quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O PRINCÍPIO DA MULTIPLICIDADE [DA UNIDADE]



Na nossa casa você não precisa de mais nada
Você não precisa de ninguém
Você só precisa de você
Você só precisa descobrir você

Então verá que você não existe
Que não existe ninguém
Que não existe nada
Então verá que tudo é você mesmo

Para o não iluminado há “o mundo e eu”
Para ele há Buda e Nirvana, e o Samsara
Mas para o iluminado “eu”, “o mundo”, “Buda”, “Nibbana” e “Samsara”
São uma coisa só

Eu, Buda, Nibbana e Samsara: tudo um

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Resumo das ideias básicas do sistema


Por Fra. I.L.I.V.

1.    A consciência em si é vazia como um espelho, porém luminosa. Aqueles que não meditam não veem sua luminosidade própria, ao buscar observar a consciência não a veem de fato, mas aos objetos que estão nela, como se veem imagens refletidas num espelho. O pesquisador treinado, ao observar constantemente a ponto de já enxergar ou mesmo produzir momentos de pura consciência vazia, vê, ainda que de forma imprecisa e incompleta, apenas esse vazio e, só às vezes, essa luminosidade que para uns no início chega até a parecer simplesmente a ausência de tudo e para outros o oposto, a completude. Esta é a consciência por trás de todos os fenômenos, que contem todas as coisas e fenômenos, que comtempla todas as ideias e relações da mente. Embora ela pareça pessoal, própria, isolada, isto é apenas um engano provocado pela nossa identificação com os objetos da consciência. Quando o meditador larga esse apego ou essa identificação errônea ou pelo menos quando se identifica com a consciência em si ele percebe por si mesmo esse engano. Deixando de lado essa forma de pensar ou de ver ou esse engano ele percebe que ela em si, ou seja, fora os objetos em seu fluxo, é vazia e luminosa, aberta ao que puder surgir e não uma coisa ou um fenômeno só mas uma sucessão de consciências conscientizadas, ou seja um fluxo de ínfimos instantes de consciência sustentadas conscientes pela vontade motivada pela afeição. Como um espelho refletirá o que for possível de estar em frente a ele e seja suscetível à luz. Portanto ela é a mesma em todo e cada ser vivo, o que muda de um ser para outro é o que aparece nela, as experiências, os “conteúdos” (melhor dito, o fluxo dos conscientizados pela consciência e não o fluxo mesmo da consciência). Entretanto nos seres essa vontade e essa afeição podem ser dispersadas em objetos e fenômenos e distorcidas pelo prisma dos objetos escolhidos e fenômenos de afeição.

Isso nos leva a algumas consequências importantes. A mais importante delas é a de que a diferença entre os seres é justamente aquilo que é mortal, transitório, transformável. E justamente essas coisas, por tomar um ponto de vista equivocado, são as quais se apega (uma distorção cega ou doentia da afeição original) e por isso sofre. No topo dessas coisas está a própria abrangência da consciência quanto aos conscientizados, a intencionalidade e o afeto. Cada ser tem sua história, suas experiências, e as únicas coisas que são unicamente suas são suas ações desencadeadas por essas três elementos combinados, a consciência em seu fluxo e relações, ou seja, o que e como ‘percebe’; o afeto em sua seleção daquilo que lhe toca, de como lhe toca, de como se sente em relação a; e a intencionalidade da consciência que fica geralmente oculta, por sua rapidez, do crivo da consciência mesma distraída pelos objetos e fenômenos, sendo apenas vislumbrada a posteriori como reação ao conscientizado e sentido, ou às vezes como impulso, instinto ou necessidade.

Mas para o meditador experiente acostumado a perceber que a intencionalidade é simultânea à consciência, há (1) uma liberdade da consciência da prisão do condicionado, do mundo fenomênico (antes tido com existente por si mesmo), de suas impressões e afeições condicionadas (sentimentos, sensações, feelings) e, portanto, uma visão mais clara e lucida, desobstruída de tais distorções; e quiçá o acesso as condições originais. Pode haver também assim (2) uma libertação em relação ao experimentado antes como fato fixo inalterável e existente por si mesmo (fosse fenômeno, coisa e seu fluxo). Ele pode alterar as impressões, a consciência ou mesmo o que antes tinha como objeto e ou fenômeno. No primeiro desses processos se baseia o processo do despertar, do conhecer e do ver por si mesmo. No segundo se baseia a transformação de si mesmo, da vida e do karma do praticante. Ambos os processos (1 e 2) são acelerados pela atenção constante e quando dirigidos para uma purificação mental (desobstrução das condições originais). A purificação mental e a lucidez consciente, por outro lado, são acelerados num crescente retroalimentando com os dois processos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

QUANDO FALAMOS DE AMOR




 

Deus é Amor

Esta foi a lei dos antigos

Repetida e idolatrada até nosso tempo

Mas quem foi que a entendeu?

Criaram um deus inexistente

Com seus próprios valores

E seus próprios caracteres

Elevadas à potência infinita

E disseram que ele era amor

No sentido de que ele tinha amor

 

Apenas todos os que sabem entenderam

Que Deus é Amor

Declarando algo que evidentemente existe: o Amor

E dizendo que isto mesmo é Deus

Isto é a Lei única, una, última

A Lei das leis

A Lei que engloba todas as leis

A Lei da qual emanam todas as leis

O restante fracassou em entender

E em proclamar a verdade

Então quando declaram isto

Estão mentindo ainda que não queiram

 

O Amor é a Lei

Essa é a Lei do nosso tempo

Essa é a lei para quem é capaz

De entendê-la e aceitá-la

Mas quando um romântico fala de amor

Ou todo aquele ligado a velha mentira fala

Deturpa, exagera, mente, fala do velho

Fala de um sentimento

Fala de sentimentalismo

E de histórias e dramas

Não fala como nós

 

Quando nós falamos de amor

Falamos de uma lei natural incontestável

Que atinge o micro e o macro

O concreto e o abstrato

Desde as partículas de todo átomo

Até todos os universos possíveis

Essa lei é entendida como atração

Magnetismo no sentido fenomênico

Simpatia no sentido lato da palavra

União, unificação, combinação

Yoga, religião, tantra

Comunhão

 

Quando falamos de amor

Falamos de forças, lei inexorável

Inevitável, necessária

Que mantém as subpartículas

No núcleo dos átomos

Que mantém as órbitas dos astros

Desde forças magnéticas

Partículas, ondas

Até a gravitação universal

A atração das partículas aos corpos

Que formam o universo

Atração das polaridades complementares

Atração sexual entre os seres biológicos

Definidas pelos caminhos da evolução

Atração das ideais, sentimentos

E objetivos semelhantes

Atração dos pequenos pelo grande

Pelo além, pelo infinito, indefinível

Atração do finito, efêmero, limitado, condicionado

Pelo campo gravitacional do eterno, infinito, incondicionado

 

Quando falamos de amor

Falamos de um querer

Um querer bem

Querer o bem

Uma intensão

Direção, foco, decisão

Complementação, completude,

Boa vontade, bem supremo

Falamos de uma Vontade...

... o Amor é a Lei...

 

 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A VIA CIENTÍFICA NA ORDEM E O SEU TIPO DE INICIAÇÃO


Por Frater I.L.I.V.

