirvana", para estes, um estado de "não-eu". Esta via foi seguida também por muitos desses citados, incluindo os ascetas e faquires. Ou ainda podia ser, para outra parte, vista como um meio de, deixando o corpo material, em um corpo espiritual, ou mental, etc., ir às dimensões superiores. Os hermetistas e outros ainda também utilizaram essa via.

É óbvio que esses caminhos não tem relação lógica com salvar-se e de fato não podem salvar a pessoa da existência nesse mundo baixo, da decadência, nem dos níveis mais inferiores ainda que esse (mas não cabe aqui discutir isso agora, nem as evidências dessa obviedade). Todos eles foram e são bastante úteis como meios de atingir certos conhecimentos. Tanto que uns são utilizados pela psicologia,  por exemplo, até hoje, de outras formas,  mas se trata exatamente da mesma coisa, separação do engano de um falso eu e ou, muito mais comumente, cultivo do eu ou da personalidade. E isto tem tido sua utilidade nas patologias e até certo ponto no geral também. Ainda podemos encontrar a ferramenta hermética utilizada em alguns campos da ciência, na parapsicologia por exemplo, e muitas ordens se utilizam disso como modo de obter experiências  (ainda que suas interpretações sejam erradas e incompletas) que leva, a ter consciência de dimensões mentais e as vezes até espirituais. Enfim todos esses meios ainda são usados para objetivos diferentes, mas sabemos que não nos leva à salvação, à libertação, à iluminação...

O terceiro talvez seja o mais simples e famoso, que é unindo-se o eu e ou a personalidade a divindades através basicamente do culto a elas, feito de várias formas. Essa via é usada por muitos como alguns xamânicos; os paganistas, politeístas, animistas, panteístas, etc.; as religiões antigas como da Grécia antiga, Roma, Esparta, Egito, Congo, e em toda África, Índia, Mongólia e China, na verdade, também pelos famosos astecas,  maias, etc.. Os livros filosóficos mais antigos da Índia já advertiam "você se unirá a tudo aquilo que ama [ou adora] e presta culto" e por isso há o mandamento "somente ao Senhor teu Deus adorarás e somente a ele prestarás culto". Não é uma exigência egocêntrica de Deus, é o modo dado pelo eterno para livrar-nos do mal de, por engano ou má consciência, nos ligarmos a ídolos, falsos deuses, espíritos impuros, etc.. 
Já nesse caso é claro que não passa de um grande e terrivel engano, que no máximo pode servir nesta vida como um tipo de cultura da personalidade, por exemplo. É muito óbvio para nós aqui que estes meios são, em suas esmagadora maioria, dirigidas para "divindades" erradas, gerando não apenas enganação, mas ao seu fim, condenação. De forma alguma poderiam gerar qualquer libertação, pelo contrário, só aumentam as obrigações inúteis que distraem e que ligam a pessoa a esse mundo e ao teatro que estão representando sem saber e finalmente à mesma dimensão inferior a que estes espíritos estão indo invariavelmente.

Estes meios ainda que no passado pudessem conduzir à  libertação (e de fato não podiam) hoje estão mais do que obsoletos. Pois o ser humano tem degenerado, corporalmente, psíquicamente e espiritualmente a tal ponto que não pode produzir de si coisa alguma, nada pode ser produzido por força própria do ser humano em questões espirituais,  absolutamente nada, o ser humano é completamente impotente em relação a seu espírito e alma (onde mesmo os poucos resultados sao temporais e exigem muito esforço  e superação) no que tange à eternidade e ao pleno conhecimento da verdade. O ser humano mal consegue por sua vontade e esforços permanecer consciente, atento, alguns minutos no presente apenas, sua mente por si só vai a mil lugares; suas emoções também não estão sequer parcialmente sob seu controle, é tão reativo como qualquer outro animal; não pode sequer ficar consciente nos sonhos sempre que queira, nem sequer lembrar o que quer, na hora que quer,  informações que estão ali em sua mente, mas ela as libera segundo suas próprias regras, o eu não tem controle senão temporário ínfimo,  sobre tudo isso. Imagine, se nós não podemos manter nossa consciência nem no sono, o que garante que a manteremos ou que despertaremos mais ainda depois da morte? O que garante que ela estará onde queremos que esteja, que veremos e vivenciaremos o que esperamos.? É preciso uma força realmente espiritual, que tenha o poder, só o que é espiritual pode atuar no espírito, o resto é engano.

