quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O SISTEMA INICIÁTICO DA ORDEM (parte 2)

 A GRADUAÇÃO INICIÁTICA CIENTÍFICA
                Em alguns outros artigos já foram expostos explicita ou implicitamente os tipos de iniciação científica da ordem, seus graus e níveis. Os níveis por vezes são chamados de etapas do caminho ou da escalada. E os graus são suas subdivisões. Mas não é demais recordar resumidamente e organizar esquematicamente, em relação às outras iniciações, alguma descrição desses.
                As iniciações científicas e práticas se confundem, dificilmente poderíamos separá-las. As iniciações práticas discutidas anteriormente constituem parte dos graus de formação. Desse modo, os primeiros graus que constituem a graduação prática, do mesmo modo constituem a graduação acadêmica ou científica, e assim por diante. A diferença é que numa temos uma graduação acadêmica de conhecimentos e experimentos científicos e na outra, paralelamente cursada, temos uma graduação prática individual que vai desde práticas exotéricas até outras mais ocultas.
                Agora explicarei a subdivisão dos graus 1, 2, e 3 nos graus I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI.
De agora em diante na graduação iniciática ritualística os graus 1,2, e 3 são chamados câmaras eles são o que costumamos chamar de etapas. A primeira câmara (1ºgrau) é chamada de torre do xadrez, a segunda de cavaleiro e ou bispo e a terceira de rei ou rainha em exercício (em preparação, estágio, treinamento) e se ela alcança o grau X e ou XI é rei ou rainha consumado. Os outros (I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX ) podem ser chamados subgraus são nominados de acordo com suas características. Nela primeiro a pessoa é iniciada na ciência, alquimia, na segunda etapa ela é introduzida nos mistérios, na religião, e por último no esotérico, na yoga, no tantra ou realização profunda.
Na graduação prática os graus 1, 2 e 3 são chamados de níveis ou simplesmente graus, mas também são chamados pelos nomes da graduação acadêmica, como foi nominado anteriormente: graduação, pós-graduação e doutorado respectivamente. Estes também podem ser chamados pelos nomes das iniciações ritualísticas (1ºgrau, torre do xadrez, 2ºgrau, cavaleiro e ou bispo e 3º grau, rei ou rainha em exercício; e se ela alcança o grau X e ou XI é rei ou rainha consumado). Já a subdivisão destes é chamada de graus práticos ou degraus ou platôs da experiência, quando todas as práticas alcançam realização plena de acordo com o nível. Neste caso os níveis coincidem com platôs de experiência e penetração. A primeira etapa como explicado em outros artigos é cientifica, a segunda é religiosa (ou filosófica como preferem alguns) e a terceira é tântrica, ou seja, religiosa de fato, yóguica de fato. A primeira etapa é de conhecimento, a segunda de contato e a terceira de união, a quarta pode acontecer sendo então nesse caso chamada de etapa de realização.
Na graduação científica ou acadêmica, que é a que vamos abordar agora, não existem os graus, este são chamados de níveis, como foi dito acima: graduação, pós-graduação e doutorado. E neles existem os subgraus de formação: três ou quatro na graduação, três na pós-graduação e três no doutorado que são chamados simplesmente de graus ou séries. Assim temos a graduação com graus I, II, III podendo ter mais um IVº; a pós-graduação com os graus I, II, e III; e do mesmo modo o doutorado. Mas podemos utilizar a ideia de graus já que eles são cursados paralelamente. Então os podemos também chamá-los de graus e subgraus respectivamente. Nela não temos graus de consumação de fato, a consumação é a culminação no grão IX, com a consecução do doutorado. Se houver atingimento dos graus de consumação nas outras vias de graduação ela simplesmente é chamada de rei ou rainha consumado tendo ou não concluído o doutorado. Sendo que o ideal de um bodhisattva é continuar estudando praticando e pesquisando para melhor guiar os seres.
Seguem abaixo alguns trechos de artigos anteriores revisados que aclaram mais um pouco a questão das etapas da escalada em sua relação direta com a formação por um lado, e, por outro com a realização prática.
AS TRÊS ETAPAS DA ESCALADA
A nossa primeira jornada é marcada predominância do adquirir, do obter. Aqui estão os primeiros passos e a base, a parte mais importante, pois sem a base, construções em níveis superiores são muito perigosas e desabam rápido. Aqui vem o conhecimento em grande volume de informações e até uma tempestade às vezes; até que o aluno esteja cheio e perceba que o importante são as relações que constrói entre os conhecimentos, os insights, e o que faz com eles. É o jardim de infância. Onde aproveitamos os impulsos da natureza pelo prazer pelo novo, pelo conhecimento e pela segurança (o familiar, o estar em casa) e dirigimos essas forças em proveito da libertação. O noviço dedicará mais tempo e energia para adquirir principalmente aquilo que não tem, mas acha que tem, a saber: consciência, vontade e amor. Junto com isso técnicas, meios, exercícios, metodologias, para realizar as tarefas que ainda não é capaz ou não sabe, é o começo da sabedoria e do autoconhecimento, rumo à autolibertação.
O estudante não reconheceu de fato o inimigo no ego ainda; mas uma parte dele aprenderá a querer libertar-se de “si mesmo”, do falso ego e de suas projeções e limitações. Vamos adquirir conhecimentos e experiências que mudarão nossa maneira de ver, aproximando-nos cada vez mais de ver as coisas como realmente são. Ainda o sujeito pode não ter percebido a unidade (ainda que já tenha percebido a interconectividade) entre o “mim” e o outro, entre “eu” e o mundo, entre o mundo interior e exterior, nessa fase, mas esses conhecimentos e experiências podem levá-lo ao “pulo do gato”, ver isso, que a realidade brota, flui como uma coisa só e que a separação é arbitrária, enganosa. Pode durar de três meses a um ano graças ao método, por nosso lado, e o esforço, pelo lado do aluno.
A segunda jornada é marcada pela predominância do abandonar. Aqui já o aspirante reconhece o inimigo no ego ou em partes dele pelo menos, já vai abandonar aquilo que causa o sofrimento sem sofrer com isso e logo estar forte para abandonar também os obstáculos que impedem a visão do real. Os conhecimentos são mais e mais aplicados e surgirão os insights que orientarão o melhor caminho e a visão do estudante. Já não deve haver mais divisão entre eu e o mundo, entre o “mim” e o cosmo, no nível da compreensão, portanto, ele abandona não os instintos, mas o exagero dos mesmos, no que se refere à (1) autopreservação (sempre desconfiado, hostil, agressivo ou desnecessariamente violento) e (2) reprodução (sempre buscando relações sexuais e sinais reprodutivos que interpreta como beleza, atração, gostosura, sensualidade, paixão ou mesmo amor, etc.) que sugam seu tempo e sua energia. Abandona também atividades prejudiciais e inúteis que se impulsionam pela busca cega do prazer, e emprega seu tempo mais no caminho, na meditação, na concentração, abandona a distração, dispersão, desperdício de si mesmo. A experiência deve ser cada vez mais profunda e expansiva até a compreensão e quiçá a experiência de que ele, de fato, é uno com todo o universo e com tudo e que seu corpo mortal e sua mente humana limitada são apenas uma parte ínfima e efêmera de um fenômeno muito maior ao qual se conectará e do qual participará mais conscientemente. Pode levar de um a cinco anos (ou mais), mas pelos métodos sempre bem direcionados sendo bem aplicados estimo que em três anos qualquer pessoa de inteligência mediana alcance tal estágio num nível de treinamento e leve ao nível de domínio e maestria na próxima etapa.
A terceira jornada é marcada pela predominância da união. É a Yoga, no sentido da palavra. É a verdadeira religião, onde as distinções falsas e discriminações errôneas foram reconhecidas e a abandonadas. O abandonar e adquirir também caminham juntos de modo equânime. O trabalho com as energias sutis pode ser desenvolvido assim como as percepções sutis, o autoconhecimento é o conhecimento também de todo o universo. Micro e macro cosmos são reconhecidos não apenas como similares, mas como um só. Pouco se pode descreve desse desenvolvimento, mas pode-se usar a imagem da onda que se reconhece como sendo na verdade o oceano. Sendo ‘onda’ uma manifestação passageira e limitada desapega-se do erro e ao dissolver no mar não se esquece de si mais, mas sente-se completa, todos os oceanos e todas as ondas podem ser agora por ela conhecidas e sentidas como sua própria realidade. Nesta fase se dá gradativamente o entendimento e a percepção do fluir simultâneo do presente em relação a toda onda causal atrás de si. Assim começa a perceber a complementaridade de tudo, nos três tempos, e da plenitude do presente; a forma e as sensações como consequências da consciência e das intenções, portanto a inseparabilidade entre conhecedor, conhecimento e conhecido, e quiçá chegar ao controle das faculdades cognitivas direcionando sua mente sem obstáculos livremente para qualquer que seja o objeto de conhecimento. Nesse processo a diferença entre ser iluminado ou ainda não ser é apenas com relação a conseguir penetrar e dirigir a consciência aos objetos corretos que serão também aprendidos nesta etapa.
Estas etapas podem ou não ocorrer paralelamente com o processo iniciático, tudo depende do esforço, do talento e da dedicação de cada um assim como também do bom karma do candidato e do seu instrutor (e da purificação do karma através do trabalho também). As ações meritórias são sempre recomendadas, pois nosso karma negativo de muitas vidas é sempre um grande obstáculo à Grande Obra. E embora hajam instrutores habilidosos em várias tradições e alguns com poderes telepáticos fantásticos, nada disso garante o sucesso do estudante se este não quiser e não se dedicar os suficiente. Além do mais, o universo todo pode ser conhecido antes que o coração do próximo venha a ser conhecido. O mistério mais profundo é o outro. O maior engano do mundo é pensar que conhece bem alguém...
A primeira etapa é a aquisição do conhecimento, a segunda a eliminação do prejudicial e a terceira o equilíbrio e a união. A primeira de estudo, a segunda de purificação e só então poder. Pois poder sem sabedoria e com impurezas é a fonte de todo erro de todas as ordens, escolas e religiões. Quando a religião causa desgraça é por que em algum momento houve poder em mãos despreparadas e impuras e ou de ignorantes.
Por isso em nossa primeira escalada predomina o crescimento da consciência, na segunda e com a continuidade dele surge a vontade que tem a força do domínio e da cura, no terceiro então com o crescimento da consciência incrementado pela eliminação dos obstáculos com a força da vontade essa se volta para a união natural das polaridades, então surge o verdadeiro amor, o amor universal, representado pela união ou como se diz “a volta ao lar” (sendo que na segunda etapa o amor no sentido religioso é a mola de força propulsora da vontade e a vontade na terceira etapa é já o poder que realizará a união, ou seja, a culminação amorosa). Com a consciência e o conhecimento se estará pronto para compreender cientificamente os aspectos éticos que culminarão na compreensão da realidade última, una, onde se vê claramente que toda ação se faz a si mesmo, que tudo são aspectos do todo, diferenciados por uma visão contaminada, parcial, obstruída. Como dar poder a quem nem sequer consegue vislumbrar isso? Seria um desastre para o calouro e para a ordem, esse erro será corrigido nos mínimos detalhes. A primeira jornada é experimental, a segunda é filosófica e a terceira é yogi, é a verdadeira religião, a reunião, só que consciente, iluminada, com a totalidade, a realidade pura e plena.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O SISTEMA INICIÁTICO DA ORDEM