Para quem está fora das ordens pode parecer estranha a relação entre ciência e ordens, mas para quem está dentro isso é familiar, até porque a ideia de ciência como hoje conhecemos surgiu, em grande parte, nas ordens. E não apenas isso, alguns dos famosos ícones da ciência fizeram parte de ordens. Podemos citar Nilton, Descarte, Bacon, Robert Fludd, Michael Faraday, Freud, entre outros.  Os três primeiros não só foram cientistas, foram pensadores da sistematização do que define a ciência. O modelo de ciência, de educação científica e de universidade como conhecemos hoje foi pensado dentro das ordens como um projeto para a humanidade despertar de uma era de medo e superstição.

O erro ocorre por normalmente o senso comum acreditar que todas as ordens são místicas e ou religiosas. Quando na verdade nem isto é certo como até o oposto é mais certo: muitas pessoas cansadas do misticismo ou dogmatismo, de suas religiões, mas sem querer de desfazer de seus princípios buscam uma razão lógica ou alguma compreensão mais profunda de sua construção e então encontram nas ordens o que buscam, numa forma mais realista, prática, e às vezes até acham abundantes provas que na religião só se houve falar, não passam de contos. Isto se dá por dois motivos creio: (1) método, numa ordem séria existe metodologia para se chegar aos resultados e (2) experiência direta, não por ouvir dizer nem por estar escrito em algum lugar.

O que muitos não entendem é que somos cientistas que estudam elementos e objetivos próprios da religião e do misticismo e não uma religião ou misticismo que evoluiu para o cientificismo. E como qualquer ciência temos também nossos métodos, descobertas e teorias. Algumas ordens foram mais longe em seu aspecto científico. Poucos sabem disso, pois persistem as visões errôneas de que essa ciência ainda tem as características dos tempos iniciais. Toda ciência evolui, a nossa também evoluiu. Não quero com isso negar que hajam os conservadores. Mas quero acima de tudo denunciar os mentirosos e enganadores que espalham essa visão errônea, seja para afastar as pessoas das ordens ou para fingirem ser de uma ordem séria. Nós somos exatamente o caso das que foram mais longe, e bem mais longe, pois retiramos muita carga de misticismo e ritualística inútil mesmo dos outros ramos. E no ramo científico propriamente dito retiramos totalmente.

Mas não é que retiramos simplesmente, foram descartadas aquelas experiências as quais não são possíveis a comprovação na forma científica. A diferença do método científico das ciências exatas e o nosso é que a maioria das comprovações não pode ser assistida simultaneamente por vários expectadores por se tratarem de experiências individuais ou, como dizem por aí, internas. Mas as pessoas que por elas passam individualmente podem sempre compartilhar com os outros experimentadores e verificar ou refutar suas expectativas. É claro que pelo método de um teste cego os instrutores podem comprovar se os estudantes alcançaram o resultado esperado. E pelo mesmo teste invertido o estudante pode verificar os seus próprios resultados, pela confirmação de resultados que ele não deve ser informado antes de os atingir (isso já foi explicado noutro artigo específico). Nisso, um tal rigor, somos únicos no mundo do oculto.

Uma única escola que se assemelha nessa metodologia (e da qual em parte tem origem nosso método) conserva ainda, para nós, em demasia ritualísticas que encobrem ou ofuscam os elementos efetivos do procedimento. Mas faz isso para proteger o segredo de forma que esse não caia nas mãos erradas, no que temos muito que elogiar daquela ordem. No nosso caso, protegemos os “segredos”, assegurando através dos graus e dos testes que os procedimentos mais poderosos ou perigosos só serão entregues àqueles amadurecidos para tanto e plenamente desenvolvidos, preparados física, intelectual, emocional e moralmente. Sem isso não é possível usufruir dos resultados mais elevados.

Agora, a ineficácia de vários ritos e procedimentos ditos mágicos ou psíquicos ou religiosos não é só por serem apenas superstições. Às vezes o insucesso se deve ao realizador do procedimento ou de quem o ensina. Como isso? Vou citar o caso muito conhecido da yoga no ocidente. Muitos professores de yoga plenamente imersos em nossa cultura desprezam a postura mental de cada exercício e terminam passando a yoga como simples exercícios físicos que podem trazer consequências mentais. Embora mesmo assim podem ser reportados muitos benefícios mentais ou psicológicos derivados da prática da yoga como exercício físico, os efeitos pelos quais os exercícios foram elaborados não são alcançados. Os que se alcançam são apenas os efeitos colaterais que se teria da mesma forma se fossem praticados corretamente, com a postura adequada da consciência; e aqueles efeitos mais elevados são tidos como exagero superstição, não por serem todos (uns são simbólicos outros são reais), mas por nunca serem alcançados por esses que praticam de forma incompleta. O mesmo ocorre com quase toda prática dita espiritual, com os procedimentos de desenvolvimento do ser humano, com as práticas de despertar da consciência.

Por isso a principal prática e a mais pública de nossa ordem consiste em procedimentos, dos mais simples aos mais avançados, de despertar e de meditar que levarão, com o tempo e com o exercício, à experiência mais profunda de todas. Sem essa maneira de ver (1) não é possível alcançar os resultados mais elevados, é como tomar placebo, ainda que seja mais efetivo do que assistir missas ou certos rituais. A outra razão é que (2) ela é indispensável à vida como um todo e sem essa visão, o que se constatará logo, vivemos a maior parte do tempo como máquinas pré-programadas, entorpecidos como se estivéssemos num sonho ou, em alguns casos mais extremos, totalmente inconscientes (o que é apagado não é também lembrado, por isso achamos que estamos conscientes de tudo sem perceber os apagões e os atos mecânicos).

Quando subirmos um pouco esse nível de visão, mesmo a custo de esforço, jamais vamos querer retornar ao nível anterior, seria como estar são e querer voltar ao estado de doença. Então a outra razão para aprendermos logo a correta postura mental e o correto modo de ver é que (3) os resultados mais profundos e mais importantes da prática são gradativos e demorados, portanto, quanto mais cedo se começar melhor.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A RELIGIÃO ESCLARESCEDORA


Por Frater I.L.I.V. - frateriliv@gmail.com

                Consideramos que uma religião que pretenda a verdade deve ser um fator de esclarecimento, não de obscurecimento, não de dogmatismo não de superstição. Nossa ordem é aberta a qualquer religião desde que não vá contra nossos princípios éticos e nossos objetivos mais elevados. Mas a fraternidade que constitui a porta de entrada da ordem tem dois lados, o cientifico e o religioso, podendo cada um ser tomado à parte.

Se o lado científico for tomado separadamente ou enfatizado o estudante seguirá, se assim quiser, a graduação de nossa ordem, com possibilidade de mestrado e doutorado. Se o lado religioso for tomado separadamente ou enfatizado o estudante seguirá, se assim decidir, os sacramentos religiosos de nossa ordem, com a possibilidade de tornar-se um cavaleiro ou monge e depois de rei ou rainha rosacruz (em ambos os lados há esse título, mas não tem equivalência, a não ser nas práticas fundamentais, visto que o do ramo científico precisa realizar e compreender profundamente muitas práticas fundamentais e o religioso apenas as práticas essenciais mesmo que não as compreenda de todo).

Embora não sejamos uma religião propriamente dita, podemos ter e professar uma religião ou mais, ou não, além do que todos independente de seguirmos ou não uma religião praticamos princípios que podem ser tidos como religiosos em comum. Por isso somos os verdadeiros ecumênicos (do gr. oikoumenikós, pelo lat. Oecumenicu; relativo a toda a Terra habitada; universal; que manifesta disposição à convivência e diálogo), pois nossos estudantes podem praticar todas aqui, e em seu elementos essenciais efetivos, o que já é uma vantagem.