Mas existe uma quarta via, que até utilizou, historicamente falando, em alguns momentos, essas outras, mas mais para beneficiar os que nela se encontravam. Nesta via o eu (não importa se seja considerado transitório ou essencial) é transformado de forma correta, ou seja, de volta aos padrões originais, da natureza original, não da decadente, isto é, não dessa natureza mortal. Ela é chamada de via trasfigurística por alguns ou via da transmutação por outros. É a via alquímica. E aqui sim, agora temos a via do "negue-se a si mesmo", pois não é simplesmente a negação do eu não tendo um substituto, uma realidade para colocar no seu lugar; não é uma afirmação de que o eu não existe, é dizer o que é que existe, o que é que ocupa legitimamente esse lugar, no retorno à natureza original, na cura humana.

Nós não siplesmente expulsamos o eu ou o negamos. Nós o deslocamos, colocamos no seu lugar, que é a cruz. Mas não por nosso esforços, não por nossas mãos, e sim através da aceitação, recepção, crescimento e desenvolvimento do real, do eterno em nós, que é Cristo em nós, que é o botão de rosa que vai desabrochando em nós. Onde? Na cruz. O eu vai para seu devido lugar, que é na cruz, e o eu é nossa cruz, Cristo é a rosa. O eu é crucificado, mas quem faz essa obra é Cristo em nós, nós não temos capacidade de irmos para a crucificação, nós apenas tomamos a nossa cruz e seguimos a Cristo negando a nós mesmos,  como ele fez, e o Cristo gradualmente tomará o lugar do eu. Esse é o processo trasfigurístico da rosacruz verdadeira, chamado transmutacão alquímica. É assim o processo. Pois "ele deve crescer e eu devo diminuir", até  que "não viva mais eu mas Cristo viva em mim", e que "Cristo seja tudo em todos"...

sábado, 14 de dezembro de 2019

O Grau Rosacruz - parte 3

Uma maneira de descrever os sete graus dessa via é pelo que a pessoa deve predominantemente aprender em cada  um deles. É uma sequência de aprendizados que devem ser praticados em toda sua capacidade e possibilidade, cumulativamente, por cada grau:

1. Esclarecimento
O estudo intelectual, tudo que precisa ser estudado, analisado, lido, relido, anotado, ouvido, assistido, etc.. Iluminação também significa esclarecimento, a para informação não é iluminação, ela precisa ser processada: relacionada a outros conhecimentos, analisada, racionada, meditada, ponderada, entendida, compreendida, possuída. Mas é preciso aprender a aprender, aprender a estudar, desenvolver a atenção voluntária a concentração consciente, despertar capacidades atrofiados e adormecidas da mente e da consciência; nossa mente tem capacidades cognitivas que muitos sequer imaginam, e nossa consciência é infinita. Este tipo de estudo é típico de todas as vias da ordem.