PARTE I: SISTEMA PRÁTICO MÍNIMO

Para obter a graduação total são necessários três tipos de formação simultâneos em cada grau: (1) prática, (2) de conhecimentos e (3) ritualística. Nesta ordem de importância. Assim sendo a prática o mais importante é preciso que o estudante conheça o esqueleto básico de práticas iniciáticas, aquelas que todos terão que realizar para alcançar os objetivos cada vez mais elevados.  

1 = A GRADUAÇÃO
                É a preparação, onde serão aprendidos os pré-requisitos indispensáveis. É a formação. O sistema atualizado que levará qualquer pessoa a estar apto para o caminho iniciático, para o despertar e para a Grade Obra. O sistema não é rígido: pode conter três ou quatro graus conforme a decisão dos encargos, o que não alterará os nomes ou graus seguintes.
Os aprendizados, experiências e conhecimentos envolvidos nesse grau são os relativos ao comportamento, à consciência e à atenção. A iniciada deve comprometer-se com o estudo dos conhecimentos, a atenção vigilante constante e experimentar a mudança comportamental. As práticas e conhecimentos são fixos, isto é, pré-determinados. E os ritos são variáveis e de caráter experimental para o estudante sendo a iniciação final fixa. Há também ritos que não são de caráter experimental para nós, mas já experimentados e confirmados, sendo abertos ao público por serem considerados bons, que devem ser experimentados pelas estudantes, sendo para ela de caráter experimental obrigatório à formação prática. Existem graduações ritualísticas opcionais. Tudo isso é falado na parte sobre ritos e o que são ritos.
Os graus práticos são os abaixo relacionados, mas não os ritos.
Os conhecimentos e ritos serão explicitados em outros artigos.
Cada grau tem três iniciações essenciais e várias opcionais. As iniciações de cada grau, exceto o primeiro, não são sempre necessariamente dadas na mesma ordem, mas de acordo com a análise do professor a cerca da necessidade e ou aptidão do candidato.
Mas as últimas só podem ser mudadas em sua sequência dentro da própria graduação: não podem ser dadas ao graduando, mas apenas ao doutorando ou àquela que esteja no último grau da pós-graduação, a não ser por alguma razão muito bem fundamentada (por exemplo, alguém com muitas faculdades bem despertas ou alguém cuja morte é muito próxima).
Os conhecimentos requeridos a cada grau são vários, não apenas de um tipo. Por exemplo, quando vai aprender meditação sentada aprenderá vários tipos de meditação sentada, seus métodos e tudo o mais requerido em cada uma como preparação, local, posturas corporais e mentais, as etapas, os fundamentos, opções como mantralização, visualização, respiração, etc., e se necessário ou pedido, um histórico, as tradições e ou livros e linhagens de origem, histórico de resultados, etc. e isto é valido para todas as práticas.


1º Grau: exotérico; científico; moral. Enfatiza o conhecimento, o comportamento e a consciência. É adquirir.
Iº Grau
Ela deve aprender a praticar a atenção vigilante momento a momento sem tentar alterar nada, apenas observar e principalmente observar-se. O exercício principal para isto é estar sempre consciente da consciência, de seus conteúdos e das ações mentais, da fala e corporais.

IIº Grau
                Ela deve, além de continuar com a prática do primeiro grau, aprender a meditação formal em suas quatro posturas: sentado, andando, em pé e deitado. Ela deve praticar diariamente também essas práticas, quantas queira e quantas vezes queira por dia.