Somos o que se pode chamar de verdadeira universalidade (que não se atêm a uma especialidade; que abrange quase por inteiro um campo de conhecimentos, de ideias, de aptidões, etc.; que é adaptável ou ajustável de modo que possa atender a diferentes necessidades; ecumênico), os verdadeiros católicos (do lat. ecles. catholicu < gr. katholikós, universal.), pois agregamos os elementos verdadeiros de todas as verdadeiras religiões, autêntico sincretismo universal (que abarca toda a Terra, que se estende a tudo ou por toda a parte; mundial), pois os elementos principais não dependem de cultura, linguagem, etnia, povo, mas da natureza terráquea (dita humana, mas que em nosso caso engloba seres que podem não ser humanos na atualidade).

Nos consideramos verdadeiros holísticos, ainda que não façamos alarde sobre isso, nem nos enquadremos na moda atual do que se costuma chamar holístico. Não digo isso por termos aderido ao chamado holismo (de hol(o)- + -ismo: tendência, que se supõe seja própria do Universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas; teoria segundo a qual o homem é um todo indivisível, e que não pode ser explicado pelos seus distintos componentes (físico, psicológico ou psíquico), considerados separadamente), mas por ele ser uma consequência natural dos princípios herméticos, aos quais nós admitimos. Por todas essas características podemos ser considerados a verdadeira religião (tanto no sentido de religação quanto no sentido de releitura) e não mais uma religião, afinal, englobamos todas e todos no que têm em comum; e pesquisamos os elementos reais e efetivos e as formas de potencializá-los para alcançar os objetivos comuns a todas.

Na humanidade, quanto à busca da verdade, existem dois tipos de pessoa, os esotéricos e os religiosos. Os esotéricos são os que buscam as ordens, a experiência, o ver por si mesmo, os empiristas. Nessa categoria estão incluídos os cientistas, os historiadores, os compositores, os artistas, etc. Sim, pois todos passam por um processo ‘esotérico’ na vida, a saber, dominar algo que relativamente poucos dominam; possuir um conhecimento especial (e poderes em muitos casos) ou passar por um aprendizado gradativo em que o fim depende das partes anteriores, sendo inacessível àquele que não possui os pré-requisitos (como no caso das universidades, ordens ocultistas e academias militares). Isto é o que se chama esotérico, um circulo menor dentro de outro círculo, que engloba apenas certas qualidades; maior qualidade, especificidade e precisão.

Os religiosos são os que buscam as igrejas, as religiões exotéricas, uma explicação, uma esperança, um conforto, uma solução, algo em que possa confiar, ter fé, acreditar. Nessa categoria estão incluídos os filósofos (sim, os filósofos, pois podem concluir sem provas, se satisfazer com mero raciocínio ou suposta evidência), os psicologistas, os jornalistas, os instrumentistas os artesões, etc. (essa correspondência é apenas ilustrativa aqui). Buscam um domínio ou conhecimento público, acessível a qualquer um, imediato ou que possa ser rapidamente absorvido, facilmente demonstrável ou entendível, que não depende de muitos conhecimentos prévios. Isto é o que se chama exotérico, um circulo aberto, maior, que pode englobar mais, maior quantidade e generalidade. 

Há intermediários? Sim, mas sempre um lado predomina. Há ‘neutros’ ou que estão fora dessas características? Talvez, admitimos a possibilidade ainda que não tenha sido encontrado. Mas tais seriam como verdadeiros niilistas, que não se importam com nada, nem admitem ‘verdades’ ou experiências ou razoes ou percepções, e desejam o nada. Se tais existirem de fato, ou não passem de traumatizados ou maníaco depressivos (etc., etc.) como a maioria dos que se afirmam niilistas: não estão buscando a verdade e não podem ser sequer considerados humanos normais enquanto estão nesse estado, sendo que a busca de ‘verdades’ mais seguras é uma característica da natureza humana. Se existem precisam antes de tratamento, estudo, abertura mental, serem bem tratadas compassiva e amorosamente.

Existem ações e estudos que o religioso pode fazer aqui, todo o aspecto exotérico de nossa ordem, apesar da ‘cientificidade’, oferece teorias, filosofia, moral e práticas que podem ser acessíveis a todos, sem que seja necessário nenhum super aprofundamento, mas apenas entendendo e praticado como em qualquer religião de fato. E nós não prometemos um inferno àqueles que não realizarem nossas práticas ou ideais mais elevados, apenas apresentamos as possíveis consequências de acordo com os caminhos, decisões e comportamentos tomados. É mais importante escolher e decidir com consciência dentro de suas possibilidades de realização e superação e ter um querer e vontade elevados do que ter altos objetivos e se esforçar sem sucesso e numa sucessão de fracassos e sentimentos de culpa. Por isso enfatizamos o próximo passo, o presente, e valorizamos o caminho acima dos objetivos últimos, que estão distantes de nós e não podem ser conquistados a qualquer custo ou por quaisquer caminhos ou atalhos.

E o que são, resumidamente esses fundamentos religiosos? Primeiro de tudo o auto conhecimento e o conhecimento da interdependência de tudo com tudo e todos com todos e com tudo (o que já leva ao próximo elemento, o fator ético, ou mesmo moral), através da (a) atenção constante tal qual ensinamos e da (b) auto observação; esta prática consiste no despertar conscientemente e já, por sua própria natureza; leva a ver algo por si mesmo e a um esclarecimento. É o trabalho com a consciência. Segundo, o elemento do comportamento, dentro de valores que proporcionam uma vida melhor e mais harmônica com o ambiente e com os outros seres, o fator ético, uma moral prática, que além das vantagens citadas que constituem o seu lado empírico, contribui sistematicamente para o processo de purificação mental, que leva a eliminação dos obstáculos, da vida e, principalmente, dos que obstruem a visão. É o trabalho com a vontade. O terceiro elemento é o elemento da união, compreensão, aceitação; são práticas, ritos, festejos, exercícios, etc. que nos levam a uma aproximação e quiçá uma comunhão com aquilo que buscamos de mais elevado, com o divinal, o absoluto, o incondicionado, isto que alguns chamam Deus, outros Nirvana, outros Brahman, outros o Uno ou o Um, IAO, Cristo Buda,  Vauhala,  Rá, o Sol, o Tao, etc. mal entendido pela maioria das religiões ocidentais. Este é o trabalho com o amor.

Sim, falando em religião, a união suprema pode ser alcançada também no caminho exotérico, religioso, é claro. Dizem que isso pode levar vidas e vidas, mas o mesmo pode ocorrer no lado esotérico. Dizem que é o caminho mais leve, mas que pouquíssimos alcançam as metas, mas isso pode acontecer em qualquer caminho dada a afinidade e o esforço de cada um. Mudam os procedimentos, os obstáculos, as facilidades e dificuldades. Cada pessoa trabalha com aquilo com que se sinta em harmonia e afinidade, visando o melhor resultado com relação ao objetivo último que é a iluminação, ou seja, justamente o significado da palavra religião, a união com o supremo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A RELIGIÃO DO PRESENTE


Por Fra. I. L. I. V.

 Na FGTO existe a possibilidade de termos, para aqueles que assim tendem ou queiram, a formação do braço religioso da ordem. Essa é mais uma possibilidade que a ordem maior nos possibilita sempre visto que a humanidade é representada por dois tipos de seres humanos quanto à busca da verdade: os ‘religiosos’ e os ‘esotéricos’, e que é uma grande carência no nosso país onde existem muito poucas tentativas autênticas e abundam os farsantes, os sectários, os fanáticos e os enganados.