2. Purificação
Eliminação de todos obstáculos à visão da realidade, à visão espiritual e a visão das demais dimensões da existência. Falando assim parece uma aprendizagem egocêntrica visto que o objetivo é pessoal e o benefício também parece pessoal, mas quando olhamos o que são esses obstáculos entendemos que são algo que nos torna inimigos uns dos outros, inimigos de nosso próprio espírito e inimigos de Deus. Estes obstáculos são pecados, erros, iniquidades, egoísmos, medos infundados, enfim, tudo que envenena nossa mente e obstruída nossa consciência nos fere, fere a outros e não agrada ao Onisciente, nos afasta dele, nos separa de nossa consciência. Consciência gera poder. O ditado "Deus não dá asas a cobras" é muito certo nesse ponto. Purificação é deixarmos de ser as cobras que aprendemos a ser, abandonar a natureza de serpente pela qual substituímos nossa natureza original; significa justamente a cura, o reestabelecimento da mente ao seu estado normal, sem essas influências que não vêm da natureza original, que não vem de Deus. Há um modo de isto se realizar aqui, muito diferente dos esforços de outros caminhos, pois a purificação de fato e definitiva não pode ser feita por nós, nós não temos esse poder, ela é feita na medida em que reconhecemos essa natureza estranha em nós e entregamos ao médico, o cirurgião que sabe como tratar, remediar e finalmente extrair completamente o tumor, a doença, o parasita, uma a uma, e de fato nos libertar do desvio ao qual estávamos submetidos. É um trabalho em parceria,  ou seja, ele não invalida os meios psicológicos dos quais dispomos na ciência, nem os meios empíricos que dispomos, mas os corrige e otimiza. Temos algo a fazer aqui, é por isso que é um aprendizado, é isso que estudamos e ensinamos aqui. Só que precisamos entender que todo esse "trabalho" que fazemos é falho e reversível, na verade sintomático, só o trabalho cirúrgico do especialista é que pode de fato nos curar. Você, não sendo médico, teria a arrogância de negar o trabalho do cirurgião e se atreveria a fazer você mesmo uma  cirurgia, em você mesmo? Então esta é a grande diferença entre esse e os outros caminhos, esta e outras vias: nós temos um cirurgião, um médico, um especialista,  que tem essa habilidade, está sabedoria, este poder. Este cirurgião é Cristo em nós... Cristo não é apenas o único especialista em salvar o espírito, ele é também o único cirurgião que pode curar e salvar a sua alma corrompida. Por isso damos muita importância a esse aprendizado.

3. Meditação
Saber meditar e saber o que é meditar é muito mais difícil hoje, quando isto se tornou popular, do que antes quando a maioria nem sabia direito o que é meditação, nem que existem maneiras diferentes de meditar.  Porque meditar é fácil e muitos já o fazem sem sequer saber. Tanto na definição chamada ocidental da palavra quanto na definição oriental. De maneira sucinta meditar é refletir, por a atenção concentrada em algo e com esforço refelexionar, raciocinar, fazer relações, processar dados sobre este algo. No oriente sucintamente falando também, ao contrário do que se pensa, meditar não é muito diferente disso, a palavra que eles usam, mal traduzida como meditação para nós, é concentração em sua tradução correta (e sobre determinado objeto único,  como respiração ou mandala é apenas um treinamento para isso, um exercício); a única diferença marcante é que esta atenção concentrada em algo é geralmente, por técnica, feita relaxadamente,  isto é sem tensão, é enfatizado o não-esforço ou o chamado esforço correto, uma medida correta. De fato as definições todas que são dadas hoje, esse mundo de informação (e engano e charlatanismo incluso) só dificultam, não apenas entender o que é, mas também conseguir meditar. E sem meditar é impossível estudar de fato, porque sem ela, é possível até fazer observações, ler e decorar textos e até certo entendimento, mas e impossível ter compreensão e apropriação do conheciemnto sem meditação. Como é  possível apreender algo sem concentração, sem atenção, sem vigilância? Meditar é, em uma palavra, vigiar. A meditação correta engloba as duas definições acima, é isto que precisamos aprender, porque nossa atenção e concentração com esforço tem limite de tempo e alcance, precisamos ampliar muito esse alcance, tanto em capacidade, quanto em duração quanto em profundidade, ou seja, detalhamento. Já pensou, por exemplo, ler, escrever ou estudar prazeirozamente por doze horas seguidas sem cansar? Já pensou observar um fenômeno de seu interesse e perceber todos os detalhes, causas, condições e consequências? Já pensou compreender o significado de palavras ou fenômenos ou equações aparentemente sem sentido e sem relação? Tudo isso, não só é possível, como deveria ser o normal, pois são capacidades normais da mente. É como desenvolver e aguçar essas capacidades que aprendemos e treinamos nessa fase. A meditação cristã porém ainda vai muito mais além, uma das coisas é a satisfação na lei, na palavra, no conhecimento e na revelação de Deus. É quando esta reflexão, esta concentração, esse procedimento cujos detalhes são aprendidos nessa jornada permitem que estes significados brotem e se ramifiquem, e a pessoa veja claramente ao ponto de sentir uma alegria libertadora, ao ponto de ver revelar-se o que antes parecia oculto e aquela falta é preenchida, aquela necessidade, antes até oculta, agora é exposta e satisfeita, aquela sede é constantemente saciada. A meditação enquanto resultado é o vai desde a compreensão intelectual até a intimidade com o Senhor, a unidade com ele.