IIIº Grau
                Ela deve experimentar os primeiros quatro treinamentos comportamentais continuando as práticas do primeiro e segundo graus e observando as consequências dessas alterações do comportamento. A tomada desses treinamentos pode ser feita de uma em uma ou todas de uma vez.
                Os quatros treinamentos são: (1) não matar (nenhum ser sensciente, isto significa praticamente que não deve destruir ou causar sofrimento em qualquer animal, que não deve mais matar a não ser por extrema necessidade nada além de vegetais, ou seja, não deve matar nenhum ser que tenha consciência); (2) não roubar; (3) não ter relações sexuais inapropriadas (isto quer dizer não ter relação sexual, forçada, através de chantagem, através de ameaça ou qualquer outro jogo de poder ou troca, relação com menor sob responsabilidade dos pais, com alguém casado ou comprometido com outro, com animais, com vegetais, com cadáveres, etc.); (4) não mentir.
                Junto com isso deve gradativamente aprender e por em prática o abandono dos obstáculos, das primeiras impurezas e problemas; o “soltar”, o desapego e o não agarrar; a transformação das emoções ruins e das impressões; as três marcas e os quatro esforços.
                Junto com a atenção vigilante de instante a instante nesse estágio ela deve adicionar o questionamento e a observação sobre em que plano está para que essa atenção seja despertada também quando estiver em outros planos, para isso ela receberá métodos de observação, de analisar e de testar para saber com certeza me qual plano se encontra. O caminho do alquimista em seu primeiro significado a ser aprendido: transmutar o chumbo da personalidade egóica no ouro da virtude da consciência pura.
                Ao final do processo ela deve dominar a atenção, os processos meditativos e Rigpa e compreender os benefícios da adoção dos treinamentos (benefícios internos e no ambiente) e relatar sobre as experiências em outros planos.

2 = A PÓS-GRADUAÇÃO

2º Grau: mesotérico; científico; religioso. Enfatiza a vontade, a consciência, o amor e a experiência direta (antes dissemos que esse grau enfatizava mais a vontade, porém trata-se de um dos aspectos da vontade, seu conhecimento, o outro, sua manifestação, serão ensinado no grau seguinte; e o amor já precisa ser aprendido no aspecto  religioso e universal, no grau seguinte seu aspecto supremo de união será ensinado). É abandonar.

IVº  Grau
                A iniciada deve aprender a meditação metta, seus métodos e utilizá-los diariamente. Ela deve também aprender a meditar sobre um tema. Cabe ressaltar que meditar sobre um tema não é pensar sobre ele, como fazer isto será ensinado. Ela deve estudar os temas e escrever também, criar algo sobre eles (podem também ser gráficos, desenhos, representações simbólicas, matemáticas ou geométricas). Aqui a meditação será ainda mais relacionada ao conhecimento. Então acrescentado às práticas do 1º Grau deve meditar sobre os seguintes conhecimentos adquirido, por exemplo: quatro nobres verdades e o nobre caminho óctuplo; namarupa; três princípios; três faces da verdade (consciência, amor e vontade); as três marcas; os cinco treinamentos; paramis; o Uno, a gnosis, o Tao e o despertar; os sete princípios herméticos; os três fatores do despertar da consciência; os sete fatores do despertar; os quatros jhanas; as quatro realizações supra humanas; os quatro e os cinco elementos da natureza; nirvana; os quatro fundamentos da atenção e outros temas práticos do dharma; a verdade exposta e oculta na tabua de esmeralda , no sutra do diamante, na pistis sophia e outros escritos que lhe serão apresentados; o significado do ser e do universo; a unidade da multiplicidade; a morte e o renascimento; a conciliação dos paradoxos; o “vazio” em seus três aspectos (anatta, sunnata e  Nirbbana ); as núpcias alquímicas; o significado dos símbolos que nos rodeiam (da vida). Deve também conhecer a lei do eterno retorno, meditar sobre ela e explicá-la, etc. depois disso deve escolher o tema principal, que constituirá sua tese de pós-graduação (ou seja, não é uma escolha apenas intelectual, ela terá que experimentar algo deles através da meditação e quiçá fundindo-se durante esta ao tema).

Vº Ela deve aprender outras técnicas de desdobramento psíquico (astral e agora também mental). Sabendo isto deverá aprender a dirigir-se a locais sagrados ocultos e conhecer diretamente seres destes locais. Deve elaborar também, baseado no nosso sistema de experimentos, testes comprovatórios dessas experiências seres e realidades(que garanta não se tratar, no sentido normal da palavra, de um sonho, uma fantasia, um delírio ou mentira). Junto ao desdobramento astral e mental deve completar os cinco treinamentos e os cinco treinamentos especiais em retiros, períodos e datas especiais.

VIº Ela aprenderá e ou aprofundará conhecendo os aspectos mais ocultos do seguinte: seis ritos tibetanos; yogas (da clarividência também); divindades e meditação com as; transmutação e sublimação solitária; telepatia, telecinese, a economia da natureza, dos centros, do sexual, muscular, dos sentimentos e dos sentidos. Deve junto a isso aprender os antídotos e sua utilização e também; psicologia e medicina psíquica (introdução, fundamentos e elementos); as relações de saúde e karma; a filantropia; sobre rituais, consagrações, conjurações, exorcismos, invocações e evocações; os mecanismos efetivos das religiões e a real natureza das divindades. Ela deve aprender a tingir os jhanas (dhyanas) e os sete fatores. Deve aprender e decidir pelo abandono dos três primeiros grilhões; aprender a transformação dos venenos a meditação com visualização, o tong lem e outras curas, fitoterapia e medicina oculta (conhecimento). Pode ser introduzida na operação e receber palavras de poder. Deve aprender a transmutações solitárias em movimento (exercícios, posturas, mantras...); experimentos “extrafísicos” com seres e materiais; técnicas de conhecimentos de mundos superiores; as dez perfeiçoes (e praticá-las); o caminho do diamante. Aqui serão revelados: o segundo sentido do caminho alquimista da transformação; o templário e o templo. O que dá o grau (a formatura) é o jhana e a diminuição dos grilhões e a decisão pelo caminho (se tornar monge ou cavaleiro do xadrez).

3 = A DOUTORAÇÃO

3º Grau: esotérico, científico, tântrico. Enfatiza o amor, a vontade e a transformação. É união.

VIIº  Deve aprender o caminho do bodhisattva (conhecimento do terceiro giro da roda do dharma) e as práticas requeridas, tomar então os treinamentos requeridos iniciais de sua preferência. Deve aprender os significados profundos do ser, do universo e de sua missão; descoberta sua vontade verdadeira, agora realizá-la. Avaliar profundamente as práticas anteriores e um aprofundamento das mesmas deve ser feito, detalhamento da meditação e práticas num nível mais profundo e ainda mais particular.

VIIIº  Novas práticas, práticas tântricas completas. União e assunção das divindades. Domínio dos realizações imateriais e do caminho óctuplo. O caminho do bodhisattva completo. A transformação dos venenos e o abandono dos três grilhões. O abandono total e real das três primeiras impurezas e pelo menos o arrefecimento das segundas. Preparações alquímicas, chás porções e outros elementos externos. Zen e vendo não vejo, não vendo vejo. Caminhos da mente única e da não mente (praticando o caminho da mente única).