Essa possibilidade acontece por na grande ordem das hierarquias do conhecimento iniciático representar o grau exotérico, ou seja, aberto, público, aquele conhecimento que não representa perigo, nem dano, quando divulgado a qualquer pessoa. Além do que o chamado esotérico é totalmente velado ao não iniciado, devido ao grande e difícil simbolismo dos textos aos quais um iniciante não está capacitado a entender na realidade, nem preparado física, psíquica e moralmente para praticar e obter os resultados esperados. Mesmo assim existem aqueles que já estudam ou admiram e veneram tais textos e às vezes sentem-se até praticantes. Nem por isso estes ou quaisquer outros deixam de ser também bem vindos à nossa confraria de caráter religioso, afinal estamos aqui para orientar e esclarecer, não para confundir, e para revelar, não para esconder, afinal o segredo é, por natureza, inimigo da verdade.

A confraria é formada por pessoas representantes de várias religiões, filosofias, escolas ou qualquer linha de ideias. E também por aqueles não ligados a nenhuma dessas coisas. E também aqueles que tomem essa fraternidade como sua única religião. E ainda podem surgir outros casos, não importa; o que interessa é o respeito mútuo e o conhecimento proporcionado por essa confraria. Qualquer um é livre para seguir suas próprias ideias, ter sua própria religião ou aderir a uma ou às várias das existentes ao mesmo tempo, ou a nenhuma delas ou ser cético ou ateísta. Importa mais não ser sectário do que indicar qualquer caminho como sendo superior a outro ou mais universal que outro. Mas que no encontro das múltiplas formas de conhecimento, de procedimentos e seus resultados todos nós de alguma forma nos transformamos. Nisso consiste a forma mais elevada da ciência alquímica.

 O caráter dessa religião é gnóstico, uma Confraria Gnóstica Rosacruciana, chamemos CGRC provisoriamente. Pois uma coisa é a ordem, onde há, como o nome já diz, uma ordenação, uma hierarquia de graus e de conhecimentos chamados vulgarmente de ocultos ou esotéricos ou de ciências ocultas; outra coisa é a confraria que é aberta a qualquer pessoa com ou sem conhecimentos prévios, estudo ou graus iniciáticos de qualquer ordem, que constitui, como foi dito, o ambiente  exotérico, ou seja externo. O que entendemos por ser gnóstico já foi divulgado em outro artigo anterior. O que é Rosacruz é um tema a ser falado em próximos artigos, mas que exige mais um contato direto para um esclarecimento mais pessoal; grande parte desses conhecimentos no caso prático da religião, ou mesmo da ordem, são de transmissão oral, pois precisam ser transmitidos dessa forma. Outros são de origem ‘energética’ ou vibracional e precisam ser transmitidos presencialmente.

Dessa confraria participam ordenados, a partir do grau de monge ou cavaleiro de nossa ordem, e qualquer pessoa interessada em participar, estudar, curiosos, buscadores, pesquisadores, etc. o papel do ordenado é orientar, transmitir, facilitar, etc. Por isso mesmo devem ser pessoas bem informadas, que estudem com profundidade, mas não só isso, e sim que falem com conhecimento de causa, daquilo que conhecem da própria experiência, não por ter ouvido dizer ou por fé ou crença ou dogma ou axioma. Precisamente nisso reside uma das grandes diferenças entres as religiões gnósticas e as outras.

Os não ordenados, por outro lado, têm a liberdade de praticarem ou não o que quiserem, de acreditarem ou não no que quiserem de aceitarem ou não o que quiserem. Suas obrigações, entretanto, são a conduta ética; o asseio e higiene corporal, ambiental e mental; o respeito múltiplo a liberdade de cada um e a sua própria órbita. Pois se os planetas invadissem as órbitas uns dos outros isso não só interferiria na liberdade dos outros, geraria também desarmonia em todo o sistema (veja o mundo que vivemos), então reina o caos até que a destruição atinja tudo o que foi contaminado e o contaminador e a natureza volte a corrigir a harmonia sem existência dessas partes. Disso um bom entendedor já sabe o que foi descrito. É preciso esclarecer se alguém não entender: isso é uma lei natural, inevitável, não é necessário que ninguém nem nenhum ser superior julgue ou aplique qualquer pena. Em suma, não existe liberdade sem esses limites, não por uma moral religiosa, mas porque é natural, o estorvo, o incomodo, o empecilho, por natureza não é bem vindo em nenhum ambiente e se exclui por si mesmo.

O benefício dessa associação é compartilhar da nossa fraternidade; do fluxo da corrente dos iluminados de todos os tempos, da energia dessa corrente; dos estudos e de práticas que elevam, enobrecem, fortalecem, limpam, curam, purificam, esclarecem, iluminam e do convívio com uma forma de ver e de viver, e com pessoas que compartilham disso, que nos aproxima da divindade, do supremo e dos reais valores incontestáveis da vida, da vontade, da consciência e do amor supremo.

Religião verdadeira é uma forma de reler o universo do qual somos parte, uma forma de unir-se à verdade. O verdadeiro templo é o corpo, o verdadeiro templo é a mente, o verdadeiro templo é o coração. A verdadeira igreja são os seres irmanados na mesma vontade, numa mesma caminhada, a fraternidade das pessoas, dos iluminados e da própria Luz... O verdadeiro rito é o Amor Supremo.

 

domingo, 10 de novembro de 2013

COMO SOMOS CIENTÍFICOS

Por Fra. I. L. I. V.
                Nossos métodos são completamente científicos. Mesmo quando estudamos temas que são comuns da religião estudamos como cientistas não como artigo de fé nem doutrinal. Nosso conhecimento é baseado em experimentos, cálculos e estatísticas como em qualquer ciência acadêmica. Nossos limites e percentuais de certeza, entretanto, têm que ser mais rígidos e mais rigorosos do que os da ciência comum embora se pense o contrário.

                Isto ocorre porque muitos dos experimentos não podem ser testemunhados por outra pessoa que não o experimentar. Por esse motivo quando damos um procedimento não descrevemos o resultado, nem pedimos que observe isso ou aquilo, nem perguntamos se houve tal ou qual acontecimento. Tudo deve vir das observações do experimentador. O professor é quem deverá observar se o resultado foi alcançado ou não pelo relatório do experimentador e então contar em suas estatísticas e também aprender com elas, que sendo as experiências de outros podem ser diferentes ou conter elementos diferentes do que foi a sua própria. No entanto, a objetividade dos resultados deve ser sempre mais centrada, como na física, no que interessa como resultado e não nos efeitos colaterais que são diversos, isto está sempre no domínio do conhecimento do instrutor.

                Assim nossa metodologia, ao contrário do que se pensa, bem mais em contato com o método das ciências exatas e biológicas do que com as ciências humanas e completamente distante do método das ciências sociais (sem com isso desconsiderar estas), tem base na observação mais acurada dos fenômenos e análise estatística do que foi cuidadosamente observado e anotado . Até quando especulamos hipóteses elas devem se basear em dados observáveis, matematicamente calculáveis, estatisticamente prováveis. Nada metafísico com exceção de uma única coisa que preferimos não citar (que se pode dizer metafísica apenas por não poder ser descrita senão por metáforas e ser incalculável, imprevisível, inimaginável, podemos apenas vivenciá-la, gradual ou, dizem alguns, subitamente), mas a qual só é metafisica até o momento em que o experimentador a comprova por si mesmo, para si mesmo, desde então, obviamente, se torna também empírica.