4. Oração/Devoção/Rendição
Essa etapa é crucial. Como dizem uns, passamos do natural para o sobrenatural, isto é, para o que está além dessa natureza e até além da natureza original, para o contrato com o criador da natureza, o Onisciente. Trata de como termos uma relacão pessoal e direta com Deus. Não que antes alguma pessoa que ora não tenha, mas que agora deve aprender profundamente e de todas as maneiras como se comunicar com Deus. Orar é conversar com Deus, é se relacionar com Deus e existe uma forma correta, a forma como Deus gosta que nos comuniquemos. A comunicação não pode ser unilateral, não somos apenas nós que falamos com Deus, ele também fala conosco, ele quer falar conosco, temos que aprender a ouvir, escutar, entender Deus. Se amamos a Deus queremos agradá-lo, não vamos nos comunicar de qualquer jeito, sem cuidado ou levianamente, etc.. Quando amamos alguém procuramos agradar, por que com Deus seria diferente? Também vamos aprender como cultuar a Deus corretamente de forma que o agrade (ao contrário do que muitos pensam, Deus não se agrada com qualquer coisa, ele pode tolerar e perdoar e até atender, mas não significa que a forma de devoção esteja de seu agrado), é preciso conhecer a Deus e saber como ele aceita ser cultuado, como é o culto racional do qual Deus se alegra. E é preciso saber como se entregar a Deus, como é esse sacrifício vivo e agradável a Deus que é a auto-realização total a vida de Cristo em nós, a vida no Espírito, o andar na presença de Deus. Aqui vai entender o que é entregar-se a Cristo e porque deve ser uma entrega completa, vai saber o porquê da entrega, como ela é para nosso benefício, não um favor para Deus, ele não precisa disso, mas é para nossa salvação e restauração, para nossa libertação, pois éramos escravos (da matéria, do pecado, da carnalidade, da morte, dos vícios,  das necessidades, das limitações humanas, da vontade do inimigo, etc.). Vai entender o que opera em nós nessa rendição. Aqui vai compreender e levar a cabo o que é negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir a Jesus (vai entender como esses três são sinônimos didáticos e como proceder em atitudes, fala, mente, ações, enfim, na prática).

5. Testemunho e Ensino
Agora há bastante experiência e estudo, entendimento e compreensão. A luz não pode ficar escondida, isto seria um crime, é preciso levar a luz ao mundo. Essa é a grande missão. Todo cristão é feito não apenas filho e herdeiro de Deus. É também recebida responsabilidade, dons, talentos e encargos. Todo cristão, é feito também testemunho, voz, embaixador e sacerdote de Deus. Seu maior ensino é o testemunho verdadeiro de sua vida e de suas palavras. Mas também há grande parte do ensino que é  a sua própria narração de seus testemunhos, de sua própria experiência.  E grande porte do ensino depende da experiência e do estudo, da pesquisa aprofundada, com informações que no geral as pessoas que não estudam não têm. Mas ainda não só isso basta, precisa aprender a ensinar, a ouvir, a ter uma organização na transmissão das idéias,  uma didática, e métodos de transmissão eficazes na aprendizagem. Essa é a parte do ensino que cabe a nós. Não estamos diante dos tribunais para que Deus coloque as palavras em nossas bocas, embora ele possa colocar, mas segundo a vontade do Senhor,  não a nossa, não substituindo a nossa parte, devemos nos preparar, essa é  nossa parte, não podemos fugir disso preguiçosamente dizendo que o Espírito fará tudo. Ele certamente fará, mas não fazer nossa parte é negligencar as formas de nos ensinar que Deus nos deu facilmente, como estudar a Bíblia, por exemplo. O povo de Deus erra por quê? Por falta e conheciemnto, está escrito. O ensino envolve por sua vez tem que envolver estudo teórico, prática e realização. É preciso reconhecer a realização e para isto é preciso ser experiente também nisto. O esino intelectual, envolve aprender gradualmente o ler, o estudar e o meditar; o ouvir, o escutar, o entender, o compreender, o apropriar-se; a prática,