IXº A unificação dos caminhos: o alquimista, o monge(“abismo”, “deserto” e ou cavaleiro  (chefe de família, professor) e o bodhisattva. A unificação dos caminhos, doutrinas teorias, religiões, escolas, ordens; a união de todos os raios da roda no cubo central e a visão do eixo Transmutação alquímica, solitária e de casal. Tantra hinduísta, budista, hermético e taoísta (suas diferenças e igualdades) e as quatro sabedorias tântricas. As transmutações psíquica, física e sexual. Retirando os véus. Abandono dos cinco obstáculos. Observe que sempre desde o quarto grau até aqui cada grau de experiência está atrelado a graus de virtude e purificação, isto não é vão. Assim também cada estágio meditativo e cada etapa comportamental esta diretamente relacionada com o progresso na realização da experiência direta e da visão. Isto tudo é pré-requisito do que vem a seguir. A arte real. Yoga, lamaseria, seis ritos e seis yogas, sete yogas, yoga superior, cura. A experimentação das mais altas realizações. A grande união, união; a união com o pai, com a mãe; a união com o Uno.
                A consecução desse grau deve ser prática, teórica e de realização. Como as realizaçoes podem ser difíceis para alguns o requerido para a graduação são o total domínio das outras duas partes, isto é das praticas e das teorias. As realizações requeridas são todas as dos graus anteriores (do Iº ao VIº pelo menos) e as fundamentais desses graus do doutorado: VIIº descoberta da vontade; VIIIº abandono dos três grilhões com resultados visíveis na meditação e IXº auto transformação alquímica pessoal. O significado profundo disso, porém, só é entedido pelas iniciadas.

4. GRAUS SUPERIORES DE PURA REALIZAÇÃO

Xº O despertar, a iluminação, a liberação, nos níveis menos elevados de arahant e bodhisattva.

XIº O despertar, a iluminação, a liberação, no nível mais elevado de arahant e bodhisattva.
                Sobre estes pouco pode ser dito e compreendido, mas existem textos sagrados e alguns dos nossos artigos serão sobre isto.



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Tábua de Esmeralda (revisto e corrigido, 2021)




11.       É verdade sem mentira, certamente a maior verdade.
22.       Que aquilo que está embaixo é como aquilo que está acima e aquilo que está em cima é como o que está abaixo para fazer os milagres de uma única coisa.
33.       E como todas as coisas foram surgidas a partir de um pela meditação de um: assim todas as coisas tiveram o seu nascimento a partir desta uma coisa por adaptação.
44.       O Sol é seu pai, a Lua sua mãe,
55.       o vento o carregou em seu ventre, a terra a sua nutriz.
66.       O pai de toda a perfeição no mundo inteiro está aqui.
77.       Sua força ou poder é inteiro se for convertido em terra.
77a.  Separes tu a terra do fogo, o sutil do grosseiro suavemente com grande engenho.
88.       Ascenda-o da terra ao céu novamente descenda-o à terra e recebas a força das coisas superiores [e]  inferiores.
99.       Por este meio tereis a glória do mundo inteiro, assim, toda a obscuridade fugirá de ti.
110.   Sua força está acima de toda a força. Ela vence cada coisa sutil penetra cada coisa sólida.
111a. Assim foi criado o mundo.
112.   A partir deste são vindas adaptações admiráveis ​​pelos quais os meios (ou processo) nisto aqui está.
113.   Daí eu ser chamado Hermes Trismegisto, tendo as três partes da filosofia do mundo inteiro.
114.   Aquilo que eu disse da operação do Sol é completamente realizado.

Tradução de Isaac Newton , 1680 ,  encontrada em seus textos alquímicos. ( "Newton's Commentary on the Emerald Tablet of Hermes Trismegistus" in Merkel, I. and Debus, A. G., Hermeticism and the Renaissance. Folger, Washington 1988 )

O texto acima em inglês pode ser encontrado em vários sites. Este aqui veio do trabalho de António Monteiro Filósofo e escritor português, membro de The Rosicrucian Fellowship. Pode ser acessado completo no site http://www.fraternidaderosacruz.org/am_atde.htm.
Esta tradução de Newton da versão em latim é nossa preferida porque além de Newton ser um cientista e rosacruz colocou nessa tradução alguns poucos elementos que a tornam mais reveladora.
Normalmente a tradução desta para a nossa língua comete o ato impensado de corrigir não só as abreviações de Newton (que aqui também não foi colocado abreviado porque algumas não têm concordância correta), mas também certos aparentes erros de concordância e pontuação, como alguns arcadismos.
Creio que no geral tudo isto não foi uma displicência de Newton, mas feito de propósito, pois sendo ele também um alquimista devia conhecer bem a matéria que estava traduzindo e provavelmente quis revelar algo com esse tipo de “erro” gramatical supostamente presente. Por isso procurei manter o mais fiel possível, mas ainda assim se o leitor quiser entender melhor dever ler o original em inglês, pois lá estão abreviações disconcordantes que também podem significar alguma coisa.
De toda forma vamos primeiro apresentar uma tradução para depois tratarmos das versões em latim, traduzindo-as. Assim ao ler a tradução direta do latim o leitor talvez possa intuir mais significados cujas dicas são apresentadas na tradução de Newton.
Uma observação que sempre deve estar presente em estudos sobre A Tábua de Esmeralda é sobre a palavra Thelesma, ou Thelesme, ou Telesmi, palavra difícil,  que não existe no latim e que aparece traduzida por estudiosos como “coisa completa”, ou seja, perfeita, perfeição, como traduz Newton. É uma palavra desconhecida que também é normalmente traduzida como talismã ou tesouro, porém, telesmi é uma palavra grega, em alguns textos aparece grafada como thelesmi, que vem da palavra thelema (no plural thelemi), vontade.
Na tradução de Fulcanelli aparece escrita theleme. Parece outra dica alquimista. Na versão da tábua de esmeralda de Chiram aparece como vontade (que é thelema em grego). Por tudo isso a palavra muito provavelmente se refere realmente ao grego thelema, vontade. É como acreditamos que seja por motivos para nós óbvios (que serão discutidos em seguida) e é como traduzimos.
Alguns tradutores omitem esse detalhe. Existe até mesmo um trabalho em português que nega que a palavra original correta seja thelema, isto sem dar nenhuma explicação, nem apresentar qualquer argumento convincente. Esse trabalho apenas afirma que a palavra telesmi não tem relação com o grego thelema. Por uma falta de conhecimento ou mesmo má intenção podem haver outros que apontem nessa direção errada. Neste caso é sempre bom o leitor pesquisar várias traduções.
Newton preferiu a palavra perfeição para thelesmi, em vez de vontades, mas pode ser por estar se referindo simbolicamente à mesma coisa, o que é perfeito, ou seja, o todo feito, completo, que em nosso sistema alquímico mais atual é o mesmo que a vontade, bem assim provavelmente é o mesmo no sistema alquímico newtoniano. Aqui há um grande ensinamento portanto. Perfeição é, por outro lado, uma ótima palavra pois no contexto desse trabalho, que é síntese e resumo de toda a obra hermética, há um trabalho a ser feito no mundo (tanto o macro como o micro devem ser restaurados à perfeição, reintegrando os seres à ordem original), "suavemente com grande engenho", ou sutil e com amor, como diz outra versão. Ele diz qual o trabalho e como realizá-lo dessa parte em diante do texto, e também seu propósito, que é presente desde o início. 
Por ser um resumo de muitos pontos e para ser tão pequeno é claro que o texto tem que ser muito simbólico em tudo, nos mínimos detalhes, para sumarizar para aqueles que já conhecem os conceitos e significados de cada termo e expressão simbólica ali, e para revelar, sem dúvidas, àqueles que estiverem prontos e dispostos já para a Grande Obra. Mas existem traduções, versões e traduções de outras versões que podem ajudar a completar tal entendimento. 
Existe, por exemplo, um trabalho em inglês com várias traduções tradicionais e algumas alternativas, inclusive a tradução de uma versão hipotética original chinesa. Trata-se do trabalho intitulado The Emerald Tablet of Hermes
Multiple Translations, encontrado em http://www.hermetics.org/pdf/ontablet.pdf.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O.I.T.O. (Manifesto Parte 3)