                Podemos ao estudar textos antigos, por exemplo, nos apropriarmos de métodos da antropologia ou arqueologia, mas esse será apenas nosso estudo antropológico ou arqueológico do estudo. Podemos especular a influência do ambiente, do momento histórico, da linguística e outros fatores na psique do escritor, mas isso definitivamente não é o que nos interessa como fim último, nem qualquer análise psicológica ou biográfica do autor pode interferir em nossas reais motivações e conclusões de tal estudo. Quando estudamos tais textos é por saber ou pelo menos suspeitar por alguma evidente quantidade de elementos identificáveis que aquele texto trata de um procedimento para chegar a certos resultados que coadunam com nossos objetivos ou que pelo menos os corrobora. E não acreditamos naqueles procedimentos, mas ou sabemos que ali contém um procedimento por termos sido informados por um estudioso sob o qual o estudante está em orientação ou estamos estudando exatamente isso, se há ou não.

A diferença é que em ambos os casos ele terá que ser comprovado através da repetida experimentação, e por todos os estudantes que assim o quiserem. Os resultados constituem a prova ou refutação, não só individualmente para o estudante, mas para o quadro estatístico do professor também, que poderá mais que os próprios indivíduos saber da eficácia e autenticidade do procedimento. Esse exemplo foi apenas para afastar qualquer dúvida ou suspeita de que possamos ser doutrinados por textos antigos ou supersticiosos. Quanto aos que tratam especificamente de nossos procedimentos já consagrados por nós, eles constituem nosso caminho e nossa indicação, não por outro motivo além de já ter sido comprovadamente eficaz quanto aos nossos objetivos.

Dentro das várias tradições, ou das quatro vias no nosso caso, nós já sabemos de antemão por já termos estudado e praticado e passado experiências necessárias para entender os significados de certos textos e quais são esses textos (e ou as partes deles que contêm o que queremos), mas temos plena liberdade de estudar e experimentar outras tradições. De forma alguma somos forçados a escolher qualquer linha doutrinária. E todo aquele que descobrir que o que oferecemos não combina com o objetivo de sua vontade está livre para partir, não oferecemos verdades universais fora das quais alguém esteja em maldição, e sim alguns caminhos para alguns objetivos e para o objetivo supremo consagrado por muitas tradições, mas que de forma alguma impomos como objetivo supremo para todos os seres humanos.

Confiamos no nosso caminho por ter sido comprovadamente eficaz por milhares de anos para milhares de pessoas, e também por nós, quando iniciantes, já termos colocado nosso caminho à prova e sempre o estarmos comprovando cada vez mais. Temos confiança, como na ciência, em nossos procedimentos, nossos professores e nossos descobridores, não fé, não crença, pois nosso caminho se baseia na comprovação individual, onde cada um sabe por si mesmo de suas experiências e não por ter ouvido testemunhos de outros nem por ter lido em livros como nas religiões e algumas escolas ou academias. Por isso guardamos silêncio sobre os principais resultados até que o novato o tenha encontrado, visto e descrito por si mesmo depois de seguir os procedimentos indicados, não por nos ter ouvido dizer.

É o estudante que tem que nos provar que aprendeu e fez os experimentos corretamente, como na ciência, não nós que temos que convencer ou provar ao estudante com testemunhos e textos, como na religião. Desde o início quando convidamos alguém não estamos tentando convencer nem levar a crer em nossas teses, mas estamos avaliando o convidado. Este que só foi encontrado por indicação, por ter-se oferecido a conhecer nosso sistema ou por termos percebido algum potencial, preparo ou predisposição.

Nossa formação não se assemelha com uma formação acadêmica, mas a acadêmica que deriva da nossa, isto sabe qualquer estudante que se aprofundar de verdade na história da ciência e chamada historia oculta, pois por trás das ideias sobre as quais a ciência evoluiu até hoje estão as mentes de filósofos, ocultistas, alquimistas e membros de diversas ordens (a lista de nomes seria muito comprida para citar aqui, mas será visto em outro ensaio uma lista com alguns dos principais, mas podemos citar ao menos dois grandes pilares, Nilton e Bacon) e de um planejamento saído das ordens no ocidente e de escolas do oriente. Entre essas ideias podemos destacar a de universidade, estudos como temos hoje, que surgiu na índia e semelhantemente na china, há mais de dois mil anos, tendo existido ao longo da historia várias universidades. Outra que podemos citar é a de cadeias de disciplinas como existem hoje nas universidades que no ocidente surgiu entre os templários.

Mas não somos de forma alguma conservadores nossa ciência evolui e as informações e descobertas, os métodos e interpretação dos resultados também crescem e evoluem ao longo do tempo. O que acontece é que em nossa ciência há um objeto de estudo supremo, e um objetivo supremo já consagrado e comprovado como tal por levar justamente a uma forma de conhecer que é muito superior e mais garantida do que as formas comuns. Porém como este é difícil e só alcançado depois de longo trabalho é cercado de outros métodos e objetivos mais próximos de nossas possibilidades atuais e mesmo métodos que visam um avanço mais rápido quando ao objetivo principal, como aqueles que se assemelham ou se aproximam em seus resultados às comprovações que só seriam possíveis àquele que alcança o objetivo último.

Nisso muito nos assemelhamos ao alquimista antigo. Mas é preciso a ressalva que a alquimia antiga evoluiu muito tanto dentro como fora das ordens e hoje em quase nada se assemelha com o que foi divulgado ou com o que se pensa que ela seja. Claro que fora das ordens ela tem como dessedentes a física e a química, mas também boa parte da biologia, da psicologia e obviamente da medicina e neurociência. Mas dentro das ordens não desconsideramos isto, porem existem outros desenvolvimentos. Nada do que foi divulgado como os precursores da química em busca de ouro nem dos “sopradores” têm de fato a ver com alquimia. O que pode haver é uma confusão onde os físicos e químicos são considerado como sucesso e os outros como fracasso. Mas na realidade todos são desvios e descobertas por acaso, que estão longe dos reais objetivos de tais pesquisas e não somos nós que vamos revelar num ensaio despretensioso quais são esses reais objetivos e desenvolvimentos.

Por tudo isso muitas vezes se nos atribuem o rótulo de alquimistas contemporâneos, o que não negamos, apenas temos que avisar que não apenas há diferença entre a alquimia contemporânea e a antiga mas também entre o que é alquimia de fato e o que pensa-se ser a alquimia. Mesmo entre alquimistas não há consenso quanto a isso, existindo duas ou três linhas principais de investigação e desenvolvimento. Enfim a alquimia embora seja uma ciência consagrada sempre, seria para nós mais uma subseção como a zoologia, a ecologia e a etologia são da biologia.

Usando esse exemplo da alquimia podemos estender o aviso de uma forma genérica para quase todos os ramos de pesquisas que realizamos e o que se tem pensado dela fora da ordem ou das fraternidades: esta “semelhança” da ciência não é uma inovação de nossa ordem, é a evolução necessária à qual naturalmente chegamos e outras ordens devem também chegar por ela sempre já fazer parte de nosso método interno, não por trazermos de fora (nessa ordem o método passado oralmente por não haver necessidade de se escrever já que muitos estudiosos já fizeram isso, será em oportuno momento sumarizado e publicado mostrando as nuances que podem para alguns fazer alguma diferença).