6. Fazer o Bem.
Muitos de nós se acham capazes de fazer o bem e até de sempre fazer o bem. Ao que estamos nos referindo quando dizemos que fazemos o bem? Nem sabemos que bem devemos fazer, nem ao todo, nem em parte. Pensamos que somos bons? Já outros querem relativizar o que é o bem,  chegando até extremos de fazer isso não apenas em termos de ações, morais, mas também éticos e de saúde. A situação é tão absurda que a noção de bem e mal, uma vez posta em questão, gera dúvidas até sobre a possibilidade ou não de suas existências. O embaraço chega a tanto que pode ser comparado a tolice de alguém que por saber que os números são abstração, dizer que eles não existem e que a matemática por isso não pode ser uma ciência exata. É exatamente esse tipo de raciocínio infantil que sustentam os considerados maiores filósofos e críticos da moral a partir da época moderna, e ainfantil admirados e idolatrados por isso. Definitivamente isto não é um pequeno problema. Não saber o que é exatamente bem e mal, não perceber com exatidão isso, e até perder a noção ética e moral disso na pós-modernidade é um dos grandes problemas da humanidade, é uma grande ignorância, e porque não dizer uma grave deficiência mental. Pouco há a ser dito desse estágio, porque a maioria está muito envolvida com uma ilusão de ser bom ou pior, de ter uma natureza boa ou da não existência de bem e mal. Aqui se aprende o que é bem e mal com exatidão matemática, o que é relativo, e seu limite, e o que não é relativo; o que é bem independente de qualquer coisa. Nesse estágio temos que passar por dois choques de realidade, (1) ver nossa natureza humana e o que nem sabíamos que somos e então (2) aprender a fazer o bem que acreditávamos já saber fazer. É preciso conhecer a natureza original, para nos libertarmos da natureza corrompida e consequentemente do seu vício de entendimento e de sua percepção incorreta de que as coisas e o universo são amorais, e perceber até sua arrogância em crer que moral é uma coisa da mente humana. Aprende a ver por si mesmo que tudo é moral (e tudo tem propósito e significado justamente porque vem de um significador moral e não o contrário). E aprende a atitude correta. De amor. E esse amor é agape, é incondicional, é sem julgamento, é o amor que ajunta, que é a forca de coesão em tudo, que reconhece o barco em que todos estamos e se doa sem distinção, incondicionalmente. Esse amor é chocante e incompreensível para quem não conhece Deus e que não se entregou completamente a Deus ainda. Este amor gera um serviço, ele é ligado a seu fruto, não siplesmente causa, ele é ação, uma vontade irresistível que invariavelmente se tranforma em ação e mais ação. Esse amor quando mira o alvo se define: é querer com todas as forças a felicidade, a salvação e a libertação do outro. É uma vontade irresistível de que o outro também acorde. E isso é impossível se a pessoa não acordou, pelo menos um pouco, do sono da ilusão do mundo, da ilusão deste mundo. O bem aqui é em sentido completo. É dar de tudo e qualquer que seja o necessário para o bem. Então é preciso conhecer o que é o bem. E isto é muito difícil para o gênero humano entender, é isso que vamos aprender aqui, o que é e como fazer. O bem se dá, não julga. "Daí a todo que te pedir", é consciência plena disso, é doação total, em estar pronto para doar sempre e querer estar doando, é saber como, o que, quando, quanto doar, saber o que é realmente o bem e fazê-lo.