            O que mais dizer agora sobre o último estágio, além do que já foi dito anteriormente?
            Primeiro precisamos mais uma vez enfatizar que a verdadeira O.I.T.O. é composta por iluminados e trabalhadores em prol do despertar que não habitam este mundo material.
            A O.I.T.O., podemos dizer, é o mesmo que a Fraternidade da Luz, chamada por vários nomes diferentes em várias culturas, escolas e religiões. Entre esses podemos citar Grande Fraternidade Branca, Loja Suprema, Loja Branca, Comunidade Interior da Luz, Grande Escola Iniciática, Comunidade Interior e Luminosa do Senhor, Colégio dos Eleitos, etc.. A esta nós por vezes chamamos simplesmente de grande ordem, Ordem Superior ou Fraternidade da Luz.
            A ela nós atribuímos a sigla O.I.T.O. como nos foi orientado, isto também para distinguir de outras denominações e principalmente para destacar o objetivo de nossa ordem, ao qual todos devem almejar alcançar.
Mas como isso ainda não está ao alcance da experiência do estudante não vale muito a pena falarmos sobre. Só restaria ao estudante crer ou não no que falamos e isto é o oposto de nossa metodologia. Quando houver desenvolvimento suficiente ele mesmo reconhecerá e tirará suas próprias conclusões, que também evoluirão à medida que a experiência avance.
Falemos então sobre a parte da O.I.T.O. que está agora ao alcance do estudo e da experiência dos iniciantes.
            A grande maioria das ordens tem objetivos modestos, pequenos, tais como os que correspondem apenas ao primeiro grau da Ordem Superior, consequentemente equivalem aos primeiros três graus de nossa O.H.E.O., ou seja, um treino, uma preparação moral e purificação mental, e o melhoramento da humanidade em direção da liberdade. Ora, este objetivo é nobre e muito importante, mas quase todas as religiões exotéricas desse mundo já o comtemplam.
Outras ordens seguindo esse modelo que é função das religiões (e não a principal função das ordens) pretendem garantir uma vida futura melhor e mais consciente neste ou em outros mundos. Ignorando ou escondendo que esta prometida “salvação” não é eterna nem final. E pior ainda que resulta em retorno a este estado (como isto ocorre é delineado em outros artigos).
Objetivam uma espécie de vida paradisíaca ou como anjos, devas, deuses, ou seja lá como chamem. É o “céu” dos cristãos e judeus (que sequer suspeitam ser um estado passageiro e imperfeito por desconhecerem o significado dos símbolos nos seus próprios livros sagrados, em especial no Livro de Melquisedeque, no Evangelho de João e no Apocalipse, e ainda não aceitarem ou desconhecerem os evangelhos gnósticos). É o renascimento melhor ou paraíso dos budistas (exceto as terras puras, das quais realmente não se retorna mais). É a união com Brahma (ou seja qual for outro deus) dos hinduístas, etc..
            Nossa ordem contém esse objetivo nos seus primeiros três graus, os procedimentos para chegar a esse estado constituindo um pré-requisito para os seguintes. Mas nossa ordem, e ainda como outras, almeja algo mais adiante, o despertar. Esse despertar incialmente significa (1) o despertar da consciência cada vez mais e (2) o despertar das faculdades psíquicas.
            A grande maioria das ordens se conforma em ir só até aí, o que leva teoricamente o praticante a melhores renascimentos futuros e até a permanências longas em paraísos depois da morte. Mas isto não é ainda libertação, pois a pessoa retornaria após esgotar os frutos do bom karma, por ter sido apenas um imitador das virtudes, o que não deixa de ser bom, mas para não retornar ela precisaria extinguir as causas sutis de impurezas específicas que a faz retornar a esse mundo, a essa projeção, a este tipo de ilusão da qual não se livra facilmente. Principalmente precisaríamos destruir completamente o apego a tais impurezas bem como às ilusões desse mundo. Assim veríamos não apenas “paraísos astrais” ou mentais nesta e na próxima existência, mas veríamos verdades, fora das ilusões desses mundos, escaparíamos da “matrix”, renasceríamos em uma terra pura, um paraíso sem ilusões que possam atrasar nosso desenvolvimento, em que tudo nos levaria ao despertar mais e mais.
            Tudo isto pode parecer muito além da capacidade de experiência humana, mas como bons cientistas pretendemos provar o contrário, ou seja, não nos conformamos com menos.
            Portanto na primeira fase podemos até nos comprometer e realizar transformações apenas a um nível, digamos, psicológico, físico e comportamental. Mas em seguida temos que provar para nós mesmos a realidade daquilo que merece ser buscado. E dentre essas buscas não nos conformamos com nada menos que a libertação desse estado condicionado de coisas que cotidianamente chamamos “este mundo”. Esse é o objetivo mais baixo da ordem.
            O objetivo mais elevado não poderia ser menos que a libertação última, o despertar completo, a onisciência como dizem alguns (não onisciência como geralmente se traduz impensadamente), a gnosis total, a união com o Uno, a fruição da verdade eterna, Nirvana, o supremo despertar, a suprema felicidade, a suprema bem aventurança, o supremo.
            Esta é uma das grandes diferenças de nossa ordem. Nos três últimos graus a pessoa pretenderá se unir à grande ordem, conhecê-la, conviver com ela, e fazer parte dela. Nos últimos três graus ela o fará ainda indiretamente se não tiver adquirido tal capacidade conscientemente. Então fará também através de encenações (ritos) e símbolos que despertarão no fluxo de sua consciência novos significados e compreensões. Fará então contato com tais forças através de processos cada vez mais diretos quando as poderá inicialmente sentir, depois ouvirá, verá, etc. e ao lado disso poder se transportar para onde possa ver e ouvir.
Mas os dois últimos graus são reais e de realização pura. Não se chega até eles sem isso, nem se pode fingi-los sem ser notado, nem se chega com nenhum estudo, cargo, nomeação, herança, etc.. Só se chega por si só e verdadeiramente. Os dois últimos graus são o real e ultimo objetivo da ordem.
            A saber: o décimo grau é o de se tornar um não retornante, um purificando ao ponto de não retornar mais a este mundo. Ele irá aprender e ou ensinar a partir de e em uma terra pura, um céu de não retorno, um paraíso puro, um campo ou loja da fraternidade da Luz. Ele só volta aqui se quiser, após o despertar completo. Não somos nós que dizemos isso, são os seres que já alcançaram o máximo de despertar. Então os últimos graus podem envolver devoção e confiança nesses seres, mas não é uma confiança cega nem sem base. É uma confiança que deriva da experiência de ter comprovado até agora seus ensinamentos.
             O décimo primeiro grau é o de desperto, iluminado, completamente liberto. Ele pode acontecer nesse mundo ou no próximo, numa terra pura, numa “morada divina”, no “reino de Deus”. Tal reino ou terra não é um tempo que virá, ele é e nunca deixou de ser, ele é um lugar, uma dimensão de realidade. Mas ele é também um estado de consciência, ele está também dentro de nós, nunca deixou de estar... neste grau o iniciado conhece por si mesmo o reino de Deus, o Nirvana.
            Em qualquer dos outros graus ele pode ou não ter esse conhecimento, essa experiência, mas ela ainda será incompleta (a ela gradativamente mais será acrescentado ou nela sempre ainda faltará algo) e ele retornará ao estado anterior que tenha conquistado. Mas atingindo o décimo primeiro grau ela se torna um habitante desse lugar, desse estado.
É muito fácil confundir as primeiras experiências com uma realização última e completa, pois é algo muito diferente e superior ao que estamos acostumados, que parecerá absoluto. Por isso a orientação de um amigo (frater) experiente é sempre necessária em cada grau, alguém que esteja pelo menos um grau acima em realização.
            Alguns interpretam que isto se refere a um estado e é um estado também, mas não só um estado; outros como sendo um lugar outros como sendo um ser... Nirvana não é outra realidade, ele é a única realidade, todas as outras são alucinações. Nos dois últimos graus há a cura.
            As pessoas aqui são como jovens viciados em uma eterna viagem de LSD ou chá de cogumelo: elas veem e fazem coisas, mas as coisas não são como elas veem, nem elas fazem as coisas como pensam que fazem. Assim elas se machucam, sofrem, demoram a aprender e a amadurecer, repetem gestos e erros como se fosse a primeira vez.
            Os graus últimos vão além de entender isso, significam a cura, através da cura do vício, as alucinações vão desaparecendo, vem a lucidez e a experiência do real.
            Nos graus O.I.T.O. se aprendem as práticas mais avançadas dos tantras, da alquimia, e do hermetismo. Quando já se está preparado pode-se receber e se dedicar a estas práticas sem nenhum perigo para si ou para outros.
As práticas mais poderosas devem ser aprendidas e realizadas, além de outras que não devem ser abandonadas. A gnosis se processa gradativamente.
            Para saber mais sobre esses graus e também sobre os outros veja os artigos que explicam os onze graus um por um e os que falam das três etapas que correspondem aos graus iniciais, O.H.E.O., aos intermediários, F.I.T.O. e aos mais avançados, O.I.T.O..
            Por fim é preciso que se saiba que os sete primeiros graus podem ser cronológicos. O primeiro como uma preparação em matéria de conhecimentos gerais; os seguintes como uma graduação universitária e os que vem depois como “mestrado”, pós-graduação e doutorado.
Os graus finais podem ser tanto alcançados subitamente, como levar muitos anos, ou uma vida, ou muitas vidas. O conhecimento que esses graus envolvem não podem ser comparados aos conhecimentos comuns ou mesmo os primeiros conhecimentos iniciáticos. Eles não podem ser ensinados, transmitidos ou controlados de alguma forma. Assim me foi dito: eles são infinitos, ilimitados, eternos.