Porém, fora da ordem ou de nossas fraternidades não se pode ter muito mais que uma pálida ideia do que se trata e dos processos e fenômenos que estudamos, pois diferente da ciência comum nem tudo é demonstrável a outro, mas apenas de cada um, através de procedimentos e longos treinamentos, para si mesmos. Nem todos estão dispostos a tais disciplinas. Por isso mesmo esse conhecimento é compartilhado quase que apenas entre nós (ou entre nós e outras ordens e fraternidades similares) que sabemos do que estamos falando, isso não por uma má vontade ou segredo, mas pela quase impossibilidade de comunicação com o que chamamos conhecimento comum. Àquele que não passa pelas mesmas experiências pode tudo parecer fantástico, místico ou mesmo loucura; o entendimento, embora seja duro de admitir para alguns, está bem mais ligado à experiência do que à razão. E assim como nem todos se tornarão cientistas, nem todos se tornarão budistas, nem todos serão hindus, nem todos serão cristãos. Bem assim nem todos estudarão em nossas ordens, mas aqueles cuja vontade, consciência ou afeição se afinam conosco. Estes sempre serão muito bem vindos.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Um jogo educativo para compreender por si mesmo o universo, o tempo, o espaço e a consciência:



O tempo e o espaço são muito difíceis de entender. Cada estudante deve fazer um esforço e uma reflexão. Tomando por base os sentidos e a ideia errônea de que o espaço, a matéria, existe por si mesma; fingindo por um instante que ela não depende de nossa consciência e que o universo em sua maior parte seria matéria e energia, sem consciência.

Nessa situação o estudante pode imaginar o início desse universo explodindo (que é um termo antropocêntrico demais também já que se baseia na nossa ideia de tempo; se chama explosão apenas porque, para nós, nossa ideia de tempo, as partículas se separariam muito rápido, mas vamos imaginar que é lentíssimo). Então essas partículas desse sol primeiro ao se afastarem e misteriosamente se juntarem formando corpos e pouco importa como, então sois e planetas (não vou entrar nas teorias da física, o que não é necessário, mas é bom se aprofundar nelas também). E em alguns deles surgindo a vida (por um processo evolutivo mecânico que fique claro; não é preciso, mas quem quiser se aprofunde com Darwin e sucessores). Então nos seres vivos por um processo evolutivo também surgindo a consciência, nuns mais que em outros.

Até agora nada fora do comum e do que a ciência nos ensina. Mas então veja-se o estudante sobre uma dessas esferas planetárias, como de fato parece ser o caso. Consciente desse universo e de si mesmo. É claro que a maioria estará diante de algo que eu não disse para imaginar, mas já imaginaram, se este for o caso elimine completamente essa ideia agora: a ideia de que há você olhando o universo e que são duas coisas à parte.

Aqui é de suma importância notar que tudo até agora surgiu no universo inevitável e fatalmente; sendo ele mesmo. Explico, até agora não falei de nada que não fosse o universo mesmo. Seres e consciência são elementos do universo. Pensar diferente disso seria grande tolice. Nesse ponto o estudante deve perceber que ‘sua’ consciência é um fenômeno natural do universo que desse modo olha para si mesmo exatamente como os olhos físicos e a mente olham para o corpo. Isto é um fato empírico, não uma teoria romântica.

Mas o estudante deve imaginar que várias consciências já fizeram isso. Nesse planeta e muito provavelmente em outros. Até é provável que hajam consciências mais abrangentes e com mais conhecimentos sobre o universo que essa que pensou ser sua. Momentos de consciência são uma consequência indubitável da existência do universo (que supomos existir e no qual supomos estar). Seu momento ‘próprio’ (do estudante) é fugaz, efêmero, ínfimo, com relação à duração do universo, mas do seu ponto de vista é a totalidade do seu tempo, de sua própria existência. Para alguns isso pode parecer paradoxal e talvez seja, mas pouco importa, mesmo assim é bom remoer essa ideia um pouco, como diz Nietzsche, ruminar um pouco. O fato é que há no universo alguma consciência do universo, onde o universo é objeto da consciência. Isso é um fato corriqueiro que apenas não costuma ser notado ou que o pensamento enganado e assoberbado do antropocentrista não concebe normalmente, vê de outra forma que julga mais perspicaz.

Agora vamos ao campo fora dos padrões científicos e filosóficos: o que é a consciência do universo? Pense sobre isso... que a consciência é um fenômeno que aparentemente ocorre no universo depois de um tempo, ou foi o que se supôs até agora baseado nessa ideia (que não é de fato tão empírica, nem fácil de se sustentar como pensa o cientificista ou alguns filósofos). Mas esse organismo, essa consciência, aparentemente residente num corpo, essa, digamos célula do universo, cumpre um papel que muitas outras também cumprem. A consciência comunga (ou nem tanto) conteúdo com várias outras que supostamente testemunham ou ao menos podem testemunhar os mesmos fenômenos. Vamos dizer que aqui além do momento dessa consciência efêmera, mas que junto com várias outras e devido mesmo às observações de várias outras anteriormente, constituiu uma consciência do universo (pouco importa se ou o quanto corresponda a uma suposta realidade).

Chegamos então ao ponto onde também esse ‘organismo’ maior, chamado universo adquiriu dentro de si consciência de si mesmo. Parecido com como as células queimam dentro da mitocôndria (certa organela que possui) o oxigênio gerando energia para o resto da célula e para todo o organismo. Nesse caso o universo dentro de nós cria a consciência para todo ele. Mas nós morremos um dia. Nosso planeta também e todos os planetas em seu tempo se acabam.

Então imaginemos de novo como na ciência, supondo que certa hipótese seja verdadeira, que o universo depois de expandir ao máximo também contrai voltando a formar corpos celestes e que agora já estamos no fim do processo de contração desse universo, voltando a juntar tudo, todas as partículas subatômicas sem deixar nenhum espaço vazio em seu interior.

O tempo é uma relação, com o espaço, tamanho, velocidade das partículas e claro tem relação com nosso tamanho e movimento, nossa duração nosso planeta e seu movimento. Nada disso existe mais. Há só novamente uma pequena partícula. Suponha que ela é atemporal ao fim do processo, quando o último aperto foi dado e não há mais como comprimir, não há mais movimento. Eis o instante 0, causando o processo inverso, uma nova explosão e um novo universo. O que vai acontecer? Imagine.

O tempo por um instante chegou ao 0 deixou de existir e começou de novo. Outro universo começou de novo do ponto 0. Assim todo universo sucessivo, também é simultâneo. As possibilidades da consciência de novo acontecerão no novo universo e novamente é provável que uma consciência do universo surja, ‘sua’ consciência provavelmente surgirá também, senão nesse num outro ou noutro ainda, e assim por diante. Na infinidade de universos sucessivos-simultâneos todas as possibilidades da consciência (e de sua suposta consciência) já devem ter se realizado. Imagine tudo...

Esse é um exercício ou jogo que poderá revelar o processo do tempo e do espaço e sua relação direta com a consciência e quem sabe a sua inseparabilidade. Não está descrito em detalhe, nem as ideias bem expostas todas, mas para o pesquisador sério basta isso, ou menos que isso, para procurar em sua consciência. Quiçá a consciência se revele em sua relação com o universo o tempo o espaço e os outros seres. Descreva tudo as conclusões; explique, escreva. Vá imaginado, tentando descobrir. Anote e retorne com os resultados.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O S.A.G.