7. Ensinar a fazer o Bem
Note que aqui foram listadas algumas coisas que as pessoas costumam pensar que já sabem, que já fazem, mas que realmente não sabem completamente e nem sabem como fazer isso com excelência e se fazem é apenas por alguns instantes de sua vida. Fazem infelizmente bastante para se sentirem bem, bons, nobres; para aumentar a auto-estima ou a falsa percepção de si próprios. Muitos pensam que atingirão a iluminação, a "evolução", ou a salvação por fazer "o bem", ou pior, obras de caridade. A maioria no mundo pensa que alcançará a salvação pelas boas obras. Interessante. Que relação tem uma coisa com a outra? Nenhuma, não tem lógica alguma isso, mas a lavagem cerebral que aqueles que crêem nisso exerce sobre a sociedade é tremenda, e eficiente. Aposto que você já pensou assim algum tempo. Eu já pensei. Só que temos que encarar os fatos, boas obras não salvam, nem iluminam, e evolução sequer existe, não passa de invenção. Quanto antes se abandonar essa falsa lógica da troca melhor. O outro fato é que o ser humano só tem uma pequena noção de bem, muito pequena mesmo e apenas imediata. É como um jogador iniciante de xadrez, o experiente calcula muitas possibilidades e até de muitas jogadas à frente, o iniciante mal calcula a consequência imediata de sua jogada. Melhor diríamos se falassemos que o ser humano não consegue fazer o bem. Mas que tal se aprendêssemos a viver para o bem, para fazer o bem e ensinar a fazer o bem? E se tudo na nossa vida fosse voltado a essss momentos? E se vivêssemos para apresentar a salvação, a libertação e a regeneração aos seres? E se fizessemos isso usando justamente o que mais temos prazer em fazer, usando nossos dons e talentos? É isto que vamos vivenciar nessa fase. Acontece que já recebemos essa missão, que já recebemos dons e talentos, que já fomos capacitados para isso. Coube a etapas anteriores descobrir tudo isso, Coube a etapa logo anterior a esta aprender como, aprender a aplicar, aprender como se usa quais sejam os dons e talentose, na sua verdadeira missão, no seu propósito de vida. Cabe-nos agora, que aprendemos e que somos experientes, ensinar outros a atingirem o mesmo, com excelência. Na verdade na maioria dos aprendizados das fases anteriores as pessoas apenas pensam que sabem ou seguem conceitos errôneos de amor, bem, iluminação, etc.. Esclarecimento, purificação e meditação são exemplos claros disso, todos acreditam que sabem o que é, mas geralmente não sabem ou seguem visões erradas do que acreditam ser e de como se realiza isto. Nesta etapa todas as confusões, dúvidas e relativismos foram deixados para trás. A comparação aqui é como uma flecha já em direção certeira ao alvo sem nenhum obstáculos que a possam impedir. O caminho é certeiro, o alvo é certo, e o atirador é perfeito. Então a flecha simplesmente vai, a cada instante sua alegria nessa jornada e sua certeza da trajetória, do alvo e do ponto onde atingirá, apenas aumentam. A pessoa vive em função desse amor que vivencia em completa entrega realizando sua própria vontade mais profunda em plena compreensão e satisfação. O ensino aqui pode ser de várias maneiras, mas invariavelmente sua vida é toda ensinamento... Sem vivenciar a fase anterior é muito difícil compreender ou imaginar essa fase. Mais difícil ainda é entender como é que quando abriu mão e sua vida, de sua felicidade de seus objetivos e passou a viver para o outro, justamente agora encontrou sua verdadeira vida,  felicidade, objetivo. Mas mais uma vez é preciso encarar os fatos, a realidade é que assim acontece. Não vive mais para si, vive para Cristo, em Cristo e por Cristo. Então encontrou sua verdadeira vida, este é um fato, esta é a realidade. Até que Cristo se tornou tudo neste e vive então para que Cristo se torne tudo em todos e passará a eternidade conhecendo este infinito...