“Por que vivo? Para que vivo? Qual o sentido de minha vida?”

Essas são as perguntas que o iniciado mais cedo ou mais tarde vai ter que responder a si mesmo. Ninguém aqui dará estas respostas. Só você pode descobri-las e respondê-las. Só você pode dar satisfação a si mesmo, ninguém mais lhe deve satisfação quanto a isso. Você estará livre, terá que descobrir, ou, talvez, criar “um propósito” para sua vida, nós apenas podemos oferecer meios para descobrir.
Existem muitos meios para se descobrir a verdadeira vontade, o seu fito, mas nenhum é tão fácil ou evidente. Todos envolvem um labirinto do qual só você pode tirar a si mesmo.
Por que vivo? Para que vivo? Para me desenvolver, reproduzir, sofrer, envelhecer... e depois simplesmente morrer e desaparecer? Sou apenas mais um animal na multidão da massa “sofrente” para nada?
Habitamos um pequeno planeta, um pontinho de poeira galáctica, de uma pequena galáxia no meio de bilhões de galáxias num dos universos que ocorrem na eternidade; na espiral do tempo nós somos um nano-segundo na duração de um universo, de que vale a nossa vida? Ou será...? Descubra!
A individualidade e todos os demais aspectos da personalidade que chamamos “eu” parecem uma impressão evidente, e mesmo em sua constante mudança e evanescente vir a ser nos parece permanente, mas isto  é obviamente uma ilusão, e justamente essa ilusão é a que  aprisiona a consciência a um tempo e à forma... Existe algo em nós que pode estar além dessas limitações à qual poderíamos ter acesso aqui agora? Existe algo em nós que pode transcender a natureza, o tempo, a forma e a impermanência? Existe algo no indivíduo que o faz precioso diante das multidões do universo e da eternidade? Este é um convite a você para descobrir essas respostas por si mesmo sem deixar dúvidas.
Que outras perguntas você tem? Que outras perguntas você poderá responder? Quais os melhores caminhos e que opções temos? Para onde há que se ir? Existe realmente para onde ir? Venha e veja.
Isto também não pode ser dito, revelado, como fazem as religiões do ocidente com suas respostas prontas às quais se tem que conformar ou não, acreditar ou não, artigo de fé. Este processo não é apenas um meio de entrar numa cadeia de auto-engano e ainda enganando outros por medo de “não garantir seu lugar nu céu”? Estamos realmente sendo bem orientados e conduzidos? Estamos conscientes disso? Ou estamos caindo numa armadilha que mais e mais nos prende a esse mundo e suas demandas? Estamos realmente nos libertando, expandindo nossa liberdade e nossa consciência ou estamos aumentando nossas limitações e conformismo à escravidão, à incerteza e à ilusão?
Pode levar um tempo, mas você algum dia terá de dar essas respostas a si mesmo, e terá que ver por si mesmo tudo isso, então vai ter que saber onde pode querer ir e como chegar lá.
A grande ordem de tempos em tempos atualiza seus meios conforme a necessidade projetada por nossa condição. O que queremos oferecer são meios, recuperando os antigos, atualizando os novos, para chegar às respostas, à verdade e à liberdade.