                Um tema muito intrigante no mundo das ciências ocultas é o chamado Sagrado Anjo Guardião. Aqui não há resposta para isso. A sincera pesquisadora deveria refletir bastante sobre isso até perceber que se essa informação for dada sem que ela mesma a tenha descoberto com certeza induzirá ao erro.

                A estudante aqui é levada a meditar e descobrir por seus próprios métodos e esforços o que é a S.A.G. e o que é o “conhecimento e conversação” com Ela. Ela deve descobrir por si mesma, pesquisar, meditar, sintonizar, ver, ouvir e então dizer “o que” é tudo isso. É claro que nós temos as nossas teses que serão apresentadas apenas no momento oportuno. Antes disso cada uma deve desenvolver sua própria tese. Aquela que rapidamente ou precipitadamente vier com certezas e com suas teses e achismos, já se excluiu do início. Apenas aquela, que realmente almeja descobrir ou ver, vai entrando na nuvem densa e se aproximando da luz, dessa forma sua tese vai se transformando. São várias teses que seus vários níveis de compreensão irão errada ou acertadamente elaborar até chegar àquela mais adequada mais condizente com a verdade.

                A diferença é que em nossa escola a estudante é levada desde o inicio a esse contato direto com sua Anjo, para descobri-la, onde, como, e se está acontecendo. Gradativamente, não é de imediato, de supetão, mas vai se aproximando e se aprofundado cada vez mais nesse contato. Existem dez graduações, que classificamos, de contato, que chamamos de 9 graus de aproximação da verdade. Existem 3 graus de níveis de compreensão dessa verdade até tornar-se una com ela, sua gnose. Existem 11 subdivisões iniciáticas que aproximarão, através de seus métodos; do passo seguinte e da experiência cada vez mais completa e profunda. E existem 8 passos, ou elementos do caminho, para todos aqueles que alcançaram o verdadeiro caminho e desenvolveram o entendimento, a experiência direta, a vontade e a confiança a um nível suficiente para iniciar sua jornada; 8 passos cumulativos que levarão gradualmente e num somatório a meta final e a todas as bênçãos (bliss-bless) do caminho.

                Como se pode notar não é uma doutrina ou um conjunto aleatório de normas ou preceitos; nem padrões de comportamento; nem o acaso; nem todo aquele discurso religioso vago, sem objetividade no que fazer, nem nas etapas, nem nas metas, como apresentam as religiões ocidentais. Nem se trata de ritos graduais e sucessivos ou supersticiosos, sem representar numa grande transformação, como fazem muitas ordens no ocidente. O que vai fazer com que o candidato avance é um processo consciente, tomado por pura e legítima vontade, imbuído de uma motivação maior que apenas o próprio benefício pessoal, este sim, o levará sem dúvida a ascender na pirâmide da iniciação.

 

9 PASSOS PARA A VERDADE

                “E como ocorre o treinamento gradual, a prática gradual, o progresso gradual?”

                “Isto nós chamamos o treinamento gradual, a prática gradual, o progresso gradual”:

0.       ENCONTRA uma professora, uma mestra, uma facilitadora ou uma companheira de caminho, em quem se tenha confiança, respeito, admiração, reconhecimento de seus conhecimentos, aptidões, caráter e vontade (bom caráter e boa vontade) em relação ao caminho e/ou em relação à Grande Obra, à Iluminação. Saúda-a e/ou a homenageia, então dá ouvidos a essa companheira nesse dhama, nessa união e nessa thelema.*

1.       MEMORIZA aquilo, guarda, recorda, mantém.

2.       EXAMINA atenta e repetidamente aquilo e seu significado.

3.       Ao examinar pode concordar com aquilo “baseado na reflexão”, nesse caso ele ACEITA aquilo, o que o leva ao próximo passo.

4.       Obtendo aceitação daquilo, nele brota o zelo por aquilo; ela estuda, memoriza, examina, não esquece, comparece, se compromete espontaneamente, sente prazer com, ZELA; surge a vigilância.

5.       Tendo brotado nela o zelo, ela aplica a vontade, ela VONTADEIA; a vontade surge, surge a prática, o exercício, a continuação, a assiduidade, o prazer em praticar e o prazer em fazer parte.

6.       “Tendo aplicado a vontade ele examina cuidadosamente”, cientificamente avalia os resultados, sente por si mesmo os resultados, vê por si mesmo, EXPERIENCIA; reflete por si mesmo sobre o experimentado, vivido, experienciado até então.

7.       “Tendo examinado cuidadosamente ela se esforça”; o esforço correto é aplicado; ela está decidida, convicta, apontada, direcionada; ela cumpre as metas, as disciplinas, os passos ou pelo menos se esforça “com esforço decidido”, com vontade, ESFORÇA.

8.       “Com esforço decidido ela REALIZA o corpo da verdade suprema, vendo-a e penetrando com sabedoria”; ela conhece a verdade, ela realiza a gnose, a iluminação; ela gnoseia.**

9.       Ela PERMANESCE na verdade.

10.   Com a morte do corpo ela retorna a este mundo ou vai a outros mundos para ensinar essa verdade, isto, o caminho para se chegar à verdade, ela ENSINA, ou ela entra e permanece na suprema libertação da iluminação que é impossível de ser descrita para uma mente não iluminada e insuperável em beleza, força, felicidade e sabedoria; ou seja de uma maneira ou de outra ela ensina, por amor.***

______________________

*Esse passo é 0, se pode dizer, por não estar caminhando, vai aprender ainda...

**Note que o título diz 9 passos, mas se contarmos do 0 ao 10 temos 11, isto é porque no passo 8 ele alcança a verdade, de 0 a 8 são nove passos. Os números 9 e 10 se referem aos passo que se realiza depois de realizar a verdade que é permanecer nela, e ensinar o caminho.

***A partir do passo 6 já se pode ensinar algo, se se tem experiência e amor suficientes, não apenas depois 8 ou do 10 como aparenta no texto. Após ele, a partir do 7 é normal que isso aconteça espontaneamente para muitos. Só aparece essa característica na dez porque se chegou ao ápice da libertação. Ou ensinará como um ser de aparência ou com seu próprio exemplo, caminho, palavras, deixadas após a morte, se torna ela mesma o dhamma.

domingo, 7 de julho de 2013

O.I.T.O.



               Seria muito bom se todo que abrisse essa página lesse, antes que qualquer coisa que apareça abaixo, o nome O.I.T.O. como está escrito, o que forma seus desenhos, sua grafia, os símbolos e palavras que se formam. Para aquele que já estudou símbolos e nomes vão aparecer livros inteiros apenas nesse nome, que não é apenas uma sigla. Aliás a sigla serve mais como uma justificativa laica para a necessidade muito superior da presença das letras e dos pontos nessa exata ordem...

                Para o que não entende de nomes, números e símbolos “ocultos”, ainda há muito apenas no desenho que se forma, se movêssemos as partes, por exemplo, formando um triangulo (e com isso já estou dizendo demais) teríamos uma palavra e um símbolo  tão auto explicativo que aqueles de ímpeto religiosos se maravilhariam pela prova harmoniosa que está implícita apenas em seu significado.