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O Grau Rosacruz - parte 2

A graduação mais tradicional da rosacruz pode ser tanto aquela em três graus quanto a subdivida em sete. Esta forma em três equivaleria mais ou menos aos nossos três níveis. Então temos três níveis subdivididos em sete graus. A diferença é que essa é uma das graduações em nossa ordem que começa a partir do segundo nível porque nossa ordem aceita no primeiro nível pessoas de todas as crenças e religiões como pesquisadores e estudantes e a rosacruz só aceitava cristãos verdadeiramente convertidos. O que acontece agora é que se apessoa é cristã já, ou ao estudar história, cristianismo, bíblias, essênios, etc. decide se tornar cristã, se verdadeiramente  se converter, ela deve entrar nessa graduação, não que seja obrigatório, mas que essa é a graduação dentro da tradição cristã. Se entrar nela pode decidir por esta somente ou seguir a outra que vinha seguindo em paralelo (se não entrar ela segue a via que vinha seguindo desde o começo...). Na graduação rosacruz a pessoa estudará a fundo, teologia, cristologia, soteriologia, paracletologia, etc.. Além disso aprenderá os níveis de significados e tipologias usadas pelos escritores da Bíblia, compreendendo os significados que antes pareciam ocultos. Aprenderá também a praticar a fundo o cristianismo verdadeiro, até os últimos objetivos e últimas consequências; praticando a alquimia rosacruz, que não é nada mais que a alquimia espiritual, que é o método de transmutação da alma ensinado por Jesus e seus apóstolos e que está totalmente descrito no evangelho, ainda que não tão obviamente para muitos, sem a necessidade de qualquer outra revelação posterior.

Esses três graus vão equivaler aos três níveis a partir do segundo em nossa ordem, isto é, o segundo nível completo com seus três graus, o terceiro nível completo com seus três graus e, caso alcance, o grau (sétimo neste caso) de realização acima do terceiro nível (chamando por uns de completa iluminação, por outros cristalização completa, por outro de transfiguração completa, etc.). Se a pessoa já for comprovadamente convertida pode entrar já no segundo nível, desde que apenas nesta graduação especial chamada graduação da Confraria Rosacruz. Como são esses graus?

Uma forma tradicinal de se classificar os graus é quanto às realizações:

1. Discernimento e Conhecimento
Através do conhecimento, esclarecimento, aprendizado consciente e prática o estudante percebe por si mesmo sua condição real e a real condição desse mundo decadente. Consegue discernir muitas ilusões às quais estava relacionado e acostumado a ver como realidades. Reconhece as realidades mentais e conscienciais e assume uma nova atitude de consciência desperta momento a momento, como um cientista observador, como um vigilante sobre uma torre. Desta observação acurada surgem conhecimentos e experiências reais... Surge nele então o anseio por libertação (das ilusões, limitações, condicionamentos aprisionantes, condições decadentes, etc.) e por conhecimento, por conhecer de fato a verdade. Ocorre também, devido ao reconhecimento, o arrependimento genuíno, a vontade autêntica de mudar de direção, agora para o caminho de Deus, que é a conversão: voltar em direção a Deus, abandonando a via do mundo e toma o caminho contrário, para Deus, este é o sentido da palavra arrepender, mudar a direção, e converter, verter para Deus. Então por essa decisão e pela fé em Jesus Cristo, pela confiança, ocorre o renascimento espiritual.

2. Comunicação
Aprende maneiras de se comunicar diretamente com certas dimensões do ser (as superiores), uns dizem com as partes mais internas ou superiores de sua consciência outros dizem com seu anjo da guarda, mas de fato é com o Espírito Santo, enfim com o próprio Deus (anjos e partes do ser são mensageiros e receptores respectivamente); aprende como ouvi-lo sem dúvida, como entender, como obedecer suas instruções...