Ninguém pode abrir os olhos daquele que não quer ver. Nós só podemos ensinar. Não podemos dizer o que é a verdade ou a liberdade. Cabe a você soltar os músculos, os medos, os apegos, as aversões e mover as pálpebras para então ver por si mesmo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

F.I.T.O. (Manifesto Parte 2)


F.I.T.O. significa Fraternidade Iluminística dos Templários do Oriente.
Internamente ela pode ter ainda dois outros significados. Deles podemos dizer que fito significa alvo, desígnio, finalidade, intenção. Aqui também é, mas é mais que isso; é a flecha, o atirador e o próprio alvo no mesmo momento, é ainda o espaço cruzado pela flecha que une a todos, que está em todos; é o raio composto de três fases que se eleva da terra até as nuvens, com tal força e destino certo que é impossível que não atinja o alvo (isto é um “mistério” muito importante da nossa ordem, que será explicado ao que estiver preparado para essa graduação).
Fraternidade significa o que já foi explicado anteriormente mais esta nova compreensão. Através dessa segunda acepção de fraternidade, como um todo e que engloba também o que está aparentemente fora e distante (como a flecha, o ar e o alvo aparentemente estão fora do arqueiro, e, o alvo, a iluminação, que embora presente, é visto como distante) o trabalho ganha uma força muito grande a partir do momento que é compreendida e que se trabalha conforme essa nova compreensão. É uma fraternidade como já foi explicado, mas aqui já de amigos companheiros de caminho (não necessariamente somente os da ordem) que podem também trabalhar juntos e dividir tarefas. Agora começa o momento de não mais trabalhar sozinho nem apenas para si, mas para cumprir o seu papel no grande Obra, o desígnio de sua existência, que resulta em um bem para todos, que equilibra a equação de todo universo. Ser fraterno envolve dois sentidos de amor: philus e Ágape.
É iluminística nos mesmos sentidos que já foram explicados no caso da O.I.T.O.. Mas aqui vamos enfatizar que a luz também é “dirigida para fora”, ou melhor, ela procura abranger o todo e atingir todos os seres. A palavra “iluminística” pode causar algumas confusões, de acordo com o modo como alguns a entendem, mas ela desperta menos confusão do que a palavra adequada aqui que seria “dos iluminados” (ou como se dizia antigamente illuminati) ou ainda pior, se fosse chamada “luciférica” (que emite luz), que causa confusão com o nome Lúcifer (nome que significa o mesmo, ou seja, portador da luz ou aquele que trás ou emite a luz, pois agora como portadores de alguma luz vamos trazer a luz às trevas, ou seja, como no mito de prometeu traremos o fogo, a “chama sagrada”, a luz ao mundo). No entanto, aqui a palavra “iluminados” se referiria ainda de forma indireta, àqueles que foram esclarecidos dos mistérios fundamentais, não ainda como na O.I.T.O., se referindo à ordem interna que posssui verdadeiros iluminados. Não usamos esses outros nomes também porque esses dois mitos (lúcifer e prometeu) estão demais encobertos pelas superstições judaico-cristãs. No caso do ocidente cristão, por exemplo, que encobre até o seu princípio básico, o chrestus ou cristo, a verdade sobre nosso “cristo interno”. Se os cristãos ocidentais distorcem o sentido da palavra que dá nome a religião, imagine o que podem fazer com nossas palavras, ainda mais se forem próximas a algum termo que consideram pejorativo. Assim precisamos deixar claro o sentido da palavra “iluminística”, ela tem três sentidos: (1) que é uma fraternidade que tem como meta última a iluminação, o despertar, a libertação, a hiperconsciência, o Nirvana, e seus membros se ajudam mutuamente neste sentido; (2) os membros da fraternidade se preparam para serem luzeiros no meio da multidão às escuras, serem transmissores do ensinamento, da medicina, da sabedoria e da profunda paz que vem como resultados da prática e do estudo desses ensinamentos; e (3) assim como uma só chama pode acender milhares de velas e até queimar o mundo, assim como uma simples chama põe fim a trevas milenares por mais escuras que sejam, pequenas fagulhas de luz aqui e ali podem resgatar da escuridão seres que vagam em busca da luz por vidas e vidas, bem assim é nosso dever estar atentos e usar nossa ciência para o bem de todos os seres, tanto no sentido prático como no sentido de esclarecimento público, na divulgação de nossa ciência, de nossos princípios, de nossa metodologia. Ser iluminado no sentido maior é ser desperto e num sentido menor é ser esclarecido pela ciência do que está oculto, pela ciência dos ministérios dos universos e dos seres. Iluminístico envolve a busca e a realização de duas espécies de conhecimento: a gnosis (a iluminação, o despertar, o conhecimento direto de Nous) e esclarecimento (o saber intelectual e a sabedoria, que envolve a experiência e a maturidade).
Dos Templários se refere ao que foi anteriormente explicado adicionando aqui o que é próprio dessa etapa que é a preparação do templo físico e mental. É certo que antes já estávamos fazendo isso, mas agora de modo muito mais aplicado, consciente e metódico. É como uma construção em que na primeira etapa estamos estudando os projetos e desenhando as plantas, então escolhemos a arquitetura de acordo com nossos objetivos, aptidões e necessidades, compramos os materiais e fazemos o alicerce; em seguida vem esta etapa em que realmente começamos a edificação propriamente dita, a casa, o templo, que receberá o sagrado. Estaremos de fato recebendo mais claramente o que é divinal, executando a verdadeira vontade e em comunicação com a fraternidade da Luz. Devemos preparar nosso corpo e nossa mente a essa comunicação, e começar a ouvir a verdadeira voz de nosso interior que em sua linguagem silenciosa nos conduzirá a desvendar os mistérios e nos levará por caminhos justos que são adequados a nós. Para isso precisamos desenvolver a capacidade de também silenciarmos para entrarmos em sintonia com essa vibração superior, como um rádio, que sintoniza em cada canal ondas de comprimento diferentes, e transformando as ondas de rádio em ondas sonoras podemos compreender o que está no ar naquela estação. Devemos purificar nossa mente, só assim os produtores de ruído, do barulho interior desaparecerão e ou obedecerão nossa vontade quando quisermos silenciar, só assim os obstáculos que nos fazem delirar, sofrer e cometer erros deixarão espaço para alguma paz e quietude interior, ações consequentes e adequadas, e a percepção das verdades profundas que não estão escondidas, mas que esses obstáculos interiores ocultam de nós. Estes e outros desenvolvimentos de habilidades mentais são requeridos.
Devemos desenvolver o corpo; ter saúde (que não significa simplesmente ausência de doença nem por outro lado imunidade completa a qualquer doença), vencer a decrepitude que inicia seu processo silencioso depois dos 30 anos de idade, ou antes; ter energia suficiente e de forma equilibrada; vencer não só a doença, mas também o cansaço, a preguiça, o torpor, a indisposição, a falta de vontade física, a falta de concentração devido a desequilíbrios físicos e tensões desnecessárias, entre outras tantas limitações que constituam obstáculo à prática, e também à vida em geral. Devemos desenvolver e aguçar os sentidos também em seu aspecto físico e também através do aprendizado, assim como um músico bastante experiente consegue ouvir todos os naipes de uma orquestra enquanto o ouvinte não educado musicalmente apenas pensa que consegue; saber distinguir as notas e os acordes e até reproduzir cada uma das melodias separadamente. Do mesmo modo devemos distinguir os “sons” da linguagem da natureza, do universo e do que é puro, divinal; e quando tais vozes no caso da natureza, dizem verdades ou enganam os sentidos; “ouvir” as partes da sinfonia do universo que ecoa em cada instante toda sua história e através das mesmas leis repete cada vez em menor escala o que já realizou em escala maior; devemos aprender a ver suas sucessivas divisões e reproduções assim como ouvir aquela sabedoria que só se manifesta no absoluto silencio; descobrir aquele prazer, indescritivelmente maior e mais sublime, que nasce da renúncia e o amor que só se manifesta na solidão. Assim um corpo sem determinadas habilidades e sem aprender e desenvolver certas capacidades não pode receber o sagrado. Pior ainda um corpo que é veículo de fala e ações vergonhosas, violentas ou criminosas ou mesmo ações que não nos envergonha (até por nossa falta de critério e discernimento correto), mas que envergonhariam os sábios é um corpo menos apto a captar as vibrações que provém do que é superior no universo e das inteligências mais elevadas que as nossas. Nós só ouvimos e vemos o que queremos e ao que nos abrimos e tentamos captar (fora isso resta apenas algo instintivo da atenção, um estado de alerta apenas na medida para evitar grandes perigos ou agressões). Essa capacidade seletiva quase nunca é consciente e voluntária, por isso precisamos aprender a controlá-la também de modo a ver mais, ouvir mais, entendem mais aquilo realmente precisamos ver, ouvir, saber. E assim começarmos a nos tornar realmente mais compreensivos e mais inteligentes. Outras maneiras através de palestras, sermões, penitências, submissão, sacrifícios, pagamentos, tratamentos, etc., como fazem as igrejas de fanáticos e os comerciantes de “saberes científicos e psicológicos”, são pura balela, comércio; são os “que matam a alma” e levam-na ao inferno aqui agora ainda sentindo um gostinho de certa superioridade ou de ter se tornado uma pessoa melhor. Tais empreendimentos só têm ainda algum valor em nosso mundo por sua grande função social de tirar das vias do crime e das más ações muitos néscio, os psicopatas, criminosos, gananciosos, assassinos, estupradores, viciados, etc.. Nosso cérebro deve se desenvolver de tal forma que possa processar certos tipos de informações que pareceriam cálculos insolúveis para a inteligência normal. Exatamente para isso usamos um procedimento alquímico poderoso e misterioso que alterará não apenas nossas sinapses neuronais, aumentando-as, mas também potencializará geometricamente a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais despertando percepções e aptidões excepcionais e inimagináveis.
O “T” significa também Thelêmica como já foi explicado anteriormente, mas aqui há mais: quando o alvo e a metodologia são a liberdade não pode haver um só caminho para todos, mas em última análise um caminho para cada um e cada um deve descobrir ou criar, abrir seu próprio caminho. Aqui o professor se torna um facilitador, um guia que já sabe abrir ou indicar caminhos. Nessa acepção também surge o símbolo do “mestre” (significado real: instrutor-educador-pai), pois, como nas artes marciais, o professor deve ser um exemplo presente do caminho e procurar simbolizar no mundo aquele mestre que o iniciado descobrirá “dentro de si”. Uma vez descoberta a vontade é preciso colocá-la em ação. Um estudioso thelêmico deve cumprir o que determina a sua vontade, ou seja, depois de descobrir com plena certeza sua real vontade, a razão pelo qual ele veio à existência, ele deve cumpri-la, realizá-la, colocar tudo em sua vida no caminho dessa realização, em direção a ela, de modo a colaborar com ela. Ou seja, outro caráter estudante thelêmico é descoberto, a descoberta da liberdade possível, e por outro lado de que cumprir o seu dever, ou seja, sua vontade, é sua maior liberdade aqui agora, é a tomada da responsabilidade e do caminho por parte do iniciado. Ele descobrirá o tal imenso prazer e senso de liberdade quando está agindo no cumprimento dessa obrigação, desse dever, o de realizar seu fito, o proposito de sua existência, sua verdade, sua vontade.
O “Thelêmica” agora se entrelaça com o “dos Templários”, pois o corpo-mente se torna o “Templo do Senhor”, ou seja, o veículo a serviço do Senhor, do verdadeiro ser que lançou sua consciência neste animal no mundo, emprestou sua consciência a ele (o animal é o nosso corpo-mente mortal e a nossa consciência a dele), é quando purificamos nossa mente ao ponto de ouvir sua voz e fazer sua vontade, não mais seguir os impulsos animais, mas os do Senhor do Templo, da chispa divina que habita em nós e que é toda nossa realidade verdadeira, tudo que de fato realmente nós somos. Assim o corpo se tornou “a casa de Deus”, e não mais somos “filhos do diabo”, mas do “nosso Pai que está nos céus” ou falando de modo mais claro, quando o Buddha-dhatu, a natureza de buda, potencial em nós, foi despertada, quando seguimos não mais a “natureza corrompida”, mas a nossa verdadeira natureza, a natureza de buda. Que grande prazer há então em fazer a nossa vontade! Isto é um processo que incia com a purificação e os primeiros lampejos do despertar, durante a meditação, e que culmina em um despertar completo, a iluminação, o “eu e o Pai somos um”, a nossa consciência após ter-se descoberto como a consciência única, Adi-Buddha, une-se a ela: o Buddha-dhatu e o Adi-Buddha se descobrem com sendo um e o mesmo. Explicando ainda mais sucinta e claramente: a consciência individual participa da consciência absoluta, total, de forma consciente. Isto é a iluminação, isto é o despertar real.
Esta liberdade descoberta no início do processo não pode ser uma desculpa para licenciosidade (nem confundida com), mas é justamente o oposto disso, essa liberdade consiste em cumprir o dever, que é descoberto como um novo, maior e melhor prazer, mais sublime e universal. Ele se descobre uma estrela, mas num céu aparentemente infinito cheio de estrelas. Primeiro vem a compreensão disso com o ver no outro a plena possibilidade de se tornar um iluminado nessa ou noutra vida, depois vem a visão clara de que o outro já é uma estrela, apenas pode não ter descoberto, pois todos têm sua própria vontade e limitações kármicas, assim também têm suas próprias necessidades que nem sempre nos parecerão coerentes, mas devem ser respeitadas desde que não nos prejudiquem ou a outros. Quem entende a lei da vontade entende perfeitamente que sua liberdade não deve interferir contra a de outros. Isto é um assunto delicado e difícil de ser compreendido sem a devida experiência. Todavia podemos entender por thelema inicialmente como sendo o chamado para que o ser humano assuma a plena responsabilidade por sua vida, por suas decisões e também pelas consequências delas. É também e acima de tudo a responsabilidade por seu próprio desenvolvimento, autoconhecimento e libertação; é a tomada de direção rumo à descoberta do objetivo central de sua existência, o verdadeiro significado de liberdade. Significa assim um poder, uma decisão e uma força.