                Para mim que o recebi sem saber ainda seus “segredos”, constitui uma prova da superioridade da ordem e de seus motivos e objetivos elevados, acima de tudo que se propôs como sublime até agora no ocidente, nesse momento pós-início da era da liberdade, mas que ainda imperam as ideias fixas, as crenças e as tentativas de permanecer no cadáver com vida (sempre tentando reviver). O cadáver que se tenta manter é aquele já derrubado a 2600 por uma inteligência ilumina, a saber, o cadáver da ideia base de todos os erros e de toda ignorância: a ideia hoje já fétida de imutabilidade, substancialidade e objetividade, que se acreditou possuir no passado.

Por era entenda-se paradigma, nesse caso o paradigma antigo, que escraviza os seres humanos a ideias e ideologias (não sábias e supostamente imutáveis, apenas memes na verdade, muitos bem infundados até) é o da separatividade. Isto envolve um leque de ideias muito grande que incluem principalmente, mesmo que de modo oculto, as ideias de coisa em si, de fenômeno isolado, de individualidade e pessoalidade única ou imutável, etc. Se te identificas com tais ideias estás a caminho da autodestruição nesse “novo mundo” onde gradativamente elas serão superadas, pois não cabendo a verdade da mutabilidade em sua consciência, mudar completamente significa morrer, deixar de existir. Mas se já entendeis que essa morte já ocorre em sua consciência desde o nascimento, já percebeste que aprender é uma mudança, e que mudar não é a morte, mas apenas mudar, portanto não há morte, apenas fluxo, aqui ou em qualquer “lugar”, e sendo a consciência como um espelho não há o que temer, nisto mesmo é consiste o viver.

                O mais surpreendente para mim é que o símbolo O.I.T.O. não é uma doutrina que simplesmente se apresenta, mas uma teoria científica que se comprova pelo entendimento e aplicação do método nele contido. Sim, nesse símbolo também está a “solução do problema”, a “raiz da equação”, o método para alcançar a comprovação daquilo que ele mesmo apresenta. Isto tudo pode ser lido ali. Veja que não revelei explicitamente nem os símbolos, nem as palavras, nem os números e tampouco seus significados nem seus métodos, pelo contrário apenas alertei a você caro leitor, para deixar à sua vontade o prazer de, como eu tive que fazer (e ainda tenho mais) por mim mesmo, decifrá-los (ou não) e se maravilhar pela existência de uma inteligência tão superior a nossa que foi capaz de criar tal livro tão completo em apenas um símbolo, O.I.T.O..

Agora se queres saber mais sobre isso, se queres ajuda, se queres percorrer tal caminho entre em contato conosco que tivemos a dadiva de sermos instruídos e servirmos como que porteiros que abrem para aqueles que entendem ou que merecem ou que tem vontade, as portas da O.I.T.O..

Frater I.L.I.V.
 

 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

DO ENTENDIMENTO PARA A EXPERIÊNCIA


Em nosso sistema vamos partir do nível do entendimento, ou seja o nível comum, humano, para o nível da experiência da verdade, partindo do conhecido para o desconhecido. O esquema abaixo mostra os estados de consciência em sues níveis cotidianos dentro do nosso momento e de acordo com nosso nível de trabalho (somente os estados de iluminação podem ser chamados permanentes). Podemos classificar toda experiência possível em três níveis e cada nível contendo seus sub níveis:

 

3 níveis de entendimento (filosóficos):

a. incorretos (ou incompletos):1. a matéria

                                          2. a mente

                    (ou ambas, todas as formas de dualismo, estes são os duais)

b. 3. verdade: Triplicidade (três forças ou aspectos da unidade) ou multiplicidade                                                    (infinitos aspectos) ou unicidade.

 

4 níveis de verdade (experiência):

1. ganho e perda (karma)

2. abandono e transformação (mandala)

3. aceitação e união (tantra ou yoga)

4. Nibbana (iluminação)

 

5 níveis de iluminação

1. mundano (lapsos conscientes ou “inconscientes" (conscientes apenas no momento e esquecidos imediatamente após)), nível animal humano (ou outros animais, “fantasmas” e devas).

           (não é um nível de trabalho nem de iluminação, é um momento ínfimo e não profundo, mas natural, que continua a ocorrer durante o treinamento)

2. super-humano (treinando: 4 níveis de jhanas + 4 realizações imateriais + tríplice treinamento (dana, sila e bhavana) e tríplice sabedoria (sila, samadhi e prjna)).

          (neste caminho, a partir do segundo ponto que ainda não é um nível da iluminação propriamente dito, que é recebido o ensinamento do Buda por excelência, após esse ponto a libertação final é garantida pelos caminhos seguintes da iluminação real)

3. além-humano (com a destruição das impurezas principais entre outras):

    3.1. eliminação da (a) dúvida (sobre a iluminação sobre o iluminado e os iluminados, sobre o caminho proclamado por aquele que já o trilhou e sobre a possibilidade de seguir esse caminho e alcançar os resultados) da (b) superstição e o apego a preceitos acéticos e rituais (de qualquer espécie na crença de que estes possam levar à purificação) e da (3) crença numa substancialidade inerente, imutável e/ou permanente em si mesmo (eu ou alma imutável e eterna) ou nas coisas ou fenômenos (objetos existentes em si mesmo e/o ou por si mesmo) bem como a crença oposta a essa, niilismo em relação a si mesmo (niilismo materialista) ou com relação ao mundo, universo objetos ou fenômenos (niilismo existencialista); libertando-se dessas três, o praticante se liberta da possibilidade de nascimentos inferiores e entra na corrente sem retrocesso, torna-se um sotapanna.

      3.2. abandono do desejo sensual e lascividade e da raiva e aversão, e a erradicação parcial da ilusão, da ignorância:

           3.2.1. não mais apego aos desejos e objetos do desejo e não-ódio; reduz o retorno a este mundo a apenas mais uma vez, torna-se um sakadagamin.

           3.2.2. destruição (ou transformação) total da raiva-aversão- ou má-vontade e da ânsia-lascívia ou desejo-apego; liberta-se do renascimento nesse mundo e está destinado a completar o caminho em modos de vida superiores, torna-se um anagamin.

      3.4. eliminação de todos os grilhões, erradicação, destruição total de todas as impurezas e sua raízes, libertação total, iluminação, a consciência mora em Nibbana permanentemente, a consciência e Nibbana são a mesma e única “coisa”. Torna-se um Arahant, um Buda, um Desperto. Os diferentes tipos de arahantes e de faculdades destes são derivados do modo pelo qual eles atingem a realização última, mas todos têm acesso a uma mesma realização meditativa: a fruição da realização do estado de arahant.             

 

         Em todos os níveis de trabalho se pode ser um professor desde que esteja pelo menos um nível mais acima do que seu discípulo e que estude, porém no último nível de desenvolvimento ele só pode ser orientado por um iluminado ou num renascimento superior ou compartilhar experiências com alguém do mesmo nível, um companheiro de fato. O professor deve ser um pesquisador e um especialista.

 

Nota final: O uso da palavra libertação e impurezas não tem caráter metafísico em nossa teoria, mas por ser mais adequado, afinal, liberta-se das visões errôneas, dos obstáculos, das impurezas, das emoções prejudiciais, etc. A libertação pode ser destruição, transformação, aquisição, abandono ou uma combinação de dois ou de três ou mais processos. Impurezas é mais adequado por representar também muitas coisas, é uma forma mais geral de chamar todas as coisas que não fazem parte da visão verdadeira, ou das manifestações originais das emoções, ou dos elementos ou fenômenos da consciência, enfim se refere todas as formas de distorção da consciência da vontade ou das emoções.

 

Contato e mais informações em frateriliv@gmail.com