3. Entrega de Si Mesmo e Novo Nascimento
Verifica seu grau de entrega, de sua vida, e entrega completamente, a Cristo, não só como seu Salvador,  mas também como seu Senhor, aquele que conduzirá todo o processo interno. Cada parte de sua vida é entregue a este comando (o ego para de tentar ser o Senhor é torna-se um servo de Cristo, um secundário, em tudo), nada deve ficar, tudo deve ser entregue, nenhum comando mais pode ser seu, apenas a vida do Cristo deve ser sua vida agora. Deve entregar tudo. Cristo deve crescer e o velho homem deve diminuir e morrer, a cada instante, num processo contínuo. Aqui começa sistematicamente a operação da cruz no estudante.

4. Nova vida e Consciência Espiritual
Em decorrência do processo anterior começa a se desenvolver uma nova vida e nova consciência espiritual, entendimentos (muitas intuições, tomadas de consciência e compreensões) e experiências  (comunhão, visões, dons, fenômenos, etc.) realmente espirituais. Ter consciência espiritual é tomar consciência dos princípios espirituais, não apenas dos fatos e dimensões espirituais (que não pode também ser mais confundidos com experiências, fenômenos e dimensões mentais).

5. Transmutação
Aqui se encaminha para o seu aprendizado o processo de transformação da alma. Cristo foi gestado, nascido e agora o neófito já alimentou-se suficiente com o leite da salvação, dos rudimentos e fundamentos da fé verdadeira (pistis, confiar, crer e ter convicção); agora, não deixando os fundamentos, mas deixando os rudimentos de obras mortas, parte para a obra à qual foi destinado por Deus e se alimenta do alimento sólido como verão crescido até a medida é a estatura, do homem original à imagem e semelhança de Deus, Cristo Jesus.

6. Viver para a Libertação de Muitos
Deus nos salvou para as boas obras. A primeira e toda a obra é crer no Deus único e no filho de Deus, aquele que ele enviou. Esta é a obra da salvação, mas Deus quer que cheguemos ao pleno conhecimento da verdade. Para isto há mais a fazer, sem o amor a Deus e ao próximo isto é impossível. Deus nos fez agora todos sacerdotes dele, embaixadores dos céus na Terra. Ele nos enviou agora para pregar, ensinar e curar como fez nosso mestre, é  assim que devemos fazer, viver para isso, para que assim essa obra completa chegue a ser realizada por muitos. É o que uns chamam de voto do bodhisatva (orientais chamam assim o não entrar para o descanso eterno sem ter levado a libertação a muitos), permanecer ensinando e trabalhando para a salvação de muitos, para a edificação da igreja de Cristo e para que muitos também cheguem a essa iluminação e até a restauração e reintegração final junto ao Pai.

7. Reintegração
Tornou-se um morador de dois mundos conhecendo as duas naturezas, fez sua obra, isto é, cumpriu a vontade do Pai, o propósito de sua existência terrena, e largou o fardo completamente, então retorna à natureza original, finalmente, com a morte do corpo e retorno ao estado original aguardando com os santos o dia da ressurreição plena e a vida eterna com Deus.

Este é um processo há muito estabelecido, procurei fazer uma descrição o mais correta e sucintamente possível, mas segundo o que veio em minha memória e pelos meus estudos. Existem outras formas de descrever, muitos usam uma forma mais alegórica e alguns até mais fisiológica, ms essas formas de descrever geram muitos erros e práticas erradas, por isso procuro descrever o mais literalmente possível. Os termos que descrevem essas realizações tem variado de acordo com as escolas e grupos ao longo do tempo, mas o que importa é o que eles definem. É claro que estas realizações são muito mais complexas do que o que se pode dizer com uma palavra ou expressão ou com essa pequena explicação. Nós também classificamos os graus em processos de aprendizagem. Veremos no próximo item.


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