E aqui mais uma vez como em qualquer ordem thelêmica (antiga, medieval ou nova; falsa ou verdadeira; oriental ou ocidental; rosacruz, gnóstica, tântrica ou yogi) a descoberta da vontade passa por métodos orientais principalmente. Por isso mais uma vez o “O” comtempla todos os significados delineados anteriormente e enfatiza aqui mais uma vez o significado de “Orientalistas” ou “Orientais”. Em nossa ordem a verdadeira vontade é descoberta exclusivamente através de métodos orientais como a meditação, exercícios e ritos específicos, visualizações e outros tantos mais. Embora possamos até utilizar algumas vezes métodos e ritos ocidentais (somos livres para isso), mas não os utilizamos para descobrir a vontade ou a iluminação ou o caminho para elas (também se deve ressaltar que o candidato pode descobrir sua vontade a qualquer instante, inclusive durante práticas ocidentais, não que necessariamente a prática o tenha levado a isso; também muitas vezes a pessoa apenas acha que descobriu sua verdadeira vontade, por isso uma experiente e madura orientação é requerida sempre). Isto quer dizer que não descobrimos a vontade por modos indiretos, não é por intervenção de seres outros ou por ouvir suas palavras ou inspirações, nem pelos processos ocidentais tais como cabala, tarô, runas, numerologia, astrologia ou qualquer artifício ou oráculo, diferente do conhecimento direto, pessoal, restrito ao indivíduo em seu autodescobrimento e autoconhecimento. Nós ensinamos a candidata descobrir, não descobrimos por ela.